A secção dirige-se a quem está “no batente” e não àqueles que estão afastados da produção querendo falar em nome dos que trabalham. Receberá com o maior interesse e atenção cartas de trabalhadores que retratem os problemas no interior da fábrica como sugestões de temas de interesse de quem trabalha, que a secção deva tratar.Quero começar dizendo que somente os trabalhadores organizados a partir do interior da fábrica podem ter força para reivindicar seus direitos, nesse sentido é muito importante “dar uma força” a todos aqueles que pretendam organizar-se para enfrentar as más condições de trabalho, a exploração econômica e a dominação.
Sem dúvida que a organização sindical na atual realidade brasileira é muito importante, desde que, a direção sindical represente os trabalhadores e não viva das mamatas da contribuição sindical traindo-os na hora dos dissídios, reclamações trabalhistas ou greves.
A participação é fundamental, porém, é claro que 80% dos sindicatos de trabalhadores estão na mão de “pelegos” que na sua maioria são ex-trabalhadores mais preocupados em manter seus cargos do que defender o trabalhador.
O que é necessário esclarecer é que os sindicatos atuais se preocupam na sua maioria em manter o trabalhador afastado das Assembléias. Quando antes de 1930, os sindicatos tinham sedes em cada bairro onde morava o operário e após o trabalho ele podia freqüentá-la para ler os jornais, discutir com seus companheiros, o nível de participação era intenso. Após 1930, com a criação do sindicato único por categoria, dependente do Ministério do Trabalho, através da famigerada lei de Enquadramento Sindical, criaram-se sedes luxuosas no centro da cidade, onde o operário não pode comparecer, pois na sua maioria mora na periferia. Resultado: fraca participação do trabalhador nas decisões sindicais e o uso e abuso da máquina por pelegos na sua maioria dominando sindicatos, federações e confederações.
O futuro do sindicalismo caminha realmente para convenções coletivas, porém, esclareça-se que elas devem ser negociadas por dirigentes sindicais realmente representativos de suas bases e o conteúdo das convenções coletivas que devem ser assinadas deve passar pela discussão no interior das empresas, para que o trabalhador não seja entregue de mão amarradas aos técnicos de negociação e convenção coletiva ou a dirigentes pelegos a eles ligados. O controle público da ação sindical é a base da moralidade sindical, do contrário, só haverá safadeza.
[Fonte: Notícias Populares, 06 de dezembro de 1981]
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