Resumo:
Nosso objetivo é resgatar o pensamento político-pedagógico de Maurício Tragtenberg. De um lado, a crítica incisiva que desvenda o modelo pedagógico burocrático fundado na vigilância e na punição, na relação de dominação, no saber formal transformado em mercadoria de consumo, uma pedagogia que predomina na maioria das nossas escolas e universidades. De outro, o itinerário de uma alternativa pedagógica libertária, recuperada e sintetizada na práxis do educador contemporâneo. No final do percurso, a certeza da sua atualidade.
O modelo pedagógico-burocrático: vigiar e punir
A peculiaridade da pedagogia libertária se expressa pelo questionamento de toda e qualquer relação de poder estabelecida no processo educativo e das estruturas que proporcionam as condições para que estas relações se reproduzam no cotidiano das instituições escolares. É de conhecimento geral, a tese de que a interação entre os diversos personagens que atuam no espaço escolar reproduzem as relações sociais predominantes na sociedade.
Deste ponto de vista, Tragtenberg se coloca a seguinte questão: "conhecer como essas relações se processam e qual o pano de fundo de idéias e conceitos que permitem que elas se realizem de fato". Sua análise busca apreender como a escola atua enquanto "poder disciplinador" pois, conforme afirma o filósofo Michel Foucault, "a escola é o espaço onde o poder disciplinar produz saber". (TRAGTENBERG, 1985: 40)
Como surge esta situação? As origens desta instituição disciplinar remonta às necessidades de controle da força de trabalho e, simultaneamente, das exigências técnicas administrativas produzidas pelo avanço da revolução industrial. Não por acaso, os métodos de controle do operário assemelham-se àqueles utilizados no âmbito do espaço escolar: delimitação e enquadramento do tempo e da forma como este deve ser utilizado; e, domínio dos processos, gestos, atitudes e comportamentos. (estes métodos foram ainda mais intensificados com a adoção do taylorismo). (...)
LEIA NA ÍNTEGRA EM:
FONTE : http://www.espacoacademico.com.br/032/32pc_tragtenberg.htm
sábado, 20 de dezembro de 2008
A atualidade do pensamento de Maurício Tragtenberg
A releitura da obra de Maurício nos leva a constatar a atualidade de suas análises. A sua crítica aos fundamentos da burocracia, em todos os âmbitos do setor privado e do setor público, pode nos dar mais referências para distinguir as sutilezas produzidas pelo capitalismo, produzindo uma nuvem de fumaça no cenário do mundo corporativo. Suas aparências tão edulcorizadas parecem ter o efeito de desconstruir os fundamentos da burocracia. É fundamental que se busque à luz de suas lições produzir novas análises sobre esse modelo generalizado, que atingiu até mesmo as organizações do campo da resistência, em que prevaleceu a mesma ânsia pelo fortalecimento de estruturas de poder voraz e devastador.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
NO BATENTE – Maurício Tragtenberg
A secção dirige-se a quem está “no batente” e não àqueles que estão afastados da produção querendo falar em nome dos que trabalham. Receberá com o maior interesse e atenção cartas de trabalhadores que retratem os problemas no interior da fábrica como sugestões de temas de interesse de quem trabalha, que a secção deva tratar.Quero começar dizendo que somente os trabalhadores organizados a partir do interior da fábrica podem ter força para reivindicar seus direitos, nesse sentido é muito importante “dar uma força” a todos aqueles que pretendam organizar-se para enfrentar as más condições de trabalho, a exploração econômica e a dominação.
Sem dúvida que a organização sindical na atual realidade brasileira é muito importante, desde que, a direção sindical represente os trabalhadores e não viva das mamatas da contribuição sindical traindo-os na hora dos dissídios, reclamações trabalhistas ou greves.
A participação é fundamental, porém, é claro que 80% dos sindicatos de trabalhadores estão na mão de “pelegos” que na sua maioria são ex-trabalhadores mais preocupados em manter seus cargos do que defender o trabalhador.
O que é necessário esclarecer é que os sindicatos atuais se preocupam na sua maioria em manter o trabalhador afastado das Assembléias. Quando antes de 1930, os sindicatos tinham sedes em cada bairro onde morava o operário e após o trabalho ele podia freqüentá-la para ler os jornais, discutir com seus companheiros, o nível de participação era intenso. Após 1930, com a criação do sindicato único por categoria, dependente do Ministério do Trabalho, através da famigerada lei de Enquadramento Sindical, criaram-se sedes luxuosas no centro da cidade, onde o operário não pode comparecer, pois na sua maioria mora na periferia. Resultado: fraca participação do trabalhador nas decisões sindicais e o uso e abuso da máquina por pelegos na sua maioria dominando sindicatos, federações e confederações.
O futuro do sindicalismo caminha realmente para convenções coletivas, porém, esclareça-se que elas devem ser negociadas por dirigentes sindicais realmente representativos de suas bases e o conteúdo das convenções coletivas que devem ser assinadas deve passar pela discussão no interior das empresas, para que o trabalhador não seja entregue de mão amarradas aos técnicos de negociação e convenção coletiva ou a dirigentes pelegos a eles ligados. O controle público da ação sindical é a base da moralidade sindical, do contrário, só haverá safadeza.
[Fonte: Notícias Populares, 06 de dezembro de 1981]
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Livros sobre Maurício Tragtenberg
SILVA, Antonio Ozaí da SilvaMaurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária
Ijuí: Editora Unijuí, 2008 (344p.)
Email: editorapedidos@unijui.edu.br
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Este é um livro sobre um intelectual inovador a quem o Brasil ainda deve, mas que o pensamento crítico vem reconhecendo paulatinamente. Um autor que pensou e contribuiu para a educação de modo não-formal, incomum e essencialmente crítico, confiando no papel formador da negação dialética do instituído. Sem se reter aos espaços que tradicionalmente se convencionou delimitar por “acadêmicos”, como Gorki ele considerava as vivências e lutas de sua trajetória como “as minhas universidades”.
Não é gratuito, portanto, que Antonio Ozaí da Silva inicie esta obra sobre Maurício Tragtenberg esquadrinhando os contextos de sua vida e os influxos de seu engajamento militante. O tema da educação libertária não pode ser apreendido nem encerrado nos marcos investigativos do formalismo pedagógico institucional. Isto é, filosoficamente compreendida, a obra de Ozaí lida com um método de abordagem que sabe reconhecer, respeita e não elide o que lhe demanda a natureza do seu objeto de análise.
O livro esclarece, com propriedade, que Tragtenberg, ele mesmo de formação parcialmente autodidata, articula o seu princípio político-pedagógico libertário a partir da defesa da auto-organização dos trabalhadores. Crítico da cisão teoria–prática e da hierarquia intelectual manifestas no homo academicus, ele via na autogestão dos operários o modo social destes recobrarem integralmente o saber e a condição intelectual deles apartados pela classe dominante, que os marginaliza no processo do fazer, negando-lhes o do conhecer.
Com uma obra marcada pelo decantamento crítico das raízes e da natureza histórico-social da dominação burocrática, Tragtenberg levou para a análise da educação os seus princípios teóricos mais gerais. Introduzindo e impondo respeito à pedagogia libertária na universidade brasileira, atacou a ritualística adestradora da educação burocrático-formal, fazendo da defesa da autogestão educacional, da autonomia do indivíduo e da solidariedade anticoncorrencial as balizas de sua pedagogia integral e igualitária, centrada nos interesses dos educandos.
Por fim, este estudo sobre a práxis militante e educativa de Tragtenberg carrega, ainda, um interesse peculiar: na sua leitura do mestre Tragtenberg – título que ele recusaria –, essas páginas vão calando uma a uma, e revelam, de quebra, parte dos fundamentos inspiradores de onde brota o perfil engajado antielitista do próprio cientista social e educador Antonio Ozaí da Silva, manifesto em seu notável empenho, como escritor e editor, pela qualificação crítica e plural da cultura. Enquanto continuidade dessa práxis educativa igualmente informal, essas páginas compõem uma exposição que honra a justa crítica de Tragtenberg ao vetusto e socialmente inútil elitismo acadêmico.
Paulo Denisar Fraga
Professor de Filosofia, Metodologia da Ciência e Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, MG
Sinopse (resumo)
O leitor tem em suas mãos um livro que representa um exercício de pedagogia crítica porque rememora para as gerações atuais e futuras o pensamento e a prática do pensador social, educador e ativista político Maurício Tragtenberg, reconhecido por sua atuação libertária nos processos educativos e políticos, tanto no sistema escolar formal, quanto nas redes de movimentos sociais, e sempre empenhado em trazer para o espaço burocrático administrado da universidade a concepção do conhecimento como projeto de emancipação; bem como em realizar uma intervenção política libertária que leve para o restante da experiência social os conhecimentos construídos na universidade.
Ao discutir os vários momentos da trajetória pessoal, política e pedagógica de Maurício Tragtenberg, este livro torna explícita a intenção do autor em realizar uma possível continuidade para a pedagogia do exemplo proposta e praticada por Tragtenberg e experienciada diretamente por Antonio Ozaí da Silva, em uma demonstração de que nos processos investigativos e educativos não há sujeitos nem objetos, pois o outrora professor Tragtenberg, com sua ação pedagógica se transforma em tema de um estudo de um ex-orientando, atualmente professor, pesquisador e ativista empenhado em uma política cultural radical, e que através deste trabalho nos propicia uma espécie de sublimação da dor que sentimos com a perda daquele que consideramos "o mestre": Maurício Tragtenberg.
Walter Praxedes
Doutor em Educação pela USP e docente da Universidade Estadual de Maringá
Sobre o autor
Antonio Ozaí da Silva é graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André e mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo sob a orientação de Maurício Tragtenberg. É doutor em Educação pela Universidade de São Paulo sob a orientação de Nelson Piletti e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá, PR. É editor dos periódicos Revista Espaço Acadêmico, Urutágua e Acta Scientiarum: Human and Social Sciences, sendo autor de inúmeros artigos e do livro História das tendências no Brasil (SP: Proposta, 1987), que teve grande repercussão no estudo da formação das organizações, grupos e partidos da esquerda brasileira.
____________________________________
SILVA, Doris Accioly e, e MARRACH, Sonia Alem. (2001) Maurício Tragtenberg: Uma vida para as Ciências Humanas. São Paulo: Editora Unesp, 2001, 328p.Sinopse:
Qualquer estudo sobre a sociologia, a política, a administração, a educação e a história das idéias no Brasil passa pelo pensamento de Maurício Tragtenberg, autodidata que se tornou um dos mais criativos intelectuais brasileiros dos anos 1960-1990, sempre em defesa da democracia e contra a burocratização do movimento operário. Esta coletânea, organizada a partir de evento que homenageou o pensador, em 1999, na Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP, Campus de Marília, reúne depoimentos de 28 professores, pesquisadores, sindicalistas e artistas sobre uma das mentes mais polêmicas do país.
Teses sobre Maurício Tragtenberg
Autora: Doris Accioly e Silva
Tese: A OBRA-TRAJETO DE MAURÍCIO TRAGTENBERG SOB O PRISMA DAS AFINIDADES ELETIVAS
Orientadora: Dulce Consuelo Andreatta Whitaker
Instituição: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho-UNESP, Campus de Araraquara
Ano: 2005.
Resumo: Esta tese é uma interpretação do trajeto-pensamento de Maurício Tragtenberg, um dos cientistas sociais mais originais do século XX. Incorporando os conceitos de afinidades eletivas e obra-trajeto, entre outros, este trabalho focaliza núcleos irradiadores presentes ao longo da vasta produção teórica do autor-tema.Tais núcleos são interligados pela análise das formas de poder e exploração e das práticas e concepções que negam tais formas. Questão central é a relação entre fins e meios, separados nas ações de reprodução da desigualdade e da opressão e unificados no procedimento estético e nas atitudes libertárias. O presente trabalho compreende a obra-trajeto de Maurício Tragtenberg como criação e estabelece uma analogia entre a autogestão e a linguagem poética.
Autor: Antonio Ozaí da Silva
Tese: MAURÍCIO TRAGTENBERG E A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA
Orientador: Nelson Piletti
Instituição: Universidade de São Paulo (USP)
Ano: 2004
Resumo: Este trabalho analisa a contribuição de Maurício Tragtenberg, enquanto intelectual engajado, à Pedagogia Libertária. No capítulo primeiro apresentamos um esboço biográfico. No seguinte, analisamos o autodidatismo e a sua práxis no espaço da informalidade (entendido aqui como o espaço externo às instituições e ao ensino formal), em especial sua militância enquanto escritor envolvido com o mundo do trabalho e as lutas sociais. No terceiro capítulo, estudamos a sua obra intelectual, produzida e orientada para e no espaço formal da instituição acadêmica; os aspectos libertários e a sua contribuição enquanto produção intelectual vinculada ao movimento social. Não se teve a pretensão de fazer uma análise definitiva, mas apenas apreender em que medida sua obra se vincula ao projeto pedagógico libertário. No último capítulo, analisou-se o que ele escreveu sobre a universidade e a educação, sua crítica e proposta pedagógica e, também a sua práxis como docente e intelectual, partícipe do campo acadêmico. Examinou-se os seus escritos sobre educação, a sua prática como educador e os vínculos com a Pedagogia Libertária e a Pedagogia Crítica.
Disponível em http://www.4shared.com/file/76216035/366bce7d/DOUTORADO.html
VERSÃO LIVRO: Maurício Tragtenberg: militância e pedagogia libertária (Ijuí: Editora Unijuí, 2008, 344p.)
Tese: A OBRA-TRAJETO DE MAURÍCIO TRAGTENBERG SOB O PRISMA DAS AFINIDADES ELETIVAS
Orientadora: Dulce Consuelo Andreatta Whitaker
Instituição: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho-UNESP, Campus de Araraquara
Ano: 2005.
Resumo: Esta tese é uma interpretação do trajeto-pensamento de Maurício Tragtenberg, um dos cientistas sociais mais originais do século XX. Incorporando os conceitos de afinidades eletivas e obra-trajeto, entre outros, este trabalho focaliza núcleos irradiadores presentes ao longo da vasta produção teórica do autor-tema.Tais núcleos são interligados pela análise das formas de poder e exploração e das práticas e concepções que negam tais formas. Questão central é a relação entre fins e meios, separados nas ações de reprodução da desigualdade e da opressão e unificados no procedimento estético e nas atitudes libertárias. O presente trabalho compreende a obra-trajeto de Maurício Tragtenberg como criação e estabelece uma analogia entre a autogestão e a linguagem poética.
Autor: Antonio Ozaí da Silva
Tese: MAURÍCIO TRAGTENBERG E A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA
Orientador: Nelson Piletti
Instituição: Universidade de São Paulo (USP)
Ano: 2004
Resumo: Este trabalho analisa a contribuição de Maurício Tragtenberg, enquanto intelectual engajado, à Pedagogia Libertária. No capítulo primeiro apresentamos um esboço biográfico. No seguinte, analisamos o autodidatismo e a sua práxis no espaço da informalidade (entendido aqui como o espaço externo às instituições e ao ensino formal), em especial sua militância enquanto escritor envolvido com o mundo do trabalho e as lutas sociais. No terceiro capítulo, estudamos a sua obra intelectual, produzida e orientada para e no espaço formal da instituição acadêmica; os aspectos libertários e a sua contribuição enquanto produção intelectual vinculada ao movimento social. Não se teve a pretensão de fazer uma análise definitiva, mas apenas apreender em que medida sua obra se vincula ao projeto pedagógico libertário. No último capítulo, analisou-se o que ele escreveu sobre a universidade e a educação, sua crítica e proposta pedagógica e, também a sua práxis como docente e intelectual, partícipe do campo acadêmico. Examinou-se os seus escritos sobre educação, a sua prática como educador e os vínculos com a Pedagogia Libertária e a Pedagogia Crítica.
Disponível em http://www.4shared.com/file/76216035/366bce7d/DOUTORADO.html
VERSÃO LIVRO: Maurício Tragtenberg: militância e pedagogia libertária (Ijuí: Editora Unijuí, 2008, 344p.)
Artigos sobre Maurício Tragtenberg
ALMEIDA, Paulo Roberto de. “A Educação de Maurício Tragtenberg (depoimento pessoal sobre um método político-pedagógico)”. Revista Espaço Acadêmico, nº 15, agosto de 2003. (Site: http://www.espacoacademico.com.br/015/15pra.htm)
ANTUNES, Ricardo. “Maurício Tragtenberg: A perda de um intelectual herético”. Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.9-11.
CATANI, Afrânio Mendes. Maurício Tragtenberg: Um Intelectual Contra o Poder Intelectual (1929-1998). In: Revista Adusp, nº 17, junho de 1999, p.88-90.
FARIA, José Henrique de. “Poder e Participação: A Delinqüência Acadêmica na Interpretação Tragtenberguiana”. RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.70-76.
FERREIRA, Pedro Roberto. “Anotações para um socialismo libertário”. In: Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.35-39.
MOTTA, Fernando C. Prestes. “Maurício Tragtenberg: Desvendando Ideologias”. RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.64-68.
PAULA, Ana Paula Paes de. “Tragtenberg e a Resistência da Crítica: Pesquisa e Ensino na Administração Hoje”. RAE–Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.77-81.
PAULA, Ana Paula Paes de. “As Inexoráveis Harmonias Administrativas e a Burocracia Flexível”. Revista Espaço Acadêmico, nº 16, set. de 2002. (Site: http://www.espacoacademico.com.br/016/16col_apaula.htm)
SILVA, Antonio Ozaí da. Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária: anotações sobre a experiência do fazer a tese. In: REA, nº 36, maio de 2004. Disponível em http://www.espacoacademico.com.br/036/36pol.htm
SILVA, Antonio Ozaí da. (1999) Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária. In: Lutas Sociais, nº 6, São Paulo, NEILS; PUC/SP.
SILVA, Antonio Ozaí da. Maurício Tragtenberg: Educador Crítico e Libertário. Pulsar (São Paulo), v. 1, p. 09-15, 2005.
SILVA, Antonio Ozaí da . O movimento social numa perspectiva libertária: a contribuição de Maurício Tragtenberg. In: SILVA, Doris Accioly e; MARRACH, Sonia Alem. (Org.). Maurício Tragtenberg: Uma vida para as Ciências Humanas. 1ª ed. São Paulo: Editora UNESP, 2001, p. 121-133.
SILVA, Doris Accioly e. “Autonomia e Solidariedade: O Jornalismo Sindical de Maurício Tragtenberg”. In: Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.21-34.
SZKLARAWOSKY, Leon Frejda. “Maurício Tragtenberg”. In Nave da Palavra, nº 25, de 31.03.00. Site: http://www.navedapalavra.com.br/cronicas/mauricio.htm
UHLE, Agueda Bernadete Bittencourt. “Sobre administração e avaliação: uma conversa com as idéias de Maurício Tragtenberg”. Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.13-20.
VALVERDE, Antonio José Romera. “A Inteligência do Orientador”. RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.60-63.
VIEIRA, Evaldo Amaro. “Para Maurício Tragtenberg”. Educação & Sociedade, Ano XX, nº 66, abril de 1999, p.8-10.
ANTUNES, Ricardo. “Maurício Tragtenberg: A perda de um intelectual herético”. Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.9-11.
CATANI, Afrânio Mendes. Maurício Tragtenberg: Um Intelectual Contra o Poder Intelectual (1929-1998). In: Revista Adusp, nº 17, junho de 1999, p.88-90.
FARIA, José Henrique de. “Poder e Participação: A Delinqüência Acadêmica na Interpretação Tragtenberguiana”. RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.70-76.
FERREIRA, Pedro Roberto. “Anotações para um socialismo libertário”. In: Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.35-39.
MOTTA, Fernando C. Prestes. “Maurício Tragtenberg: Desvendando Ideologias”. RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.64-68.
PAULA, Ana Paula Paes de. “Tragtenberg e a Resistência da Crítica: Pesquisa e Ensino na Administração Hoje”. RAE–Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.77-81.
PAULA, Ana Paula Paes de. “As Inexoráveis Harmonias Administrativas e a Burocracia Flexível”. Revista Espaço Acadêmico, nº 16, set. de 2002. (Site: http://www.espacoacademico.com.br/016/16col_apaula.htm)
SILVA, Antonio Ozaí da. Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária: anotações sobre a experiência do fazer a tese. In: REA, nº 36, maio de 2004. Disponível em http://www.espacoacademico.com.br/036/36pol.htm
SILVA, Antonio Ozaí da. (1999) Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária. In: Lutas Sociais, nº 6, São Paulo, NEILS; PUC/SP.
SILVA, Antonio Ozaí da. Maurício Tragtenberg: Educador Crítico e Libertário. Pulsar (São Paulo), v. 1, p. 09-15, 2005.
SILVA, Antonio Ozaí da . O movimento social numa perspectiva libertária: a contribuição de Maurício Tragtenberg. In: SILVA, Doris Accioly e; MARRACH, Sonia Alem. (Org.). Maurício Tragtenberg: Uma vida para as Ciências Humanas. 1ª ed. São Paulo: Editora UNESP, 2001, p. 121-133.
SILVA, Doris Accioly e. “Autonomia e Solidariedade: O Jornalismo Sindical de Maurício Tragtenberg”. In: Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.21-34.
SZKLARAWOSKY, Leon Frejda. “Maurício Tragtenberg”. In Nave da Palavra, nº 25, de 31.03.00. Site: http://www.navedapalavra.com.br/cronicas/mauricio.htm
UHLE, Agueda Bernadete Bittencourt. “Sobre administração e avaliação: uma conversa com as idéias de Maurício Tragtenberg”. Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.13-20.
VALVERDE, Antonio José Romera. “A Inteligência do Orientador”. RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.60-63.
VIEIRA, Evaldo Amaro. “Para Maurício Tragtenberg”. Educação & Sociedade, Ano XX, nº 66, abril de 1999, p.8-10.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Obras publicadas pela Editora da Unesp
ADMINISTRAÇÃO, PODER E IDEOLOGIATRAGTENBERG, MAURÍCIO - Educação, Política, Sociologia - ISBN: 8571395918
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BUROCRACIA E IDEOLOGIATRAGTENBERG, MAURÍCIO - Administração - ISBN: 8571396566
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REFLEXÕES SOBRE O SOCIALISMOTRAGTENBERG, MAURÍCIO - Ciências Sociais - ISBN: 9788571398177
>>> + informações >>>
REVOLUÇÃO RUSSA, ATRAGTENBERG, MAURÍCIO - História - ISBN: 9788571397422
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SOBRE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SINDICALISMOTRAGTENBERG, MAURÍCIO - Educação - ISBN: 8571395519
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Orientandos(as): mestrado e doutorado
Orientando(a): ALMEIDA, Ivan Antonio de
Tema: Construindo a identidade operária: a história da comissão de fábrica da Asama
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1991
Orientando(a): ALMEIDA, Ivan Antonio de
Tema: Movimento Fé e Política: a síntese de uma tragédia
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1997
Orientando(a): BARRETO, Kátia Marly Mendonça
Tema: O clube militar: atuação política
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1988
Orientando(a): BARROS, José Manoel de Aguiar
Tema: Terrorismo: uma palavra em movimento
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1989
Orientando(a): BONITO, Maria Antonieta
Tema: Instituições e sociedades culturais
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1994
Orientando(a): BORBA, Jason Tadeu
Tema: Indivíduo e capital: uma abordagem a partir de Marx e Jung (Gemceinwessen: ruptura, transformação e metamorfose)Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1998
Orientando(a): CAETANO, Miriam Expedita
Tema: Educação para a transformação ou para mudar as algemas de mão? Um estudo sobre educação e formação no Instituto Cajamar
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1996
Orientando(a): CAMARGO, Elizabeth de Almeida S. Pompeo de
Tema: A militância de Fernando Azevedo na educação brasileira e educação física
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1995
Orientando(a): CERQUEIRA, Luiz Egypto da
Tema: Imprensa e indústria da consciência: a informação e a contra-informação militante
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): CRUZ, Marta Vieira
Tema: Igreja Católica e sindicalismo no campo: conservadorismo ou transformação
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1992
Orientando(a): ESCRIVÃO FILHO, Edmundo
Tema: CCQ e “Just-in-Time”: uma análise integrada
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1987
Lattes:
Orientando(a): FARIA, José Henrique de.
Tema: Comissões de Fábrica: poder e trabalho nas unidades produtivas
Nível: Doutorado
Instituição: FEA/USP
Ano: 1986
Orientando(a): FERREIRA, Brasília Carlos
Tema: O sindicato de garrancho
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1986
Orientando(a): FERREIRA, Pedro Roberto
Tema: Os trotskistas (PSR) em 1946: uma ultra-esquerda brasileira?
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1985
Orientando(a): FERREIRA, Pedro Roberto
Tema: O Conceito de Revolução da Esquerda Brasileira - 1920/1946
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1993
Orientando(a): FONSECA, Dirce Mendes da
Tema: UnB: reforma para não mudar
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1986
Orientando(a): FONSECA, Roberto Lopes
Tema: História e administração do Sindicato dos Professores de Itajaí – Sinpro
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1998
Orientando(a): FREITAS, Pedro Jorge de
Tema: A república sem razão; as origens do florianismo
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1992
Orientando(a): FREITAS, Pedro Jorge de
Tema: A Revolução burguesa de Júlio de Castilhos
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 2002
Orientando(a): FRELDO, Antonio Carlos de Moura
Tema: O discurso gerencial como lógica da dominação na organização
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1988
Orientando(a): GANDINI, Raquel Pereira Chainho
Tema: Tecnocracia, capitalismo e educação em Anísio Teixeira
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1979
Orientando(a): GANDINI, Raquel Pereira Chainho
Tema: R.B.E.P – 1944-1952: Intelectuais, educação e Estado
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1990
Orientando(a): GARCIA, Fernando Coutinho
Tema: Centralismo democrático e autoritarismo partidário: uma contribuição à questão da organização
Nível: Doutorado
Instituição: ESP/SP
Ano: 1977
Orientando(a): GIRON, Louraine Slomp
Tema: As sobras do littorio: o fascismo na região colonial italiana do RS
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1989
Orientando(a): GUTIERREZ, Gustavo Luis
Tema: Autogestão e condições modernas de produção
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): LEME, Dulce M. Pompeo de Camargo
Tema: Hoje há ensaio (a greve dos ferroviários da Cia. Paulista -1906
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1984
Orientando(a): LIMA FILHO, Paulo Alves de
Tema: A economia política do complexo industrial-militar: o caso do Brasil
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1993
Orientando(a): LOPES, Elizabeth Pereira
Tema: A máscara e a formação do ator
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1990
Orientando(a): MALAGONI, Edgard Afonso
Tema: Formas e limites do capitalismo agrário: uma leitura crítica de Smith, Ricardo e Marx
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano:
Orientando(a): MARRACH, Sonia Aparecida Alem
Tema: Visão do mundo dos ferroviários aposentados
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): MARRACH, Sonia Aparecida Alem
Tema: O jornalismo político de Cipriano Barata
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1992
Orientando(a): MONTEIRO, Lúcia Emilia Bruno de Barros
Tema: Portugal: o combate pela autonomia operaria
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): PEDREIRA FILHO, Valdemar S.
Tema: Comissões de fábrica: um claro enigma
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano:
Orientando(a): POSSAS, Cristina de Albuquerque
Tema: Saúde, medicina e trabalho no Brasil
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1980
Orientando(a): ROSSI, Wagner Gonçalvez
Tema: Capitalismo e educação
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1977
Orientando(a): SCHILLING, Flávia
Tema: Estudos sobre resistência
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1991
Orientando(a): SEGNINI, Liliana Rolfsen Petrilli
Tema: Ferrovia, ferroviários: uma análise do poder disciplinar na Companhia Paulista de Estrada de Ferro
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1981
Orientando(a): SEGNINI, Liliana Rolfsen Petrilli
Tema: Bradesco: a liturgia do poder
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1986
Orientando(a): SHIROMA, Eneida Oto
Tema: Mudança tecnológica, qualificação e política de gestão
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1993
Orientando(a): SILVA, Antonio Ozaí da
Tema: As tendências, partidos e organizações marxistas no Brasil (1987-1994): permanências e rupturas
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1998
Orientando(a): SILVA, Maria Valéria Jacques de Medeiros da
Tema: Educação permanente: um balanço teórico
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1993
Orientando(a): SILVA, Rosemiro Magno da
Tema: A luta dos posseiros de Santana dos Frades
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1987
Orientando(a): SIMCSIK, Tidor
Tema: Comissão de Fábrica e a organização: caso Kodama
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1986
Orientando(a): SOUZA, Francisco Simão de
Tema: Interventorias no Ceará: política e sociedade (1930-1935)
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1982
Orientando(a): STRUCHEL, Maria Aparecida Zaporalli
Tema: Uma escola esotérica
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1988
Orientando(a): UHLE, Agueda Bernadete
Tema: O exercício da docilidade: estudo da formação profissional no SENAC
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1982
Orientando(a): UHLE, Agueda Bernadete
Tema: Comunhão leiga: O Rotary Club no Brasil
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1991
Orientando(a): VALVERDE, Antonio José Romera
Tema: Pedagogia libertária e autodidatismo
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1996
Tema: Construindo a identidade operária: a história da comissão de fábrica da Asama
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1991
Orientando(a): ALMEIDA, Ivan Antonio de
Tema: Movimento Fé e Política: a síntese de uma tragédia
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1997
Orientando(a): BARRETO, Kátia Marly Mendonça
Tema: O clube militar: atuação política
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1988
Orientando(a): BARROS, José Manoel de Aguiar
Tema: Terrorismo: uma palavra em movimento
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1989
Orientando(a): BONITO, Maria Antonieta
Tema: Instituições e sociedades culturais
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1994
Orientando(a): BORBA, Jason Tadeu
Tema: Indivíduo e capital: uma abordagem a partir de Marx e Jung (Gemceinwessen: ruptura, transformação e metamorfose)Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1998
Orientando(a): CAETANO, Miriam Expedita
Tema: Educação para a transformação ou para mudar as algemas de mão? Um estudo sobre educação e formação no Instituto Cajamar
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1996
Orientando(a): CAMARGO, Elizabeth de Almeida S. Pompeo de
Tema: A militância de Fernando Azevedo na educação brasileira e educação física
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1995
Orientando(a): CERQUEIRA, Luiz Egypto da
Tema: Imprensa e indústria da consciência: a informação e a contra-informação militante
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): CRUZ, Marta Vieira
Tema: Igreja Católica e sindicalismo no campo: conservadorismo ou transformação
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1992
Orientando(a): ESCRIVÃO FILHO, Edmundo
Tema: CCQ e “Just-in-Time”: uma análise integrada
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1987
Lattes:
Orientando(a): FARIA, José Henrique de.
Tema: Comissões de Fábrica: poder e trabalho nas unidades produtivas
Nível: Doutorado
Instituição: FEA/USP
Ano: 1986
Orientando(a): FERREIRA, Brasília Carlos
Tema: O sindicato de garrancho
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1986
Orientando(a): FERREIRA, Pedro Roberto
Tema: Os trotskistas (PSR) em 1946: uma ultra-esquerda brasileira?
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1985
Orientando(a): FERREIRA, Pedro Roberto
Tema: O Conceito de Revolução da Esquerda Brasileira - 1920/1946
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1993
Orientando(a): FONSECA, Dirce Mendes da
Tema: UnB: reforma para não mudar
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1986
Orientando(a): FONSECA, Roberto Lopes
Tema: História e administração do Sindicato dos Professores de Itajaí – Sinpro
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1998
Orientando(a): FREITAS, Pedro Jorge de
Tema: A república sem razão; as origens do florianismo
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1992
Orientando(a): FREITAS, Pedro Jorge de
Tema: A Revolução burguesa de Júlio de Castilhos
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 2002
Orientando(a): FRELDO, Antonio Carlos de Moura
Tema: O discurso gerencial como lógica da dominação na organização
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1988
Orientando(a): GANDINI, Raquel Pereira Chainho
Tema: Tecnocracia, capitalismo e educação em Anísio Teixeira
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1979
Orientando(a): GANDINI, Raquel Pereira Chainho
Tema: R.B.E.P – 1944-1952: Intelectuais, educação e Estado
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1990
Orientando(a): GARCIA, Fernando Coutinho
Tema: Centralismo democrático e autoritarismo partidário: uma contribuição à questão da organização
Nível: Doutorado
Instituição: ESP/SP
Ano: 1977
Orientando(a): GIRON, Louraine Slomp
Tema: As sobras do littorio: o fascismo na região colonial italiana do RS
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1989
Orientando(a): GUTIERREZ, Gustavo Luis
Tema: Autogestão e condições modernas de produção
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): LEME, Dulce M. Pompeo de Camargo
Tema: Hoje há ensaio (a greve dos ferroviários da Cia. Paulista -1906
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1984
Orientando(a): LIMA FILHO, Paulo Alves de
Tema: A economia política do complexo industrial-militar: o caso do Brasil
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1993
Orientando(a): LOPES, Elizabeth Pereira
Tema: A máscara e a formação do ator
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1990
Orientando(a): MALAGONI, Edgard Afonso
Tema: Formas e limites do capitalismo agrário: uma leitura crítica de Smith, Ricardo e Marx
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano:
Orientando(a): MARRACH, Sonia Aparecida Alem
Tema: Visão do mundo dos ferroviários aposentados
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): MARRACH, Sonia Aparecida Alem
Tema: O jornalismo político de Cipriano Barata
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1992
Orientando(a): MONTEIRO, Lúcia Emilia Bruno de Barros
Tema: Portugal: o combate pela autonomia operaria
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1983
Orientando(a): PEDREIRA FILHO, Valdemar S.
Tema: Comissões de fábrica: um claro enigma
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano:
Orientando(a): POSSAS, Cristina de Albuquerque
Tema: Saúde, medicina e trabalho no Brasil
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1980
Orientando(a): ROSSI, Wagner Gonçalvez
Tema: Capitalismo e educação
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1977
Orientando(a): SCHILLING, Flávia
Tema: Estudos sobre resistência
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1991
Orientando(a): SEGNINI, Liliana Rolfsen Petrilli
Tema: Ferrovia, ferroviários: uma análise do poder disciplinar na Companhia Paulista de Estrada de Ferro
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1981
Orientando(a): SEGNINI, Liliana Rolfsen Petrilli
Tema: Bradesco: a liturgia do poder
Nível: Doutorado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1986
Orientando(a): SHIROMA, Eneida Oto
Tema: Mudança tecnológica, qualificação e política de gestão
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1993
Orientando(a): SILVA, Antonio Ozaí da
Tema: As tendências, partidos e organizações marxistas no Brasil (1987-1994): permanências e rupturas
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1998
Orientando(a): SILVA, Maria Valéria Jacques de Medeiros da
Tema: Educação permanente: um balanço teórico
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1993
Orientando(a): SILVA, Rosemiro Magno da
Tema: A luta dos posseiros de Santana dos Frades
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1987
Orientando(a): SIMCSIK, Tidor
Tema: Comissão de Fábrica e a organização: caso Kodama
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1986
Orientando(a): SOUZA, Francisco Simão de
Tema: Interventorias no Ceará: política e sociedade (1930-1935)
Nível: Mestrado
Instituição: PUC/SP
Ano: 1982
Orientando(a): STRUCHEL, Maria Aparecida Zaporalli
Tema: Uma escola esotérica
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1988
Orientando(a): UHLE, Agueda Bernadete
Tema: O exercício da docilidade: estudo da formação profissional no SENAC
Nível: Mestrado
Instituição: Unicamp
Ano: 1982
Orientando(a): UHLE, Agueda Bernadete
Tema: Comunhão leiga: O Rotary Club no Brasil
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1991
Orientando(a): VALVERDE, Antonio José Romera
Tema: Pedagogia libertária e autodidatismo
Nível: Doutorado
Instituição: Unicamp
Ano: 1996
A importância da literatura para o homem de cultura universitária, qualquer que seja sua especialização
por Maurício Tragtenberg**A mensagem literária dirige-se hoje para um homem que vive numa época de especialização, que exige o culto às ciências naturais como o único digno de si. Partindo dessa premissa, uma evidência nos aponta: encontramos médicos, engenheiros e advogados, mas não o “homem” inserido nessas profissões. Essa especialização diferencia-os do resto da humanidade. Submergidos em suas atividades estes não têm oportunidade para serem no meio dos homens, “iguais entre iguais”.
A especialização é o signo de nossa época. O gigantesco desenvolvimento do conhecimento nas ciências naturais, a centralização de esforços dos Institutos Universitários em torno das pesquisas físicas longe de prescindirem de um sentido humano à sua atividade, colocam-no com mais dramaticidade.
É o espantoso desenvolvimento das ciências naturais que revela o fato do homem achar-se num período de transição. Os velhos valores fenecem e os novos não foram ainda encontrados. Esse vácuo é preenchido pela incerteza do homem quanto ao seu destino.[1]
Numa época de especialização [2], a literatura define os ideais de um período de crise e transição. Daí toda grande obra literária ser de um período de transição (veja-se a importância da mensagem de Dante, Dostoievski ou Kafka).
Pois é nesses períodos que se põe dramaticamente ao homem essa interrogação: qual o sentido de sua vida, qual a significação do mundo que o cerca?
O médico, engenheiro, advogado, encarnam especializações necessárias ao exercício de suas atividades, mas têm em comum, um atributo, o de serem humanos e o de enfrentarem idênticos problemas numa sociedade em transição.
Somos filhos de uma sociedade individualista e liberal e caminhamos para um outro tipo de sociedade planificada. Como dar-se-á tal mudança? Quais os agentes desse processo? Não o sabemos. O que sabemos é que assistimos a um espetáculo de crise, de transição, onde os velhos quadros sociais desaparecem e os novos ainda não se estruturaram.
A literatura é uma forma de resposta a essa interrogação. Ela, pelos escritos de Homero transmitia-nos uma mensagem corporificando um tipo de homem: o cavaleiro e o nobre; pela pena de Hesíodo, transmitia-nos uma ética do trabalho e sua dignificação como sentido da vida.[3] Os escritos de Joyce, Kafka e Faulkner, constituem uma mensagem adequada aos tempos novos: as formas clássicas do romance estão fenecendo; cabe ao homem descobrir uma nova linguagem para exprimir novas experiências de uma nova vida.[4]
De todas as formas de arte a literatura é a mais próxima da vida e a mais sintética, pois reúne a arquitetura, quando no processo de composição do romance, a música, na estrutura melódica da frase, a pintura, no traçar o caráter dos personagens, a filosofia, ao definir seus ideais de vida. Daí sua importância para a cultura.
Sendo ela acessível aos diferentes especialistas, poderá formular novas formas de ação ética e padrões morais. Como um sismógrafo poderá ela captar o sentido interno da mudança que se opera no mundo. Para tal, conta com a intuição artística, que faz com que as mudanças sejam pressentidas antes pelos seus possuidores, passando depois aos campos sistemáticos do conhecimento.
A transição do século XIX e XX foi assinalada, em primeiro lugar, pelos impressionistas, pelo naturalismo literário e posteriormente pelos teóricos de política, economia e filosofia.
A literatura pertencendo a um dos campos assistemáticos do conhecimento tem esse poder. Pode auscultar as mudanças que se operam no mundo e pela imaginação de seus grandes nomes, definir ao homem comum, novos caminhos.
Se não conseguir formulá-los com nitidez, pelo menos servirá como testemunho de uma época. A época que produz Camus, Kafka e Faulkner [5], já escolheu seu destino: eles testemunham por ela.
Na época moderna à literatura cabe um papel integrador. O papel de superar o abismo existente entre a arte e a vida, arte e ciência, na medida em que ela mesma é concebida como uma forma de conhecimento dessa totalidade, que é o homem.
Cabe ao escritor viver plenamente sua época, pois só atinge a grandeza, aquele que sentiu seu próprio tempo. Este é o segredo da universalidade de um Goethe, Balzac ou Cervantes.
Nessa tentativa de traçar com lucidez os quadros do mundo, onde se desenrola o drama humano, num período de transição, é que a literatura deixará de ser o “sorriso da sociedade”, para ser testemunho de uma época, uma mensagem acessível a todos, que permitia ao homem independente de sua especialidade sentir-se junto ao seu semelhante, como “igual entre iguais”, cumprindo um sábio preceito chinês.
Se as profissões diferenciam o homem, cabe à arte uni-lo em torno de ideais comuns. Isso ela pode fazê-lo, pois sua linguagem é universal e a condição humana idêntica em toda a face da terra.
__________
* Trabalho premiado – prêmio Graciliano Ramos – no concurso de literatura para os universitários do país, instituído pelo Ministério de Educação e Cultura e pela revista O Cruzeiro, conforme sua publicação de 2-1-60. Fonte: Separata da Revista de História Nº 44 (FFCL - USP), São Paulo. Publicado na Revista Espaço Acadêmico, nº 07, dezembro de 2001. Disponível em http://www.espacoacademico.com.br/007/07trag_literatura.htm ** Licenciado em História pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.
1. A respeito da incerteza do homem quanto ao seu destino individual, num mundo em mudança, existe uma vasta bibliografia, cujos pontos de vista mais relevantes aparecem expostos em:
S. Freud – Civilization and its discontents. Londres, 1930.
J. Ortega y Gasset – La rebelión de las massas. Madri, 1930.
Huizinga – Entre las sombras Del mañana. Madri, 1936.
Niebuhr – Moral and imoral society. A study in ethics and politics. Nova York, 1932.
Os trabalhos acima estão pautados por uma visão romântica e pessimista ante os problemas da técnica numa sociedade de massas e suas repercussões morais, políticas e econômicas.
Uma posição mais construtiva e realista em relação aos mesmos fenômenos se encontrará em:
Karl Mannheim – Libertad y Planificacion Social. México, 1946.
Karen Horney – The neurotic personality of our time. Londres, 1937.
Erich Fromm – Psicanálise da sociedade contemporânea. São Paulo, 1959.
2. A respeito da tendência irrecorrível de nossa civilização à especialização, veja-se Gerth e Mills – “From Max Weber”, cap. Science as vocation. Londres, 1955.
3.Sobre a importância da literatura como “formação do homem” em Homero e Hesíodo, veja-se, Werner Jaeger – Paidéia – I Volume,\ págs. 53-93. México, 1955.
4. O “tipo ideal” de romance construído arquitetonicamente é o de Balzac. “La Commedie Humaine” representa o ideal linear do romance do século XIX. Com “Lês Faux Monnayeurs” de A. Gide, este esquema de desenvolvimento linear da ação do romance deixa lugar à simultaneidade das ações. Esta ruptura com a construção tradicional de romance é salientada por Claude Edmonde-Magny quando escreve: “en écrivant “Les Faux Monnayeurs”, ce modèle de “sur-roman”, Gide refuse la conception traditionelle du genre, avec une vigueur, à peine moins grande, que celle de son ami Paul Ambroise” in “Histoire du roman français depuis de 1918, pág. 229.” Paris, 1950. Joyce representa uma nova experiência construtiva utilizando um tema clássico. Diferentemente dos modernos é introspectivo. O monólogo interior é a razão de Dédalo, é uma forma de existência. Joyce lançou essa técnica já descoberta anteriormente por um francês, Edouard Dejardin. Antes de Joyce, já o inglês Stephen Hudson dele já fazia uso. Até o nosso semiconhecido Adelino Magalhães já o usava.
5. Em Faulkner o diálogo não é uma relação entre duas consciências, é uma relação com vistas à ação. Ele não exclui inteiramente o monólogo, como por exemplo em “Tandis que j’agonise”. Nota Claude Edmonde Magny, que “chez Faulkner l’analyse intérieure alterne perpetuellement avec l’énoncé des comportements” in L’Age du roman americain, pág. 50. Paris, 1948. No entanto, sua obra, como a de Hemingway, Dos Passos e Caudwel estrutura-se sob modelos behaivoristas inspirados na técnica do cinema norte-americano. A respeito das influências do cinema no romance americano e franc6es após-guerra, veja-se as pertinentes observações de Magny, ob. cit., pág. 11.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Memorial

Maurício Tragtenberg
"O que eu sou é o que me faz viver"
Skakespeare, Henrique VIII
O fato de estar, no presente momento, prestando concurso para professor-titular da Faculdade de Educação da Unicamp, ante uma banca examinadora composta por professores-titulares e titulados, é um desafio. Na medida em que o candidato a professor-titular não teve uma formação escolar "convencional", concluiu seus estudos em nível de 1º grau no terceiro ano primário, retomou os estudos escolares através do ingresso na FFCHL da USP mediante apresentação de uma monografia à congregação da mesma.
Apesar de uma "formação" não-convencional e de uma trajetória pós-graduada não-convencional, também acredita o candidato ter conseguido acumular um mínimo de "capital cultural" para lidar com o ensino e pesquisa acadêmicos e manter uma atividade extra-acadêmica dirigida aos trabalhadores através de uma coluna sindical na imprensa diária paulista.
Minha biografia começa no interior do Estado do Rio Grande do Sul, onde meus avós aportaram na qualidade de camponeses pequenos proprietários, fugindo dos progroms, cultivando como unidade familiar uma agricultura de subsistência onde o excedente era vendido no mercado, em Erebango, que depois tornou-se Erexim e, finalmente, Getúlio Vargas.
A emigração de meus avós ao Brasil se deu através de um projeto de colonização judaica no Rio Grande do Sul, que tinha o financiamento da Cia. Judaica de Colonização, fundada pelo barão Hirsch, no início do século.
A colonização judaica no Rio Grande do Sul partia de Erebango, espraiara-se para Philipson e Quatro Irmão, regiões localizadas no Alto Uruguai, próximos a Marcelino Ramos, cidade fronteiriça com o Estado de Santa Catarina.
Lembro-me do quadro rural de Erebango, onde meus avós assentaram nos campos, cobertos de neve durante o inverno, do cultivo da terra e da extração da madeira, de sol a sol. Pela manhã era acordado pelo meu avô, com a pergunta: o Messias já chegou?
Ele era um camponês profundamente religioso, tolstoiano, que esperava diariamente a chegada do Messias, como é comum em camponeses, pequenos proprietários em processo de proletarização. Essas camadas adotam o quilialismo utópico, como demonstrava Weber nos seus estudos sobre a religiosidade camponesa.
O meio rural de Erebango não estava afastado das grandes idéias e movimentos sociais que abalaram o mundo no início do século, culminando com a Revolução Russa.
Já em 1908, centena de camponeses russos vindos da Ucrânia desembarcaram no Paraná. Vinte famílias de camponeses venderam o que tinham na Rússia, embarcando, com escala em Londres, para Santos, São Paulo, daí num cargueiro dirigiram-se para Porto Alegre, levados à Erexim, hoje Getúlio Vargas, onde tomaram conta de dois lotes de terras de 25 hectares. Chegaram transportados em caminhões do exército e despejados nas matas de Erebango, Erexim (Getúlio Vargas).
Encontraram bosques cortados por alguns rios e planícies sem vegetação. Com a gleba, cada família recebeu 500 mil réis em vales, foices, enxada e mais um machado e serra para cada duas famílias. Começara uma experiência fundada no apoio mútuo e na solidariedade, fundados na experiência da revolução maknovista na Ucrânia, destruída pelo bolchevismo, em 1918.
O mais hábeis cumpriam inúmeros papéis, na agricultura, no ensino, na assistência aos doentes e no sepultamento dos mortos. Cultivava-se a terra, plantava-se e colhia-se distribuindo a cada família os gêneros, conforme o seu tamanho, se maior ou menor. As famílias cooperavam nos trabalhos de desmatamento, construção de barracões, abertura de valos e caminhos.
Os anos transcorridos entre 1913 e 1914 foram de muita fome e alguns se lembravam com saudades da Ucrânia. Após a deposição do czar, os bolcheviques tomaram o poder e exterminaram com as colônias anarquistas, em 1920. Muitos deles fugiram para a Argentina e enviavam a Erebango exemplares do jornal libertário Golos Truda, editado pela Federação de Trabalhadores Russos, com sede em Buenos Aires.
Os camponeses de Erebando, ajudados pela imprensa libertária, aprimoraram o senso coletivo de vida e trabalho aprendendo uns com os outros. Todos eram alunos e professores, e aprendiam ao mesmo tempo os segredos do cultivo da terra. À luz de vela, à noite, aprendiam e ensinavam português, espanhol, russo e esperanto, lia-se em Erebango muitos autores anarquistas russos, como Kropotkine, Bakunin, especialmente Tolstói, com seu anarquismo religioso anticlerical, que era o autor preferido.
Já em 1918, apareceu a União dos Trabalhadores Russos do Brasil sediada em Erexim, integrada por 40 camponeses e militantes, onde aparecia com destaque o camponês Serguei Ilitchenco; surge a União dos Trabalhadores Russos, com sede em Porto Alegre, presidida por Nikita Jacobchenco; a União dos Trabalhadores Russos de Guarani, Campinas, Santo Angêlo, dirigida por João e Gregório Taratchenco, e a União dos Trabalhadores Rurais de Porto Lucen, dirigida por Demétrio Cirotenco. Este último, durante mais de vinte anos, serviu de pólo de ligação entre os trabalhadores rurais de Erexim e Erebango, através da União dos Trabalhadores. Havia também o ucraniano Ossef Stefanovich, com uma barba à Kropotkine, que atuava como conferencista, professor, teatrólogo, jornalista e escritor.
Lia-se os clássicos da literatura russa, como Tolstói, Pushkin e Tchekov. Paralelamente, as colônias conseguiram a auto-suficiência em alimentos, elevaram o aprimoramento educacional e auto-aplicação dos princípios anarquistas no quotidiano de suas vidas.
Foi nessa época em Erebango, depois Erexim, que os camponeses jovens pensaram em criar a Juventude dos Trabalhadores Rurais Libertários, ao mesmo tempo em que recebiam dos emigrados russos dos EUA o diário Americankie Izvestia e a revista Volna. Em 1925, recebiam em Paris a revista Dielo Trouda, que após 1930, seria impressa em Chicago. De Detroit vinha a partir de 1927, a revista Probuzhdenie, que em 1940 se associaria à Dielo Trouda, formando uma só revista sob o título Dielo-Trouda-Probuzhdenie, em circulação até 1963. Recebiam de São Paulo os jornais A Plebe, A Voz do Trabalhador, Ação Direta, O Libertário, a que se juntaram periódicos em castelhano como Voluntad, Tierra y Libertad e La Protesta****.
Compunham a biblioteca dos colonos obras de Bakunin, Kropotkine, Malatesta, historiadores do anarquismo como James Guillaume, Rudolf Rocker, além de obras de Emma Goldman, Nestor Makno, recebidos do Canadá e Argentina. Segundo meus pais, toda essa problemática era discutida pelos meus avós, com a audiência respeitosa destes.
Porém, voltando à minha trajetória pessoal, conheci as primeiras letras em Erebango, depois Erexim, numa escola pública que funcionava num galpão. Entre arreios, cheiro de alfafa e um quadro negro, tive meu primeiro contato com o ler; escrever e contar.
A região havia sido assolada pela Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, as tropas de chimangos e maragatos, indistintamente, destruíam plantações, matavam a criação e expropriavam os camponeses, reduzindo as comunidades camponesas a zero, no sentido econômico. No plano cultural, nem falar, o cinema havia chegado através do dono do único hotel da colônia, assistido por uma platéia embasbacada, que nada entendia do enredo dos filmes. Minha avó, que havia ido ao "cinema", perguntava para o meu avô o que havia visto através da "máquina"; respondia: "Vi diabos, diabos, diabos..."
Começava a desintegração da família como unidade produtiva. Uma tia minha dirigiu-se a Porto Alegre, a "grande capital", e lá se casara com um serralheiro judeu, oriundo da Letônia. Logo depois, meu tio e minha mãe rumavam na mesma direção, instalando-se no Bonfim, o "gueto" judeu em Porto Alegre, tão bem retratado nas obras do escritor Moacyr Scliar.
Lá, freqüentara o Grupo Escolar Luciana de Abreu, ainda hoje no bairro Azenha. Estávamos em pleno Estado Novo, com fotos de Getúlio em todos os bares da cidade, com símbolo presidencial e cara de menino de primeira comunhão.
Lembro-me que houve um dia "sem aulas". Isso se deveu à visita que Plínio Salgado fez a Porto Alegre. Na frente do grupo escolar havia um posto de distribuição de publicações de Plínio Salgado e sobre o integralismo. A condição de "judeu", numa sociedade nacional mais ampla, leva você a uma "politização precoce".
Isso porque a visita de Plínio Salgado era sentida no bairro judeu como a visita de um anti-semita que preparara futuros progroms, iguais aos vividos na Rússia, daí o temor e os comentários terem-se espalhados pelo bairro.
Assisti na avenida Oswaldo Aranha, a principal da cidade, ao desfile dos integralistas, uniformizados com camisa verde e ostentando um porte marcial. É o período em que o integralismo apoiara o Estado Novo, pensando receber em troca um ministério para Plínio Salgado. Isso não se deu e Getúlio, dias depois, colocaria a Ação Integralista na ilegalidade.
Logo depois, a família mudava para São Paulo, num vagão de segunda classe da então Viação Férrea do Rio Grande do Sul, após duas noites e três dias de viagem, aportávamos na Estação Sorocabana de São Paulo.
Fomos habitar à rua Tocantins, no bairro do Bom Retiro. Eu freqüentava o "Thalmud Torá", uma escola judaica ortodoxa. De manhã estudava as matérias comuns do ciclo primário e à tarde o índice hebraico e comentários do Velho Testamento.
Tínhamos como vizinhos uma família judia de origem húngara, que se tornara nossa amiga. Ela sobrealugava um quarto a um cidadão que vivia de pijama e fumava cigarros Fulgor. Novamente o clima autoritário do Estado Novo fazia-se presente: o cidadão desaparecera, corria o boato que era "comunista", delito gravíssimo sob o Estado Novo.
Comecei a trabalhar muito cedo para ajudar um fraco orçamento doméstico, meu pai falecera e minha mãe costurava. Iniciei minhas "universidades", freqüentando um bar na rua Ribeiro de Lima, que tinha duas características: comida barata e mesa sem toalhas. Lá acorriam trabalhadores de origem letã, lituana, russa, polonesa, muitos haviam, inclusive participado da Revolução Russa, haviam topado pessoalmente com Lênin, Trotsky, Zinoviev ou Bukharin. Não eram "temas" de academia e sim expressões de relações sociais e políticas vividas.
Logo depois eu mudara para o bairro do Brás. Morei na rua Santa Clara, rua Cachoeira e rua Catumbi, no Belenzinho. Nessa época, caíra a ditadura de Vargas, e eu tinha como vizinho uma sede do Partido de Representação Popular. Apesar de ter origem judaica e imagem de "esquerdista", os integralistas me tratavam com respeito, pois eu já lera, na época, toda a obra política de Plínio Salgado, Gustavo Barros e Miguel Reale e, de lambugem, nazistas nacionais como A. Tenório de Albuquerque e Tasso da Silveira.
Era um período de grande efervescência política: falava-se de Constituinte, isso em 1945, redemocratização e transição, muito parecido com o que se fala ainda hoje.
Perto de minha casa, na rua Belém, o PCB alugara um quarteirão onde se instalara a sede de seu comitê estadual. Vendia-se, lá, livros, símbolos do PCB como distintivos, emblemas, bandeiras, vendia-se bônus para a campanha da imprensa do PCB, muitos operários ostentavam símbolos orgulhosamente na lapela.
Foi lá que, na venda da esquina da rua Catumbi com a Ivinhema, encontrei um operário espanhol com o inevitável bigode, que, olhando minha aparência mirrada - na época o meu apelido social era Gândhi, tal a magreza - "Oh! Rapaz, queres ficar forte? Entre para o PCB".
Contribuía para a mesma tendência um sapateiro espanhol, meu vizinho, que entre um prego e outro na sola do sapato discorria sobre reforma agrária, o que fora a guerra civil espanhola e a importância do PCB.
Não tive dúvidas, ingressei na "base", uma célula de bairro que funcionava no bairro do Belém, inicialmente pequena, composta de um pedreiro, um operário têxtil e uma dona-de-casa.
Quais eram as tarefas da "base"? Pichar muros, colocar cartazes do partido, participar na organização de comícios políticos, leitura obrigatória dos jornais do partido. Nas reuniões, o secretário político trazia um resumo do jornal O Estado de S.Paulo e, assim, considerava cumprida a missão de informar em nível nacional e internacional o seu grupo.
Na época, trabalhando como office-boy de um laboratório farmacêutico existente na rua Catumbi, conheci um motorneiro que fazia a linha Belém-Praça da Sé, num bonde "cara-dura", assim chamado porque trazia um cartaz "Bonde para Operários", cuja passagem custava dez centavos, quando o bonde comum custava o dobro.
Entre uma viagem e outra, eu colocava o caixote de medicamentos junto à direção do bonde, sentava e ouvia ele discorrer sobre o projeto socialista, a exuberância do potencial da URSS e o "grande Stálin" condutor dos povos.
Porém, havia outros focos de difusão cultural popular. Houve a fundação do Partido Socialista, em cuja sede central, no edifício Sta. Helena, na Pça. da Sé, conheci Antonio Cândido, ministrando um curso sobre a História do Brasil, Azis Simão falando sobre o sindicalismo e a burocracia, e comecei a ler, além de Stálin, os clássicos do marxismo, o próprio, Lênin e Trotsky.
Participei do IV Congresso do PCB, onde Prestes justificara o caráter "progressista" da burguesia industrial que o partido deveria apoiar para "acabar com o latifúndio e os restos do feudalismo" em 1945.
Falava-se com sagrado temor que o Brasil estava num processo de "revolução democrático-burquesa", e que a tarefa do partido, além de lutar por uma Constituinte com Getúlio, era apoiar Adhemar de Barros ao governo do Estado. Era a época do Tratado de Yalta, onde os EUA deixaram Stálin avançar sobre o Leste e os PCs ocidentais, por sua vez, "compunham" com os partidos burgueses, como De Gaulle na França, com De Gasperi na Itália, com Getúlio no Brasil, combatendo as greves e pregando a "união nacional".
Porém, freqüentava eu a Galeria Prestes Maia, onde reuniam-se trabalhadores, de tendências anarquistas, trotskystas e socialistas, além de comunistas e também integralistas, estabelecendo profícuo debate. Foi aí que eu soube pela primeira vez, através do vidreiro Domingos Taveira, militante sindical, o que fora a Revolução Russa, como fora esmagada a oposição Operária, fundada por Kollontai, pelo governo Lênin-Trotsky.
Através dos socialistas, eu tomara conhecimento da crítica de Rosa Luxemburgo aos "descaminhos do bolchevismo" e, através de um senhor português que trabalhava como lixeiro na limpeza pública, eu soubera como Makno e seus componentes foram esmagados por Lênin e da rebelião dos marinheiros de Cronstad contra a "comissariocracia" instituída pelos bolcheviques. Na minha ingenuidade, levei tais "dúvidas" ao IV Congresso do PCB: a reação unânime fora: "São conversinhas da Pça. do Patriarca". Fui chamado à ordem pela "direção" e impedido de ler Marx ou Lênin; literalmente fora obrigado a limitar-me à leitura do jornal Hoje e Imprensa Popular para ficar a par do noticiário nacional e internacional, segundo a voz dos "dirigentes".
Persistindo nas minhas "dúvidas", fui solenemente expulso do PCB, nos termos do artigo 13 do Estatuto do Partido de 1945: "É proibido ao militante do Partido qualquer contato direto ou indireto com trotskystas ou outros inimigos da classe operária".
Perdia eu o partido, ao mesmo tempo em que perdia uma namoradinha minha que insistia nas leituras de São Cipriano, querendo converter-me à sua Igreja.
Passei a freqüentar cursos de fim de semana do PSB e ganhei de Aziz Simão o primeiro livro de nível universitário, a História Econômica e Social da Idade Média, de Henri Pirenne. Eu freqüentava à noite, aos sábados, as conferências do Centro de Cultura Social onde Edgard Leuenroth, Pedro Catallo, a feminista Anita Carrijo, o escritor Mário Ferreira dos Santos, pontificavam.
Após minha expulsão do PCB, não só iniciara a leitura dos clássicos marxistas, como da obra do "herético" Trotsky e o tema da burocracia me fascinou.
A minha preocupação com a burocracia como poder data daí, além de uma vivência concreta: eu prestara concurso para o cargo de escriturário do Departamento de Águas e Energia Elétrica e lá travara contato com a burocracia do quotidiano no ritualismo existente na interação burocrática, na apatia do burocrata ante o trabalho e como no interior da burocracia pública havia diferenças de status, mantidas através dos diplomas acreditativos das escolas, como definia Weber.
Assim, na década de 50, muito antes de aparecer Bourdieu como celebridade, percebia eu no Departamento de Águas que o estamento dos engenheiros só atendia alguém se esse alguém usasse o tratamento de "Doutor" dirigindo-se a ele. Caso contrário, não havia interação. Percebi como, na burocracia pública, funcionava o sistema feudal do "patrocínio", seu status dependia de a quem você estivesse "ligado" na burocracia. Você trabalhava ou ficava na ociosidade, dependendo do prestígio do seu "padrinho".
O horário de trabalho era do meio-dia às dezoito horas, de segunda a sexta-feira. Isso possibilitava-me pela manhã e à noite freqüentar a Biblioteca Municipal Mário de Andrade e lá ler o que me interessava, discutindo com outros autodidatas, nas saídas ao "cafezinho", sobre as leituras que fazia.
O chamado "grupo da Biblioteca" era composto na época por Silvia Leser, Bento Prado Jr., Aracy Martins Rodrigues, Carlos Henrique Escobar, Flávio Rangel, Antunes Filho, Maria Lúcia Montes, Leôncio Martins Rodrigues, Cláudia Lemos. Lia-se de tudo, de Aristóteles a Sprengler, passando por Fernando Pessoa, Sá-Carneiro e José Régio.
A média de leitura era de seis a oito horas por dia, não havia telefonema de jornais pedindo matéria, reuniões de departamento, de conselhos inter ou extradepartamento em suma, você utilizava o tempo produtivamente.
Surgira um semanário, Orientação Socialista, onde passei a colaborar, além de colaborar na Folha Socialista mantida pelo PSB. Assistia a algumas assembléias sindicais, no Sindicato dos Metalúrgicos, no fim da ditadura Vargas, levado por um velho militante sindical que instruíra-me sobre o "ambiente sindical", ou melhor, sobre o getulismo sem Getúlio. Entrava-se na sede do sindicato na rua do Carmo, e um burocrata da Delegacia Regional do Trabalho recebia-nos com o gesto de sentar e calar a boca durante a assembléia, dizendo: "- Fique quieto, só ouça". Era assim que o sindicalismo de Estado criava a "nova" consciência operária.
Nessa época, já Remo Forli fora eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e conheci o Paul Singer que trabalhava como eletricista nos Elevadores Atlas e militava no PSB.
Porém, não posso deixar de incluir nas minhas universidades a família Abramo. Na época, Dna. Yole, mãe dos Abramo, Lélia, Beatriz, Athos, Perseu, moravam na rua do Hipódromo, 425. Ali entrei em contato com a cultura italiana e com a visão crítica do bolchevismo, através de Athos, Fúlvio e Lélia Abramo. Eu freqüentava a casa deles aos domingos.
Com essas universidades, fui pouco a pouco tendo uma visão crítica da burocracia no movimento operário e, através do trabalho no Departamento das Águas, uma interna da burocracia como estrutura.
Eu já aumentara um pouco de peso e deixara de ser o "Gândhi". Foi quando Antonio Candido, no saguão da Biblioteca Municipal, mencionara uma lei federal que permitiria eu apresentar uma monografia à FFCHL da USP, para prestar vestibular e cursar a universidade.
Em 150 dias de trabalho, estruturei a monografia Planificação..., que, mediante parecer do Prof. João da Cruz Costa, permitiu-me prestar vestibular e cursar a universidade.
Porém, tive algumas dificuldades em adaptar-me à rotina escolar, ao sistema de provas, exames e trabalhos. Assim, inicialmente prestara vestibular para Ciências Sociais, porém não me dera bem com os professores que lecionavam no 1º ano matérias como Geografia, Filosofia Geral, Psicologia Social. A disciplina Geografia era lecionada pelo prof. Ary França, Filosofia Geral pelo prof. Cunha Andrade e Psicologia Social pela profª Anita Cabral.
Desisti daquele curso e prestei novo vestibular, ingressando no curso de História da Civilização. Pensava eu estar mais condizente com os princípios do materialismo histórico ter uma boa formação em História. Concluí esse curso e prestei concurso de ingresso ao magistério oficial do Estado. Aprovado, escolhi a cidade de Iguape para início da carreira.
Iguape, na década de 60, era o "Nordeste" do Estado de São Paulo. Achar um sanduíche quente na cidade era uma aventura. O hotel fechava às 22 horas impreterivelmente. Era de dois andares, no superior residiam as professores, no térreo os professores. Se elas lavassem o andar superior, a água cairia sobre os professores do térreo; resultado: só se passava o pano de chão - imagine a higiene que havia!
Permaneci ali um ano. Por eu ser ateu, houve um conflito com pároco católico local, apoiado pelo diretor do colégio, que era um maçom e por um aluno do curso noturno, que era protestante e, por sinal, chamava-se Calvino.
O conflito eclodia aos domingos, pela manhã, onde, tomando pinga com o diretor e Calvino no bar diante da igreja, ouvíamos o pároco deblaterar: "Quem é maçom não pode ser criston!" - isso com forte sotaque germânico.
No ano seguinte, removi minha cadeira para Taubaté, para o I.E. Monteiro Lobato. Morava em pensão no centro da cidade. Abriu vaga em Mogi das Cruzes dois anos depois, e para lá fui, fixando residência em São Paulo.
Lecionava no Instituto de Educação, das 19h30 às 22h30, utilizando diariamente o trem de subúrbio da Central do Brasil. Voltava diariamente do colégio em São Paulo à 1 hora da manhã na Estação Roosevelt, no Brás. De lá, tomava o ônibus Ferreira, que me deixava no Alto da Previdência, onde eu morava numa casa adquirida através do Ipesp.
Logo depois, removi minha cadeira para o Ginásio Estadual Cândido de Sousa, no bairro do Sumaré, em São Paulo, lecionando à tarde e à noite. Consegui o "milagre" de alunos do ciclo ginasial lerem Anísio Teixeira, para discutirem problemas pedagógicos com seus professores. Nessa época tive como aluna a atual colega, professora de História e Filosofia da Educação, a Profª Ediógenes de Aragão".
A convite do Prof. Wilson Cantoni, fui contratado como docente na Faculdade de Filosofia de São José do Rio Preto, atual campus da Unesp. Ministrava aulas de Cultura Brasileira para os alunos do curso de Letras e Pedagogia. Praticávamos uma espécie de autogestão pedagógica. Tínhamos como colega Michael Löwy, que fez carreira universitária na França, Norman Potter, que lecionara em Heidelberg, após 64.
Porém, veio 64, fomos demitidos sumariamente e passamos a ministrar curso de "extensão universitária" na Delegacia de Polícia local. Prestávamos declarações a respeito dos cursos que ministrávamos. Comecei meu depoimento com o início do processo de secularização da cultura ocidental a partir do século XII. Lembro-me da Profª Zélia Ramozi, psicóloga, discorrer sobre a filosofia de Kant e sobre a epistemologia genética de Piaget.
A Faculdade de Filosofia de S.J. do Rio Preto teve os seus cargos docentes lotados entre os vereadores da Câmara Municipal local, pertencentes ao PSP: eis que Adhemar de Barros era o governador em 1964. Por isso, em meu círculo, o ano de 1964 não existiu enquanto produção intelectual. Foi a época em que tive um esgotamento nervoso e fiquei internado no Instituto Aché durante 90 dias. Porém, isso me fora útil, pois, se eu fora demitido dos cargos docentes, através do AI de 1964, a 09.10.64, pude observar e analisar o poder médico num hospital psiquiátrico tradicional e a burocratização da prática médica. Isso ampliou minha visão de poder e burocracia nas instituições, que se iniciara quando escriturário no Departamento das Águas.
Mais do que isso, solicitei livros à minha mulher, pude lê-los com aquiescência médica e durante esses 90 dias estruturei as linhas gerais da minha tese de doutorado, que defenderia na área de Política da USP, Burocracia e Ideologia.
1964 fora realmente o pior ano de minha vida. Saí do hospital, sem cargo, sem trabalho e com dívidas a pagar, por aí a gente vê como um currículo não pode ser somente "edificante" e vitorioso: é também composto de indecisões, incertezas e derrotas.
Porém, no hospital, havia solidariedade entre internados, especialmente os que lá estavam devido ao golpe de 64, havia muitos ex-militares, ex-funcionários do Banco do Brasil que eram ativistas sindicais, em suma, também pessoas comuns, que sofreram os efeitos do golpe, embora não tivessem participação sindical ou política direta.
Foi aí que Cláudio Abramo consegue que eu vá dirigir na Folha de S.Paulo o noticiário internacional. Lá fiquei três anos, trabalhando das 2h da tarde às 2h da madrugada. Lá conheci Emir Nogueira, professor também, que muito fizera para que eu fosse trabalhar nesse diário. Encontrei lá o jornalista Aristides Lobo, fundador do PSB, que logo depois morreria. Porém deixara um filho à altura de sua prática política. Enquanto vivo, ele foi o diretor do filme Cabra Marcado Para Morrer.
É quando a Fundação Getúlio Vargas (FGV) resolve me contratar para lecionar no departamento de Ciências Sociais, onde iria ministrar cursos sobre Sociologia da Burocracia, aproveitando minha vivência junto à burocracia pública do Departamento das Águas, a burocracia hospitalar, a temática da burocracia como poder político que recolhi no contato com o Prof. Aziz Simão. Ia com freqüência aos cursos do PSB e do Centro da Cultura Social de São Paulo.
Meu interesse pelo estudo da burocracia e do poder levou-me na década de 60 à leitura da obra de Weber, especialmente Economia e Sociedade, porém, procurando reconstruir as condições da sua produção. Assim, interessei-me pela Sociologia do Direito em Weber e reconstruí as leituras que fundamentaram o capítulo através do estudo da história do direito grego, romano, islâmico, judaico e da common-law, por exemplo.
Já possuía a essa altura uma espécie de "capital lingüístico" que dava para o gasto; do conhecimento da língua iídiche por via familiar cheguei ao alemão e às traduções de textos de Weber (vide vol. Weber, Col. Pensadores, Ed. Abril). Conheci o italiano através do convívio com a família Abramo, o francês aprendi com minha companheira, que fora professora de francês no 2º grau. A língua inglesa, através da consulta direta ao dicionário na formação de um vocabulário inglês especializado na área de ciências sociais.
A ênfase no item "conferências" do currículo se dá pelo fato do esmagador número de conferências ter ocorrido no período do "fechamento" político da "abertura".
Foi nesse período que o movimento estudantil estava extraordinariamente ativo e promovia conferências de professores que tivessem uma atividade ante o cenário universitário e o cenário político.
Nos artigos publicados na grande imprensa, cabe destacar aqueles inseridos no jornal Notícias Populares, onde durante 7 anos mantive uma coluna sindical denominada "No Batente". Essa coluna traduzia, duas vezes por semana, o que ocorria no interior das empresas, na política sindical e na política no geral. Por interferência de grupos de pressão empresariais e políticos, ela deixou de ser publicada há pouco tempo.
Minha colaboração na seção "Tendências e Debates" na Folha de S. Paulo acompanhou o fim do regime militar e o início da "abertura" política.
Hoje ela está mais destacada, por ter optado pela produção de livros paradidáticos, conforme os que estão em anexo: Reflexões Sobre o Socialismo, Ed. Moderna e A Revolução Russa, Ed. Atual. Também estruturei a Coleção "Pensamento e Ação" junto à Ed. Cortez, com cinco clássicos da política já editados. Além da participação em um sem-número de bancas examinadoras de Qualificação, Mestrado, Doutorado, Livre-Docência, Adjunto e Titular, de candidatos por esse Brasil afora.
Estou agora trabalhando com maquiavelistas chineses e hindus, com Han Fei-Tsu e Kautylia, preparando uma edição crítica de suas obras.
Afora as inúmeras teses orientadas, muitas das quais editadas em livros, parece-me importante salientar uma influência que tive a respeito da mudança de paradigmas no ensino de administração na FGV e na FE da Unicamp. Segundo meu ex- aluno Valdomiro Pecht, atual professor da FGV, em sua tese de mestrado acentua, a diferença do enfoque da teoria administrativa na FEA da USP e da FGV devia-se à influência exercida pelo meu artigo "A Teoria da Administração é Uma Ideologia?". Aí, a burocracia é vista como uma estrutura perpassada por relações internas de status, na relação de poder, enquanto na FEA da USP burocracia era estudada como estrutura funcional que se amplia com a ampliação da organização.
No caso da FE da Unicamp, os depoimentos informais de colegas meus que ministram cursos na graduação, foram meus orientandos em teses de mestrado e atualmente oriento-os em nível de doutorado, me deram ciência de que, com a introdução de autores como Michel Foucault, Trotsky, V. Thompson, James Burham, Lapassade, a teoria da administração escolar passou a ser vista nos cursos de graduação como um discurso do poder que exprime relações de força nas organizações.
Infelizmente, por carência de tempo, não me foi possível consultar a tese de Pecht, ou levar a termo afirmações informais de colegas meus da Unicamp, que ministram cursos na graduação de Administração Escolar, para provar documentalmente o que aí escrevo. Porém, a tese de Pecht está na ECA da Usp e os meus colegas de área estão presentes na Faculdade, possíveis interlocutores no assunto em pauta.
Concluindo, penso que um professor que consegue a mudança de paradigmas numa área e fecundar uma obra como a de Fernando Prestes Motta, José Henrique Faria, na teoria administrativa, Fernando Coutinho Garcia, da UFMG, conseguiu seu objetivo. Isso porque, segundo os clássicos chineses, influenciar é ter poder.
Em suma, os lados positivos dessa trajetória só foram possíveis de aparecer graças ao apoio imenso da minha companheira, Beatriz.
__________
Fontes: [Pró-Posições – Revista Quadrimestral da Faculdade de Educação – Unicamp – Nº 04 – Março de 1991, pp. 79-87]; Educação & Sociedade – Revista Quadrimestral de Ciência da Educação – Ano XIX – Dezembro de 1998 – Nº 65, pp. 07-20; Revista Espaço Acadêmico, nº30, novembro de 2003, disponível em http://www.espacoacademico.com.br/030/30mt_memorial.htm
mensagem de boas-vindas
Caro(a),
seja bem-vindo.
Este blog foi criado com os seguintes objetivos:
a) resgatar e divulgar a obra de Maurício Tragtenberg (1929-1998);
b) ser um espaço para registro da memória, intelectual e afetiva, dos ex-alunos, ex-orientandos, amigos e admiradores;
c) compartilhar experiências libertárias;
d) compartilhar a produção intelectual e acadêmica sobre Maurício Tragtenberg;
e) estimular o debate sobre a sua obra.
Está aberto à contribuição de todos.
obrigado.
Antonio Ozaí da Silva (DCS/UEM)
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Antonio Ozaí da Silva (DCS/UEM)
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