<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389</id><updated>2012-01-08T18:14:35.574-02:00</updated><category term='obra (artigos)'/><category term='coluna NO BATENTE'/><category term='Foucault'/><category term='sobre maurício (teses)'/><category term='sobre maurício (artigos)'/><category term='obra (memorial)'/><category term='entrevistas'/><category term='Prof.Ozaí'/><category term='orientandos(as)'/><category term='depoiementos'/><category term='fragmento'/><category term='obras (livros)'/><category term='colaboradores'/><category term='sobre maurício (livros)'/><title type='text'>Maurício Tragtenberg - Educador Libertário</title><subtitle type='html'>Objetivos: resgatar e divulgar a obra de Maurício Tragtenberg (1929-1998); ser um espaço para registro da memória, intelectual e afetiva, dos ex-alunos, ex-orientandos, amigos, etc,; compartilhar artigos, teses, livros e textos em geral sobre a obra de Maurício Tragtenberg; e, estimular o diálogo e debate.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7659354003403942477</id><published>2010-12-10T18:15:00.001-02:00</published><updated>2010-12-10T18:17:51.145-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoiementos'/><title type='text'>Email de 10/09/2009</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-size: 11px; line-height: 15px;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Caro Ozai, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Li teus trabalhos com as referencias ao Prof. Mauricio Tragtenberg. Fui aluno dele no biênio 1971-1972 quando cursei a Escola de Sociologia e Politica &lt;st1:personname productid="em SP. De" st="on"&gt;em SP. De&lt;/st1:personname&gt; fato, ele era uma pessoa singular que conjugava as qualidades de educador (raro) com a maestria de um virtuoso nas matérias que ministrava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Obrigado e abracos, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="mailto:milgram@netvision.net.il"&gt;Avraham Milgram&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;[email recebido em 10/10/2009]&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7659354003403942477?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7659354003403942477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2010/12/email-de-10092009.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7659354003403942477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7659354003403942477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2010/12/email-de-10092009.html' title='Email de 10/09/2009'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-1979539526148031159</id><published>2010-07-10T20:42:00.005-03:00</published><updated>2010-07-10T21:01:44.552-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>BAR-ZOHAR, M. Michel. Ben Gurion: O Profeta Armado. São Paulo: Editora Senzala, 1968, 386 p. - Apresentação do tradutor brasileiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TDkJpcICwmI/AAAAAAAAN0U/n1I_kuSVVkk/s1600/tragtenberg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5492431828084245090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TDkJpcICwmI/AAAAAAAAN0U/n1I_kuSVVkk/s320/tragtenberg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dizia Napoleão ser a política, a forma moderna de tragédia. Por outro lado, a pureza dos princípios não só tolera como requer as violências e Israel não é a exceção. O livro tem como única finalidade recompor a imagem de Ben Gurion após o “caso Lavon”.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ben Gurion, o criador do Exército Nacional, o pai do Estado de Israel, o vitorioso estrategista da guerra de Independência, é, como o fôra Trotski também, atualmente um profeta desarmado, um carisma no ostracismo, sofrendo uma “desgraça” inerente à condição da ação política. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aceitando a chance da glória, o político aceita o risco da infâmia, um e outro “imerecidos”. A ação política é “em si” impura na medida em que é uma ação sobre o outro, dirigida a grupos. Neste sentido nenhum político é inocente. Governar é prever; e existe o imprevisto: eis a tragédia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Neste sentido, descortina-se o “caso Lavon”. Este fundador do movimento pioneiro GORDONIA, veio a Israel na segunda Aliá (imigração) da década de vinte. Membro do movimento Kubatziano “coletivista agrário” exercei altos cargos no Hapoel Hatzair (o jovem trabalhador) que serviu de base ao Mapai (Partido Trabalhista de Israel) ocupando o cargo de Ministro da defesa e Secretaria Geral da Histadrut (central trabalhadora). Atualmente com 70 anos é um símbolo de seriedade, honradez, respeito pela juventude universitária. Parecem-nos inadequados à sua real personalidade, os conceitos emitidos por Bar-Zohar nesta obra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lavon é um político, portanto não é “inocente”. A maldição da política consiste em traduzir os valores em fatos. Neste campo toda vontade vale como previsão e todo prognóstico é cumplicidade. Neste sentido, Lavon fôra absolvido pela Comissão Especial de Inquérito formada a mando de Eskhol a respeito da “Operação Egito”, operação de espionagem que terminara num fiasco com a detenção dos implicados por Nasser.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lavon vivera dramaticamente o conflito entre a moral da responsabilidade que julga conforme os efeitos dos atos e a moral da consciência, que coloca a necessidade da obediência incondicional dos valores quaisquer que sejam suas conseqüências. Sem dúvida, ele ordenara o incremento das ações de represálias aos Fedayn (bandos árabes armados), ocasionando inúmeras mortes. A morte na ação política ou militar não é um mundo que termina, é um comportamento que se extingue; daí ser impossível governar com o “Sermão da Montanha” ou com o “imperativo categórico” de Kant. No entanto, perdem qualquer fôro de verossimilhança as palavras que Bar-Zohar coloca na boca do humanista Lavon, ao referir-se às ações antiárabes. “Pode destruir tudo, coisa e pessoas; os árabes não usam móveis luxuosos”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentimos que aqui fala mais o adepto do carisma de Ben Gurion do que o repórter imparcial dos fatos. O autor apresenta um histórico da formação do Estado através de uma Personalidade, no sentido de um Plutarco moderno, muito próximo dos “Panegíricos Latinos’. Ben Gurion, o organizador sindical, o homem de Biltmore, o organizador do Exército, do Estado judeu é, sem dúvida, uma figura épica. É um carisma na época atômica: essa evolução é que o livro descreve.&lt;br /&gt;Apenas devemos notar que certos aspectos que o autor atribui a Ben Gurion são o “resultado” de uma atitude conjunta do governo e do Mapai, como o estabelecimento de relações com a Alemanha Federal, o estreitamento de relações com a França, que forma objetos de uma decisão global do governo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim, perpassa pelo livro da história de um povo vinculado ao surgimento e declínio de um personagem, Ben Gurion, carisma cheio de boas intenções, mas, por sua ação, profundamente munido de messianismo profético que o afastava de qualquer diálogo com os homens de sua geração. A sua maior penetração no meio dos jovens deve-se, possivelmente, ao “Velho” encarnar o Pai que ansiosamente a juventude procura numa fase de seu desenvolvimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sem dúvida que a absolvição de Lavon e ostracismo de Ben Gurion supõem a contingência na História, sem a qual não há culpados, em política, e a nacionalidade na História, sem a qual há loucos. Não há o “outro” como existência pura. Uma consciência pura num estado de inocência original inexiste. São os pactos com o demônio: o de reparações coma a Alemanha, a aliança com a França e a Inglaterra, por ocasião de Suez, como reação ao fornecimento maciço de armas ao Egito pela Checoeslováquia. Tudo isto mostra que em política inexistem belas almas, perde-se o álibi das boas intenções. Não há escolha entre pureza e violência. A pureza das idéias sionistas socialistas coexiste com a campanha do Sinai, com as armas francesas. Há apenas a escolha entre as diversas formas de violência. Em suma, quem tem a razão histórica (armada) pode dispensar a razão teórica (ideológica).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Num mundo onde só há poder de alguns, resignação de outros, o profeta amado, descrito por Bar-Zohar, constitui realmente a versão hebraica de Maquiavel e o “Príncipe” é substituído pelo “Velho Testamento”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O &lt;em&gt;Profeta Armado&lt;/em&gt; se constitui numa súmula da formação do Estado de Israel, e sua luta pela coexistência comum com o árabe, suas tentativas fracassadas. Surgindo Israel com a complacência do Ocidente, porém, sem contar com seu apoio total, o “pacto periférico” idealizado por Ben Gurion com a Etiópia e a Pérsia constitui-se numa resposta diplomática, no plano árabe, seu “engajamento” com a França, sua resposta à política calculista do “State Department” e à rejeição soviética.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-1979539526148031159?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/1979539526148031159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2010/07/bar-zohar-m-michel-ben-gurion-o-profeta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/1979539526148031159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/1979539526148031159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2010/07/bar-zohar-m-michel-ben-gurion-o-profeta.html' title='BAR-ZOHAR, M. Michel. Ben Gurion: O Profeta Armado. São Paulo: Editora Senzala, 1968, 386 p. - Apresentação do tradutor brasileiro'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TDkJpcICwmI/AAAAAAAAN0U/n1I_kuSVVkk/s72-c/tragtenberg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-1465001772785636958</id><published>2010-03-10T10:09:00.004-03:00</published><updated>2010-07-10T21:22:52.043-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='colaboradores'/><title type='text'>Homenagem ao Maurício</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/S5ear_d0wvI/AAAAAAAANt4/_q9eJuYq7Kg/s1600-h/tragtenber-fgv.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446992354889482994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/S5ear_d0wvI/AAAAAAAANt4/_q9eJuYq7Kg/s400/tragtenber-fgv.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Homenagem ao Maurício Tragtenberg, na entrada da Biblioteca da EAESP-FGV.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: Roberto Jorge Regensteiner, aluno do Maurício Tragtenberg nos idos dos 1970 na EAESP-FGV.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-1465001772785636958?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/1465001772785636958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2010/03/homenagem-ao-mauricio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/1465001772785636958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/1465001772785636958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2010/03/homenagem-ao-mauricio.html' title='Homenagem ao Maurício'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/S5ear_d0wvI/AAAAAAAANt4/_q9eJuYq7Kg/s72-c/tragtenber-fgv.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7043282284240470525</id><published>2009-11-14T23:21:00.004-02:00</published><updated>2009-11-15T13:57:09.045-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>O nacionalismo como ideologia da desconversa - por Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sv9ZMJtYibI/AAAAAAAAI48/NHL5j_4hEyM/s1600-h/tragtenberg-t.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404136143167457714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sv9ZMJtYibI/AAAAAAAAI48/NHL5j_4hEyM/s320/tragtenberg-t.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A população brasileira, especialmente os assalariados urbanos e rurais, tem baixo envolvimento ideológico, tanto quanto as classes dominantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros, especialmente após a Revolução de 30, com a criação do Sindicato Único atrelado ao Estado que vive da contribuição sindical e taxa assistencial descontada compulsoriamente de quem trabalha, na sua maioria, estão fora dos sindicatos e dos partidos políticos. Há categorias operárias, em que 70% não conhecem o nome dos diretores, 60 a 70% não sabem onde está instalada a sede de seu sindicato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que tange aos partidos políticos, é válida a afirmação de Oliveira Vianna: “não são entidades de direito público, são entidades de direito privado.” O proletariado urbano até bem pouco tempo seguia coronéis urbanos (Prestes, Getúlio Vargas), a classe média mais qualificada e alguns setores operários seguiam Jânio, a classe média desqualificada e o ‘lúmpen’ seguiam Adhemar de Barros, enquanto ‘líder carismático’. Quanto aos partidos ideológicos, Ação Integralista Brasileira ou PCB, víamos o primeiro, na sua maioria, integrado pela classe média urbana e setores da burocracia civil e militar que seguia Plínio Salgado como ‘Chefe Nacional’; o segundo só fora partido de massas entre 1933/35 e 1945/7 atrás do carisma prestista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe dominante brasileira que tem o poder econômico ‘brincava’ de formar partidos políticos. A União Democrática Nacional era desunida, planejava golpes de Estado (vide 1964) e era pouco nacional; o Partido Social Democrático era pouco democrático e no plano social, um zero à esquerda. Como hoje, o Partido Democrático Social nada tem que ver com o título e o Partido Trabalhista tem tudo, menos trabalhadores de linha na sua direção, vive da exploração política de um morto cujo carisma sua sobrinha pretende incorporar; é o carisma de Getúlio que Ivete quer reproduzir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não impediu a ‘sagrada união’ desses partidos com facções do PMDB na votação da lei de arrocho, exigida pelo Fundo Monetário Internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o nacionalismo o que tem que ver com isso?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Entendo que o ‘nacionalismo’ como fenômeno na política nacional emerge após 30 com o ‘Tenentismo’ disposto a reformas sociais e políticas. Porém, Getúlio ap nomeá-los capitães, ‘cooptou-os’, integrando-os à máquina do Estado Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ação Integralista Brasileira leva adiante a bandeira nacionalista por mediação de Plínio Salgado, que procura unir a ideologia nacionalista à defesa da pequena propriedade e sua extensão em nível nacional. Seu ódio à industrialização e urbanização define, nesse contexto, uma ideologia de nacionalismo defensivo, que não procura como o fascismo a expansão externa, militar ou não. Tem apoio nas classes médias urbanas, pequenos proprietários rurais, grandes latifundiários e setores civis e militares da burocracia estatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vargas utilizou-a para subir ao poder, eliminado-a após tê-lo em suas mãos, devemos lembrar que o integralismo provém das Ligas Nacionalistas criadas na 1ª República, quando Olavo Bilac criava um ‘nacionalismo patrioteiro’ parnasiano. As Ligas se constituíam numa resposta conservadora aos movimentos sociais operários urbanos vinculados ao socialismo libertário em São Paulo, ou à social-democracia alemã, no Rio Grande do Sul, na mesma época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Vargas, assistimos a emergência de um nacionalismo tático fundado com a implantação do ‘Estado Novo’ (1937/45), porque sua ideologia era ausência de qualquer ideologia, daí sua fama de ‘político’. Com a 2ª Guerra e a industrialização conjuntural que era sua decorrência no País, Vargas emerge como um ‘líder industrialista’. Ao mesmo tempo, cria o ‘sindicalismo de controle’ já em 1931, atrelado ao estado, onde ele no topo executava suas funções como ‘pai dos podres’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Juscelino, teremos o célebre Iseb vinculado ao Ministério de Educação e Cultura – que, segundo ele – tinha como única bandeira ‘amar ao Brasil’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nacionalismo isebiano lutava ‘pelos interesses superiores da Nação’, criticava aqueles intelectuais que não compreendiam as ‘nações subdesenvolvidas’, considerava-se expressão autêntica ideologia, porque independente dos interesses específicos de cada classe, o Iseb formulava uma ideologia para a comunidade como um todo. Concebia uma sociologia nacional (desalienada), não falava de capitalismo, mas sim, de nação dependente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via a contradição principal entre a periferia e a metrópole e, no nível interno entre o setor moderno (industrial) e o arcaico (latifúndio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de seus ideólogos, o Iseb definia as contradições fundamentais no Brasil; Alvaro V. Pinto pregava a união entre o proletariado e a burguesia autóctone contra o imperialismo e a burguesia industrial alienada; Cândido Mendes unia o empresariado aos assalariados num bloco contra o latifúndio expansionista; Guerreiro Ramos unia a burguesia nacional mais o proletariado contra os setores vinculados à estrutura colonial; Hélio Jaguaribe unia a burguesia nacional à classe média produtiva e o empresariado contra a burguesia latifundiária mercantilista e a classe média cartorial; Nelson W. Sodré, pregava a união entre a burguesia nacional, pequena burguesia e o operariado contra a burguesia latifundiária e o imperialismo; finalmente, Roland Corbisier, unia os industriais ‘autóctones’ ao proletariado urbano e à lavoura tecnificada contra o imperialismo, burguesia latifundiária-mercantil e classes médias parasitas, conforme Caio N. Toledo, ‘Iseb, fábrica de ideologias’, Ed. Ática, 1977, págs. 130/1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi a prática de JK, oposta ao nacionalismo isebiano, do qual aproveitou a teoria desenvolvimentista? Sobre sua égide houve a internacionalização da economia, que os militares após 64 aprofundaram às últimas conseqüências com a ‘involução nacionalista’. Seu ‘desenvolvimento’ enriqueceu os mais pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, entendo que o surto nacionalista perceptível apenas no nível do discurso é hoje fruto da crise conjuntural. Para a classe dominante no Brasil, pode ser uma arma para regatear com o capitalismo mundial maiores facilidades para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nacionalismo que opõe frações de industriais e banqueiros, classe média contra estes e o capital internacional, define contradições secundárias no sistema. A intelectualidade classe média assumindo-o poderá usá-lo para ascensão social nos ‘aparelhos do Estado’. É o ‘interesse nacional’ ideal e o interesse classista particular o real. Para o proletário urbano e rural nada significa, mais envolventes têm sido os ‘saques’ para saciar a fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Maurício Tragtenberg é professor do Departamento de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas em São Paulo e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).&lt;br /&gt;Fonte: &lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;, de 19.11.1983. Também publicado in: &lt;a style="COLOR: rgb(42,93,176)" href="http://www.espacoacademico.com.br/025/25mt191183.htm" target="_blank"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/025/25mt191183.htm&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7043282284240470525?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7043282284240470525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/11/o-nacionalismo-como-ideologia-da.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7043282284240470525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7043282284240470525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/11/o-nacionalismo-como-ideologia-da.html' title='O nacionalismo como ideologia da desconversa - por Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sv9ZMJtYibI/AAAAAAAAI48/NHL5j_4hEyM/s72-c/tragtenberg-t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-217814591885744751</id><published>2009-10-31T21:36:00.003-02:00</published><updated>2009-10-31T21:41:10.449-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>Ciências Sociais na mira do Capes - por Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SuzKQkAktAI/AAAAAAAAIPc/6-hVTTNvgMk/s1600-h/tragtenberg1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398912439203181570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SuzKQkAktAI/AAAAAAAAIPc/6-hVTTNvgMk/s320/tragtenberg1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Regimes, pessoas e instituições repressivas precisam de bodes expiatórios, necessitam de vítimas para expiar os crimes dos verdugos. Assim como o nazismo tem seu judeu, como estruturas familiares rígidas necessitam do “louco” da família, regimes autoritários investem contra as ciências sociais, porque isso rende muitos dividendos: em nome da funcionalidade, eficiência e objetividade se bajula o poder, mantém-se o cargo e ao mesmo tempo se adquire respeitabilidade nos ambientes palacianos, como alguém que é portador de um saber legítimo e reconhecido. No caso nacional, o papel de judeu do regime é atribuído às ciências sociais, é a conclusão a que chegamos após termos em mão o paper “A Área de Administração e a atuação do Capes", de autoria do Cláudio de Moura e Castro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua senhoria – participante convidado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da FGV, para um seminário sobre o Ensino de Administração – nota inicialmente que há um recrutamento pouco seletivo da graduação com reflexo em sua aceitação pelo mercado de trabalho, salientando que há uma cultura gerencial brasileira a ser transmitida. Mas, enquanto o mercado empresarial esvazia as escolas de professores de administração, os professores de economia, política, sociologia aumentam geometricamente. Como remédio propõe o Método dos Casos, sistema de jogos e história dos negócios nos cursos de administração; para tanto o Capes está se propondo a implementar uma política seletiva no oferecimento de suas bolsas de estudo, limitando fortemente sua alocação para elaboração para teses que sejam mais afetas a outras áreas de conhecimentos afins (economia, sociologia etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal orientação tecnocrática não só contraria postura já clássica a respeito – do Conselho Federal de Educação (Parecer 307/66 C.E.SU publicado em “Documenta” n. 56) – como a orientação dominante no país onde se originaram os cursos sistemáticos de administração, que serviram de parâmetros para Europa e América Latina: EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, o CF no Parecer citado define claramente, ao analisar as Diretrizes para o Currículo Mínimo de Administração, que “a estrutura administrativa constitui fundamentalmente um problema político e jurídico e apenas secundariamente um problema de organização formal” (pág. 63). Daí a importância das Ciências Sociais que objetiva o conhecimento sistemático dos fatos e condições institucionais em que se insere o fenômeno administrativo (pág. 62). Sem deixar de referir-se à experiência dos EUA, onde o fato administrativo passou a traduzir as condições políticas, sociais e econômicas muito mais que os padrões formais de organização. Essa visão foi beneficiada pelas tendências da sociologia e economia contemporâneas (pág. 61).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma pensa o Prof. Frank C. Pierson (The education of American Businessmen, pág. 163, trabalho solicitado pela Carnégie Corporation of New York). Pondera que deve o estudante ter a oportunidade de transferir conhecimentos de caráter geral para a área de administração. No mesmo sentido os profs. Robert A. Gordon e James E. Howell, num estudo a pedido da Ford Foundation Higher Education for Business, na página 133, recomendam que para a formação de um administrador numa sociedade democrática 40 a 50 % das disciplinas dos currículos devem ter caráter geral e não técnico. No mesmo sentido a American Assembly of Collegiate Schools of Business (AACSB), que credencia as escolas de administração nos EUA, adota como critério de credenciamento que 40 a 50% das disciplinas ministradas estejam vinculadas às ciências sociais. Tudo isso mostra como nós brasileiros somos os últimos a saber das primeiras coisas. Quando os EUA abandonam o ensino pago pelo ensino subsidiado, descobrimos que a ampliação do ensino equivale à democratização do mesmo; quando os EUA abandonam a estreiteza da visão tecnocrática instrumental e empírica do ensino de administração, fundando seus currículos nas ciências sociais, descobrimos as virtudes de saber cada vez mais menos coisas e exorcizar as ciências sociais como o demônio. Isso se deve realmente ao baixo nível de institucionalização das ciências sociais no continente. Se na Argentina a psicanálise está proibida, não é de admirar que no Brasil as ciências sociais estejam na mira de outro órgão financiador de pesquisa – Finep –, que pretende financiar pesquisas ligadas diretamente á indústria, portanto financiar tecnologia, deixando de lado o financiamento da pesquisa nas universidades onde se faz ciência básica. Tudo isso mostra de que maneira o subdesenvolvimento material gera o subdesenvolvimento mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, por exemplo, a pesquisa “Pequena e Média Empresa de São Paulo”, coordenada pelo Prof. Rattner da FGV e publicada pela Ed. Símbolo, jamais viria à luz, eis que contou com sociólogos, especialistas em ciência política, finanças e economia política para ser implementado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida que o estudo de Casos em administração ou os jogos administrativos auxiliam o aluno a ter uma visão da empresa, porém, de que valem se o mesmo, não dispondo de conhecimentos que a economia, sociologia, política fornecem, não tem um universo conceitual para interpretar os fatos, para compreendê-los? Já dizia o velho e sempre atual Machado de Assis, que o “fato é importante, porém, mais importante é a retina”. Em outras palavras, possuir uma metodologia – que não pode ser confundida com técnica – para interpretar o fato. Não sucumbir à ditadura do fato pregada por Auguste Comte. Contrariamente a ele e ao positivismo, as ciências sociais, especialmente nas suas orientações críticas, enfatizam que contra o fato há argumento. Em última análise, o privilegiamento de projetos tecnocráticos na área da administração, excluídas as ciências sociais, não tendem a formar um homem apto a viver numa democracia. Tende a formar tecnocratas e burocratas empedernidos, contra os quais Max Weber lutava em sua época, classificando-os como “técnicos sem alma” e “especialistas sem coração”. Em outros termos, uma ciência sem consciência ou, no melhor dos casos, uma tecnologia que pretende se apresentar como ciência. É isso que aqueles que não pensam com os pés precisam evitar. Daí a comunidade acadêmica estar com a palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Maurício Tragtenberg é professor do Departamento de Ciências Sociais da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas e da Unicamp. Autor de “Burocracia e Ideologia” e “Administração, Poder e Ideologia”. Fonte: &lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;, 08.06.1981.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-217814591885744751?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/217814591885744751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/10/ciencias-sociais-na-mira-do-capes-por.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/217814591885744751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/217814591885744751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/10/ciencias-sociais-na-mira-do-capes-por.html' title='Ciências Sociais na mira do Capes - por Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SuzKQkAktAI/AAAAAAAAIPc/6-hVTTNvgMk/s72-c/tragtenberg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-2866697845909351641</id><published>2009-08-01T17:44:00.001-03:00</published><updated>2009-08-01T17:47:19.393-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>A atualidade de Errico Malatesta - por Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SnSpoSt5IGI/AAAAAAAAHrI/v1AvkBBBIpM/s1600-h/tragtenberg1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; FLOAT: left; HEIGHT: 100px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365099565789290594" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SnSpoSt5IGI/AAAAAAAAHrI/v1AvkBBBIpM/s320/tragtenberg1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Há pouco mais de cinqüenta anos morria Errico Malatesta, um dos principais militantes e pensadores anarquistas, um dos raros exemplos contemporâneos de interação entre teoria e prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errico Malatesta nasceu em 1853 e morreu em 1932, tendo assistido, assim, à criação e extinção da Primeira Internacional, à formação da Segunda Internacional – que teve como carro chefe o Partido Social Democrata Alemão –, à emergência da Revolução Russa e sua burocratização e, finalmente, a ascensão do fascismo na Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa trajetória de vida de um filho a burguesia, que largou os estudos de Medicina no segundo ano, explica porque ao longo de sua obra está sempre presente uma grande temática, a reprodução do movimento real das classe na Itália entre 1853 e 1932: o socialismo libertário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Primeira Internacional, apreende a noção e auto-organização do trabalhador e de sua ação direta, que serão os elementos fundantes de sua atuação social e política. Em relação à Segunda Internacional, assume uma atitude crítica, denunciando a confusão que se estabelecera entre participação (lema da social-democracia) e incorporação ao sistema capitalista. Verifica que os “participacionistas” se convertiam nos cães de guarda do sistema exploratório e opressivo – não era por acaso, pois, que, na fase monopolista do capitalismo, em suas áreas desenvolvidas, a repressão contra os trabalhadores passava a ser feita pela social-democracia, cujo exemplo maior foi a repressão à revolução alemã de 18, com o assassinato de Liebknecht e Rosa Luxembourg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à Terceira Internacional, Malatesta mantém a crítica clássica à burocracia emergente após 18 na URSS – já delineada por Luigi Fabbri em “Ditadura e revolução” –, quando a revolução dos operários e camponeses é capturada pelos burocratas, e o socialismo começa a ser sinônimo de planismo estatal-burocrático, onde os gestores coletivamente detêm os meios de produção em nome dos produtores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Comuna de Paris&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sem dúvida, é a proclamação da Comuna de Paris, em março de 1871, que influenciará Malatesta em suas propostas mais amplas: auto-organização dos trabalhadores, autogestão econômico-social e política, como sinônimo de um processo de socialização. Isso porque a Comuna de Paris – nunca suficientemente estudada – é a primeira grande revolução moderna, onde o proletariado tentou a extinção do poder político. Ela representou a prática da organização social e econômica pelas massas, eleição pela população dos intermediários políticos (representantes) e econômicos (administradores), a ausência de privilégios e revogabilidade universal dos eleitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significou a constituição de um novo modo de produção constatado por Bakunin e Marx, – pois Comuna de Paris representava um poder político em extinção. Suas instituições criadas pelos produtores significava um ponto de partida para a estruturação de um novo modo de produção com a dominação do econômico pelo social (J. Bernardo), muito longe de um planejamento da produção dependente da distribuição via Estado, o que seria apenas uma reprodução do poder político. A Comuna de Paris tentava fundir o nível político no econômico, através da extinção da esfera política. Isso, numa proposta de uma sociedade auto-institucionalizada. É dessa prática social que Malatesta estruturará seus conceitos sobre a ação direta dos produtores, auto-organização dos assalariados e a rejeição do planismo burocrático como sinônimo de “socialismo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após 1874, abate-se um período repressivo na história italiana, atingindo o movimento operário, e os “internacionais” – como eram chamados os adeptos da Primeira Internacional – operários na sua maioria, sofrem perseguições de todo tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A repressão leva-o a emigrar, desenvolvendo sua atividade de militante operário em vários países europeus. É o período em que polemiza duramente com Andrea Costa, que aderira à social-democracia e ao socialismo parlamentar. Mostrava Malatesta que a melhor maneira de sujeitar um povo consiste em lhe dar a ilusão de que participa de decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Argentina participa da formação da FORA (Federação Operária Regional Argentina), que influenciará os trabalhadores de origem européia até início do século 20. Na Europa, de volta da Argentina, participa do movimento operário na Espanha, Bélgica e França, insistindo na auto-organização do trabalhador a partir do local de trabalho, como elemento fundante de sua ação político-social. Tal postura se dá em relação ao individualismo fundado por Stirner, que ainda encontrava adeptos entre os militantes libertários da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os operários integrados&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É através de sua polêmica com a social-democracia italiana e os adeptos do socialismo parlamentar, que Malatesta define seu perfil político e sua crítica à instituição do partido político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a repressão à Comuna de Paris por Thiers, utilizando as armas que Bismarck lhe cedera para isso, desenvolvem-se como verdadeira praga partidos “bem comportados” – são partidos “operários” que surgem dos partidos “plebeus”, que deviam sua organização às velhas associações populares, fraternais e religiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as revoluções de 1848 esses velhos partidos plebeus cedem espaço a outras instituições. Entre 1848 e 1871 os sindicatos e os conselhos constituíam elementos organizadores do operariado nascente, donde a preocupação da Primeira Internacional em articular os trabalhadores a partir de suas lutas fabris, nos sindicatos de militantes que surgiam então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, com a formação da Segunda Internacional e a difusão dos partidos socialistas parlamentares pelo mundo, aparece uma tecnocracia na constituição desses partidos “operários” – que mantêm esse nome pelo fato de integrarem os trabalhadores em suas estruturas burocráticas. Não é por acaso que o estudo-modelo sobre partido burocrático tem como sujeito o Partido Social-Democrata Alemão, a obra de Michels intitulada “Os Partidos Políticos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma razão para o Partido Social-Democrata Alemão ter sido o modelo de partido burocrático, altamente centralizado – é que a Alemanha era o país onde a tecnocracia era mais poderosa, se constituindo em força reprodutiva do sistema capitalista. Esses partidos social-democráticos mantêm a cisão entre o econômico e o político, não integrando-os como o fizera a Comuna de Paris, razão pela qual aparecerão sob o bolchevismo na forma de partido único. Eis que Lenin, embora classifique Kaustski de “renegado”, herdou dele a concepção de partido-vanguarda que faz a felicidade da burocracia partidária na URSS e no leste europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malatesta se diferenciava de outros teóricos do socialismo libertário – como Goodwin, Proudhon, Bakunin ou Kropotkin –, que procuravam fundamentar suas premissas socialistas na razão (Goodwin), nas leis do social (Proudhon) ou no determinismo evolucionista (Kropotkin). Ele buscou explicar a validade da proposta socialista libertária a partir do movimento real da sociedade e da ação da classe trabalhadora. É desta perspectiva que os bens econômicos aparecem como fruto da “ação coletiva” dos produtores, onde a solidariedade no processo produtivo é a base da solidariedade no social e político. Assim, igualdade, liberdade e solidariedade se constituem nos fundamentos ético-políticos da proposta de Malatesta. Nessa proposta o futuro é entendido como ultrapassagem do presente, e a liberdade é tomada como um processo de ruptura com as formas de servidão econômico-social e política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O socialismo libertário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Malatesta a revolução não se constituía num golpe de Estado, onde um grupo toma o poder “em nome” dos trabalhadores. Para ele, a revolução se constituía num ato de libertação, fruto de uma “vontade” sintonizada com a compreensão da conjuntura histórica específica. A proposta socialista libertária, para Malatesta, era a tradução dos valores e motivações que permanecem no plano histórico, entendido como um processo em mudança contínua. A seu ver a única lei geral, era a lei do movimento, que demonstrava a importância e também a precariedade dos sistemas fechados – quanto mais “acabados”, mais precários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso Malatesta não se permitia perfilar entre os criadores de “sistemas”, é mais uma atitude ante o real histórico, onde a exigência da auto-organização dos interessados (povo), de igualdade e combate às hierarquias sociais opressivas colocam a exigência de uma igualdade que tenha a liberdade como fundamento – pressupondo que a liberdade sem igualdade é uma mistificação, a igualdade sem liberdade é uma nova escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, a quem relatividade e contingência marcam as concepções do social, conceitos como liberdade, igualdade e fraternidade não se constituíam em noções dogmáticas, mas sim em traduções do movimento real da sociedade, que apontava à hegemonia dos trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O ideal emancipatório&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porém o ideal emancipatório da humanidade trabalhadora não se esgotava ao se converter em patrimônio teórico de uma minoria ilustrada. Para Malatesta, a vitória da proposta libertária se daria no momento em que seus princípios básicos se convertessem em categorias do senso comum da massa trabalhadora. Não se tratava de plasmar ideologicamente a população – o que seria a demonstração de um estranho autoritarismo – mas, através da propaganda e da ação, conquistá-la para os princípios libertários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa preocupação de Malatesta em traduzir os grandes princípios libertários para a linguagem do senso comum da população que explica a forma coloquial da maioria dos seus escritos, especialmente “Entre Camponeses”, “No Café” e “Nas Eleições”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malatesta participara da insurreição de Bolonha de 1874, do levante camponês de 1877 em Benevento, emigrando para Londres, onde durante quarenta anos sedia sua ação político-militante. Na Argentina, onde permanecerá quatro anos, propaga as idéias libertárias entre os trabalhadores de origem italiana. Volta à Itália e é preso em 1898. Participa em 1919 da “Semana Rossa”, onde o movimento sindical dirige um processo de greve geral na Itália – sem contar porém com o apoio da CGT, o movimento morre. Preso por Mussolini em 1921, estava com 70 anos e continuava a sobreviver exercendo a profissão de mecânico e eletricista, espantando a burguesia italiana, que tinha dificuldades em enxergar naquele operário idoso e gentil o “terrível” Malatesta. Morre em 1932 em plena vigência do fascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De sua fidelidade aos seus princípios fala sua via, a ele aplica-se o julgamento de Robespierre pelos historiadores: nunca se atemorizou, nunca transigiu, não se corrompeu. É um exemplo de integração de teoria e prática, raro nos dias que correm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;Fonte: FOLHETIM, &lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;, 16.01.1983, PP. 06-07.&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Maurício Tragtenberg é professor na Escola de Administração de Empresas a Fundação Getúlio Vargas e na Universidade Estadual de Campinas, autor de “Burocracia e Ideologia” e “Administração, Poder e Ideologia”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-2866697845909351641?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/2866697845909351641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/08/atualidade-de-errico-malatesta-por.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/2866697845909351641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/2866697845909351641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/08/atualidade-de-errico-malatesta-por.html' title='A atualidade de Errico Malatesta - por Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SnSpoSt5IGI/AAAAAAAAHrI/v1AvkBBBIpM/s72-c/tragtenberg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3959343175384729956</id><published>2009-05-23T16:15:00.003-03:00</published><updated>2009-05-23T16:18:52.609-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevistas'/><title type='text'>O Paraíso da Burocracia - Entrevista de Maurício Tragtenberg a Maria Carneiro da Cunha</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ShhL0WGXF4I/AAAAAAAAFRs/tyhmrUAA334/s1600-h/tragtenberg1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339100720905262978" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ShhL0WGXF4I/AAAAAAAAFRs/tyhmrUAA334/s320/tragtenberg1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;FOLHETIM: Qual é a natureza na burocracia?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;TRAGTENBERG: Sob o capitalismo ocidental, a burocracia é, ao mesmo tempo, o corpo que “organiza” a produção nas empresas privadas e semipúblicas e representa o poder executivo no funcionamento das grandes unidades administrativas, constituindo parte integrante do Estado. No modo capitalista de produção, ela administra uma coletividade. Para servir ao capital, recebe dele um conjunto de imunidades e privilégios (mordomias) e pulveriza a responsabilidade. Ela é independente e soberana perante a coletividade e possui relativa autonomia em relação à classe dominante, que utiliza para definir seus métodos de recrutamento, sistema de promoção, estatuto e condições de trabalho. Nas sociedades pós-capitalistas, atua como nova camada dominante, ocupando o espaço que antes pertencia à antiga classe capitalista. A burocracia na sociedade capitalista procura legitimar-se em nome dos interesses nacionais; nas sociedades pós-capitalistas, isso é feito em nome dos interesses do proletariado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHETIM: A burocracia é necessária na educação?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;TRAGTENBERG: Um dos elementos em que a burocracia fundamenta sua legitimação consiste em se atribuir a tarefa de “organizar” tudo. Sob o nazismo, a palavra de ordem do regime era: organização. Existe aí uma confusão interessada. Qualquer grupo humano, tendo em vista as finalidades que persegue, organiza-se para tanto. Mas a burocracia é outra coisa: está montada como estrutura de controle, dispondo de imunidades e privilégios. As formas de organização das coletividades visando aos seus próprios fins ocorrem através de uma igualdade básica entre seus membros; a burocracia “em nome da organização”, usa e abusa das imunidades e privilégios inerentes a ela enquanto poder acima dos organizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, ela tem como religião o culto da hierarquia, ou seja, o culto da distribuição desigual do poder, onde poucos podem muito e muitos não têm voz. Assim, na universidade, a principal preocupação da burocracia é o controle: ela procura controlar um saber inexistente ou escasso, da mesma forma que são escassos os recursos a ela atribuídos. Se entendermos a universidade como a sede de produção e reprodução de conhecimentos, a burocracia cumpre um papel inteiramente supérfluo. Se entendermos a comunidade acadêmica como o conjunto de alunos e professores, a burocracia tem um papel parasitário, convertendo os meios (controles) em fins e desestimulando a criação intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível termos uma universidade avançada num capitalismo retardatário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHETIM: Como a burocracia se institucionaliza nos vários níveis de ensino?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;TRAGTENBERG: Esse fenômeno é inerente a qualquer Estado, mas no Estado autoritário ele se acentua, pois há a tendência à centralização monocrática. Cito o exemplo da UNESP, que é a realização de uma utopia burocrática. Nessa instituição, a organização é centralizada e autoritária, as decisões são de cima para baixo e os postos-chave são ocupados por docentes aposentados pela USP ou outros cuja meta científica é uma aposentadoria, constituindo uma cúpula medíocre, sem imaginação ou espírito universitário. O resultado é o pior possível; além da evasão de pessoal qualificado, ocorrem a falta de pesquisa de nível superior (o pessoal de Ciências Humanas surge como novo “Cristo”); a ausência de articulação científica entre as áreas que ocupam os vários campi; a carreira universitária retrógrada, que leva o docente a passar a vida fazendo tese e não ciência (algumas vezes a própria UNESP não reconhece os títulos que “cobra” de seus docentes). Sem falar do salário dos professores, mais baixo do que é pago pelas próprias universidades federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, foi na UNESP que melhor se traduziu a síndrome autoritária do Estado brasileiro, pois lá se recorrei a todas as “salvaguardas” possíveis para manter uma reestruturação desestruturante. Foi esse o destino dos antigos institutos isolados que hoje integram a UNESP. Ela é a realização do modelo estado-novista nos dias que correm, é o passado oprimindo o presente como fantasma, com os mortos governando os vivos. Evidentemente, isso ocorre na medida em que estes se deixam governar por aqueles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHETIM: Os fatores externos influenciaram essa burocratização?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;TRAGTENBERG: Os motivos são inúmeros, havendo articulação entre fatores externos e internos. No plano externo, é impossível termos uma universidade avançada num capitalismo super-retardatário como o existente no Brasil. entre nós, o capitalismo vem realizando seu processo de acumulação, utilizando o Estado como força econômica e tendo como conseqüências a repressão política efetuada pelo Estado; a criação de organismos burocráticos especializados nessa repressão; a intervenção nas associações de classe e sindicatos; a formação de dois “conglomerados” políticos – Arena e MDB – o primeiro no poder e o segundo apenas como eterno aspirante; a institucionalização da censura; a socialização do medo, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso deu origem a um período de decréscimo da participação popular nos processos decisórios e fortaleceu a onipotência da burocracia como agente qualificado do poder econômico, que é exercido em nome da sociedade, mas em benefício de alguns poucos. Nesse quadro, as universidades – especialmente as recém-formadas como a UNESP – tiveram seu comando entregue àqueles que possuíam como título maior sua cumplicidade com o poder, muito mais do que sua qualificação científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No plano interno, a divisão dos docentes em inúmeros escalões, por decretos do poder, através de “reformas” que são verdadeiras “restaurações”, o culto do “doutorismo” substituindo o “bacharelismo”, constituíram fatores de transformação dos campi universitários em cemitérios de esperanças perdidas. No caso específico da UNESP, há outro elemento a considerar: distribuída pelas cidades do interior a instituição é vulnerável à politicagem local, que interfere nas nomeações dos diretores de suas unidades. Ainda estamos na época da enxada e do coronelismo, sem o voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHETIM: A burocratização afeta a transmissão do conhecimento e a liberdade de ensino?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRAGTENBERG: Sem dúvida, mas é necessário acentuar que nenhum campus universitário é uma ilha. A falta de liberdade de associação e pensamento na sociedade global torna inviável a liberdade acadêmica. A hegemonia do serviço de segurança na estrutura universitária socializa a insegurança. Quando um operador de xerox da Universidade do Rio Grande do Norte, em natal, envia ao serviço de segurança da mesma e este ao MEC uma entrevista publicada na revista IstoÉ sobre trabalho médico, passando por cima do reitor, isso significa que a liberdade está em sursis; quando um ex-chefe de “segurança e informação” da Universidade Federal do Paraná converte-se em seu reitor, isso quer dizer que o regime da “incompetência treinada” é o predominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cancro que corrói a universidade burocrática é que a escolha de seus dirigentes se dá menos pela competência acadêmico-científica e muito mais por sua cumplicidade com o poder. Geralmente, eles sobem pelo elevador de serviço (por serviços prestados ao poder) e não pelo social (por serviços prestados à sociedade global). É claro que a universidade burocratizada, onde a função mais importante não é a produção de conhecimentos, mas o controle sobre eles e as pessoas, tende, no plano interno, à multiplicação das “panelas burocráticas”. No tipo dessas “panelas”, professores investidos do poder de coordenadores de programas de graduação ou pós-graduação, chefes de departamentos, institutos ou faculdades, colocam seus colegas sob “estado de sítio”. Estabelece-se na instituição universitária uma certa “ditadura acadêmica” em que a dissensão é punida com o ostracismo, onde a fofoca de corredor age como retaliação do “excluído”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHETIM: Quais as conseqüências para a qualidade de ensino e a orientação das pesquisas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;TRAGTENBERG: As piores possíveis. Hoje temos curso de pós-graduação, que não são pós coisa alguma, na medida em que não houve graduação. Eles se constituem em reciclagem de uma graduação inexistente e também cumprem outro papel requerido pelo sistema: manter a maior parte do tempo possível na rede escolar uma mão-de-obra potencial, que se fosse lançada prematuramente no mercado constituiria um fato de tensão social. A pós-graduação é a hibernação de uma mão-de-obra que se encaminha para um mercado saturado, para maior tranqüilidade dos donos do poder. Num país onde o professor universitário – como mostra Karl Popper em A sociedade aberta e seus inimigos – perde seu posto porque é tachado de “comunista”, falar em autonomia universitária, liberdade acadêmica ou participação chega a ser um escárnio. O que os mandarins estatais e universitários não entenderam é que a liberdade não é a submissão livremente consentida a seus ditames; ela é a aceitação daqueles que pensam de forma diferente, em termos estruturais e não meramente ocasionais. Mesmo alguns professores participam dessa visão de mandarins, porque não percebem que não é o professor que ensina e o aluno que aprende, mas que o grande educador é a comunidade; por isso mesmo, o próprio educador precisa ser educado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dirigentes da universidade são escolhidos por serviços prestados ao Poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FOLHETIM: Como combater nos vários níveis os (eventuais) excessos ou malefícios da burocracia?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;TRAGTENBERG: Respondo com os argumentos que Rosa Luxemburgo utilizou em sua polêmica com Lenin: “sem eleições gerais, sem liberdade ilimitada de imprensa e de reunião, sem a livre luta entre as opiniões, a vida morre em todas as instituições públicas, torna-se uma vida aparente, onde resta a burocracia como único elemento ativo” (A revolução russa). E claro que a democracia, como qualquer forma participativa, tem seus limites e defeitos; nesse contexto, a liberdade é uma e indivisível e restringi-la equivale a negá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A burocracia nega a liberdade na medida em que “organiza’ os professores e estudantes por escalões (mestres, doutores, livres-docentes ou alunos de graduação, pós-graduação ou especialização). E uma das muitas manhas burocráticas para dividir o subproletariado intelectual, o qual enfrenta uma burocracia unida por seus interesses e prebendas, que procura preservar e aumentar o seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade só é possível entre iguais, socialmente falando; portanto, ela só é possível quando se desvincula o saber do poder na sociedade civil e na universidade. O saber do mestre é a única condição de sua “autoridade”; o controle burocrático dos alunos pelo sistema diferencial de avaliação nas mãos do docente e pela freqüência obrigatória constitui uma forma de autoritarismo. A abolição do sistema de exames e da freqüência obrigatória constituem os pré-requisitos da democratização da universidade, assim como a participação real e não simbólica dos alunos nos órgãos colegiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À ditadura da cátedra ou do departamento devemos opor a participação comunitária (estudantes e professores) ma instituição, com iguais direitos de influir nas decisões em todos os níveis. Isso só se torna possível quando, na sociedade global, a maioria dos assalariados tem liberdade para se auto-organizar em seus locais de trabalho ou em órgãos associativos de todo tipo; em suam, quando aqueles que não têm voz conquistam o direito de tomar a palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a name="_ftn1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a title="" href="http://www.espacoacademico.com.br/026/26tp_mt21101979.htm#_ftnref1"&gt;*&lt;/a&gt; Fonte: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Folha de S. Paulo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, Folhetim, 21.10.1979.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3959343175384729956?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3959343175384729956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/05/o-paraiso-da-burocracia-entrevista-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3959343175384729956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3959343175384729956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/05/o-paraiso-da-burocracia-entrevista-de.html' title='O Paraíso da Burocracia - Entrevista de Maurício Tragtenberg a Maria Carneiro da Cunha'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ShhL0WGXF4I/AAAAAAAAFRs/tyhmrUAA334/s72-c/tragtenberg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7194536213400736014</id><published>2009-04-23T11:40:00.003-03:00</published><updated>2009-04-23T11:46:52.786-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>A Escola como organização complexa - por Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SfB-ZeSFhCI/AAAAAAAAFGU/yx4NoLc0ZmM/s1600-h/tragtenberg1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327897335270048802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SfB-ZeSFhCI/AAAAAAAAFGU/yx4NoLc0ZmM/s320/tragtenberg1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A ocidentalização da cultura caminha a par com o desenvolvimento urbano, comercial e a necessidade de “letrados” para darem andamento burocrático às estruturas de poder formadas em torno da Igreja e do Estado Moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, o intelectual é domesticado no contexto das universidades ligadas à Santa Sé, de outro, com a emergência do jesuitismo, seu aprendizado passará pelo processo de organização e planejamento de estudos num espírito de obediência – é o sentido da ratio studiorum de 1586.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XIX a expansão da técnica e a ampliação da divisão do trabalho, com o desenvolvimento do capitalismo, levam à necessidade da universalização do saber ler, escrever e contar. A educação já não constitui ocupação ociosa e sim fábrica de homens utilizáveis e adaptáveis.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia a preocupação maior da educação consiste em formar indivíduos cada vez mais adaptados ao seu local de trabalho, capacitados porém, a modificar seu comportamento em função das mutações sociais. Não interessa, pelo menos nos países industrialmente desenvolvidos, operários embrutecidos, mas seres conscientes de sua responsabilidade na empresa e perante a sociedade global.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[2]&lt;/a&gt; Para tal constitui um sistema de ensino que se apresenta com finalidades definidas e expressas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esse, porém, é o objetivo do sistema de ensino, insere-se no mesmo corpo professoral encarregado de transmitir o saber e mais preocupado ainda em inserir-se na sociedade, ter reconhecimento oficial, êxito no magistério enquanto “carreira”, utilizando para isso os diplomas reconhecidos possíveis, numa sociedade onde, segundo Max Weber, o diploma substitui o direito de nascença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realização de tais objetivos pressupõe a existência de uma “burocracia pedagógica” com objetivos definidos ante a sociedade global, porém, nem sempre os predominantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema burocrático estrutura-se nas formas da empresa capitalista como também na área da administração pública e seu papel essencial é organização, planejamento e estímulo. O sistema burocrático estrutura-se em nível de cargos, que por sua vez articulam-se me forma de “carreira”, onde o diploma reconhecido, tempo de serviço e conformidade às regras constituem pré- condições de ascensão. Seu modo de recrutamento e sistema de promoção são definidos por ela como o mecanismo de comunicação intraburocrático, diluído nas diversas áreas de competência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos aspectos estruturais do sistema de educação burocrático é que os usuários não controlam de modo algum a gestão dos fundos que dedicam à coletividade. A estrutura burocrática do ensino em nível nacional desenvolve-se em três níveis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Organização do pessoal&lt;br /&gt;- Programas e trabalho&lt;br /&gt;- Inspeções e exames&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere a pessoal, o burocrata da educação está separado dos meios de administração como o operário dos meios de produção, o oficial dos meios de guerra e o cientista dos meios de pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal docente no sistema burocrático pode ser recrutado por concurso, de títulos e provas, contratado a título precário cujo nível de vencimento dependerá do número de aulas atribuídas por escolha fundada em pontos obtidos, a critério das Secretarias de Educação. Pode-se dar o caso do docente contratado a título precário e estabilizado no cargo por decreto em obediência a exigência constitucional. A ascensão do docente na carreira não depende da verificação dos resultados obtidos a longo prazo sobre seus alunos; portanto, os critérios da eficácia ou valor são desprezados e o de conformidade (aprovação nos exames, provas) supervalorizados.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[3]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exame, mais que o programa, define a pedagogia do docente. O objetivo que a pedagogia burocrática lhe propõe não é o enriquecimento intelectual do aluno, mas seu êxito no sistema de exames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor meio para passar nos exames consiste então em desenvolver o conformismo, submeter-se: isto é chamado de “ordem”. Portanto, colocam-se três objetivos ao docente: conformidade ao programa, obtenção da obediência e o êxito nos exames.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;*&lt;/a&gt; A escola conduz a um condicionamento mais longo num quadro uniforme e máxima divisão do saber que não visa à formação de algo, mas sim, a uma acumulação mecânica de noções ou informações mal digeridas. Se na Europa ou América Latina, o professor tende cada vez mais a responder a controles burocráticos, nos EUA as associações de pais, indústrias e grupos exercem pressões para que se ensinem determinadas coisas com um tipo de orientação definida. Essa interiorização da burocracia, Alexis de Tocqueville no século XVIII e Riesman no século XX consideram uma das características da cultura norte-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunidade de pais encontra no controle burocrático a melhor garantia contra quaisquer tendências desviantes do professor ao saber que é severamente controlado, julgado e regulamentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nos níveis mais inferiores de ensino que a comunidade de pais tem maior peso. Quanto mais pobre é a origem social dos alunos, o controle do vértice sobre a escola mais será ligado ao controle pela base na forma de Conselho ou Comunidade de Pais. Quanto mais alta for a origem social dos alunos e professores, também em nível universitário, o controle burocrático mais satisfará às necessidades de controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma ambivalência em relação à figura do professor: de um lado é desprezado como “servidor da comunidade”, de outro, encarado como portador do saber absoluto. É criticado por não fazer sentir todo o peso de sua autoridade sobre o aluno. O público gosta da burocracia, quer ver seus alunos enquadrados, condicionados, como única condição de atingir a fase adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma escola fundada na memorização do conhecimento, num sistema de exames que mede a eficácia da preparação ao mesmo, nada provando quanto à formação durável do indivíduo, desenvolve uma pedagogia paranóica, estranha ao concreto, ao seu fim. Quando falha, interpreta este evento como responsabilidade do educando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma minoria de jovens pertencentes a camadas superiores da classe trabalhadora ou pequenos funcionários não freqüenta o secundário e se realiza em profissões que exigem formação profissional específica. Assemelha-se à alta burguesia, que não se preocupa com a promoção social de seus filhos, oferecendo-lhes mais lazeres e liberdade, condições de apreensão de um autêntico conhecimento. Enquanto isso, a pequena burguesia quer subir e os trabalhadores estão determinados a suportar uma escola que não toma em conta suas aspirações. Esse contingente às vezes perfaz 80% da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No âmbito microescolar encontramos na escola uma burocracia de staff (diretor, professores, secretário) e de linha (serventes, escriturários, bedéis). O relacionamento staff e linha varia muito com o grau de escola, se médio ou superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efetuou-se atualmente no Brasil uma conjunção do nível primário e médio, tendendo à escola unificada, que não deixou de criar problemas de “áreas de competência” entre o staff: quem dirige a escola unificada, o diretor do antigo primário ou do secundário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, na escola como organização complexa articulam-se várias instâncias burocráticas acima enunciadas, incluindo a inevitável Associação de Pais e Mestres e o aluno, objeto supremo da instituição, conforme o tom dos discursos solenes em épocas não menos solenes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo de professores procura manter sua legítima esfera de autoridade sem intromissões estranhas. É unânime na recusa à interferência dos pais no seu trabalho, pois isso pode prejudicar sua posição de autoridade e sujeitá-lo a controle por elementos estranhos.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[4]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas suas relações com o diretor a expectativa de comportamento dos professores é que recebam apoio do mesmo, seja em relação a alunos ou pais de alunos. Funciona o princípio de que nenhum professor deve criticar colega antes terceiros, especialmente alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor por sua vez funciona como mediador entre o poder burocrático do quadro administrativo e a escola, como conjunto, sofre pressão dos professores no sentido de alinhar-se com eles, dos alunos para satisfazer reclamos racionais ou não, e dos pais, para manter a escola ao nível desejado pela comunidade. Tem de possuir as qualidades de um político, algum senso administrativo e ser especialista em relações humanas e relatórios oficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal de linha obedece-o diretamente, pode ser utilizado como meio do corpo professoral pelo controle das conversas de corredor e da sala dos professores. Se o diretor for do tipo ausente, pode ter em suas mãos o controle da docilidade dos alunos por meios informais, assegurando o bom andamento da instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal administrativo de linha enfatiza algumas singularidades do comportamento burocrático, evita a discussão pública de suas técnicas, os despachos de processo são sonegados ao interessado enquanto não se der o chamado despacho final no citado processo. Burocracia administrativa entende-se como uma certa adesão a regras – atividades-meios – tendo em vista fins determinados. No entanto, a disciplina, definida como adaptação a regulamentos, não é encarada como adaptação a finalidades precisas, mas constitui-se num valor básico na estrutura burocrática. Este deslocamento das finalidades originais se dá no processo burocrático determinar alto nível de rigidez e incapacidade de ajustamento a situações novas. Daí a ênfase no formalismo e o exagero no ritualismo burocrático nos estabelecimentos de ensino, no nível administrativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura de “carreira” leva o funcionário a adaptar seus pensamentos, sentimentos e ações nesta perspectiva, o que induz à timidez, conservadorismo rotineiro e tecnicismo. A burocratização desenvolve a despersonalização de relações entre burocracia e público, funcionários de secretaria escolar e o estudante. Ela desenvolve a tendência do burocrata concentrar-se nessa norma de impessoalidade e a formar categorias abstratas – isso tende a conflitar suas relações com o público. Pois, os casos peculiares individuais são ignorados, o interessado convicto das peculiaridades de seu problema opõe-se a um tratamento impessoal e categórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento estereotipado do burocrata não se adapta às exigências dos problemas individuais. O tratamento impessoal que ele confere a assuntos de grande significado pessoal para a parte interessada (aluno, professor) o leva a ser visto como arrogante e insolente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso é coberto por uma grande capa de dramaturgia. Que significa isso? A dramaturgia, o culto da aparência, dos gestos, tem um valor legitimador na estrutura burocrática. Da mesma maneira que a bata branca do médico ou do professor mostra que ali há alguém de limpeza irrepreensível, a régua de calculo do engenheiro mostra alguém altamente especializado e preciso. O talento dramático tem cada vez mais importância na função hierárquica, qual seja, do diretor severo, porém, benevolente, o inspetor rígido e ao mesmo tempo assíduo tomador de cafezinhos na diretoria, alem de assinante regular do célebre Livro de Termo de Visitas da Escola, como comprovante que passou por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um conceito, segundo o qual os ocupantes de posições hierárquicas são os mais capacitados, mais trabalhadores, os mais indispensáveis, os mais leais, fidedignos e os mais autocontrolados, em suma os mais justos, honestos e imparciais. Também visualiza-se que uma pessoa muito ocupada é de importância incalculável para a burocracia e encara suas tarefas de maneira mas séria que outras pessoas. É aconselhável para aqueles que querem vencer na estrutura burocrática carregarem as pastas debaixo do braço, mesmo quando saiam à noite ou pensem folgar nos fins de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acresce nas burocracias educacionais, escolares ou ministrais, que o sistema de status tem seu próprio dispositivo dramatúrgico que inclui insígnias, títulos e deferências e símbolos da grandeza material como salas forradas de tapetes ou mobiliário luxuoso, ainda ditos filosóficos profundos como vê quem adentra na sala de um administrador universitário, por sinal também professor: “Quem sabe faz, quem não sabe ensina”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a conduta burocrática implica uma exagerada dependência dos regulamentos e padrões quantitativos, impessoalidade exagerada nas relações intra e extragrupo, resistências à mudança e configura os padrões de comportamento na escola encarada como organização complexa. Em suma, o administrativo tem precedência sobre o pedagógico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escola como centro de reprodução das relações de produção&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há escola única. Há graus de ensino onde alguns têm acesso em nível decrescente quanto mais alto for o escalão acadêmico. A partir do primário opera-se a divisão de duas redes de escolarização de classes, na medida em que o ensino primário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) garante uma distribuição material, repartição dos indivíduos nos dois pólos da sociedade&lt;br /&gt;b) garante uma função política e ideológica de inculcação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A separação dos alunos em duas redes no ensino primário é o meio e principio do funcionamento. Esta separação se efetua no interior da escola primária, uma em direção acadêmica, outra em direção profissional. Uma rede é primária profissional e outra secundária superior. O prolongamento da escolaridade obrigatória reforça o processo. A generalização da escolaridade obrigatória única é a generalização da divisão. A inculcação ideológica dá-se através das várias formas de saber, verdade, cultura, gosto.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[5]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rede escolar o culto da arte, ciência pura, profundidade filosófica, sutilezas psicológicas, são formas de inculcação vinculadas a orientar a ação do educando conforme as normas de direito, políticas hegemônicas, sendo representadas enquanto deveres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inculcação não se dá pelo discurso mas através de práticas de exercícios escolares onde a nota equivale ao salário, recompensa pelo trabalho realizado. Da mesma maneira que o mercado do trabalho é regulado pela competição, no interior da escola ela é cultuada nos sistemas de promoção seletivos. O aluno é obrigado a estar na escola e é livre para decidir se quer ou não, ter êxito ou não, como o indivíduo é livre ante o mercado de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As práticas do ritualismo escolar, deveres, disciplinas, punições e recompensas, constituem o universo pedagógico. A escola realiza com êxito o processo de recalcamento de pontos de vista opostos aos hegemônicos e essa sujeição condiciona a inculcação. O trabalho é vagamente valorizado, enquanto artesanato, o processo histórico é reduzido a um conjunto de guerras, datas e nomes cuja finalidade principal é reduzir à insignificância o significativo: dimensões sociais do histórico ou sua temporalidade. Veja-se a dificuldade em convencer os historiadores de que o presente também é história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aparelho escolar contribui para a reprodução da qualidade da força de trabalho, na medida em que transmite saber e regras de conduta (ler, escrever e contar), que têm um destino produtivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os alunos da rede escolar recebem também conteúdo científico. Eis que o processo de escolarização contribui para a reprodução das condições materiais de produção na medida em que a produção social é uma transformação material da natureza, supondo o conhecimento objetivo sob as mais variadas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as práticas escolares estão a serviço da inculcação, que pressupõe técnicas e métodos apropriados. A técnica escolar formaliza os conteúdos de inculcação e os de saber positivo – as disciplinas escolares – homogeneizando-as na medida em que são ensinadas como regras escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento escolar é usado no quadro de problemas surgidos da prática escolar com objetivos definidos: dar notas, classificar e punir ou premiar os indivíduos. Isso porque há uma separação entre as práticas escolares e as práticas produtivas em geral. A separação escolar é a chave na determinação do papel no conjunto das relações da sociedade atual. Toda escolarização é, por sua natureza, conservadora, pois é quem legitima a separação entre consciência e a prática.&lt;br /&gt;A escola é regida pelo princípio da contradição e não são categorias como psicologia do escolar, normal/anormal e, sim, categorias como inculcação, submissão, recalcamento, que podem explicar alguns fenômenos que ocorrem nas estruturas escolares. Como Aparelho Ideológico, a escola primária reflete uma unidade contraditória de duas redes de escolarização. A escola favorece os favorecidos e desfavorece os desfavorecidos e o princípio disso está na diferença social da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de perguntar a cada indivíduo como ele passou sua infância pré-escolar, como determinante de sua escolaridade individual ulterior. As classes sociais não podem ser pensadas como a partir dos indivíduos. Elas não se reduzem a propriedades sociais características de cada indivíduo. Essa visão atribui importância à família, lugar material da primeira educação. A explicação é regressiva, cronológica, individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa cronologia – família, escola primária, ginásio ou não – só existe do ponto de vista do indivíduo. Na realidade, família, escola primária, ginásio etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) preexistem ao próprio indivíduo&lt;br /&gt;2) coexistem simultaneamente&lt;br /&gt;3) mantém relações necessárias uns com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor está a serviço do aparelho escolar, não de sua classe. À falta de base, um nível de ensino remete ao imediatamente inferior e este à família, esquecendo que há duas redes devido à relação social de produção. Se há famílias providas e desprovidas é porque há duas classes. O funcionamento do conjunto do aparelho escolar e o lugar da escola primária no interior do aparelho escolar são definidos na sua função de reprodução das relações de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Marx, as relações de produção são a combinação social das forças produtivas, a maneira pela qual os instrumentos de produção e o próprio trabalho produtivo se repartem socialmente entre os vários agentes sociais da produção. O essencial é a relação de propriedade. Daí, as relações sociais da produção capitalista se definirem pela separação entre o trabalho produtivo e os meios de produção, exploração do trabalho pelo capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O operário reproduz-se enquanto tal na medida em que não tem elementos de acumular e sim, somente, reproduzir sua força de trabalho. Essa reprodução pode originar-se a partir da industrialização da agricultura e empobrecimento das classes médias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aparelho escolar tem seu papel na reprodução das relações sociais de produção quando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) contribui para formar a força de trabalho&lt;br /&gt;b) contribui para inculcar a ideologia hegemônica, tudo isso pelo mecanismo das práticas escolares&lt;br /&gt;c) contribui para reprodução material da divisão de classes&lt;br /&gt;d) contribui para manter as condições ideológicas das relações de dominação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aparelho escolar impõe a inculcação ideológica primária e é seguido pelos diversos aparelhos – televisão, publicidade, seitas etc. A escola inclui, na forma de rudimentos, técnicas indispensáveis à adaptação ao maquinismo, em gera na forma preparatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na família camponesa, fundada na exploração agrícola em comum, a escola é considerada tempo perdido, não há escola de agricultura. O que aparece com esse título é escola para a exploração agrícola capitalista. A escola pode ser aparelho ideológico segundo estágios do modo de produção capitalista na sua combinação concreta interior a cada formação social capitalista. A escola não cria a divisão em classes, mas contribui para esta divisão e reprodução ampliada. A reprodução ampliada das classes sociais comporta dois aspectos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) A reprodução ampliada dos lugares que ocupam os agentes. Estes lugares designam a determinação estrutural de classes, i. e., o modo de existência da determinação pela estrutura de produção, dominação, subordinação política e ideológica nas práticas de classe: é um efeito da estrutura sobre a divisão social do trabalho.&lt;br /&gt;b) A reprodução/distribuição dos próprios agentes entre estes lugares. Os aparelhos ideológicos intervêm ativamente na reprodução dos lugares das classes sociais. Há uma reprodução inicial das classes sociais e pela oposição de classes, onde se move a reprodução ampliada da estrutura, inclusive das relações de produção que preside o funcionamento dos Aparelhos ideológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Aparelhos Ideológicos não criam a ideologia, mas inculcam a ideologia dominante. Não é a Igreja que cria a perpetuação da religião, é esta que cria e perpetua a Igreja, diferente do que pensava Max Weber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise do fetichismo da mercadoria ultrapassa os Aparelhos Ideológicos. Uma empresa é um aparelho, no sentido de que pela divisão social do trabalho em seu interior, por exemplo, pela organização despótica do trabalho, são elementos que definem as relações políticas e ideológicas concernentes aos lugares das classes sociais no conjunto da estrutura. Há mecanismos para reprodução de lugares e agentes, daí a inanidade em falar de ascensão social ou mobilidade social.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[6]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá-se a reprodução dos agentes. A qualificação é uma qualificação-sujeição, não é somente qualificação técnica do trabalho. A empresa é um Aparelho distribuindo seus agentes no seu interior. As classes capitalistas não são castas escolares. A relação escola-aparelho econômico continua a exercer sua ação durante sua atividade econômica: isso se chama pudicamente formação permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a escola que faz com que sejam principalmente camponeses a coparem os lugares suplementares de operários. É o êxodo dos campos, acompanhando a reprodução ampliada da classe operária, que desempenha o papel da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Trata-se de uma distribuição inicial dos agentes ligada à reprodução inicial dos lugares das classes sociais: é ela que designa para este ou aquele aparelho, para esta ou aquela série entre eles, e segundo as etapas e as fases da formação social, o papel respectivo que eles assumem na distribuição dos agentes.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[7]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações complexas controlam e domesticam as forcas sociais. Elas codificam, centralizam. Essa apropriação pela organização da existência, sob todas as formas, é realizada também pela destruição e desintegração, destruindo as forças que se opõem à sua expansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás do discurso da racionalidade, nessa luta, a organização abriga-se para legitimar sua empreitada e desqualificar uma realidade que ela mutila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taylor, no que tange à organização industrial, Lenin, no que se refere à organização política e Clausewitz, pata a organização militar, são os fundadores de uma teoria que dominam a partir do status de chefes. A organização científica necessita de pais “místicos” para assegurar sua fundamentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações são, acima de tudo, produtos historicamente dados e não sistemas fechados a-históricos, como pensa Crozier. Pretendendo romper com o passado, criticando acerbamente as instituições tradicionais, a teoria organizacional procura uma ruptura “epistemológica”. Essa ruptura tem como função proibir quaisquer comparações entre instituições tradicionais e instituições modernas. Nessa imagem de organização encontram-se estocados mitos, fábulas e lendas, um universo fantasmagórico mais ou menos discretamente camuflado que subsiste na base do discurso organizacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações políticas, como as industriais, reforçarão a área do imaginário. O tom será mais ou menos severo, pois, na iminência da tragédia, a traição ameaça o herói!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola tem um papel nessa mascarada organizacional, operando as variações mais amplas, a partir dos papéis de mestre, aluno, burocrata, administrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se esconde atrás da representação da racionalidade organizacional? Marx nos ensinara a ver que atrás do espetáculo da circulação de mercadorias escondia-se o trabalhador mutilado; o fetichismo mercantil esconde o sentido da organização. Ela é a base mais apropriada à imaginação moderna. Isso constitui uma das condições do desenvolvimento das organizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centro da tensão é ao mesmo tempo da transferência: o tempo presente transcorre em função de satisfações futuras. A organização burocrática exerce a ditadura do signo, onde as palavras- chave que a designam são Contabilidade, Plano, Programa, Controle. A organização complexa apresenta-se como forma à qual tudo deve se submeter.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;[8]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos supermercados nenhum objeto é percebido na sua imediatez: tudo é empacotado, conservado, etiquetado. Do produto somente percebemos a representação fotográfica, legenda, desenho. Os corpos materiais dissolvem-se em corpos de signos, são elementos num único texto. Idêntico processo de coisificação se opera com o elemento humano. Dirigir homens é como mercadorias, manipular signos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações complexas traduzem o real numa linguagem simples, transcrevem os corpos em signos. As organizações complexas traduzem o corpo em signos. Realizada a operação, o que sobrou do corpo original? Ele desaparece na nova representação. A organização toma como interlocutor o corpo que ela produziu, ela define, para nós, o emprego do tempo e do nosso corpo. No fim do processo, o corpo nada mais é do que um signo num conjunto de signos que formam as malhas organizacionais. A organização apropria-se de nosso corpo, de tal forma que qualquer ruptura nos aprece como uma auto-ruptura. É aí que a adesão à organização encontra um de seus fundamentos; o corpo, que adere à organização visualizando a possibilidade de uma ruptura reage com alta carga de ansiedade. Controladores e controlados, engajados no mesmo processo, participam de uma comunidade de destino: a organização da racionalidade. A análise da violência e do sacrifício é inerente à estrutura organizacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização realiza um processo concomitante: destruição e unificação. O homem dividido na execução de suas tarefas parceladas, isolado no seio da grande metrópole, é reagrupado no interior das imagens organizacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O taylorismo é a fisiologia do corpo dividido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização significa um combate contra a entropia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauss&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;*&lt;/a&gt; conta a história do mito tsimhiam onde uma princesa dá à luz uma “Petite Loutre” miraculosamente; dirige-se com a criança à cidade de sei pai, o chefe. Apresenta-se a todos e pede para não matá-la caso a reencontre pescando na sua forma animal. Mas ela esqueceu de convidar um chefe. O chefe e a tribo esquecidos encontram no mar “Petite Loutre”, que tinha na boca uma grande foca e matam-na. O Grande Chefe procura-a e encontra-a no seio da tribo esquecida. Seu chefe desculpa-se, pois não conhecia “Petite Loutre”. Sua mãe, a princesa, morre de melancolia e o chefe culpado involuntariamente encaminha ao Grande Chefe todos os tipos de presentes como expiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os reis se esquecem de convidar outros chefes para seu casamento, os criminosos sempre deixam uma pista. Luta-se em todos os níveis contra a entropia: o mito tsimhiam mostra que uma perturbação no sistema conduz à morte! É o que, em linguagem moderna, é a sabotagem, a pane, que as organizações modernas tentam conjurar. O equilíbrio camufla o desequilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações mantêm-se pela transmissão e energia e sua conversão em trabalho: a reprodução a força de trabalho se dá em períodos de desequilíbrios sociais, pro exemplo, nas migrações rurais-urbanas, onde multidões sem trabalho concentram-se na periferia das grandes cidades; ou em migrações operárias de países estagnados para áreas de crescimento, como portugueses, espanhóis, argentinos e turcos na Europa. Como fonte de energia o trabalhador é vítima do processo de dilapidações e desgaste onde a organização que canaliza sua energia integra-o no movimento de deslocamento e desintegração. Daí verifica-se que a transformação da energia em trabalho só é possível através dos desequilíbrios provocados pelas organizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eficiência do esquema centralizador é simbólica. Nesse sentido cabe à organização a produção do que a diferencia do mundo. A sociedade consumista insere-se no campo da simulação diferencial. A organização unifica a produção, representação da diferença. A dramaturgia converte-se na finalidade principal das organizações: congressos, paradas, desfiles, delegações recebidas com grandes pompas, banquetes, publicidade intensiva. A organização produz o Espetáculo. A distinção entre produção e representação desaparece. A organização deve produzir diferenças simbólicas ou extinguir-se. Assim, o nazismo, pela representação de massas, desmoraliza os oposicionistas reais ou potenciais. Tanto o Tenessee Valley Authority, como as grandes obras sobre o rio Dnieper, não só justificam uma organização centralizada côo também criam condições para o lirismo organizacional. A estrutura de pirâmide impõe a sua ordem, a eficiência nasce da hierarquia, seja a pirâmide familiar, política educacional. A organização é o grande elemento mediador entre “eu” e o “outro”. O medo ao isolamento se dá na medida em que a estrutura piramidal tem os meios para assegurar o monopólio das relações entre os homens. A organização centralizada e unitária constitui o grande refúgio, ela domestica a energia sem direção: não é por acaso que as organizações mais eficientes são aquelas onde predominam um sexo só: por exemplo, a Igreja. Ela garante a vida de seus membros, nada é possível em ela. A autonomia inexiste, só há o dilema: inserir-se na organização ou desaparecer. Por isso ela acentua a retórica da integração. O Sindicato para Tannenbaum, a comunidade de Lloyd Warner e a corporação de Durkheim e Elton Mayo, aprecem como possíveis integracionistas num universo dividido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, a oposição segurança-inseguranca, integração-exclusão é artificial. Assim, a revolução industrial organiza o novo modo de produção, ao mesmo tempo que divide o homem num conjunto de tarefas parceladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora March e Simon argumentem que no bojo da teoria organizacional não há lugar para a coordenação, participam do delírio organizacional, racionalistas que não querem enxergar as organizações como instancias do imaginário também. A direção exclui, como os magos sacrificam. O centro funciona como um dado que deve ser “escotimizado”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;[9]&lt;/a&gt; – também na teoria dos sistemas isso se dá. No entanto, constitui-se em peça fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização burocrática complexa não explicita a necessidade do centro mas o não-necessário como pivô da organização. Tal estranheza faz parte também de certa concepção burocrática de socialismo, onde o Estado deve desaparecer progressivamente e, no entanto, ele domina em toda sua amplitude! O poder é apreendido como escândalo. A coordenação se apropria do espaço reservado ao fantasma piramidal. As relações instituídas apresentam uma sucessão de níveis hierárquicos em que cabe ao superior uma zona reservada e onde o subalterno não pode entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai que é proprietário do corpo da mulher, interdito aos filhos, o senhor feudal que se apropria da terra, o professor que dispõe soberanamente de um campo de conhecimentos. O usufruto dessa situação pressupõe a aceitação do papel de pai, proprietário, chefe, professor. Da mesma maneira que o senhor exercia poder absoluto sobre suas terras, os detentores da informação instalam um domínio confortável como “na Régie Renault, com a introdução de uma nova máquina, só o contramestre pode compreender o funcionamento”.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn13" name="_ftnref13"&gt;[10]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema cultural assiste à ruptura entre apalavras sagrada e profana. Não é mais Deus que dispõe do monopólio do verbo nem a Igreja de sua interpretação. A ciência ocupa hoje o lugar do Verbo Divino. A casta dos cientistas substituiu a hierarquia eclesiástica como elemento mediador entre a palavra superior e a coletividade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O antagonismo “puro” e “impuro” encontra-se entre os chamados trabalhos “sujos” e “limpos” como nas relações entre o trabalho manual e intelectual. A organização através dos seus psicólogos industriais, afirma a possibilidade de vencer a impureza. Os esgotos podem ser transformados em matéria sã. A guerra limpa, tecnologicamente definida, coexiste com a suja, rústica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eficiência da impureza consiste na delimitação das áreas do proibido. Os impuros são intocáveis, só podem ser destruídos. O nazismo significou a dominação totalitária dos puros sobre os impuros. Nas organizações altamente burocratizadas, instituições totais, o impuro é segregado por obstáculos como muros altos, florestas, portas de ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contatos com o exterior são monopolizados pela direção. O subalterno não tem contatos com os circuitos externos da empresa, só os responsáveis podem manter tais relacionamentos. Caso haja qualquer caso de espionagem industrial, os subalternos têm menor chance de sair-se bem que os elementos de staff privilegiados por seus contatos com o exterior, que ampliam as possibilidades de manobras dos mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na medida em que a organização burocrática delimita as zonas de impureza interna e externa, ela se assegura uma certa dinâmica energética. O funcionamento é assegurado – como em algumas organizações políticas – pela luta contra os sabotadores do interior e os inimigos do exterior. A empresa só evolui na luta contra as disfunções do mercado. Haverá relação entre o domínio do impuro pelas organizações e o grau de sua eficiência? O nazismo, que definia como fim explícito reduzir as raças impuras, constrói organizações burocraticamente estruturadas para atingir tais objetivos: AS, SS, KL. No entanto, o quotidiano mostra uma constante preocupação em jugular o impuro. A impureza constitui o centro do discurso das organizações industriais. É um dos temas favoritos da manipulação publicitária. Não há nenhum anuncio de detergente que não avalize suas qualidades na cruzada contra o impuro. O bom funcionamento organizacional implica a depuração periódica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente a este processo, se instaura o processo da construção de um imaginário, por mediação da organização, em direção a seus clientes. O campo publicitário organizacional apresenta um universo em que a organização se constitui como prestação de serviços e para a qual o cliente tem sempre razão e manda. A organização é atenciosa e asséptica, benevolente com os caprichos da clientela. O desejo se constitui em elemento fundante da conduta do cliente. Nada lhe é recusado, tudo é permitido; ele pode satisfazer-se na sua imediatez e plenitude. Ela substitui o espetáculo do lucro pela gratuidade. Para tal, constitui uma área onde o dom&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn14" name="_ftnref14"&gt;[11]&lt;/a&gt; tem cidadania, pequenos bônus anexos às mercadorias, que possuem uma importância básica na definição da marca. As adaptações ao mercado, inerente às organizações lucrativas, se dão ao lado de um processo de regeneração das mercadorias e serviços propostos à clientela. Quanto à mão-de-obra, o termo “participação” parece ter virtudes suficientes para ancorá-la à organização com muito mais firmeza que o servo à gleba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida só é possível no processo organizacional. O imaginário enquadrado pela organização transforma-se num relutante apelo burocrático, com todo o “pathos” de um ofício de repartição pública, imaginem Sófocles amanuense!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a mão-de-obra sai da empresa para entrar no sindicato burocratizado, ou freqüenta a Igreja ou freqüenta um partido, os dois estruturados em forma de pirâmide, com níveis de staff e linha, com dogmáticas rígidas interpretadas legitimamente por outros elementos treinados nesse mister, dispondo dos títulos reconhecidos. Em suma, o ritmo vital é regulado pela escola, exército, empresa, hospital, agência de viagens e, finalmente, o asilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas instituições totais é o mesmo grupo de co-participantes que controla tudo sob a mesma autoridade, conforme um plano racional geral, seja ele elaborado pelo staff do presídio, do manicômio, do convento ou do colégio interno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas instituições, há o grupo maior cuja atividade fica confinada aos limites da organização total e o pessoal staff que mantém horário de 8 horas de trabalho e contatos com o exterior. É característica a barreira linha/staff com estereótipos negativos ou agressivos. Há um grande hiato entre eles, grande distancia social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o operário recebe um salário e tem a liberdade de gastá-lo em qualquer ambiente, o mesmo não se dá com o interno das instituições totais que assumem a responsabilidade por ele e exigem algum ou pouco trabalho. Geralmente está incorporado a sistemas de pequenos pagamentos cerimoniosos como, por exemplo, a ração semanal de fumo ou presentes de Natal que motivam os doentes mentais a continuarem em suas ocupações. Em algumas prisões, navios, campos de cortes de árvores é possível alguma poupança forcada: o indivíduo recebe o que lhe é devido após cumprir a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As instituições totais desenvolvem mecanismos de despojamento e mortificação do ego: decisões autônomas são eliminadas mediante a programação coletiva das atividades diárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura da sociedade é escalar, ela articula-se com o aspecto informal definido como regras do local que definem formalmente níveis de proibições. Em troca, o staff oferece recompensas e privilégios, que se constituem em modos peculiares às instituições totais. Receber visitas, fumar um cigarro,o dia da folga, sua negação por qualquer transgressão cometida aos regulamentos, assume um aspecto vital no quotidiano interno da instituição total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nas instituições totais é possível que se dê este processo: os guardas não comunicam infrações aos regulamentos, transmitem informações proibidas aos presidiários, negligenciam as exigências elementares de segurança e aliam aos presidiários em criticas francas aos funcionários da alta burocracia. Muitos podem ter em si uma ambivalência básica em relação aos detentos sob sua guarda: embora condenados, muitos criminosos representam sucesso, em termos de um sistema mundano de valores (alto prestígio, notoriedade e riqueza) e o guarda mal remunerado poderá sentir em associar-se a alguém tão famoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode dar-se a corrupção pela instituição total através da reciprocidade no caso em que o controle da docilidade do presidiário resida menos nas sanções negativas – o que representa encargos para a administração da prisão – mas na consecução de um certo nível de cooperação voluntária do presidiário. Em troca, infrações secundárias aos regulamentos são ignoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conclusões &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior o sistema social as instituições educacionais e seus sacerdotes, os professores, desenvolvem um trabalho contínuo e sutil para a conservação da estrutura de poder e, em geral, da desigualdade social existente. Duas são as principais funções conservadoras atribuídas à escola e aos professores: a exclusão do sistema de ensino dos alunos das classes inferiores e a que definimos como socialização à subordinação, isto é, a transmissão ao jovem de valores compatíveis com seu futuro papel subordinado.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn15" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn15" name="_ftnref15"&gt;[12]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Examinemos a primeira conclusão. Uma frase repetida continuamente pelos sociólogos liberais é que a escola constitui o mais importante canal de ascensão social. Tal proposição é exata na medida em que “a atribuição da posição social é hoje cada vez mais ligada ao sistema de escolaridade”. Mas é errada e mistificadora, se se entender que a escola favoreça ou promova a mobilidade social. Eis que há fortíssimos obstáculos que impedem a inteligência e a capacidade de manifestar-se, privilegiando mais a cumplicidade com o sistema, com o critério de ascensão social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante lambarmos que a família conserva grande parte de usa importância como base inicial da seleção social dos indivíduos, ela transmite ao herdeiro, ao filho, não somente o capital financeiro mas também o capital cultural. Esse capital cultural tem sua legitimidade definida através dos títulos escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que se desenvolve num sistema de ensino pré-universitário unificado, onde o sistema escolar convence o aluno de origem popular de que é necessário competir para atingir altos escalões, e que “seu destino social depende antes de mais nada de sua natureza individual”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn16" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn16" name="_ftnref16"&gt;[13]&lt;/a&gt;. Paralelamente, a escola desenvolve o processo de socialização, ou seja, da aceitação do existente como o desejável. A dificuldade do corpo professoral em adaptar-se às mudanças sócio-culturais pode implicar na sua visualização, não como um corpo que reproduz valores dominantes, mas sim defensor de um patrimônio valorativo superado, qual seja, de vestal da classe média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;BENJAMIM, R. L’ Univers des Instituteurs, Paris, Ed. De Minuit, 1964.&lt;br /&gt;BOTAI, Giuseppe. La Carta dellla Scuola, Milão, Ed. Mondadori, 1941.&lt;br /&gt;BOURDIEU, P. L’ École Conservatrice, in Revue Française de Sociologie, VII, 1966, pp. 325-347&lt;br /&gt;DAHRENDORF, R. Arbeiterkinder an deutschen Universitaten, Tubingen, J. C. B. Mohr, 1965.&lt;br /&gt;DEI, Marcello. Le vestali della classe media, Bolonha, Societá Editrice, 1972.&lt;br /&gt;ESTABLET. L’École capitaliste en France. Paris, Ed. Maspéro, 1971.&lt;br /&gt;FERRER, Francisco. La Escuela Moderna. Montevidéu, Ed. Solidaridad, 1960.&lt;br /&gt;GOFFMAN, Erwin. Presídios, Manicômios e Conventos. São Paulo, Ed. Perspectiva, 1974.&lt;br /&gt;KEACH, E. T. Education and social crisis, Nova York, J. Wiley, 1966.&lt;br /&gt;LOBROT, M. A Pedagogia Institucional. Lisboa, Ed. Iniciativas editoriais, 1966.&lt;br /&gt;MAUSS, M. Oeuvres, Vol. I, II, III, Ed. PUF, França 1969.&lt;br /&gt;SCHEFER, G. Das Gesellschaftsbild des Gymnasiallehrers, Frankfurt am Main, Suhrkamp Verlag, 1969.&lt;br /&gt;SCHUH, E. Der Volksschulleher. Berlin, H. Schrodel Verlag, 1962.&lt;br /&gt;THOMPSON, V. As modernas organizações, São Paulo, Ed. F. Bastos&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, Maurício. Burocracia e Ideologia, São Paulo, Ed. Ática, 1974.&lt;br /&gt;TROPP, A. The School Teacher, Londres, 1957. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; In: GARCIA, Walter. (Org.) Educação Brasileira Contemporânea: organização e funcionamento. São Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1976, pp. 15-30.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[1]&lt;/a&gt; O taylorismo tem como finalidade: eliminar o poder de decisão do operário e tornar o operário uma máquina.&lt;br /&gt;A organização moderna é a instituição onde se realiza a relação de produção que se constitui a característica de todo sistema social, é o mecanismo de exploração e se rege pela coerção e manipulação. A substância a organização não é um conjunto funcional, mas sim, a exploração, o boicote e a coerção.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[2]&lt;/a&gt; Para Simon, a hierarquia é necessária para alcançar um fim comum. Ela tende a tornar-se mais rígida quanto mais complexa é a organização. Sustenta que, da mesma maneira como no mecanismo de mercado, o fim de todos coincide com o de cada um.&lt;br /&gt;Acha-se como pressuposto um certo tipo de racionalidade que os utilitários do século passado sustentavam como universal. No entanto, os fins são formulados pela cúpula, a teoria da organização pretende não discutir o problema central do poder, o que explica também o êxito do estudo referente aos “pequenos grupos”, onde o conformismo constitui fonte de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[3]&lt;/a&gt; O processo acima define a hegemonia do autoritarismo na escola, onde a palavra autorizada é a do mestre, enunciada pelo programa e pelas instruções sobressalentes. O caderno funciona como registro e permite a inspeção a inspeção e o controle da conformidade. Os dispositivos audiovisuais permitem difundir programas pré-fabricados que correspondem a um discurso escolar estritamente subordinado à organização!&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;*&lt;/a&gt; M. Lobrot C. A. Pedagogia Institucional, p. 161, Lisboa, Editora Iniciativas Editoriais.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[4]&lt;/a&gt; A convicção de que o prestígio profissional está progressivamente diminuindo é confirmado por pesquisas realizadas nos EUA, Itália, Alemanha, no que se refere a professores de nível ginasial, conforme G. SCHEFER, Das Geselleschaftsbild des Gymnasiallehrers, Frankfurt am Main, Suhrkamp Verlag, 1969, especialmente pp. 43-50.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[5]&lt;/a&gt; O discurso sobre a produção é reservado aos tecnocratas, o discurso sobre as relações sociais é reservado aos políticos, o discurso da mudança é reservado aos revolucionários profissionais, o discurso sobre o sexo é reservado para a Educação Sexual e o discurso sobre o corpo é de âmbito dos médicos.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[6]&lt;/a&gt; Muitas pesquisas desenvolvidas em diversos países demonstraram que o excessivo contingente de alunos por classe e uma das maiores fontes de insatisfação dos professores, conforme E. SCHUC, Der Volksschullehrer Strofakto en in Berufsleben und ihre Ruckwirkung auf die Einstellung im Berugf, Berlim, H. Schodel Verlag, 1962. Nessa pesquisa que envolveu 508 professores alemães, as maiores fontes de insatisfação provinham do excessivo número de alunos por classe, baixo prestígio social do ensino e escassa possibilidade de carreira. Resultados idênticos no que respeita à França foram colhidos por R. BENJAMIM, L’ Univers des Instituteurs, Les Editions de Minuit, 1964.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[7]&lt;/a&gt; A Europa caracteriza-se na educação por um sistema de mobilidade cooptativa. Os alunos das classes inferiores são eliminados de diversas formas. O simples fato da escola, cujo recrutamento de alunos estrutura-se na classe média e alta, estar próxima à habitação do aluno, formar classes pequenas e possuir material didático, coloca os alunos das classes pobres em situação desvantajosa, como ponto de partida. Há uma escola média para a formação da classe dirigente e outra técnica sem possibilidade de chegar ao nível superior, para a classe operária. Isso foi teorizado por Giuseppe BOTAI, La Carta della Scuola, Milão, 1941, p. 28, ed. reformulada.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;[8]&lt;/a&gt; Pré-requisitos necessários ao professor inglês do século XVIII: “Ele deve ser: 1) Membro da Igreja da Inglaterra, de vida austera, idade não inferior a 25 anos; 2) Dedicado à Santa Comunhão; 3) Capaz de autodomínio de si e das paixões; 4) De caráter submisso e conduta humilde; 5) possuir bom talento didático; 6) Bem informado dos princípios e fundamentos da religião cristã com capacidade para enunciá-los ante o ministro da paróquia ou ao Bispo mediante exame escrito; 7) Possuir boa caligrafia e sólidos fundamentos nas Matemáticas; 8) Membro de uma família de ilibada conduta moral e 9) Contar com a aprovação do ministro da paróquia (sendo um fiel) antes de procurar autorização do Bispo.” A. TROPP, The School Teacher, Londres, Heinemann, 1957.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn11" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;*&lt;/a&gt; MAUSS, M, Sociologie et Antropologie, Ed. PUF, França.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn12" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;[9]&lt;/a&gt; Segundo o psicanalista Oto Fenichel – escotomizar significa não querer enxergar, não admitir, negar magicamente o real.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn13" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref13" name="_ftn13"&gt;[10]&lt;/a&gt; D. MOTHÉ, Militant chez Renault, Ed. du Seuil, Paris, p. 10.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn14" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref14" name="_ftn14"&gt;[11]&lt;/a&gt; “O uso contínuo do conceito do dom ou dos dotes intelectuais constitui um pretexto para desviar o discurso das causas sociais das menores possibilidades de instrução que têm na Alemanha os filhos de operários, remontando-as a pretensas causas naturais.” R. DAHRENDORF, Arbeitenkinder an deutschen Universitaten, (J. C. Mohr, Tubingen, 1965, p. 29)&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn15" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref15" name="_ftn15"&gt;[12]&lt;/a&gt; A insensibilidade ante a desigualdade social e seu papel no comportamento do aluno constitui também característica do ensino nos países desenvolvidos. Veja-se H. ULIBARRI, Teacher Awareness of Sociocultural Differences in Multicultural Classrooms, in E. T. Keach, R. Fulton, F. E. Gardner (eds.), Education and Social Crisis, Nova York, J. Willley, 1967, pp. 139-144.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn16" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref16" name="_ftn16"&gt;[13]&lt;/a&gt; P. BOURDIEU, L’École Conservatrice”, p. 342, in Revue Française de Sociologie, VII, 1966, pp. 325-347.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7194536213400736014?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7194536213400736014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/04/escola-como-organizacao-complexa-por.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7194536213400736014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7194536213400736014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/04/escola-como-organizacao-complexa-por.html' title='A Escola como organização complexa - por Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SfB-ZeSFhCI/AAAAAAAAFGU/yx4NoLc0ZmM/s72-c/tragtenberg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-1794119653783387344</id><published>2009-04-18T16:38:00.001-03:00</published><updated>2009-04-18T16:40:49.189-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>Relações de Poder na Escola - por Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Seoso9ahrCI/AAAAAAAAE_A/aynALBHfe-A/s1600-h/tragtenberg-t.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326118591511243810" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Seoso9ahrCI/AAAAAAAAE_A/aynALBHfe-A/s320/tragtenberg-t.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Professores, alunos, funcionários, diretores, orientadores. As relações com todos estes personagens no espaço da escola reproduzem, em escala menor, a rede de relações que existe na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não é novidade. O que interessa é conhecer como essas relações se processam e qual o pano de fundão de idéias e conceitos que permitem que elas se realizem de fato. A nós interessa analisar a escola através de seu poder disciplinador. Conforme diz o pensador francês Michel Foucault, a escola é o espaço onde o poder disciplinar produz o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação surgiu no século XIX com a instituição disciplinar que consiste na utilização de métodos que permitem um controle minucioso de sobre o corpo do cidadão através dos exercícios de domínio sobre o tempo, espaço, movimento, gestos e atitudes, com uma única finalidade: produzir corpos submissos, exercitados e dóceis. Tudo isso para impor uma relação de docilidade e utilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola, ser observado, olhado, contado detalhadamente passa a ser um meio de controle, de dominação, um método para documentar individualidades. A criação desse campo documentário permitiu a entrada do indivíduo no campo do saber e, logicamente, um novo tipo de poder emergiu sobre os corpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os efeitos do poder se multiplicam na rede escolar devido à acumulação cada vez maior de novos conhecimentos adquiridos a partir da entrada dos indivíduos no campo do saber. Conhecer a alma, a individualidade, a consciência e comportamento dos alunos é que tornou possível a existência da psicologia da criança e a psico-pedagogia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As áreas do saber se formam a partir de práticas políticas disciplinares, fundadas na vigilância. Isso significa manter o aluno sob um olhar permanente, registrar, contabilizar todas as observações e anotações sobre os alunos, através de boletins individuais de avaliação, ou uniformes-modêlo, por exemplo, perceber aptidões, estabelecendo classificações rigorosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática de ensino em sua essência reduz-se à vigilância. Não é mais necessário o recurso à força para obrigar o aluno a ser aplicado, é essencial que o aluno, como o detento, saiba que é vigiado. Porém há um acréscimo: o aluno nunca deve saber que está sendo observado, mas deve ter a certeza de que poderá sê-lo sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As normas pedagógicas têm o poder de marcar, salientar os desvios, reforçando a imagem de alunos tidos como ‘problemáticos’, estigmatizados como o ‘negrão’, o ‘índio’, o ‘maloqueiro’ ou o morador da ‘favela’. A escola, ao dividir os alunos e o saber em séries, graus, salienta as diferenças, recompensando os que se sujeitam aos movimentos regulares impostos pelo sistema escolar. Os que não aceitam a passagem hierárquica de uma série a outra são punidos com a ‘retenção’ ou a ‘exclusão’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola se constitui num centro de discriminação, reforçando tendências que existam no “mundo de fora”. O modelo pedagógico instituído permite efetuar vigilância constante. As punições escolares não objetivam acabar ou ‘recuperar’ os infratores. Mas, ‘marcá-los’ com um estigma, diferenciando-os dos ‘normais’, confiando-os a grupos restritos que personificam a desordem, a loucura ou o crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma a escola se constitui num observatório político, um aparelho que permite o conhecimento e controle perpétuo de sua população através da burocracia escolar, do orientador educacional, do psicólogo educacional, do professor ou até dos próprios alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a estrutura escolar que legitima o poder de punir, que passa a ser visto como natural. Ela faz com que as pessoas aceitem tal situação. É dentro dessa estrutura que se relacionam os professores, os funcionários técnicos e administrativos e o diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário situar ainda que a presença obrigatória com o ‘Diário de Classe’ nas mãos do professor, marcando ausências e presenças nuns casos, atribuindo “meia falta” ao aluno que atrasou uns minutos ou saiu mais cedo da aula, é a técnica de controle pedagógico burocrático por excelência herdada do presídio. Esse professor é visto como encarregado de uma ‘missão educativa’ por uns; como ‘tira’ e ‘cão de guarda’ da classe dominante por outros, ‘contestador e crítico’ por muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvida que a escola, em qualquer sociedade, tende a renovar-se e ampliar seu âmbito de ação, reproduzir as condições de existência social formando pessoas aptas a ocupar os lugares que a estrutura social oferece. Com a religião e o esporte, a educação pode se constituir num instrumento do poder e, nessa medida, o professor é o instrumento da reprodução das desigualdades sociais em nível escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu processo de trabalho, o professor é submetido a uma situação idêntica ao proletário, na media em que a classe dominante procura associar educação ao trabalho, acentuando a responsabilidade social do professor e de seu papel como guardião do sistema. Nesse processo o professor contratado ou precário (sem contrato e sem estabilidade) – mais de 85 mil só no Estado de São Paulo – substitui o efetivo ou estável, conforme as determinações do mercado, colocando-o numa situação idêntica ao proletário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor é submetido a uma hierarquia administrativa e pedagógica que o controla. Ele mesmo, quando demonstra qualidades excepcionais, é absorvido pela burocracia educacional para realizar a política do Estado, portanto, da classe dominante em matéria de educação. fortalecem-se os célebres ‘órgãos’ das Secretarias de Educação em detrimento do maior enfraquecimento da unidade escolar básica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na unidade escolar básica é o professor que julga o aluno mediante a nota, participa dos Conselhos de Classe onde o destino do aluno é julgado, define o Programa do Curso nos limites prescritos prepara o sistema de provas ou exames. Para cumprir essa função ele é inspecionado, é pão por esse papel de instrumento de reprodução e exclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nas escolas particulares de classe alta, ao ultrapassar a entrada do colégio que o professor perde seus direitos em função das normas impostas e do papel a desempenhar. Mestres e alunos submetem-se a esse inconsciente coletivo transmitido por herança cultural: um ‘respeitável’ professor não fala de sua vivencia pessoal por temer ser considerado medíocre. O aluno, por sua vez, espera do professor certo tipo de comportamento, seu desprezo ou sua admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria disposição de carteiras em sala de aula reproduz as relações de poder: o estrado que utiliza acima dos ouvintes, estes sentados madeiras linearmente definidas próximas a uma linha de montagem industrial, configuram a relação ‘saber/poder’ e ‘dominante/dominado’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor subordina-se às autoridades superiores, essa submissão leva-o a acentuar uma dominação compensadora. Delegado dessa ordem hierárquica junto aos estudantes, ele é símbolo vivo dessa subordinação, o instrumento da submissão. Seu papel é impor a obediência. Na relação do professor com a classe, encontram-se dois adolescentes: o adolescente aluno a quem ele deve educar e o adolescente reprimido que carrega consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder professoral manifesta-se através do sistema de provas ou exames onde ele pretende avaliar o aluno. Na realidade está selecionando, pois uma avaliação de uma classe pressupõe um contato diário com a mesma, prática impossível no atual; sistema de ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disciplinação do aluno tem no sistema de exame um excelente instrumento: a pretexto de avaliar o sistema de exames. Assim, a avaliação deixa de ser um instrumento e torna-se um fim em si mesma. O fim, que deveria ser a produção e transmissão de conhecimentos, acaba sendo esquecido. O aluno submete-se aos exames e provas. O que prova a prova? Prova que o aluno sabe como fazê-la, não prova seu saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, na relação professor/aluno, enfrentam-se dois tipos de saber, o saber do professor inacabado e a ignorância do aluno relativa. Não há saber absoluto nem ignorância absoluta. No fundo, os exames dissimulam, na escola, a eliminação dos pobres que se dá sem exame. Muitos deles não chegam a fazê-lo, são excluídos pelo aparelho escolar muito cedo, veja-se o nível de evasão escolar na 1ª série do 1º grau e nas últimas séries do 1º e 2º grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exame permite a passagem de conhecimento do professor ao aluno e a retirada de um saber do aluno destinado ao mestre. O exame está ligado a certo tipo de formação de saber e a certo tipo de exercício de poder. O exame permite também a formação de um sistema comparativo que dá lugar a descrição de grupos, caracterização de fatos coletivos, estimativa de desvios dos indivíduos entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer escola se estrutura em função de uma quantidade de saber, medido em doses, administrado homeopaticamente. Os exames sancionam uma apropriação do conhecimento, um mau desempenho ocasional, um certo retardo que prova a incapacidade do aluno em apropriar-se do saber. Em face de um saber imobilizado, como nas Tábuas da Lei, só há espaço para humildade e mortificação. Na penitencia religiosa só o trabalho salva, é redentor: portanto, o trabalho pedagógico só pode ser sado-masoquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por acaso que existe relação entre a estrutura simbólica da religião com a escolar. Elas reforçam a estrutura simbólica pela qual se realiza a estrutura de classe. A mesma relação de indignidade existente entre o pecador e a religião, é a existente entre os alunos e o saber. O aluno é visto como se tivesse uma essência inferior à do mestre, como o homem o é ante a figura de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho mortificante no plano pedagógico – a ansiedade em saber se foi aprovado ou reprovado no exame – é a via da redenção, a expiação da indignidade. É o único caminho pata atingir o Templo do Saber, da Graça e da Riqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não desencorajar os mais fracos de vontade surgem os métodos ativos em educação. A dinâmica de grupo aplicada à educação alienou-se quando colocou em primeiro plano o grupo em detrimento da formação. A utilização do pequeno grupo como técnica de formação deve ser vista como uma possibilidade entre outras. Tal técnica não questiona radicalmente a essência da pedagogia educacional. O fato é que os grupos acham-se diante de um monitor; aqueles caracterizam o não saber e este representa o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de colocar como tarefa pedagógica dar um curso e o aluno recebê-lo, por que não colocá-lo em outros termos: em que medida o saber acumulado e formulado pelo professor tem chance de tornar-se o saber do aluno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vistos estaticamente a escola e o professor, ele aparece como guardião de um saber estratificado, como o sacerdote das salvaguardas educacionais, como o gerente de sua distribuição, como o profeta da necessidade do trabalho e do mérito vinculado a um esforço redentor, finalmente, da vontade que tudo salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, há o outro lado da moeda. O professor é agente da reprodução social e, pelo fato de sê-lo, também é agente da contestação, da crítica. O predomínio das funções de reprodução e de crítica professoral dependem mais do movimento social e sua dinâmica, que se dá na sociedade civil, fora dos muros escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em períodos de mudança social, o professor, enquanto assalariado ou funcionário do Estado, se organiza contra a deterioração de suas condições de trabalho. Nesse momento ele contesta o sistema. Porém, para contestar o sistema é necessário estar inserido nele numa função produtiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que se dá com o operário. Reproduzindo o capital, ponto terminal do trabalho acumulado, tem ele condições de contestar o capital mediante sua auto-organização e ações práticas. Desvinculado da produção pouco pode fazer. Greve de desempregados é coisa difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso a escola é um espaço contraditório: nela o professor se insere como reprodutor e pressiona como questionador do sistema, quando reivindica. Essa é a ambigüidade da função professoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possibilidade de desvincular saber de poder, no plano escolar, reside na criação de estruturas horizontais onde professores, alunos e funcionários formem uma comunidade real. É um resultado que só pode provir de muitas lutas, de vitórias setoriais, derrotas, também. Mas sem dúvida a autogestão da escola pelos trabalhadores da educação – incluindo os alunos – é a condição de democratização escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem escola democrática não há regime democrático; portanto, a democratização da escola é fundamental e urgente, pois ela forma o homem, o futuro cidadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;Fonte: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Educação &amp;amp; Sociedade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; – Revista Quadrimestral de Ciências da Educação – Ano VII – Nº 20 – Jan/Abril de 1985 (1ª reimpressão – setembro de 1986). Campinas: CEDES/Unicamp; São Paulo: Cortez Editora, pp. 40-45.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-1794119653783387344?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/1794119653783387344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/04/relacoes-de-poder-na-escola-por.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/1794119653783387344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/1794119653783387344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/04/relacoes-de-poder-na-escola-por.html' title='Relações de Poder na Escola - por Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Seoso9ahrCI/AAAAAAAAE_A/aynALBHfe-A/s72-c/tragtenberg-t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-9127172782654819788</id><published>2009-04-04T17:22:00.003-03:00</published><updated>2009-04-04T17:26:13.138-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (artigos)'/><title type='text'>Um parresiasta no socialismo libertário</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SdfCDR1YygI/AAAAAAAAElo/-T5c-XQ4rU4/s1600-h/esq-nusol.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320934846344251906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 168px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SdfCDR1YygI/AAAAAAAAElo/-T5c-XQ4rU4/s320/esq-nusol.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;por&lt;strong&gt; Edson Passetti&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauricio Tragtenberg: nada fácil para quem aprecia classificações, ou para quem deseja se ver como clássico. Mauricio Tragtenberg faz ruir os conceitos, os intelectuais e os militantes que pretendem apanhá-lo como isso ou aquilo. Estranho, esse homem de fala baixa, andar lento, milimétricos giros de cabeça, moroso em levantar o braço para apanhar o cigarro no canto da boca — tão compassado que às vezes o cigarro apagava e a cinza se equilibrava enquanto as palavras ditas produziam rumores —, estranho professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os socialistas e anarquistas, um leitor atento, um analista ácido e preciso, um parceiro atraente e de quem não se abria mão. Uns chegavam mais próximos desse homem livre, outros pegavam carona em suas caminhadas, conversas de bar, leituras. Todos compartilhavam de suas indicações bibliográficas. Ele não se colocava acima, nem abaixo. Estava ao lado dos que apreciavam intensificar liberdades. Por isso, ouviu os liberais, leu muito Max Weber, e traduziu e organizou coletânea do sociólogo da burocracia como um anti-burocrata. Com isso, mexeu na falta de teoria política no marxismo, detonou a ditadura do proletariado, trouxe os anarquistas para o debate, pensou em indicar uma teoria econômica para o anarquismo; foi um heterodoxo, um socialista heterodoxo, como o título que deu a um de seus livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parresiasta&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mauricio Tragtenberg é um parresiasta contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que a parresia, na antiga democracia ateniense, era uma atitude de homens livres diante da verdade dos governantes.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[1]&lt;/a&gt; Era própria de homens que falavam francamente com os superiores, interpondo verdades, sem medo de correr riscos. Sabiam que estavam em condição de inferioridade e não temiam apresentar suas críticas e verdades. Recusavam os aduladores, pois estes se prestavam a arruinar a democracia tornando-se demagogos. A parresia era um exercício do cidadão diante da assembléia, do discípulo perante o filósofo e se opunha à retórica, a arte de persuadir. Era sempre proferida em lugar público afirmando o cidadão livre para a cidade livre, estabelecendo relações de poder horizontais. O parresiasta não era uma pessoa fácil; era incisivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, com a reação aristocrática à democracia, a parresia se alojou nas proximidades dos governantes até chegar com o cristianismo a se transformar em conduta guiada a Deus, por alguém a quem se confessava. No âmbito da filosofia foi a atitude parresiasta que a instituiu, pretendendo apartar a verdade verdadeira e desinteressada da verdade do governante. E foi assim que a verdade passou a funcionar como saber-poder de uma era e que mais tarde se transmutou em saber-poder cristão. Séculos mais tarde ainda, outras parresias apareceram para fazer funcionar não só mais relações históricas de saber-poder, mas outras relações entre governo e verdade, implicando não só a oposição entre razão moderna e religião, mas combinações cada vez mais próximas entre elas. Não bastava mais aperfeiçoar o regime de direitos herdado do Iluminismo e da Revolução Francesa por novas relações que superassem a propriedade privada e o capitalismo. A atitude do parresiasta estava em mostrar as similitudes entre Deus e Razão moderna e dentro desta a atitude de risco em confrontar a condução das massas pela vanguarda. É nesse instante que o parresiasta libertário aparece e que ao mesmo tempo ele é interpelado pelo heterodoxo. Esse é o fluxo ao qual pertence o parresiasta Mauricio Tragtenberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anarquistas e muitos outros inventores de vida apareceram como parresiastas contemporâneos retomando o risco de proferir a verdade não só diante dos governantes, de adversários e inimigos, mesmo buscando a verdadeira filosofia desinteressada. Viveram no limiar da ultrapassagem da era das Luzes. Levaram-nos para a fronteira, não como condutores, mas como mestres na retaguarda. Não se trata, então, de meramente situar Mauricio Tragtenberg entre os socialistas e anarquistas e no campo do contra-posicionamento moderno. Isso é simples e facilmente calculado. Mas ele se encontra no fluxo da diluição da oposição posicionamento/contra-posicionamento, ao lado e junto com outros heterodoxos parresiastas, amigos da vida, livre entre iguais e diferentes, sem pretender seguidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;libertário &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Mauricio Tragtenberg notou a ausência de teoria política no marxismo, estava atento para o fato que a ditadura do proletariado por sua própria condição levava à ditadura. A promessa de liberdade pela ditadura, a substituição de uma classe dominante por outra, a realização dos verdadeiros direitos e justiça social depois da revolução e a condução pela vanguarda tinham tudo para dar em fracasso, em dominação burocrática, em estatismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitor de Trotsky sabia da necessidade da revolução permanente, agora do proletariado contra a burocracia. Leitor de Proudhon, a quem foi apresentado por Azis Simão, sabia também que a revolução permanente não era um novo ato, mas uma criação constante de liberdades contra a Revolução, ato contínuo de reposição do soberano, e se fez também anti-trotskista.&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[2]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para uma revolução permanente faltava ao marxismo uma teoria política. E havia uma teoria política própria ao entendimento do regime da legitimidade moderna, da dominação capitalista sob a ética protestante, por meio de procedimentos impessoais: a teoria política de Max Weber sobre a burocracia. Tragtenberg conhecia Nicos Poulantzas e o seu renomado Poder político e classes sociais, em que este apresentava uma teoria política ao marxismo por Weber, mas que podia, quando muito, desviar o domínio socialista do modelo stalinista para o maoísta, ou mesmo como Charles Bettelhein em Lutas de classe na União Soviética, constatar a aparição de nova classe dominante. À sua maneira sabia notar como o preenchimento de uma teoria política no marxismo podia levar a outras maneiras de governar e dominar em nome do proletariado. Mas com firmeza e precisão nas páginas de Burocracia e ideologia, sua tese de doutoramento, Mauricio Tragtenberg problematizou as substituições de modelos e deu pistas para o equívoco da noção de socialismo real, com a qual os marxistas procuravam oxigenar a teoria da revolução e o conceito de ditadura do proletariado. Naqueles anos 1960-1970 os marxistas brasileiros começavam a aderir a Antonio Gramsci, como hoje caminham com Zigmund Bauman, Slavj Zizek e os renovados Antonio Negri e Michael Hardt, democratizando o leninismo com federalismo estadunidense em Império e Multidão. Por certo, Mauricio Tragtenberg estaria rondando esses pensadores com sua heterodoxia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele queria uma saída heterodoxa para os socialistas e os anarquistas. Considerava a crítica à economia política de Marx científica e imprescindível. Em certo sentido, apanhava o anarquismo de Bakunin bastante afeito às teses econômicas de Marx, como mostrara Frank Harrisson em The modern State — que provavelmente Tragtenberg desconhecia —, e o ajustava à contemporânea reflexão de Daniel Guérin — que conhecia profundamente —, para quem era possível trazer libertarismo ao marxismo. Neste vaivém, e balizado pela crítica anarquista à ditadura do proletariado, Mauricio pensou por justaposição num marxismo libertário, fundindo, neste plano o socialismo científico de Marx, sem ditadura do proletariado, com o anarquismo científico de Piotr Kropotkin. Esta foi, neste ponto, sua contribuição heterodoxa ao pensamento e à prática socialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;herético&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não pensem que no anarquismo só havia coisas boas aproveitáveis, complementares, ou uma unidade indissolúvel. Mauricio chamava a atenção para as múltiplas afinidades, um certo pluralismo na Anarquia, cujos efeitos no Brasil a partir do anarco-sindicalismo o orientou para ser um crítico pertinente do velho e do nascente novo sindicalismo brasileiro do final dos anos 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lidava com os anarquistas no Brasil com muita verve. Introduziu por meio da parceria com a Editora Cortez escritos decisivos de Bakunin e Malatesta, sem deixar de visitar a revolução makhnovista na Ucrânia e o desdobramento dos exilados pelo governo revolucionário soviético na organização Dielo Trouda (Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários, elaborada em 1926, na França), repleta de similaridades com os bolchevistas; e também acompanhou a revolução espanhola com Diego Abad de Santillán, pela Editora Brasiliense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg, lendo Malatesta, lembrava a função de retaguarda dos intelectuais: sua função de trabalho, crítica, atuação e pertinência para dissolver o condutor, o profeta, o governante em cada um. Apostava no movimento, nas práticas refazendo a memória dos anarquismos e inventando anarquias compatíveis com a época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anarquista como Bakunin, via na vanguarda a renovação da burocracia moderna, assim como esta atualizava a vida hierárquica milenar dos sacerdotes egípcios e dos mandarins chineses como Tragtenberg mostrara em seus estudos sobre o modo de produção asiático. Como Bakunin, era um iluminista e adepto da ciência moderna; não a desprezava, mas a preferia longe das organizações dos cientistas, epicentro dos novos sacerdotes produtores da cientificidade impessoal e procedimental alimentadora da dominação burocrática, com base tanto na ética da convicção quanto na ética da responsabilidade. Enfim, havia um impossível mundo da liberdade com Estado, com burocracia, com sacerdotes de Deus, da razão ou associados num pluralismo suspeito como na atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo da liberdade negativa dos liberais e da liberdade absoluta dos comunistas só gerou dominação, campos de concentração e de extermínio, prisões, tribunais. Tragtenberg não suportava campos de concentração para ninguém; tinha a sensibilidade para reconhecer as diferenças entre os que foram pegos pelos campos de concentração no Brasil ou no exterior, pelas ditaduras de direita e de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura e atualidade da Anarquia, para Tragtenberg, também trazia a necessidade de se superar qualquer ortodoxia, atitude nada paradoxal aos anarquistas. Era — e é preciso —, lembrava Mauricio, que a devoção se apagasse mesmo entre os anarquistas, camuflada em grupos de afinidades e culto a personalidades. A liberdade, para ele, não pode ser uma religião e os anarquistas devem abolir a ortodoxia na sua luta contra o Estado. Concordando com Bakunin, para ele, só havia uma autoridade a ser respeitada: autoridade do conhecimento exercida horizontalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg foi nocivo ao anarquismo, mas nem tanto ao marxismo. Para este trouxe a complementação da crítica à infraestrutura pelo pensamento superestrutural libertário; nos anarquistas aplicou um xeque-mate com suas críticas às similitudes vanguardistas, exercícios doutrinários e segmentações em nome da verdade. Para dar um fim à representação, prática decisiva do combate anarquista, é preciso o indivíduo livre para uma coletividade livre, como propunha a judia-russa-americana Emma Goldman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a liberdade não há modelos ou modulações, somente experimentações. Tragtenberg, pensador de fronteira expandida ou a ser suprimida, pressentia uma possível convivência entre marxistas e anarquistas, e por isso, seu nome ficou associado ao marxismo libertário. Entretanto, entre os anarquistas continua apreciado como um homem livre que elaborou críticas internas preciosas às práticas libertárias. Foi um experimentador, livre do rigor formal dos cientistas que ainda associam experimentação às ciências físicas e à observação de fenômenos sob condições especiais — o que é pouco, muito pouco diante da filosofia contemporânea; é quase nada diante das liberdades anarquistas. Mas é muito em função da continuidade vanguardas e elites aninhadas em comunidades científicas, governos, partidos e em organizações da sociedade civil. Eis um efeito Mauricio Tragtenberg sobre mim, sobre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;delinqüente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauricio Tragtenberg também foi um professor heterodoxo, herético, destes que fazem falta, hoje em dia, quando a universidade está tomada pelo professor currículo-Lattes, repleto de ocupações com empregos, assessorias e mainstream. Eles definitivamente politizaram a universidade. Segundo Martin Heidegger, depois de sua passagem pela reitoria da universidade no governo nacional-socialista, a política na universidade levaria à sua ruína. Independente do julgamento de Heidegger a política na universidade a metamorfoseou — para relembrar Franz Kafka, obviamente muito apreciado por Tragtenberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O raro pesquisador-professor transgressivo, cede o lugar aos burocratas titulados, aplicadores de provas e que preparam alunos para concursos, empregos e serviços gerais: formam para a empregabilidade. Noutras palavras, reféns de financiamentos externos e convocados a participar de conselhos científicos ou a darem pareceres por mérito competente, escudam-se na impessoalidade do procedimento para contemplar os pares e estancarem os ímpares. Tragtenberg deu um nome especial para este tipo de intelectual, pesquisador, professor: delinqüente acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o governo de uma comunidade refém dos financiamentos empresariais, governamentais e não-governamentais, estes novos intelectuais redimensionam os departamentos segundo o critério pluralista e acomodam ou acirram conflitos entre conservadores, liberais e socialistas remanescentes. Fora disso, nada cabe no pluralismo, ou o novo nome da unidade unificadora e que propõe uma inclusão cabotina. Os departamentos passam a funcionar segundo regras claras de atuação e fiscalização entre pares em órgãos governamentais e fundações e são transformados em espaços de administração do saber. E como lembrou Tragtenberg o saber da administração é mortal porque produz poder que intercepta as novidades e normaliza. A administração democrática ou pelo mérito, indistintamente, mitifica as diferenças numa uniformidade e tende a gerar um padrão pluralista cuja meta é suprimir os socialistas e o que restou de anarquistas. A perseguição do ideal democrático da poliarquia tende a encontrar adequação entre conceito e história. Contudo, permanece uma abstração e só existe na realidade por meio de composições, como o uso de um tipo ideal. Mundo do a priori, da vitória de Max Weber, não muitas vezes, também travestido de socialista. O professor Tragtenberg, também não raras vezes, disparava: “O pluralismo é o refúgio preferido do conservador”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;verve&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauricio Tragtenberg fez sua existência apartada da retórica, compôs com as forças políticas anti-autoritárias, segundo os acontecimentos — recordo-me, em especial, sua atenção para o voto de protesto no MDB (Movimento Democrático Brasileiro), em 1974, contra a ditadura militar e seu partido da ordem, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Sabia que até hoje só se acaba com ditaduras por meio de lutas políticas sob o comando dos democratas. Queria mais, como todos nós, mas sabia o que vinha pela frente na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um parresiasta se afastou dos praticantes da retórica porque eles desejam comandar e dependem do amor dos obedientes. Como um parresiasta político bombardeou o Estado e seu princípio de necessidade, do melhor dos governos, da verdade desinteressada dos governantes. Como parresiasta histórico e libertário problematizou o marxismo e o anarquismo e não julgou ninguém, porque sabia, junto com os jovens anarco-terroristas que sob o governo de Estado e da propriedade ninguém é inocente! Nem ele, que nunca esteve disponível a ser São Isso ou São Aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas recomendações permanecem atuais e ainda vibram a vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Apresentado no Colóquio Mauricio Tragtenberg, 10 anos de encantamento, sessão “O socialismo libertário”, em 5 de novembro de 2008, São Paulo: TUCA. Publicado em: Revista Ponto-e-vírgula, São Paulo: PEPG Ciências Sociais PUC-SP, 2008. &lt; &lt;a href="http://www.pucsp.br/ponto-e-virgula/n4/artigos/pdf/4_edson_passetti.pdf"&gt;http://www.pucsp.br/ponto-e-virgula/n4/artigos/pdf/4_edson_passetti.pdf&lt;/a&gt; &gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[1]&lt;/a&gt; Michel Foucault. Coraje y verdad (“Fearless Speech”). In Thomás Abrahan El último Foucault. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 2003, pp. 261-404.; A hermenêutica do sujeito. Tradução de Marcio A. da Fonseca e Salma T. Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004; Le government de soi et des autres. Paris: Gallimard/Seuil, 2008.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[2]&lt;/a&gt; “Tive também a influência de Aziz Simão. O primeiro presente que ele me deu foi um livro que ele chamou de ‘livro universitário’, que era do Pirenne, História econômica e social da Idade Média. O segundo presente foi para me chamar a atenção para Proudhon e outros socialistas não marxistas. Aziz me mostrou que existia Proudhon, que era um pensador que tinha uma visão diferente da que se conhecia na época, nos partidos marxistas, e que era importante conhecer. Então eu comecei a entrar em contato com a obra de Proudhon. Naquela época, o Aziz Simão dava cursos sobre sindicatos ─ ele sempre se interessou por sindicalismo ─ e eu estava no trotskismo. Então, à medida que eu começava a ler a ‘doutrina’ do Florestan e começava a ler Proudhon, eu comecei a achar o trotskismo um stalinismo mais intelectualizado; quero dizer, uma espécie de dogmatismo mais elaborado. (...) estruturalmente ele era apenas o stalinismo com consciência ideológica.” Mauricio Tragtenberg. Memórias de um autodidata no Brasil. São Paulo: Escuta, 1999, p. 50.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-9127172782654819788?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/9127172782654819788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/04/um-parresiasta-no-socialismo-libertario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/9127172782654819788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/9127172782654819788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/04/um-parresiasta-no-socialismo-libertario.html' title='Um parresiasta no socialismo libertário'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SdfCDR1YygI/AAAAAAAAElo/-T5c-XQ4rU4/s72-c/esq-nusol.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-6646021672370770481</id><published>2009-03-28T21:46:00.002-03:00</published><updated>2009-03-28T21:48:49.195-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>Palestinos: o Dia da Terra</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sc7FW3sSUXI/AAAAAAAAEk8/OT_hrCLqWBs/s1600-h/tragtenberg-t.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318405206668628338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sc7FW3sSUXI/AAAAAAAAEk8/OT_hrCLqWBs/s320/tragtenberg-t.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;*&lt;/a&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, dia 30, o povo palestino comemora o “Dia da Terra”, que surgiu como lembrança histórica da resistência que em 1976, os vários palestinos da Galiléia (território ocupado em 1948) manifestaram contra a invasão e ocupação de suas terras pelo Estado em Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como acontece nessas ocasiões houve repressão e violência por parte das autoridades militares de ocupação, onde foram indiscriminadamente atingidos homens, mulheres, velhos e crianças. É impossível destruir um povo que por mais de trinta séculos construiu sua cultura, suas obras materiais e espirituais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquadrada no plano da destruição da cultura e identidade do povo palestino estão as universidades palestinas construídas nas ‘zonas ocupadas’ pelo Estado em Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através da Ordenança Militar 854, uma das 1.080 ordenações militares que modificam a legislação jordaniana, em vigor na Cisjordânia, o Estado detém em suas mãos a permissão de funcionamento de qualquer instituição educacional, que implica no controle pelas autoridades do pessoal acadêmico, dos programas e manuais de ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das iniciativas que afetou gravemente o funcionamento das universidades palestinas nas ‘zonas ocupadas’ foi que a partir de 1983 os professores estrangeiros – na realidade palestinos com passaportes de diversas nacionalidades estrangeiras – tenham que assinar uma declaração, segundo a qual, comprometem-se a não dar apoio algum à OLP nem a qualquer organização terrorista. Ante a recusa unânime do corpo de professores em assinar tal ignominioso papel, a repressão foi terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Universidade d’An-Najah teve dezoito professores expulsos, enquanto outros três que estavam no Exterior foram proibidos de ingressar na Cisjordânia. Bir-Zeit perdeu cinco e a Universidade de Bethléem perdeu doze de seus professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fechamento temporário de universidades é outra medida que as “autoridades” de ocupação lançam mão; entre 1981/2 a Universidade de Bir-Zeit ficou fechada sete meses. A Universidade de An-Najah em 1982/3 ficou fechada durante três meses consecutivos, as Universidades de Bethléem e Hebron conheceram igual destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o fim de vencer a resistência cultural palestina, a detenção de estudantes pelos motivos mais fúteis é coisa comum em todas as universidades da Cisjordânia. Os detidos são confinados na prisão de Fara’a, no Vale do Jordão. Segundo a advogada Lea Tsemel, o detido, conforme a “lei de urgência” (do período do Mandato Britânico) pode ficar incomunicável durante dezoito dias, sem culpabilidade definida nem visita de advogado. Por trazer consigo um panfleto ilegal o detido pode assim ficar durante 48 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “tratamento” é o mais degradante possível: duchas frias, golpes, insultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente do Conselho de Estudantes de An-Najah, condenado a seis anos de prisão em 1974, não só afirmou ter sido torturado como também afirmou: “todos os prisioneiros palestinos são torturados.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a Universidade de Bir-Zeit é um foco de resistência cultural palestina; organiza atividades culturais fundada na cultura popular palestina. Possui uma biblioteca significativa aberta à consulta pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados a respeito da situação de resistência cultural palestina acima descrita nos foram fornecidos por Sônia Dayan-Herzbrun e Paul Kessler, que testemunham: “O fato de sermos judeus não afeta nossa objetividade em relação ao tema tratado. A consciência de nossa identidade judaica e das responsabilidades inerentes a ela nos levaram a participar do Centro de Cooperação com a Universidade Bir-Zeit.” (Le Monde Diplomatique, julho de 1984).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que também pensamos. O “Dia da Terra” é a reafirmação de um povo que pode ser expropriado, espezinhado, torturado, caluniado; vencido nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Publicado in: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 29.03.1985; e, também, na Revista Espaço Acadêmico, nº. 28, setembro de 2003, disponível em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/028/28mt_02041984.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/028/28mt_02041984.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;**&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Maurício Tragtenberg, 54, professor do Departamento de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (SP) e da PUC-SP, escreveu, entre outros livros, “Administração, Poder e Ideologia".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-6646021672370770481?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/6646021672370770481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/03/palestinos-o-dia-da-terra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6646021672370770481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6646021672370770481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/03/palestinos-o-dia-da-terra.html' title='Palestinos: o Dia da Terra'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sc7FW3sSUXI/AAAAAAAAEk8/OT_hrCLqWBs/s72-c/tragtenberg-t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-317614472818402312</id><published>2009-03-27T11:46:00.008-03:00</published><updated>2009-03-27T12:08:17.955-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (artigos)'/><title type='text'>Maurício Tragtenberg - por Marco Aurélio Nogueira</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sczoy8Szf8I/AAAAAAAAEj0/YwEapiIhpWc/s1600-h/nogueira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317881221893816258" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 90px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sczoy8Szf8I/AAAAAAAAEj0/YwEapiIhpWc/s320/nogueira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fui aluno de Mauricio Tragtenberg (1929-1998) na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, início dos anos 1970. Ele ensinava ciência política, com um foco fortemente concentrado em Max Weber, com o qual costumava torpedear o mundo da política e das organizações. Weber e Trostsky freqüentavam em lugar de destaque seu panteão de grandes autores. Tragtenberg se interessava bastante pela questão da burocracia, que ele via, seguindo Weber mas pondo-se um passo à frente dele, como a grande jaula de ferro que aprisionava os indivíduos, bloqueava os projetos de emancipação e facilitava o cerceamento da ação política das classes sociais. Escreveu a respeito um livro fundamental, &lt;em&gt;Burocracia e Ideologia&lt;/em&gt;, publicado em 1974 pela Editora Ática. Tive a oportunidade de resenhá-lo assim que saiu para o jornal &lt;em&gt;Opinião&lt;/em&gt;, no primeiro artigo que escrevi para aquele histórico semanário.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, entre 1987 e 1989, convivi com ele na Editora Vozes, quando integramos a comissão editorial da coleção “Clássicos do Pensamento Político”, organizada e dirigida de fato por Octávio Ianni. As reuniões da comissão eram maravilhosas, repletas de digressões teóricas, humor e controvérsias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg foi um fascinante exemplo de intelectual independente, weberiano de esquerda, trotskista a seu modo, socialista libertário, que unia uma enorme erudição a uma mordacidade implacável e a uma atitude de permanente desleixo e desprendimento pessoal. Terminava as aulas coberto de giz e de cinzas dos cigarros que não largava um minuto sequer. Anárquico em termos do controle da duração das aulas, era igualmente anárquico no quadro negro, que preenchia com garranchos e anotações incompreensíveis, enquanto falava, passando aos saltos e sem muita concatenação de Weber a Maquiavel, de Marx a Tocqueville, de Trotsky a Rosa Luxemburgo, de Popper às “civilizações hidráulicas” de Wittfogel. Era de uma enorme generosidade para com os estudantes. E odiava ser chamado de anarquista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Mauricio Tragtenberg foi uma espécie de autodidata, embora tivesse concluído os estudos formais. Entrou tardiamente na universidade, cursou Ciências Sociais pela metade, depois História. Deu aulas no ensino fundamental, na PUC e na FGV de São Paulo, na Escola de Sociologia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Colecionou admiradores ao longo da vida. Um deles é o professor Antonio Ozaí da Silva, da Universidade Estadual de Maringá e editor da revista eletrônica Espaço Acadêmico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No final de 2008, Ozaí publicou o livro &lt;em&gt;Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária&lt;/em&gt; (Ijuí: Editora Unijuí, 2008, 344p.), no qual busca rememorar para as gerações atuais e futuras o pensamento e a prática de seu mestre. Ao discutir os vários momentos da trajetória pessoal, política e pedagógica de Maurício Tragtenberg, o livro lhe presta uma homenagem mais do que merecida e explora a hipótese de que sua militância intelectual e sua obra (que está a ser reeditada pela Editora Unesp) permanecem como uma referência para o pensamento crítico e a pedagogia. Vale a leitura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;__________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (1983), pós-doutorado na Universidade de Roma (1984-1985). Professor Titular na Universidade Estadual Paulista-UNESP, Campus de Araraquara. Blog: &lt;a href="http://marcoanogueira.blogspot.com/"&gt;http://marcoanogueira.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-317614472818402312?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/317614472818402312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/03/mauricio-tragtenberg-por-marco-aurelio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/317614472818402312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/317614472818402312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/03/mauricio-tragtenberg-por-marco-aurelio.html' title='Maurício Tragtenberg - por Marco Aurélio Nogueira'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/Sczoy8Szf8I/AAAAAAAAEj0/YwEapiIhpWc/s72-c/nogueira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3348815371353562517</id><published>2009-03-21T20:01:00.002-03:00</published><updated>2009-03-21T20:11:36.183-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obras (livros)'/><title type='text'>Pistrak: uma pedagogia socialista</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ScV0Djro96I/AAAAAAAAEWk/xOJUSnp5oY4/s1600-h/trag_pistrak.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315782539647448994" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ScV0Djro96I/AAAAAAAAEWk/xOJUSnp5oY4/s320/trag_pistrak.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pistrak situa-se na linha dos grandes educadores como Pavel Blonsky, Nadéjda Krupskaia e Vassili Lunatcharsky. Apesar disso, durante o stalinismo, a sua importância foi ofuscada pela emergência de Makarenko, como o “grande educador soviético”. Isso não foi acidental: Makarenko fundou uma pedagogia sem escola, nascida das trágicas circunstâncias da Guerra Civil que gerou milhares de jovens a-sociais – razão pela qual, ele tem pouco a dizer a respeito da escola. O fato dele aparecer como “o grande pedagogo” deve-se à burocratização do processo revolucionário e ao deslocamento do poder que se deu, especialmente após o esmagamento da revolução ucraniana de Makhno e dos marinheiros de Kronstadt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente livro é fruto do trabalho pedagógico desenvolvido na Escola Lepechinsky e do contato com outras escolas primárias e demais instituições infantis. Pistrak soube ultrapassar o questionamento dos métodos para enfrentar os problemas da finalidade do ensino, extraindo daí todas as conseqüências. Percebia com toda clareza que uma pedagogia concebida para formar vassalos era inadequada para formar cidadãos ativos e participantes da vida social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na época das revoluções burguesa – e em particular da Revolução Francesa, no período da Convenção – a burguesia percebeu que a pedagogia dos oratorianos, jesuítas e dos irmãos das escolas cristãs vinculadas ao “Antigo Regime” era inadequada à formação do cidadão, categoria com que a burguesia francesa fez seu ingresso na história. Daí, as medidas que ela tomou para suprimir a aristocracia do saber e do poder, criando um conselho de pais de família eleitos pela “base”, que institucionalizasse a participação dos pais na escolha dos professores e na administração da escola, definindo as condições em que se operaria a igualdade de oportunidades garantida pelo ensino gratuito, obrigatório e leigo. Criavam-se as condições para que se desse a alternância da teoria com a prática e a abertura permanente ao social, através da participação dos alunos na organização interna da escola, e da instituição de formas de disciplina no aprendizado constante, pela prática de responsabilidades em função dos direitos e deveres que formariam o novo cidadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, a Revolução Russa, criando novas relações sociais entre os homens, necessitava de um novo tipo de homem para assumi-la – daí a importância da renovação dos métodos de ensino. A idéia básica de uma nova sociedade que realizaria a fraternidade e a igualdade, o fim da alienação, era uma imensa esperança coletiva que tomou conta da sociedade soviética entre 1918 e 1929. Neste período, a Revolução Russa era uma esperança que ainda não havia sido enterrada pela hegemonia da burocracia de Stalin, a qual reduziria o projeto revolucionário soviético a uma política de industrialização, convertendo os sovietes em meros “aparelhos do Estado” e orientando o próprio Estado aos seus interesses particulares, como se fosse sua “propriedade privada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão educacional de Pistrak é concomitante ao período de ascenso das massas na Revolução Russa, a qual exigia a formação de homens vinculados ao presente, desalienados, mais preocupados em criar o futuro do que cultivar o passado, e cuja busca do bem comum superasse o individualismo e o egoísmo. Através de Pistrak, tem-se o projeto da revolução soviética no plano da educação, especialmente no nível do ensino primário e secundário. No entanto, muitos educadores na época acharam que poderiam desenvolver nas velhas formas pedagógicas os novos conteúdos revolucionários, passando a ensinar a respeito da desalienação e da liberdade de igual forma como aqueles que analisavam as vantagens da submissão e do caráter sacral da autoridade: em suam, pretendiam “corrigir” as velhas teorias pedagógicas reciclando-as ante a nova situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak percebia que isso era insuficiente numa época revolucionária, e enfatizava a necessidade de criar uma nova instituição escolar na sua estrutura e no seu espírito, suprimindo a contradição entre a necessidade de criar um novo tipo de homem e as formas da educação tradicional. Isso implicava uma profunda mudança na instituição escola, pois esta – Pistrak tinha plena consciência – transmite um conteúdo implícito significativo que devia ser questionado. Intuía Pistrak que o fundamental nas instituições decorre muito mais de uma prática não verbalizada do que do conjunto dos enunciados solenes de que ela se faz porta-voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fugir dos hibridismos e acomodações, Pistrak preferiu optar pela criação de uma nova instituição no lugar da transformação da velha estrutura. Para isso, utilizou os meios de que dispunha: a ênfase nas leis gerais que regem o conhecimento do mundo natural e social, a preocupação com o social, a preocupação com o atual, as leis do trabalho humano, os dados sobre a estrutura psicofísica dos educandos, o método dialético que atua como uma força organizadora do mundo. A “Escola do Trabalho” estava definida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se preocupava em desenvolver no professor a criatividade pedagógica, sem o que a nova escola seria impossível. Seu objetivo não era o de formular uma teoria comunista da educação, mas estruturar os enunciados surgidos no contexto da prática escolar à luz do método dialético. Procurou ele introduzir a dimensão política no trabalho pedagógico, em consonância com os objetivos centrais da Revolução Russa no plano sócio-econômico – e nisso segue a esteira dos grandes educadores para quem a política sempre existiu nas instituições de ensino. Tais preocupações estavam em consonância com a formulação de Lenin que, no I Congresso de Ensino a 25/08/1918, enfatizava: “Nosso trabalho no domínio escolar consiste em derrubar a burguesia e declaramos abertamente que a escola fora da vida, fora da política, é uma mentira e uma hipocrisia”. A isto, acrescenta Pistrak: “sem teoria pedagógica revolucionária não poderá haver prática pedagógica revolucionária” (p. 29).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak privilegia a teoria marxista como uma nova arma capaz de garantir a transformação da escola, desde que oriente a prática do trabalho escolar; ela se tornará ativa e eficaz na medida em que o professor anunciar os valores de um militante socialista ativo. Mas não há uma resposta à pergunta “onde está a teoria comunista da educação?” Argumenta Pistrak que seu objetivo não é formular uma teoria, mas o de analisar seu surgimento em decorrência de uma prática escolar guiada pelo método dialético. A Escola do Trabalho é apenas o resultado da prática pedagógica, a sistematização de uma experiência concreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak concebe a Escola do Trabalho como um instrumento que capacite o homem a compreender seu papel na luta internacional contra o capitalismo, o espaço ocupado pela classe trabalhadora nessa luta e o papel de cada adolescente, para que cada um saiba, no seu espaço, travar a luta contra as velhas estruturas. A Escola do Trabalho fundamenta-se no estudo das relações do homem com a realidade atual e na auto-organização dos alunos. Uma vez que a realidade atual se dá na forma da luta de classes, trata-se de penetrar essa realidade e viver nela – daí a necessidade de a escola educar os jovens conforme a realidade do momento histórico, adaptando-se a ela e, por sua vez, reorganizando-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo dos fenômenos naturais e da sua utilização na indústria deve buscar a superação da antida atitude contemplativa ante as ciências naturais; a realidade deve ser estudada como processo em desenvolvimento, como um processo dialético. Em conseqüência, Pistrak prega o ensino pelo “método dos complexos”, pelo qual se estudam os fenômenos agrupados, enfatizando a interdependência transformadora, essência do método dialético. Isso o leva a enfatizar o princípio ativo e a aplicação do princípio da pesquisa ao trabalho escolar, condição para a transformação do conhecimento em concepções ativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Pistrak estudar a realidade histórica, o atual, significa situar o espaço do adolescente na luta que se trava no mundo. Nesse sentido, a finalidade do conteúdo do ensino consiste em armar o educando para a luta e criação de uma nova sociedade. O trabalho na escola, enquanto base da educação, deve estar ligado ao trabalho social, à produção real, a uma atividade socialmente útil. Para Pistrak, se a escola deseja educar a criança e o adolescente, ela tem o direito de falar em formação e direção das preocupações dos educandos para uma finalidade determinada. Por isso, ele também acentua a importância da Juventude Comunista e do Movimento Comunista de Crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A construção de uma nova sociedade, conforme o ideário inicial da Revolução Russa, implicava que ela fosse feita “de baixo para cima”. Para isso, acentua Pistrak, é necessário que cada membro ativo da sociedade compreenda o que é preciso construir e de que maneira é necessário fazê-lo. Tal postura leva à valorização do trabalho coletivo e à criação de formas organizativas eficazes. Para ele, a aptidão do trabalho coletivo é adquirida no processo do próprio trabalho. É necessário saber quando é preciso mandar ou obedecer, e isto se consegue através da auto-organização dos educandos, em que “todos, na medida do possível, ocupem sucessivamente todos os lugares, tanto as funções dirigentes como as funções subordinadas” (p.41). Isso só será atingido se a auto-organização for admitida sem reservas. Conhecimento do real e auto-organização são chaves da nova escola, inserida na luta pela criação de novas relações sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da revolução, porém, o trabalho na escola era desenvolvido através da escultura, desenho, trabalho com papelão, diferentes tipos de modelagem; a isso acrescenta-se o trabalho físico produtivo com a criação de oficinas. Não havia nenhum plano de conjunto e o trabalho era auxiliar para o programa de estudos. Na falta de uma diretriz comum, o trabalho manual e intelectual eram independentes entre si: trabalho e aula não possuíam canais de comunicação. O trabalho não era inserido no problema geral do trabalho infanto-juvenil na sociedade socialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, para Pistrak, o trabalho aparece como estudo do trabalho socialmente útil que determina as relações sociais entre as pessoas. Pistrak condena os trabalhos domésticos, cansativos e freqüentemente nocivos à saúde das crianças. Enfatiza a preocupação que a escola deve ter com os princípios da higiene pessoal, o trato do corpo, os dentes, as roupas, a cama, o material escolar e a organização da via cotidiana. Enfatiza também a necessidade de criar restaurantes e clubes como formas que permitem desenvolver a aptidão dos jovens para a vida e o trabalho coletivo, tendo como base “as tarefas domésticas coletivas” (p.50), como a manutenção da ordem e limpeza dos quartos, a participação nas tarefas da cozinha e distribuição dos alimentos preparados. As crianças devem também participar cuidando dos jardins e dos parques públicos, plantando árvores e conservando as belezas naturais, organizando campos de jogos e práticas esportivas, enfim, associando as iniciativas da escola às de outros órgãos administrativos. Em suma, a escola deve ser um centro cultural capaz de participar da vida social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak assume o papel da oficina profissional nas escolas, instituídas em outubro de 1918 por um Regulamento sobre a “Escola Única do Trabalho”, em que o trabalho na oficina escolar liga-se ao estudo dos ofícios artesanais, urbanos ou rurais, enfatizando seu valor específico. Enquanto as crianças menores trabalham com tecido, papel e papelão, as maiores trabalham com metais e madeira. Para Pistrak, isto é essencial para o ensino de questões como a divisão de trabalho e o trabalho mecanizado: o aluno compreenderá melhor a mecânica e a essência do maquinismo se utilizar ferramentas diferenciadas. Além disso, ele perceberá melhor a correspondência entre as ferramentas e um material determinado e as melhores maneiras de trabalhá-lo, e os diferentes tratamentos que esse material deve sofrer (plaina, ajuste e encaixe) numa oficina de marceneiro. Da mesma forma, uma oficina de marcenaria, de mecânica ou de papelão deve dar espaço à criatividade técnica do aluno, tendo em vista a construção de uma nova sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo do trabalho em madeira e metal constitui a introdução à técnica geral. a oficina escolar, quando o aluno chega ao sexto ano escolar, pode oferecer uma introdução à técnica geral da produção moderna e da organização científica do trabalho. Isso implica uma seleção metódica das encomendas dos trabalhos, da graduação das dificuldades de sua produção e da complexidade dos métodos de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak salienta a necessidade de toda escola de primeiro grau possuir uma área no campo, variável entre meio e um hectare, pois a escola rural deve “divulgar no campo a influência cultural da cidade” (p. 62). A escola rural variará suas atividades em função do ritmo de trabalho no campo e das estações do ano; o trabalho agrícola na escola deve ser considerado um problema pedagógico que leve a criança à compreensão da aliança operário-camponesa e, portanto, da realidade atual. No campo, a escola é o centro cultural mais importante, daí sua importância em formar os organizadores do futuro, conquistando o apoio da população, mostrando que a instituição infantil está à altura de suas tarefas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualmente importante é a fábrica, um fenômeno da realidade atual, relacionado com o ambiente social onde a grande produção é o resultado da união da técnica com a economia. Assim, para Pistrak, o estudo da força motriz de uma fábrica e das diferentes formas de energia levam ao da geografia econômica e à compreensão da luta imperialista pelas fontes energéticas. O estudo das matérias-primas, base da produção, coloca a questão da agricultura, geografia econômica e do entrelaçamento entre a tecnologia e a técnica. A máquina-ferramenta conduz a questões econômicas e técnicas, fundamentadas na física, matemática e química, e situa o papel do rendimento do trabalho. Por sua vez, situando-se o operário como ponto de partida, pode-se abordar as questões como as classes sociais, o salário, o sindicato, a ligação do operário com o camponês e com o Partido, a condição feminina e o trabalho. Afirma Pistrak: “Toda a realidade atual desemboca na fábrica” (p. 67).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude da escola em relação à fábrica situa esta como ponto privilegiado de entrecruzamento de relações, justificando ante os olhos do aluno o significado de seu trabalho. Como decorrência, a realidade colocará uma série de questões científicas cujas respostas a escola deve fornecer, efetivando assim a integração do trabalho com a ciência graças à educação no trabalho. O contato direto do aluno com a fábrica cria nele as emoções necessárias à educação social, impedindo que o ensino se mantenha acadêmico. Por isso, por isso, o aluno deve participar do trabalho na fábrica ao lado do operário ou do aprendiz – o que oficina da escola não possibilita: “o que é importante, do ponto de vista pedagógico, é que as crianças tenham o sentimento de colaborar na produção; o que também é importante é que tenham a liberdade de estudar a fábrica em todas as suas partes” (p. 69). Daí a importância para Pistrak de as crianças participarem da vida da fábrica, as assembléias gerais, das cooperativas, dos clubes das células do Partido, das festas revolucionárias e das campanhas contra o analfabetismo, de modo a formar homens que entendam o mecanismo de funcionamento da economia, participando de sua elaboração. Para isso, é necessário que o administrador, o engenheiro, o operário, compreendam a importância do trabalho infantil e da Escola do Trabalho. Segundo Pistrak, o trabalho na fábrica deve começar a partir do sexto ou sétimo ano de estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A área do chamado “trabalho improdutivo” (escritório, contabilidade, administração, estatística, escola, biblioteca, clube, serviço sanitário e médico) também necessita de mao de obra e, por isso, Pistrak acentua que a formação política dos trabalhadores desse setor é tão importante quando ao do trabalhador qualificado do setor industrial. Segundo Pistrak, a escola do proletariado deve ser nessas funções trincheiras de luta pela edificação de um novo regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Pistrak a escola elementar de primeiro grau deve ter a duração de quatro anos. Nas regiões industriais, a instrução obrigatória deve ser de sete anos, seguida de Escola da fábrica que se responsabiliza pela formação profissional. Na área rural a escola elementar é continuada pela Escola da Juventude Camponesa com duração de três anos, formando no conjunto uma escola específica de sete anos de formação agrícola. A escola de segundo grau é de nove anos e não deve servir unicamente de preparatório para a universidade. Ao contrário, ela ter um objetivo determinado no quadro da construção de uma nova sociedade, preparando os alunos para tarefas administrativas e intelectuais; deve pois enfatizar a formação profissional sem perder de vista uma formação geral que possibilite ao educando a compreensão da totalidade do social. Acentua Pistrak que o trabalhador do setor de serviços precisa de “uma boa preparação geral, de uma boa introdução de conjunto ao estudo de uma determinada profissão e de um conhecimento perfeito de uma forma precisa de trabalho” (p. 75).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Pistrak, o objetivo da escola é o de formar crianças para serem trabalhadores completos, daí a necessidade de ela fornecer uma formação básica técnica e social que possibilite o educando orientar-se na vida real. Ela deve ser prática para facilitar ao aluno a transição entre o universo escolar e a totalidade social, ensinando-o a elevar-se do problema prático para uma concepção teórica geral. Ela também se propõe a formar homens para exercer funções de auxiliar ou ajudante, para o que a escola-laboratório é ineficaz. Por isso, é necessário que as crianças do segundo ciclo do segundo grau fiquem um certo número de horas por semana ligadas a alguma empresa, e que, por sua vez, o trabalho que realizam seja inserido na escola, para ser explicado e aprofundado cientificamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização do trabalho na escola prepara as crianças para o trabalho na sociedade: o aluno parte das obrigações mais simples exigidas no processo de trabalho, adaptando-se aos hábitos técnicos, para chegar à vivência e à compreensão do trabalho social da escola, na qualidade de membro da coletividade escolar. “A entrada do aluno na vida depois da escola deixa de ser um salto no desconhecido, tornando-se uma transição bastante fácil e, quanto mais desapercebida, melhor será para o aluno” (p. 77). O essencial é desenvolver a especialização do aluno numa profissão determinada sem criar subdivisões excessivas, respeitando o gosto do aluno na escolha tanto do emprego como dos grupos a que queira pertencer, e, ao mesmo tempo, criar as condições para que o ensino coletivo da teoria geral seja vinculado às tarefas individuais relacionadas à atividade prática do aluno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As diversas etapas da atividade prática do segundo ciclo implicam numa etapa de orientação durante o oitavo ano escolar. Ela permite ao aluno a compreensão das formas de trabalho, de suas relações com o real, levantando os problemas teóricos ligados a uma profissão determinada. Surge daí a possibilidade da revisão teórica dos princípios básicos de um ou mais ramos de atividade, e a passagem para a etapa da execução do trabalho na área escolhida. Na segunda etapa, Pistrak prevê a ocorrência de uma íntima ligação entre a formação básica e a técnica; na terceira etapa realiza-se o trabalho fundado na iniciativa do aluno, que consiste em resolver um problema prático determinado. A passagem da escola à vida, para Pistrak, se dá por mediações através de “projetos” ou de “iniciativas”: seis meses antes do término dos estudos abandona-se o trabalho puramente teórico, dedicando-se o aluno à prática e ao “projeto” que deve executar, usando seus próprios recursos. Modifica-se assim o significado tradicional de “fim dos estudos”. Explica Pistrak: “Temos ainda o hábito de impor aos alunos que chegaram ao fim de seus estudos escolares a passagem por um purgatório de provas de todos tipos e nomes: composições, trabalhos trimestrais, trabalhos práticos, revisão de conhecimentos, etc. simples camuflagem dos exames infernais!” (p. 79).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, para Pistrak, o trabalho na União Soviética não deve mais ter um caráter explorador. Por isso – e para que haja o aumento da produção e a reforma da administração – ele propõe que os princípios da “organização científica do trabalho” se transforme em um instrumento de libertação, através da consolidação de condições diferentes das existentes no Ocidente capitalista. Neste, estes princípios são instituídos de cima para baixo; “nós, ao contrário, só poderemos realizar a organização científica do trabalho de baixo para cima, (...) como meio de consolidar o que já realizamos em termos de revolução social” (p. 81).&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak, porém, não recomenda a introdução de uma disciplina denominada Organização Científica do Trabalho, nem a adoção de qualquer espécie de manual a respeito. Isto porque, para ele, tal disciplina só se torna compreensível por sua aplicação à realidade do trabalho, e, por isso, ressalta a importância da “vivência” da organização científica do trabalho ligada à vida e aos hábitos quotidianos. Pro exemplo, Pistrak propõe na escola que se registre o tempo através do relógio: assim a organização da escola, as reuniões aos sábados, a organização de uma festa ou de uma excursão para um local longínquo, passam a depender sempre de um pleno de trabalho previamente definido e, torna possível a prática do balanço do que foi efetivamente realizado. Isso implica, segundo Pistrak, desenvolver nas crianças o gosto pelas formas racionais de cálculos e planos. É de se acentuar que tais princípios numa realidade russa, onde pesava a herança do mujik (camponês) com sua desorganização e apatia, se constituíam num avanço, embora por linhas travessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Pistrak concebia o ensino, a “formação básica”, como equivalente à soma de conhecimentos e de técnicas adaptados a uma idade determinada, necessários a uma compreensão dialética da vida moderna. Enquanto que na velha sociedade os conhecimentos científicos “tinham a qualidade de poder ser esquecidos facilmente e definitivamente, mesmo depois dos mais ferozes exames” (p. 95), na nova escola, a ciência deve ser ensinada como meio para conhecer e transformar a realidade, no quadro de seus mais amplos objetivos, isto é, como conhecimentos científicos cuja necessidade seja incontestável, que ajudem os alunos “a se apropriarem solidamente dos métodos científicos fundamentais para analisar as manifestações da vida” (p. 95). Nessa medida, as disciplinas isoladas e independentes devem ser agrupadas em trono dos principais temas de estudo, já que as disciplinas científicas, analisam a mesma matéria: a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aplicação desses princípios sofreu algumas dificuldades, e após a Revolução, a reação aos programas estabelecidos “do alto” levou a escola à anomia, ao vácuo. Na tentativa de resolver o problema, o Comissário para a Instrução Pública editou, em 1920, o “Programa Modelo para Escola Soviética Única”, com caráter meramente indicativo, permitindo que as escolas vinculassem os programas à realidade local. Não eram, porém, definidas as relações entre os Programas e os objetivos. O “Programa do Conselho de Instrução Pública” marcaria uma mudança nesse sentido. Ele ofereceu um critério de seleção de disciplinas, confirmando ou não a importância de cada uma; enfatizou a importância da técnica no que se refere à física e à química; o estudo da biologia foi vinculado à produção; faz-se a ligação entre a história da natureza e da sociedade (por exemplo, a relação entre a técnica e a economia). Isso significa trabalhar todo o ensino através da síntese. Ressalta Pistrak que os Programas de Ensino devem ser amplos Programas de Educação, onde a instituição central oferece a linha geral dos programas, cabendo à escola sua adaptação à realidade local: “Os programas devem ser formulados em harmonia com a autonomia escolar. É necessário, no mínimo, que levem em consideração a auto-organização dos alunos” (p. 97).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização do programa de ensino, segundo Pistrak, deve orientar-se através dos “complexos”, cujo tema é escolhido segundo os objetivos da escola. O critério para seleção dos temas do complexo deve ser procurado no plano social e não no plano meramente pedagógico. O complexo deve ter significado relevante no âmbito social, de modo que permita ao aluno a compreensão do real. Trata-se de selecionar um tema fundamental que possua um valor real, e que depois possa ser associado sucessivamente aos temas de outros complexos. O estudo de complexos só tem sentido na medida em que “eles representam uma série de elos numa única corrente, conduzindo à compreensão da realidade atual” (p. 108)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o complexo “Homem” permite uma análise do ser humano do ponto de vista biológico, da sua humanização pelo trabalho, do questionamento das formas históricas de trabalho (dependente ou livre), da luta contra a exploração do trabalho. Assim, o complexo seguinte “Revolução de Outubro” permite que o aluno analise o seu papel na luta pro melhores condições de trabalho e vida; dessa maneira, os dois complexos articulam-se mutuamente. Além disso, o complexo possui uma periferia que permite escapar aos limites do objeto preciso, articulando-o com temas mais gerais. Isso possibilita generalizações a partir de cada complexo, que serão tanto mais abrangentes quanto maiores forem as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal sistema de complexos é facilitado no primeiro grau na medida em que um só professor ministra todas as disciplinas; complica-se ao segundo grau com a existência de disciplinas isoladas ministradas por vários professores. No primeiro grau, devido à dificuldade das crianças em fixarem-se num objeto preciso durante longo tempo, os temas do complexo podem ser tratados durante três semanas no máximo. O programa do terceiro e do quarto ano compreenderia de cinco a sete temas adaptados a uma mês ou a seis semanas de trabalho. Durante o quinto, sexto e o sétimo anos, o período aumenta para cinco meses; o sétimo e os demais anos podem ser ocupados por um único complexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os primeiros anos de ensino, a base do complexo deve ser fornecida por temas concretos no âmbito visual da criança; com o tempo, as generalizações tornam-se possíveis. Na escola de segundo grau, “o trabalho deve ser mais aprofundado, baseando-se no estudo dos próprios fenômenos, na sua correlação interna, na lógica interna de seu desenvolvimento. É só depois de um estudo sério dos tipos, dos fenômenos isolados, que se torna possível sua análise aprofundada, e a elaboração de uma síntese ulterior destes fenômenos pode ser realizada de forma integral” (p. 112).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho baseado em complexos muda conforme a idade dos alunos: simples para as crianças no início dos estudos, quando o estudo do complexo dura duas semanas, este se enriquece na medida em que as crianças crescem; o tema é desmembrado numa série de temas secundários, desde que não se perca de vista as relações mútuas que estes mantém entre si e com o tema central. No segundo grau, já não set rata mais de concentrar todas as disciplinas em torno de um tema qualquer, mais de subordiná-las a uma idéia diretriz, a um único objetivo. O complexo é um meio, acentua Pistrak, não um fim em si. Pois é indiscutível que há mais de um método de exposição possível para qualquer disciplina. A seleção de um deles depende dos objetivos a alcançar. Assim, a ordem do curso pode e deve ser modificada – dentro de limites – segundo o objetivo geral definido pela organização das disciplinas em complexos. Cabe ao professor situar sua disciplina no plano geral da escola e, com base nesta síntese, organizar o programa da disciplina para todo o ano. Mas, alerta Pistrak, só o exame coletivo dos programas de cada disciplina garante o êxito do trabalho. Tudo isso implica um trabalho coletivo dos educadores no segundo grau, subordinados às necessidades gerais, onde cada especialidade tem seu lugar nos objetivos gerais do ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso só tem sentido se for compreendido pelo alunos – caso contrário é melhor renunciar ao complexo, ensina Pistrak. O papel do complexo é treinar a criança no método dialético, e isso só pode ser conseguido “na medida em que ela assimile o método na prática, compreendendo o sentido de seu trabalho” (pp. 118-119) O estudo pelo sistema de complexo só é produtivo se estiver vinculado ao trabalho real dos alunos e à sua auto-organização na atividade social prática interna e externa à escola. Pistrak enfatiza a necessidade de estruturar complexos geradores de ação. Uma ação determinada pode ser a razão de um complexo. Isto é importante para o educador organizar a atividade profissional das crianças e dirigir o trabalho social da escola. O método dos complexos representa para Pistrak uma ruptura com a pedagogia burguesa, possibilitada pela Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak critica o Plano Dalton de ensino que destrói o trabalho coletivo enfatizando que cada aluno deve responder por si e pelo seu trabalho, obrigando-o a assinar uma espécie de contrato individual com a escola, e que desmembra o programa através de uma distribuição mensal formal e rígida. Neste caso, o tema é escolhido em função de sua duração e não em função de sua importância, e se restabelece o sistema de exames onde o aluno empreende um trabalho por disciplina e em cada mês. Destrói-se assim o sistema de aulas coletivas, e os deveres escritos acabam se constituindo em tarefas que obrigam os alunos a formar em fila para entregarem mensalmente os “deveres” ao professor. Pistrak reconhece, no entanto, os aspectos positivos do Plano Dalton: este garante a independência do trabalho e a possibilidade da passagem ao método experimental (que não se reduz ao método de laboratório). Pistrak admite a possibilidade de “readaptação” do Plano Dalton de ensino desde que não se perca de vista o trabalho técnico, o programa oficial, o sistema de complexos e a auto-organização dos alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto-organização dos alunos: é aqui que Pistrak define uma característica fundamental da escola, e revela-se nessa medida, o continuador dos teóricos que definiram os princípios educacionais da Associação Internacional dos Trabalhadores (I Internacional – Proudhon, Bakunin e Marx). Para Pistrak, a auto-organização não deve ser “usada” para manter o autoritarismo professoral. Para ele, um pode como o Soviete só pode existir através da ação direta das massas. Fundamenta-se ele em Lenin, na obra O Estado e a Revolução, quando o autor define o Estado Proletário como um Estado que começa a se extinguir enquanto órgão repressivo no dia seguinte de sua criação. O reflexo educacional dessa orientação é a auto-organização das crianças através do “coletivo infantil”. Pistrak caracteriza o “coletivo” como uma estrutura onde não só as crianças mas os homens em geral “estão unidos por determinados interesses, dos quais têm consciência e que lhes são próximos” (p. 137).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola será a base desse coletivo infantil no dia em que se constituir como centro da vida infantil e não somente como o lugar de sua formação; quando for capaz de transformar os interesses e as emoções individuais em fatos sociais, fundados na iniciativa coletiva e na responsabilidade correspondente, através da auto-organização. Esta pode surgir em relação aos problemas de higiene na escola: isso leva à formação de um jornal que retrate as preocupações com o ensino e a atividade social; a auto-organização surge como uma ação que responde ao concreto. Segundo Pistrak, sua imposição do “alto” seria totalmente postiça. Nesse processo, o papel do “pedagogo” é o de facilitar as crianças, sem esmagar suas iniciativas sob sua autoridade, nem abandoná-las a pretexto de não intervir: um meio termo é fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A auto-organização das crianças não necessita obrigatoriamente ser explicitada através de uma “Constituição” escrita, pois isso enrijeceria e burocratizaria um processo que deve ser móvel, adaptável a cada momento. Algo desse tipo só pode ser então concebido como um plano de atividade autônomo, mutável conforme as circunstâncias. As crianças devem ter a noção de que qualquer Assembléia de seus iguais pode mudar os “artigos” desse plano, se assim for o desejo das crianças que constituem o coletivo infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar da “justiça infantil” das escolas burguesa, Pistrak propõe que Assembléia geral das Crianças – em que o professor é apenas um membro – tenha poderes para julgar comportamentos de outras crianças. Como exemplo, apresenta a experiência das Comunas de Trabalho onde, foram recolhidos menores com problemas de conduta: ladrões, viciados em cocaína, jovens prostitutas. O êxito dessas colônias se deveu ao fato de elas se fundarem na autoridade do coletivo e na auto-organização, e serviu para mostrar “que estes viciados em cocaína, ladrões, prostitutas de 12 anos, etc., que foram levianamente classificados na categoria de crianças marcadas pela ‘insuficiência moral’ e irremediavelmente perdidas, são, na realidade, crianças brilhantes, ativas, capazes, de grande iniciativa, mas pervertidas pela vida, e que encontram condições quando o coletivo infantil tem possibilidade de se desenvolver, de crescer pelos seus próprios meios e de se organizar numa base social. Tudo se explica pelo coletivo infantil” (pp. 150-151).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A auto-organização das crianças é uma escola de responsabilidades assumidas, onde as atividades infantis se definem, desde a conservação da limpeza do prédio, a divulgação de normas higiênicas, a organização de sessões de leitura, o registro dos alunos, até espetáculos e festas escolares, a biblioteca e o jornal escolar. Isso inclui a participação das crianças na administração financeira das escolas. A cooperativa escolar, que fornece o material escolar e a alimentação é também uma das muitas formas de auto-organização. Pistrak acentua a importância do contato entre as diversas organizações infantis e outras escolas fundadas na auto-organização. A participação das crianças no trabalho pedagógico através de sua representação no Conselho Escolar (onde constituem a metade) é fundamental. Pistrak lamenta que essa proporção de representação tenha sido diminuída posteriormente, pois, na medida em que as crianças sintam que são criadoras orgânicas da escola, elas podem perfeitamente tomar parte do trabalho de sua administração e da sua prática educativa. Fundamental importância é a recepção que os veteranos oferecem aos calouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os cargos do coletivo deverão ser preenchidos por eleição através da Assembléia Geral das Crianças, a qual se constitui na autoridade suprema e no princípio fundamental do coletivo. A duração das funções elegíveis é fixada a noventa dias, e deve-se “orientar as crianças para a renovação constante dos organismos elegíveis, dando lugar aos novos e fazendo os administradores veteranos voltar às fileiras” (p. 157). Rotatividade nos cargos para impedir a formação de crianças “especialistas” em administrar, relegando as demais na passividade, é a meta de Pistrak em relação ao coletivo infantil. Em suma, “a criatividade deve ser o objeto de uma educação, conforme os objetivos fundamentais ditados à escola pelo período atual do poder soviético” (p. 158).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistrak fundamenta, portanto, uma proposta educacional baseada na auto-organização das crianças e na autonomia exercida ativamente através da cooperação infantil consciente. Nesse sistema, o professor será o amigo, o companheiro mais velho. Vinte anos depois, na Espanha, a C. N. T. (Confederação Nacional do Trabalho)&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[2]&lt;/a&gt; implantaria, entre 1936 e 1939, igual esquema educativo fundado na auto-gestão e na liberdade, mas isso é outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que enunciamos anteriormente, Pistrak insere-se na linha dos grandes educadores, para quem a educação é também uma forma de ação político-social, que não se limita a interpretar o mundo, mas que procura pela prática educativa, desenvolver uma ação transformadora do real. É o grande educador da III Internacional, assim como Kautsky o fora da II Internacional, e como Bakunin, Proudhon e Marx que desenvolveram as propostas pedagógicas da I Internacional. No que se refere à educação, o movimento operário internacional sempre esteve presente, como prova a Escola do Trabalho de Pistrak, uma real contribuição à pedagogia socialista.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Texto publicado como Introdução in: PISTRAK. &lt;strong&gt;Fundamentos da Escola do Trabalho&lt;/strong&gt;. São Paulo: Brasiliense, 1981, pp. 07-23. (Tradução: Daniel Aarão Reis Filho) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Publicado também em &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/024/24mt1981.htm"&gt;www.espacoacademico.com.br/024/24mt1981.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[1]&lt;/a&gt; A reciclagem do taylorismo proposta por Pistrak é altamente discutível. A respeito da organização científica do trabalho como arma anti-sindical do patronato norte-americano e sua implicações políticas e sociais, veja-se M. Tragtenberg, Burocracia e Ideologia, SP, Ed. Ática. A respeito da organização científica do trabalho e seu conteúdo repressivo pela ênfase do objeto (produtividade) em detrimento do sujeito (produtor), veja-se Fleron, O taylorismo como ideologia política repressiva: a experiência comunista, SP, FGU, mimeo.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[2]&lt;/a&gt; Cf. Safró. La Educacion em la Espana Revolucionaria, Ed. La Piqueta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3348815371353562517?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3348815371353562517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/03/pistrak-uma-pedagogia-socialista.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3348815371353562517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3348815371353562517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/03/pistrak-uma-pedagogia-socialista.html' title='Pistrak: uma pedagogia socialista'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ScV0Djro96I/AAAAAAAAEWk/xOJUSnp5oY4/s72-c/trag_pistrak.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7047999905279069382</id><published>2009-02-21T17:20:00.004-03:00</published><updated>2009-02-21T17:47:05.564-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obras (livros)'/><title type='text'>Planificação: desafio do século XX</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SaBi9IccWBI/AAAAAAAADsU/a452MGvNAA0/s1600-h/1967-tragtenberg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305349163420768274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 135px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SaBi9IccWBI/AAAAAAAADsU/a452MGvNAA0/s320/1967-tragtenberg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AO LEITOR&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este trabalho foi escrito, há alguns anos, com a finalidade de INTEGRAR uma série de leituras e reflexões pessoais sobre as tensões internacionais, sobre seus pontos de convergência e seus pontos de atrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mecanismos sócio-econômicos que levam ao planejamento, tanto no modelo ocidental como no soviético; a interpenetração da cultura ocidental na URSS pelo impacto industrial e o reflexo da ação da URSS sobre o Ocidente, pela influência ideológica, política e econômica, especialmente na Europa Oriental, foram detidamente estudados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste trabalho, a planificação aparece antes como categoria HISTÓRICA do que categoria LÓGICA propriamente falando. A planificação no quadro ocidental aparece ligada às “coincidências culturais” formadoras da modernidade ocidental; a revolução econômica e social, as mudanças ideológicas e as concomitantes estruturas de Poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, numa unidade surge o capitalismo ocidental, a vitória do racionalismo filosófico e o Estado burocrático, numa unidade de sentido, fornecendo o pano de fundo das condições institucionais à planificação econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No modelo soviético, a herança bizantina na estruturação do Estado Russo ligada à absorção da tecnologia moderna levada a efeito pela Revolução Russa, condicionam os fundamentos históricos da planificação econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Útil nos parece o capítulo referente á liderança carismática no bolchevismo, como tentativa de provar a fecundidade dos modelos utilizados por Marx Weber na explicação das formas e estruturas de Poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, poderá se constituir num estímulo às indagações quanto ao SENTIDO de nossa direção histórica nesta segunda metade do século. Se o tiver conseguido, terá sua publicação plenamente justificada nos termos de Espinosa, “ANTE OS FATOS NEM RIR, NEM CHORAR, MAS COMPREENDER”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capítulo I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HOMEM&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira idéia sobre o homem, intimamente ligada à religião judaico-cristã, é o conhecido mito da criação do homem por Deus, sua descendência de Adão e Eva, o pecado do homem seduzido por um anjo decaído, a redenção pelo Deus-homem e, por conseguinte o restabelecimento da relação filial com Deus, a imortalidade da lama, o juízo final etc..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro desse marco ideológico elaboraram-se muitas interpretações filosóficas sobre o homem, que vão de Santo Agostinho a Bossuet. Para uma ciência e filosofia autônomas estas visões carecem de importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda grande idéia sobre homem nasceu dentro da polis grega; interpreta todo o existente com as categorias de uma “forma” atuante, de uma espécie parecida à idéia e do fator passivo matéria. O homem é suficientemente poderoso para conhecer o ser em si, a divindade, o mundo, mas o fundamento mediante o qual ele realiza esta assimilação intelectual é a razão. De Platão a Hegel toda a antropologia filosófica permanece invariável no referente aos principais acima. Mas a parte desta concepção que se refere à estabilidade, foi superada por Hegel que na sua “Introdução à Filosofia da História” escreve: “O único pensamento que a filosofia leva é a história universal no simples pensamento da “razão”, que ela domina o mundo e, portanto transcorre racionalmente”. Aqui encontramos o extremismo hegeliano que leva à doutrina da identidade plena da razão divina e razão humana, até à doutrina da onipotência da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira ideologia é a naturalista, do “homo faber”; ela afirma que, entre o homem e o animal não há diferenças de essência, mas de grau. As forças atuantes nos seres vivos atuam no homem de maneira mais complexa; isto vale para o físico, o psíquico e o noético. As valorações do espírito aparecem como simples epifenômenos, tardios reflexos do mundo infra-humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os pensamentos e valorações humanas aparecem para os naturalistas apenas como símbolos que representam constelações instintivas, aparecem como idiomas de sinais que trocam entre si os instintos (Nietzsche). O espírito humano surge como simples aperfeiçoamento da inteligência técnica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito é considerado como parte da “psique” na base interior dos processos vitais. No sentido filosófico e morfológico tudo que há no homem encontra-se em germe nos animais; assim também acontece em relação ao “psíquico” e ao “noético”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admitindo-se que o animal possua inteligência, existe mais de uma diferença quantitativa entre o homem e o animal. O princípio que é o espírito, além de pensar idéias compreende uma determinada intuição dos fenômenos essenciais e determinada classe de atos volitivos, admiração, amor, veneração etc.. Esta propriedade básica consiste na sua independência, liberdade existencial diante de tudo que pertence à vida. Este ser está ABERTO ao mundo. Tem a possibilidade de elevar à altura de “objetos” os centros de “resistência” do mundo exterior que lhe são dados primariamente, enquanto o animal permanece extático diante desta pressão do orgânico. A grandeza da ciência humana está no fato de o homem, graças a ela, aprender, cada vez mais, a contar consigo mesmo, como se fosse uma coisa estranha submetida às relações de causalidade com as demais coisas existentes: pode assim o homem formar uma visão do mundo na qual o dado exterior aparece como absolutamente independente de sua organização psico-física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem tem a faculdade de converter todas as coisas em objetos do conhecimento, não só exterior como interior. O espírito surge como uma atualização pura, incapaz de converter-se em objeto. Como só podemos converter em objetos as demais pessoas na medida em que nos identificamos a elas por meio do amor, vontade etc., em relação ao espírito só podemos vivê-lo interiormente, sem objetivá-lo. Santo Agostinho admitia uma idéia ante res, um plano exterior à realidade terrena. Mas as idéias não existem nem antes nem depois das coisas, mas sim com as coisas. E a nossa correalização destes atos no ato pensamental vem da co-participação na geração de valores, idéias e conceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença básica entre o homem e o animal situa-se no ato da ideação, completamente distinto da inteligência técnica, que consiste na compreensão das formas básicas da estrutura do Universo prescindindo do número de inferências indutivas. Este saber vale como generalidade para todas as coisas que sejam desta essência, prescindindo do aspecto contingente de nossos órgãos sensoriais. É o tipo de conhecimento a priori. A faculdade de separar a existência da essência é a nota fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o animal é completamente configurado pela realidade, o homem tem a faculdade de dizer não a esta realidade. Em Husserl, quando funda o conhecimento das idéias numa operação que coloca entre parêntesis o que há de existencial e contingente nas coisas para encontrar sua essência, onde a angústia do finito só desaparece no terreno onde habitam as formas puras, este ato de idealização só pode consistir na anulação do impulso vital onde o mundo aparece como resistência, de modo contingente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ato só pode ser realizado pelo espírito. Só ele sob forma de vontade, pode individualizar este centro que é o acesso à realidade do real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença qualitativa entre o homem e o animal implica logicamente na consideração do homem como algo que não pode ser reduzido a um elemento quantitativo; embora possa ser tratado neste sentido, é mister notar que isto não esgotaria o repertório de possibilidades que se atualizam continuamente no homem. Ao acentuarmos o aspecto de possibilidades a atualizar, ao valorizarmos o aspecto potencialista no homem, revalorizamos aquela esfera irracional que só pode ser alcançada pela intuição; como a apreensão intuitiva do homem na arte de Joyce, Proust e Dostoiewsky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dostoiewsky encara o homem como um microcosmo, o centro do ser; preocupava-o muito a pintura dos ambientes onde habita este centro do ser. As cidades, as tavernas, os quarteirões existem apenas na medida em que condicionam o ambiente onde vive o homem. Estas tavernas russas onde os rapazes se entretêm sobre os problemas universais, aparecem como projeção da dialética ideológica, do espírito humano. Para Dostoiewsky, a principal tarefa de suas personagens são as relações sociais que aparecem como pedra de toque do homem dostoiewskeano pela qual se pode medir seu comportamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Dostoiewsky o fundo do Ser não pode ser captado nas condições estáveis de vida, só pode ser captado num fundo de lutas e choques onde se consomem todos os quadros sociais esclerosados; interessa-lhe o destino do homem que, possuindo a liberdade, perde-se no arbitrário. Só si se manifesta em toda a profundidade a natureza humana que é profundamente antinômica e irracional. Dostoiewsky vê no homem uma tendência instintiva para o irracional, a liberdade desregrada, o sofrimento. Para ele a liberdade situa-se acima da felicidade. A busca desta liberdade arrasta-o da liberdade ilimitada ao despotismo ilimitado (Chigalev, em “Os Possessos”). O homem deve ter o direito de desejar o absurdo e não só o que é razoável. SER problemático e misterioso, toda sua natureza é contradição e luta entre tendências que se opõem e se harmonizam. Tem necessidade de mostrar-se homem e não máquina. Nunca renuncia ao verdadeiro sofrimento e ao caos. Para Dostoiewsky o sofrimento é a única fonte de conhecimento e esta tendência é um resto de irracionalidade que sempre permanece no ser humano, fonte única da Vida. A natureza humana, dinâmica na sua essência, está em constante transformação devido à antinomia que caracteriza sua estrutura singular; é nesse movimento que o SER revela seu próprio fundo, sua configuração última. Nietzsche e Dostoiewsky sabiam que o homem é terrivelmente livre, que sua liberdade, trágica, é fardo e sofrimento. Até as últimas criaturas o homem encontra o seu “eu”, conforme nos mostra um personagem de “Humilhados e Ofendidos” (não esqueças que o último dos homens é teu irmão). Assim, o sofrimento é caminho que decorre da liberdade. Todo o destino do homem obedece à dialética da liberdade. Mas o caminho da liberdade é o caminho do sofrimento que deve ser identificada com o bem ou a verdade, mas tem uma natureza autônoma irredutível. Assim o bem obrigatório já não é bem, sendo apenas o bem livre o verdadeiro. Mas esse mesmo bem supõe a liberdade do mal, que por sua vez conduz à destruição da própria liberdade. A liberdade no sentido mais amplo é aquela que se apóia na liberdade de consciência. Ela transcorre num processo dialético, num entrechoque amor e ódio, razão e paixão, certezas e dúvidas. Chegando lá o homem renuncia à primazia de seu espírito, à sua liberdade original, sacrificando-a ao império da necessidade, tornando-se um mero joguete do arbitrário. Saindo da liberdade ilimitada – diz Chigalev – chego ao despotismo ilimitado. A revolta procede da liberdade e ela chega à tentativa de criação de um mundo baseado na necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a antropologia de Dostoiewsky é um esforço para defender a seguinte tese: o homem, por sua natureza não mecânica, tem dentro de si elementos irracionais não suscetíveis de um tratamento quantitativo, que são a fonte de sua vida; daí decorre a liberdade, que para o homem uma pesada responsabilidade, pois pressupõe os riscos inerentes, o sofrimento que é o elemento pelo qual o homem toma consciência de sua individualidade e vive a liberdade. Mas o homem, como explica o Grande Inquisidor, anseia por um mundo mecanizado que o desobrigue da responsabilidade de pensar e agir sozinho, que lhe garanta uma felicidade organizada, que negue o sofrimento e a responsabilidade que isso implica. Mas a contribuição básica de sua antropologia vem de ser o homem uma coisa e sim o elemento autônomo; qualquer coação que limite sua liberdade interior transforma-se numa liberdade má ou numa boa necessidade. Inerente de ordem exterior, constituindo a essência do ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo da visão do homem como ser qualitativamente diferente do animal, pelo ato da ideação, passando pela liberdade intrínseca do homem desenvolvida na antropologia de Dostoiewsky, chegamos a situar o homem histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o homem de determinada época, de uma determinada classe social, com determinado estilo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste plano de visão do homem, na antropologia humana do jovem Marx, encontramos uma contribuição valiosa para o esclarecimento da problemática que ele encerra como ser humano, como ser social.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Publicado em 1967 pela &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Editora Senzala&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, em São Paulo (169p). Trata-se do primeiro livro do autor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7047999905279069382?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7047999905279069382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/planificacao-desafio-do-seculo-xx.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7047999905279069382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7047999905279069382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/planificacao-desafio-do-seculo-xx.html' title='Planificação: desafio do século XX'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SaBi9IccWBI/AAAAAAAADsU/a452MGvNAA0/s72-c/1967-tragtenberg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7594211053520810746</id><published>2009-02-18T11:06:00.001-03:00</published><updated>2009-02-18T11:08:09.812-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>O dilema da estrela: branca ou vermelha?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZwWPF3KHdI/AAAAAAAADkc/-5QOJ3vrMuI/s1600-h/mt-blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304138909662977490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZwWPF3KHdI/AAAAAAAADkc/-5QOJ3vrMuI/s320/mt-blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;por &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;*&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vitória do Partido dos Trabalhadores com a eleição de prefeitos em cidades do porte de São Paulo, Porto Alegre, Vitória, ABCD, surpreendeu o mundo político nacional; idêntica a surpresa causada quando do lançamento do PT como partido operário de massas, conjugando forças advindas do movimento sindical, dos movimentos sociais de base e das tendências ideológicas minoritárias de caráter marxista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT surgia num Brasil onde a esquerda estava viciada numa concepção estreitamente leninista de partido, quando não stalinista, enfatizando unilateralmente o papel de "vanguarda" do partido. A viabilização do PT enquanto partido acompanhou o fracasso de tentativas de um "Partido Popular", entendido como expressão de uma suposta "frente popular". Tais grupos ainda insistem em caracterizar o PT como uma espécie de "partido tático" de coligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No plano exterior, o PT encontrou seus opositores nos setores mais burocratizados da chamada esquerda como o PCB, PC do B, MR-8.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, os setores oriundos do sindicalismo combativo e das comunidades eclesiais de base vieram ao PT não na base de nenhum esquema marxista apriorístico tão a gosto dos doutrinários, mas através da vida do "movimento real da classe" das grandes greves de 78 que abalaram o militarismo, onde surgia um operariado calcado em duas vertentes: a "experiência" vivida da classe nos embates político-sociais das greves e no "movimento" onde a mesma classe age socialmente através de sua prática social-política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em 1981, através de um boletim "Governe o Brasil, entre para o PT", o Partido já afirmava sua intenção de exercer o poder; aliás, qual partido não o quer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que as condições de exercício do poder pelo PT apareciam no Boletim do Partido editado em 1981 nos seguintes termos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se você é trabalhador e acha que a situação não está boa; se você quer que o Brasil seja um país onde todos tenham garantia de emprego e um salário digno; se você quer um serviço de atendimento médico e ensino de boa qualidade e inteiramente gratuito; se você entende que o preço dos aluguéis é muito elevado e que os impostos são um roubo contra o trabalhador contribuinte; se você quer ter o direito de se organizar num sindicato independente e que lute pelos seus direitos; se você acha que os trabalhadores rurais devem ter a terra que necessitam para plantar; e, enfim, se você acha que está tudo errado e que o Brasil precisa ser governado de uma maneira justa e honesta, venha então somar forças conosco e construir o PT – Partido dos Trabalhadores. " ENTRE PARA O PT E GOVERNE O BRASIL."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, no "Texto de Apoio – PT", de caráter interno – com subtítulo "O que é a Consciência Política e para o que serve o Partido dos Trabalhadores" – procura o PT definir com clareza seu perfil de partido classista, como uma espécie de alavanca para otimizar a ação dos trabalhadores, unindo pensamento à ação transformadora, através da superação da consciência individualista e sua transformação numa consciência sindical; é quando o trabalhador percebe que ele será ouvido se transformar sua força numa força coletiva. A consciência sindical aparece como resultado dos enfrentamentos, entre capital e trabalho, no espaço da fábrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a consciência sindical é um momento da formação da consciência operária; ela fundamentará a consciência política. Essa última aparece quando o trabalhador percebe que são necessárias mudanças estruturais na sociedade e isso só é possível com a ascensão social e política da classe trabalhadora no seu conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT aparece como um partido político que apresenta um programa e uma linha política coerente, uma estrutura organizacional (administrativa) estável, que coloca em prática no cotidiano os princípios gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o surgimento do PT, seus organizadores visualizaram a possibilidade de a luta entre capital e trabalho sair dos limites fabris, da luta de uma categoria sindical, para uma luta mais ampla que envolva a classe no seu conjunto. Essa luta envolve claramente a chamada conquista do poder político, entendido o poder político de uma classe como sendo a capacidade que ela tem em tornar hegemônicos seus interesses, ou melhor, em tornar universais seus interesses particulares, ou apresentar como sendo do interesse da sociedade o que é do interesse de uma classe minoritária ou até de uma fração dessa classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ocorre é que, na atual sociedade, os que têm poder econômico tranqüilamente podem dedicar-se a atividades políticas, formar inúmeros partidos, pertencer a facções de inúmeros outros ao mesmo tempo, enquanto o trabalhador não dispõe nem de tempo ou recursos para tal atividade. Por isso, o texto "Para que serve o Partido dos Trabalhadores? " insiste em que eles têm interesses em acabar com um sistema onde os "representantes" vão decidir a política longe do povo, alertando, porém, que o que existe não acabará de um dia para o outro. Apela para a organização de número cada vez maior de trabalhadores, que estes ganhem número cada vez maior de trabalhadores, que esses ganhem cada vez mais experiência na luta para mudar as leis, melhorar a situação e mostrar a todo mundo que é possível mudar as coisas quando se luta unido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento acima citado mostra como a luta para mudar as leis e melhorar a situação é uma luta de longo prazo, como os partidos das classes dominantes se contentam em disputar postos de governo e as mamatas, defendendo os interesses de um ou outro grupo econômico dominante. Quando surgem partidos propondo melhorias ao povo – alerta o documento acima citado – são partidos criados longe do povo; daí concluir que a libertação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores, isso é, que eles não devem deixar que alguns poucos façam política para os demais, que a política continua sendo uma "especialidade" de políticos profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que foi lançado o PT como partido de massas não havia nenhum partido operário deste tipo no País. O PCB, por exemplo, surgiria na ilegalidade em 1922, vegetaria até 1935, quando articulou a ANL (Aliança Nacional Libertadora) em 1935, esmagada pelo golpe de Estado getulista em 1937. Vegetaria na obscuridade até 1945, fim da 2ª. Guerra Mundial. Entre 1945 e 1947 desfruta de dois anos de legalidade, constituindo-se em partido de massas, mas sua sujeição à chamada "linha justa" (dos PP CC do mundo todo) impediu seu crescimento; em 1947, início da guerra fria, volta à ilegalidade, da qual emerge há muito pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que até então os trabalhadores não tinham sequer a idéia de uma ação autônoma ou independente de classe, entendidos os trabalhadores oriundos das grandes migrações rurais-urbanas, no período compreendido entre 1937-1945, que formaram o proletariado urbano das principais cidades brasileiras e iriam fornecer a massa de manobra ao PTB e ao "populismo" no seu conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A radicalização das lutas sindicais que chega ao auge em 1978 empurra os grevistas à esfera política, daí a formação do PT com os inúmeros grupos que permeiam sua composição interna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, começou a tomar corpo no PT a influência dos parlamentares, na sua maioria com uma visão do partido como máquinas eleitoral, atrelados ao legalismo, à mobilizações eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No plano interno, verifica-se a existência de inúmeros grupos trotskistas, vinculados a orientações européias da IV Internacional, em torno do jornal Em Tempo e o Trabalho. Há uma corrente vinculada a uma orientação latino-americana trotskista em torno do jornal Convergência Socialista, todos preocupados em criar um núcleo marxista-leninista no partido que consiga transformá-lo em vanguarda, no sentido leninista do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grupos oriundos dos movimentos sociais urbanos articulam-se em torno do "Partido Socialista Popular", "comunidade de base", dando maior penetração à Igreja no PT, via diversas "Pastorais" e ao que se convencionou chamar "política basista".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, há o grupo majoritário "Articulação", formado por sindicalistas oriundos do ABC, intelectuais independentes, que detêm o controle da máquina do partido, formada em 1983 com o nome de "Articulação dos 113", a partir de um manifesto com 113 assinaturas. Esse manifesto fora lançado em junho de 1983. Entre outras coisas dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos convencidos de que o PT vive, hoje, um momento muito difícil, mas não aquela crise que os seus inimigos apregoam. Diante disto, resolvemos nos articular para uma intervenção coletiva na vida do nosso partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, afirmamos, neste momento, a vigorosa vontade de milhares de militantes, que, apoiados no reconhecimento da necessidade histórica do PT, querem fazer do Partido um dos instrumentos para os trabalhadores construírem uma sociedade socialista, onde não haja explorados nem exploradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendemos, assim, o PT como um partido de massas, de lutas e democrático. Combatemos, por isso, as posições que, por um lado, tentam diluí-lo em uma frente oposicionista liberal como o PMDB de ação predominantemente parlamentar-institucional; ou que se deixam seduzir por uma proposta "socialista" sem trabalhadores como o PDT. Também combatemos aqueles que, incapazes de traduzir o nosso papel em termos de uma efetiva política de organização e acumulação de forças se encerram numa proposta de partido vanguardista tradicional, que se autonomeia representante da classe trabalhadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Somos contra aqueles que, também não submetendo à democracia interna do PT, subordinam-se a comandos paralelos e priorizam a divulgação de suas posições políticas, em detrimento daquelas do próprio Partido. Ao contrário daqueles "iluminados", não temos respostas para todos os problemas do PT. Nem temos a receita infalível para superar a crise econômica do País, para vencer a ditadura e para chegar ao poder."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que esclarecer que o documento acima, defendendo um PT de massas, de luta e democrático, criticando o "vanguardismo" partidário, os "iluminados", realiza uma profissão de fé tipo "Labour Party" ou no nível dos partidos social-democráticos, criticando o leninismo e as tendências, em nenhum momento, pensaram em criar um partido paralelo ao PT, mas, sim, em influir no seu seio para que suas teses sejam hegemônicas no partido; pó isso, sempre defenderam a necessidade de "democracia interna" no partido. O documento da "Articulação" critica também aqueles que obedecem a comandos "paralelos", esquecendo-se de que muitas das propostas dos sindicalistas da "Articulação" foram encaminhadas como proposições próprias, sem discussão no PT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo "Articulação" conseguiu uma hegemonia no PT, marginalizando os setores à direita e à esquerda do mesmo. São sindicalistas unidos à "intelligentsia" petista, com participação de setores da Igreja, um setor oriundo da ALN, e expandiram-se pelo País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo foi derrotado em duas ocasiões: quando da eleição da diretoria do Sindicato dos Químicos, onde o presidente da gestão anterior se elegeu contra o candidato da "Articulação" e pertence aos quadros do PT; e, quando da eleição de Luíza Erundina à Prefeitura, apoiada pelos movimentos de base e pelo Partido Popular Socialista (Poposo), quando a "Articulação" apostava na candidatura de Plínio de Arruda Sampaio. Embora convidado a exercer o cargo de secretário do Planejamento, preferiu retornar à Câmara Federal e trabalhar na articulação da candidatura de Lula à Presidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento "Articulação: uma proposta de massas e socialista" no seu item 83 considera que "alguma tendência dentro do PT constituem partidos dentro do partido. Tem havido um bloco entre elas (as tendências) para impor ao partido a tática geral e diversas táticas setoriais", enfatizando no item 87 do documento acima citado que, "dentro das atitudes mais doutrinaristas adotadas pelas tendências organizadas dentro do PT, ganha destaque a posição socialista", enfatizando no item 87 do documento acima citado que, "dentro das atitudes mais doutrinaristas adotadas pelas tendências organizadas dentro do PT, ganha destaque a posição socialista", ressaltando tratar-se de fórmulas genéricas a respeito, longe da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propõe a destruição radical com a ordem burguesa, do Estado burguês, considerando ser a destruição do Estado burguês passo necessário à constituição de uma sociedade sem classes. Reconhece a expansão desigual do capitalismo no Brasil, com o convívio de formas avançadas e atrasadas de exploração econômica. A existência de exploração onde domina a forma mercantil simples sobre a economia mercantil capitalista, a existência de 2,5 milhões de pequenas empresas familiares, industriais e comerciais e uma agricultura de pequenos produtores, leva a "Articulação" a verificar que – conforme o item 90 – "enfim, o Brasil capitalista, desigualmente desenvolvido, não esgotou as formas econômicas pequeno-burguesas, nem a economia mercantil simples".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "Articulação" propõe, através da disseminação de Comissões de Fábrica e Conselhos Populares, viabilizar o poder das bases, concluindo, no seu item 92: "Nesse sentido, com efeito vale lembrar que o poder, para o socialismo, não apenas se toma, mas se constrói, na luta secreta do dia-a-dia, desde já".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, "Articulação" não fica em generalidades. Através do documento "Articulação: um novo período", o grupo discute, no item 54 do documento citado, os problemas de organização mostrando que, para combater o voto de cabresto, desenvolveram-se as pré-convenções, em que as questões em pauta são discutidas e votadas. Reconhecendo que, "na prática, não só não conseguimos eliminá-lo, como criamos uma série de entraves a uma participação massiva nas deliberações do partido. Nossas pré-convenções são caracterizadas por reuniões longas, com pautas carregadas em geral, muitas vezes conduzidas em linguagem de difícil acesso. Disso resulta que, na maioria dos casos, enquanto um pequeno número de militantes discute a pauta, a grande maioria dos filiados é chamada (muitas vezes de carro) para assinar a lista de presença e dar quórum. Sua participação é assim absolutamente passiva, reproduzindo as formas tradicionais de clientelismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgido de uma dissidência do PC do B, há o PRC (Partido Revolucionário Comunista), que esclarece cabalmente: seus militantes participam do PT como os demais filiados, segundo as normas internas do PT. Colocam-se favoráveis ao princípio de unidade de ação e da necessidade de uma determinada disciplina organizativa própria de um partido de massas com milhares de filiados e que integra as mais diversas concepções. Concluindo que é claro que o PRC não é uma fração, tendência ou partido dentro do PT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o sindicalismo combativo tenha historicamente a tendência à ampliação e conseqüente burocratização concomitante, considerando o processo brasileiro, é ele uma das alavancas do PT; é muito claro perceber que cada instituição tem uma tendência a debater suas funções, a se perpetuar e se tornar seu próprio objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário ter clareza quanto ao fato de que, quanto mais forte se tornar o movimento sindical, mais ele tem tendência ao corporativismo, ocupado exclusivamente com seus interesses imediatos e restritos, desenvolvendo em seu seio uma burocracia que, como sempre, tem como objetivo se fortalecer e crescer. É importante não perder de vista que o sindicalismo na atual situação está condenado a ocupar-se mais dos interesses de determinada categoria profissional de operários do que do interesse do público em geral: os interesses do sindicato pesam mais do que os interesses dos desempregados e da classe operária como um todo. À medida que os sindicatos são abertos a todos, perdem em importância suas opiniões sobre a generalidade da organização da sociedade. Quanto mais se amplia o sindicato, mais sua maioria se ocupa das pequenas questões momentâneas. Verifica-se uma tendência de eles se assegurarem uma situação privilegiada, criar dificuldades para admissão de novos membros, uma tendência a entesourar fundos que temem depois comprometer, a procurar o apoio dos poderes constituídos, absorvendo-se inteiramente no apoio mútuo, e a se tornar um elemento conservador da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente a existência real de um projeto socialista tornaria impossível o predomínio do egoísmo e conservadorismo sindical, o espírito corporativo, acumulação dos capitais sindicais investidos, confiança nas "boas" funções do Estado, relações amigáveis com os patrões, nomeação de empregados, burocratas remunerados e funcionários permanentes. Por sua natureza, o sindicalismo tende ao reformismo. Nesse sentido, parece-nos que a evolução da CUT caminhará para cada vez maior aproximação à CGT, conforme ilustramos abaixo. Isso não quer dizer que desconheçamos o papel positivo do sindicato sob o capitalismo: organizar a resistência operária na luta econômico-social. Há outro aspecto do sindicalismo comum, o existente no País, a ser considerado: o grave não é aceitar um cargo de direção sindical, o grave é perpetuar-se no cargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A renovação dos chamados "dirigentes sindicais" é fundamental, seja para capacitar um número cada vez maior de trabalhadores a exercerem funções administrativas, seja para impedir que o trabalho de organizar se transforme numa profissão. Quem fala em abolir o governo e substituir a administração dos homens pelas coisas tem o domínio sobre os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado do sindicalismo burocrático, que através da CUT constitui uma das alavancas do PT, alavanca carregada de perigos de burocratização, está a ênfase na atuação eleitoral e parlamentar com que ultimamente a facção dominante do PT tem marcado sua atuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Parlamento no regime atual, no Brasil, é parte integrante do Estado; é a casa legislativa do Estado onde vigora a chamada "soberania popular", onde a lei é feita pelos representantes do povo – veja-se o aumento salarial dos "representantes" do povo na calada da noite para 4 milhões de cruzados. Teoricamente, representam a vontade da maioria; na prática, ela é o resultado de uma série de transações e ficções que falsificam a autêntica vontade popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se observa é a existência de parlamentares altamente "radicais" na campanha, onde seus discursos parecem "apelos às armas"; eleitos, voltam ao regaço do conservadorismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Parlamento cria uma categoria de "políticos" com seus interesses específicos, geralmente opostos aos do povo. O caminho do reformismo é o da legalidade, é tranqüilo, mas cheio de armadilhas. A participação vitoriosa do PT nas eleições municipais, o lançamento de Lula candidato a presidente e a participação do partido nas futuras eleições estaduais reforçam os traços reformistas que acentuamos acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso siga o caminho do reformismo parlamentar no estilo da social democracia alemã ou do "Labour Party" (Partido Trabalhista Inglês), o PT tenderá a ser o grande partido de massa de trabalhadores assalariados, do pequeno comércio e da pequena indústria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tática eleitoral e parlamentar acabou na Europa e EUA com o espírito revolucionário das massas e conduziu à abdicação do socialismo. Os partidos da 2ª. Internacional Socialista e os da 3ª. Internacional Comunista ocupam, através de prefeitos eleitos por sua legenda, papel importante nas administrações municipais italianas. Fazem até uma boa obra administrativa; são bons administradores, porém, talvez liberais, socialistas, jamais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que não tem cabimento a nenhum partido que se diga representante dos trabalhadores opor-se às reformas sociais, esperando de braços cruzados a vinda de um D. Sebastião socialista para salvar o povo esquecido e humilhado. Nada disso. Deve-se lutar por reformas, aqui e agora, sim; a crítica que fazemos ao reformismo embutido numa política que acentua o parlamento e o eleitoralismo é que o reformismo torna impossível as reformas, inclusive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusivamente, podemos dizer que, no interior do PT, há uma luta entre várias tendências, definidas ideologicamente por seus jornais no interior do mesmo, grupos vinculados aos movimentos sociais, à Igreja, às CEBs, intelectuais independentes e sindicalistas provindos do movimento sindical. A predominar a linha eleitoral-parlamentar no PT, os interesses eleitorais poderão levar ou não a melhor sobre todas as razões doutrinárias concernentes ao futuro. Para ilustrar melhor o rumo social-democrático adaptando ao Brasil que o PT está trilhando, "aqui e agora", nada melhor do que a palestra proferida por Luiz Inácio Lula da Silva a alunos, funcionários e professores da Fundação Getúlio Vargas, dias atrás, cuja fita gravada está à disposição de qualquer leitor que queira ouvi-las na EAESP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Inácio Lula da Silva incita os empresários paulistas a se modernizarem: que compreendam que estamos no pré-capitalismo, tal a visão dos empresários atuais sobre distribuição de renda, assinalando que empresários atuais sobre distribuição de renda, assinalando que empresários evoluídos ficam marginalizados em suas entidades de classe. Argumentando que o direito à cidadania está vinculado à distribuição de renda, criticando a falta de democracia interna nas fábricas onde não é permitida a formação de uma Comissão de Fábrica, afirma sua crença em Deus como símbolo da fraternidade, amor e justiça. Enquanto isso, o empresário nacional – pequeno – deve ter privilégios no sistema financeiro. Em relação à ação sindical, define Lula não haver diferença entre Meneguelli, Joaquinzão e Luiz Antonio: a pauta de reivindicação é idêntica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao PT e classes sociais, admite Lula que todos os segmentos (ou classes) sociais possam estar lá representados. Salienta que o PT apresentará a Sarney um "Plano de Emergência" quando cabia ao PMDB fazê-lo. Para ele, o dia em que houver um governo que a sociedade perceba que é sério, algo mudará. Conclui dizendo que no País em 1964 se consumiam 40 quilos de carne por ano por habitante, e hoje consomem 11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusivamente, por tudo que foi enunciado acima, parece-nos que, a predominar como tendência hegemônica aquela vinculada a Lula, o PT se definirá como um vasto partido de trabalhadores com caráter de partido de massa, amparado num movimento sindical amplo que tenderá a crescer cada vez mais, em movimentos sociais que pressionarão por reformas concretas. Por tudo isso, estamos diante de um estilo social-democrático de atuação política, o que não significa mera cópia de modelos europeus, já porque o Brasil não é Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro elemento que o leitor arguto deverá considerar é a inevitável distância entre as afirmações abstratas em documentos partidários, a manifestação verbal dos líderes acatados em conferências ou comícios públicos e a prática real no cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Publicado em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Folha da Tarde&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; – 19/12/1988&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7594211053520810746?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7594211053520810746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/o-dilema-da-estrela-branca-ou-vermelha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7594211053520810746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7594211053520810746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/o-dilema-da-estrela-branca-ou-vermelha.html' title='O dilema da estrela: branca ou vermelha?'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZwWPF3KHdI/AAAAAAAADkc/-5QOJ3vrMuI/s72-c/mt-blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3249584962708760891</id><published>2009-02-16T08:48:00.006-03:00</published><updated>2009-03-21T21:12:05.357-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (artigos)'/><title type='text'>Maurício Tragtenberg - Um Sociólogo Libertário</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ScWBRvsymHI/AAAAAAAAEW0/fO6qmgvEBuw/s1600-h/viana.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315797077042829426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 63px; CURSOR: hand; HEIGHT: 70px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ScWBRvsymHI/AAAAAAAAEW0/fO6qmgvEBuw/s320/viana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; por &lt;strong&gt;Nildo Viana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;Artigo publicado originalmente na Revista Sociologia, Ciência e Vida, num. 20.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurício Tragtenberg foi um dos mais importantes sociólogos brasileiros e, apesar de ter seguido uma orientação diferenciada da maioria dos demais colegas de profissão, acabou exercendo grande influência e admiração por parte de muitas pessoas, inclusive alunos e colegas. O sentido da vida e obra de Tragtenberg foi, a nosso ver, a luta pela autogestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg nasceu em Erexim, Rio Grande do Sul, no dia 4 de novembro de 1929. Filho de família judaica e camponesa, morava com os avôs e a mãe, pois o pai morreu jovem. A família se transfere para Porto Alegre. Sua experiência escolar foi apenas durante o que era denominado primário. Tragtenberg foi reprovado no primeiro ano em aula de canto. Ele matava aula para jogar futebol ou ir ao cinema (Tragtenberg, 1999). Fora da escola, Tragtenberg gostava de ler e escrever e tinha muitos livros em casa, deixado pelo pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, a família muda para São Paulo. Lá existia o Centro de Cultura Democrático e movimentos de jovens judeus, de várias orientações políticas. Neste período voltou à escola, onde o método do castigo era amplamente utilizado. Lá aprendia português, hebraico e iídiche, já que era uma escola judaica. O domínio do iídiche (um alemão medieval que os judeus assimilaram para viver na Alemanha) o possibilitou a ler obras de Rosa Luxemburgo, de Trotsky, dos mencheviques. Foi desta forma que teve acesso a um pensamento socialista não leninista, hegemônico a partir da tomada do poder na Rússia em 1917 e, principalmente, depois da chamada “bolchevização dos partidos comunistas”. Este acervo bibliográfico era oriundo da imigração de judeus poloneses e de outras regiões. Nesta época, Tragtenberg tinha 10 anos e já lia estes e outros autores, em iídiche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irmão e a irmã compravam livros, tal como o Manifesto Comunista, de Marx e Engels, e obra de Stefan Zweig, que ele era proibido de ler e assim lia escondido no telhado da casa. Assim, ele era a “ovelha negra” da família, pois, além disso, não gostava de comércio, elemento fundamental para a sua família judaica e para o qual os irmãos se dirigiam. Com a redemocratização e a legalização do Partido Comunista Brasileiro, passou a existir uma movimentação política e Tragtenberg foi se aproximando do partido. Participou de uma “célula” do partido, juntamente com um sapateiro e um pedreiro. Pouco depois passou a freqüentar a Biblioteca Municipal de São Paulo e a família Abramo. Esta família teve influência em sua formação, já que as pessoas eram cultas e eruditas, possuindo a capacidade de repassar muita informação. Pouco depois se aproxima do Partido Socialista Brasileiro, na época, composto por intelectuais e sem grande influência junto aos trabalhadores. Nesta época, lia o jornal Vanguarda Socialista, editado por Mário Pedrosa, e freqüentava os cursos do Partido Socialista, ministrado por intelectuais como Antônio Cândido, Azis Simão e teve contato com Florestan Fernandes, quando ainda era garçom, Paul Singer, quando era eletricista, entre vários outros futuros grandes intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra grande influência na formação de Tragtenberg foi o Centro de Cultura Social, de orientação anarquista. Foi neste contexto que ele foi convidado para fazer um quadro explicativo da Guerra Civil Espanhola a pedido dos organizadores de um evento sobre este acontecimento histórico e que uniria anarquistas, comunistas (bolchevistas) e socialistas (social-democratas). Tragtenberg narra que quanto mais lia, mas descobria o papel do Partido Comunista Russo na contra-revolução na Espanha, beneficiando o ditador Franco. Porém, ele não sabia do acordo estabelecido entre os grupos políticos envolvidos para acentuar as concordâncias, e quando fez sua exposição gerou uma forte polêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg acaba rompendo com o PCB, devido, entre outras coisas, a divergência com a linha política (apoio à burguesia progressista contra o imperialismo) e outros elementos, tal como o caso no qual o partido lhe chamou a atenção por ler obras de Marx e Lênin, pois deveria ler apenas os jornais do partido. Continuou sua formação intelectual através dos centros de cultura, Biblioteca Municipal, amizades. Participou de debates e organizações políticas, desde social-democratas passando pelo trotskismo e anarquismo. Certo dia, Antônio Cândido lhe diz que existe uma lei que garante a quem fizer uma monografia, sendo aprovada pela Congregação da universidade, pode ser aceito sem ter formação escolar. Ele apresentou sua monografia (publicada como livro com o título Planificação: Desafio do Século 20) que foi aprovada e passou a fazer parte da esfera acadêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esfera acadêmica, do ponto de vista intelectual, produziu várias obras, tal como sua tese Burocracia e Ideologia, no início da década de 1970, e depois produziu inúmeras obras, desde livros, passando por prefácios de outras obras, organização de livros e artigos para revistas e jornais. Inclusive, foi colunista do jornal Notícias Populares, por considerar mais próximo da população trabalhadora. Ele teve vários problemas em diversas universidades, desde o contratempo que teve devido ao regime militar e seu enquadramento no Ato Institucional I (sem grandes motivos, já que ele, nessa época, não militava em nenhum partido ou organização). Como disse em algumas oportunidades, era campeão em ganhar concursos e perder contrato. Passou pelo ensino secundário, pela Fundação Getúlio Vargas, USP, Unicamp, entre outras universidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre seus interesses intelectuais, algumas temáticas foram basilares de seu pensamento. A questão da burocracia, desde sua monografia de aspiração à entrada na USP, passando por sua tese doutoral, e diversas obras, sempre foi constante. O estudo da burocracia tinha como grande influência o sociólogo Max Weber, mas também Marx, Bakunin e vários outros estavam envolvidos em suas reflexões sobre o fenômeno burocrático. A questão da autogestão também foi uma das mais permanentes em sua produção e reflexão, ou seja, a negação da burocracia também foi foco de seus estudos. Porém, neste caso também ia além da simples “objeto de estudo”, tratava-se, também de opção política, expressa magistralmente em sua obra Reflexões sobre o Socialismo. As lutas dos trabalhadores, a autonomia e auto-organização do proletariado e campesinato foram uma preocupação constante, tal como se pode perceber em sua produção intelectual. Desde a juventude era um leitor de Rosa Luxemburgo, mas também outros autores marginais ou “malditos”, atraíram o seu interesse (Makhaïsky, Korsch, Bordiga, Pannekoek, Gorter, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Burocracia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação de Maurício Tragtenberg com o fenômeno burocrático tem sua origem na sua inserção na luta política e no PCB. Sem dúvida, a estrutura hierárquica e burocrática do partido chamou sua atenção e a estrutura do culto ao chefe, tal como faziam com Luis Carlos Prestes, o que não lhe passava despercebido (Tragtenberg, 1999). É sugestivo que seu primeiro livro publicado comece como um capítulo cujo título é “O Homem”. Nesta obra, retoma Marx e o tema do trabalho alienado, abordando a natureza humana e sua alienação na sociedade de classes. O homem se desencontrou de sua própria essência ao instaurar a relação de exploração, ao fundar, com a divisão social do trabalho, o domínio de uma classe sobre outra. Assim, Dostoievsky, Kafka, Nietzsche, Kierkegard, Kant, etc., são autores que aparecem para mostrar a situação humana. A questão que Tragtenberg coloca é: em que condições o socialismo pode contribuir para esta superação da alienação? Pergunta fundamental, que encerrará com uma análise do bolchevismo, da burocratização, da Rússia e do capitalismo de Estado. Na sua conclusão apresenta a tese básica que será desenvolvida em suas obras posteriores: a alienação é provocada pela divisão social do trabalho e separação do indivíduo com o cidadão, através do processo de exploração e somente a reintegração do homem na humanidade e em sua essência, através do socialismo, será possível a emancipação humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta obra já mostrava as preocupações fundamentais de Tragtenberg e algumas respostas preliminares que, devido ao conjunto de influências que ainda carregava – e já se desvencilhava delas – não conseguiu avançar mais, embora já rompesse com o bolchevismo e o capitalismo estatal e via o socialismo como produto da luta operária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg, em seu segundo livro, Burocracia e Ideologia, irá analisar a formação e características das teorias gerais da administração. Ele faz um histórico que se inicia com a discussão referente ao modo de produção asiático e passa pelas concepções das “harmonias administrativas” de Saint-Simon a Elton Mayo, até chegar ao sociólogo Max Weber e sua sociologia da burocracia. Ele analisa as teorias gerais da administração como ideologias, formas de falsa consciência, representando os interesses das classes dominantes, que são operacionais no nível técnico e que mudam de acordo com a mudança nos processos econômicos e sociais. A sua interpretação de Max Weber e sua relação com a crise da consciência liberal é um dos momentos mais interessantes de sua análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro seguinte, Administração, Poder e Ideologia, ele continua desenvolvendo esta preocupação fundamental e dedica a analisar a ideologia administrativa das grandes corporações e adentra por questões como a co-gestão, o participacionismo e outras formas que as grandes empresas utilizam para enquadrar e integrar os trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua obra Sobre Educação, Política e Sindicalismo, o autor faz uma severa crítica ao burocratismo reinante nas escolas e universidades, utilizando-se das contribuições de Weber, Lobrot, Selznick, entre outros. Na verdade, o conjunto de artigos (já publicados em outras publicações), revela uma das grandes preocupações intelectuais de Tragtenberg, o processo educacional, mas envolvido com as duas outras preocupações básicas: a burocracia e a autogestão. O sistema de ensino tem como objetivo adequar os indivíduos ao processo de trabalho, mas de tal forma que ele saiba se adequar às mutações sociais. Para isso, é formado todo uma burocracia escolar e pedagógica cujo objetivo é garantir a burocratização de todo o processo de ensino: sistema de exames, conformidade ao programa e docilidade estudantil, através da organização, planejamento e estímulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos servos que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que coloca em relação mestres e estudantes. O mestre possui um saber inacabado e o aluno uma ignorância transitória, não há saber absoluto nem ignorância absoluta. A relação de saber não institui a diferença entre aluno e professor, a separação entre aluno e professor opera-se através de uma relação de poder simbolizada pelo sistema de exames – esse ‘batismo burocrático do saber’. O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de ‘exclusão’ que possui a empresa em relação ao futuro empregado. Informalmente, docilmente, ela ‘exclui’ o candidato. Para o professor, há o currículo visível, publicações, conferências, traduções e atividade didática, e há o currículo invisível – esse de posse da chamada ‘informação’ que possui espaço na universidade, onde o destino está em aberto e tudo é possível acontecer. É através da nomeação, da cooptação dos mais conformistas (nem sempre os mais produtivos) que a burocracia universitária reproduz o canil de professores. Os valores de submissão e conformismo, a cada instante exibidos pelos comportamentos dos professores, já constituem um sistema ideológico” (Tragtenberg, 1990, p. 13). &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Educação Libertária e Autogestão das Lutas Operárias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação não tem apenas o papel de reprodução, não expressa apenas a burocracia e a dominação. Inclusive, Tragtenberg foi um dos primeiros a perceber o reprodutivismo da sociologia da educação de Bourdieu. Para Tragtenberg, há espaço para o questionamento e a busca de alternativas no sistema escolar. É por isso que ele irá se dedicar ao que se costuma chamar “pedagogia libertária” ou “autogestão pedagógica”. Assim, ele coloca a opção social (capitalismo ou autogestão social) também no plano educacional: educação burocrática ou educação libertária. A universidade não produz apenas o intelectual orgânico da burguesia, cujo papel é organizar a hegemonia burguesa, inculcando “as formas de sentir, pensar e agir da classe dominante como sendo naturais”, mas, também, o intelectual crítico, que em períodos de ascensão das lutas sociais, pode legitimamente representar as classes desprivilegiadas (Tragtenberg, 1979, p. 9).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ele analisava os educadores libertários, tal como Francisco Ferrer, e as experiências históricas, tal como a experiência de autogestão pedagógica na Espanha (Tragtenberg, 1980). Uma das preocupações mais importantes de Tragtenberg é com uma educação no qual o aluno possa desenvolver suas potencialidades sem as restrições burocráticas, o autoritarismo professoral e o controle estatal. Assim, ele valorizava a autonomia do indivíduo, autogestão pedagógica, solidariedade e luta pela educação gratuita. Ele pensava não só a crítica da educação burocrática, mas a auto-educação individual e coletiva da classe trabalhadora, levando em consideração que o conhecimento da classe operária no processo de trabalho era expropriado pela classe capitalista e, em determinados momentos históricos, reapropriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo de constituição de uma nova sociedade seria, tal como em Marx, obra da classe operária, de sua auto-educação e auto-organização. Para Tragtenberg, as lutas sociais podem tender para a burocratização, mas a classe trabalhadora reage a este processo criando organizações horizontais, igualitárias, novas relações sociais. A corrosão do capitalismo está no desenvolvimento destas formas de auto-organização do proletariado. Ele retoma Marx para colocar que os trabalhadores lutam por suas reivindicações através da associação e depois passam a lutar pela própria associação. Esta associação (comissões de fábrica, comitês de greve, conselhos operários) é originada na luta de classes e forma o embrião da futura sociedade autogerida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O que corrói o capitalismo é a criação dessas organizações, pois elas negam o verticalismo dos organismos existentes, seja o Estado, o partido ou o sindicato. Estes são despojados de sua finalidade de controle da mão-de-obra através da ação direta dos trabalhadores. Por mediação das instituições criadas no processo político-social, a classe operária possui a autogestão das suas lutas, ficando, portanto, a decisão e a execução em mãos dos trabalhadores. Assim, socialismo é entendido aqui como o regime onde a autogestão operária extingue o Estado como órgão separado e acima da sociedade, elimina o administrador dirigente da empresa em nome do capital e, ao mesmo tempo, elimina o intermediário político, isto é, o político profissional” (Tragtenberg, 1986, p. 10). &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, esta breve citação deixa espaço para se pensar os pontos fundamentais do pensamento de Tragtenberg sobre o Estado, os intermediários (partidos, sindicatos, políticos profissionais), e sua posição diante do regime chamado “socialismo real”. Em relação ao Estado, Tragtenberg mantém a postura de Marx, isto é, o Estado é um instrumento de dominação de classe. Os partidos, mesmo os que se dizem de esquerda, são dirigidos por castas e não representam os trabalhadores. Os sindicatos, por sua vez, possuem o mesmo papel que os partidos: reproduzir o capitalismo e beneficiar seus dirigentes. O “socialismo real”, na verdade, é um capitalismo de Estado, explorador e reprodutor da burocratização da sociedade (Tragtenberg, 1986). Em outra obra aprofunda esta análise da URSS (Tragtenberg, 1988). Enfim, socialismo é autogestão social e já teve várias experiências históricas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Essa é uma tendência que aparece nos momentos decisivos da luta dos trabalhadores: na Comuna de Paris (1871), na Revolução Russa de 1917, nas revoluções alemã e húngara de 1918, na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), no Movimento de Maio de 1968 na Europa e na criação do sindicato Solidariedade na Polônia (1978); toma a forma de comissões de fábrica (sovietes, conselhos), visando dirigir a vida econômica, política e social” (Tragtenberg, 1986, p. 5). &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, podemos dizer que Tragtenberg foi um dos grandes nomes da sociologia brasileira e um dos mais profundos e originais pesquisadores da burocracia e da autogestão, incluindo também o processo educacional e as experiências históricas dos trabalhadores. Mas, mais do que um sociólogo, foi um libertário, ou seja, não separou o indivíduo, ser político vivendo numa sociedade repressiva, marcada por conflitos, dominação e exploração, do acadêmico ou do sociólogo, um mero e frio estudioso das relações sociais. Ele foi além, deixando de lado a ficção da neutralidade científica e se posicionou diante da sociedade, fazendo preponderar o indivíduo libertário, e daí criou o seu diferencial em relação a milhares de outros sociólogos, preocupados tão-somente com a academia e seu destino profissional individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Silva, D. e Marrach, S. Maurício Tragtenberg – Uma Vida para as Ciências Humanas. São Paulo, Unesp, 2001.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. (org.). Marxismo Heterodoxo. São Paulo, Brasiliense, 1981.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. A Delinqüência Acadêmica. São Paulo, Muro, 1979.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. A Revolução Russa. São Paulo, Àtica, 1988.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. Administração, Poder e Ideologia. 2ª Edição, São Paulo, Cortez, 1989.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. Burocracia e Ideologia. São Paulo, Àtica, 1985.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. “Marx/Bakunin”. Escrita Ensaio. Ano V, n. 11/12. 1983.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. Memórias de um Autodidata no Brasil. São Paulo, Escuta, 1999.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. “O Conhecimento Expropriado e Reapropriado pela Classe Operária: Espanha 80”. Educação e Sociedade. São Paulo, Cortez, Setembro de 1980.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. Planificação – Desafio do Século 20. São Paulo, Senzala, 1967.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. Reflexões sobre o Socialismo. 3ª Edição, São Paulo, Moderna, 1986.&lt;br /&gt;Tragtenberg, M. Sobre Educação, Política e Sindicalismo. 2ª Edição, São Paulo, Cortez, 1990.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3249584962708760891?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3249584962708760891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/mauricio-tragtenberg-um-sociologo_16.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3249584962708760891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3249584962708760891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/mauricio-tragtenberg-um-sociologo_16.html' title='Maurício Tragtenberg - Um Sociólogo Libertário'/><author><name>Nildo Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05140537810237071053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_kOy7xkpibgY/TIOUmZlQsOI/AAAAAAAAAdM/PNOOCnF-zms/S220/foto+nildo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/ScWBRvsymHI/AAAAAAAAEW0/fO6qmgvEBuw/s72-c/viana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3881016168091362305</id><published>2009-02-16T08:48:00.003-03:00</published><updated>2009-02-16T09:02:52.410-03:00</updated><title type='text'>Maurício Tragtenberg - Um Sociólogo Libertário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kOy7xkpibgY/SZlS97eypRI/AAAAAAAAABE/EJAZpkm8sn0/s1600-h/022trag.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303361260097807634" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kOy7xkpibgY/SZlS97eypRI/AAAAAAAAABE/EJAZpkm8sn0/s400/022trag.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Por Nildo Viana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Artigo publicado originalmente na Revista Sociologia, Ciência e Vida, São Paulo, Editora Escala, n. 20, Dez. 2008.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurício Tragtenberg foi um dos mais importantes sociólogos brasileiros e, apesar de ter seguido uma orientação diferenciada da maioria dos demais colegas de profissão, acabou exercendo grande influência e admiração por parte de muitas pessoas, inclusive alunos e colegas. O sentido da vida e obra de Tragtenberg foi, a nosso ver, a luta pela autogestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg nasceu em Erexim, Rio Grande do Sul, no dia 4 de novembro de 1929. Filho de família judaica e camponesa, morava com os avôs e a mãe, pois o pai morreu jovem. A família se transfere para Porto Alegre. Sua experiência escolar foi apenas durante o que era denominado primário. Tragtenberg foi reprovado no primeiro ano em aula de canto. Ele matava aula para jogar futebol ou ir ao cinema (Tragtenberg, 1999). Fora da escola, Tragtenberg gostava de ler e escrever e tinha muitos livros em casa, deixado pelo pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, a família muda para São Paulo. Lá existia o Centro de Cultura Democrático e movimentos de jovens judeus, de várias orientações políticas. Neste período voltou à escola, onde o método do castigo era amplamente utilizado. Lá aprendia português, hebraico e iídiche, já que era uma escola judaica. O domínio do iídiche (um alemão medieval que os judeus assimilaram para viver na Alemanha) o possibilitou a ler obras de Rosa Luxemburgo, de Trotsky, dos mencheviques. Foi desta forma que teve acesso a um pensamento socialista não leninista, hegemônico a partir da tomada do poder na Rússia em 1917 e, principalmente, depois da chamada “bolchevização dos partidos comunistas”. Este acervo bibliográfico era oriundo da imigração de judeus poloneses e de outras regiões. Nesta época, Tragtenberg tinha 10 anos e já lia estes e outros autores, em iídiche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irmão e a irmã compravam livros, tal como o &lt;em&gt;Manifesto Comunista&lt;/em&gt;, de Marx e Engels, e obra de Stefan Zweig, que ele era proibido de ler e assim lia escondido no telhado da casa. Assim, ele era a “ovelha negra” da família, pois, além disso, não gostava de comércio, elemento fundamental para a sua família judaica e para o qual os irmãos se dirigiam. Com a redemocratização e a legalização do Partido Comunista Brasileiro, passou a existir uma movimentação política e Tragtenberg foi se aproximando do partido. Participou de uma “célula” do partido, juntamente com um sapateiro e um pedreiro. Pouco depois passou a freqüentar a Biblioteca Municipal de São Paulo e a família Abramo. Esta família teve influência em sua formação, já que as pessoas eram cultas e eruditas, possuindo a capacidade de repassar muita informação. Pouco depois se aproxima do Partido Socialista Brasileiro, na época, composto por intelectuais e sem grande influência junto aos trabalhadores. Nesta época, lia o jornal Vanguarda Socialista, editado por Mário Pedrosa, e freqüentava os cursos do Partido Socialista, ministrado por intelectuais como Antônio Cândido, Azis Simão e teve contato com Florestan Fernandes, quando ainda era garçom, Paul Singer, quando era eletricista, entre vários outros futuros grandes intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra grande influência na formação de Tragtenberg foi o Centro de Cultura Social, de orientação anarquista. Foi neste contexto que ele foi convidado para fazer um quadro explicativo da Guerra Civil Espanhola a pedido dos organizadores de um evento sobre este acontecimento histórico e que uniria anarquistas, comunistas (bolchevistas) e socialistas (social-democratas). Tragtenberg narra que quanto mais lia, mas descobria o papel do Partido Comunista Russo na contra-revolução na Espanha, beneficiando o ditador Franco. Porém, ele não sabia do acordo estabelecido entre os grupos políticos envolvidos para acentuar as concordâncias, e quando fez sua exposição gerou uma forte polêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg acaba rompendo com o PCB, devido, entre outras coisas, a divergência com a linha política (apoio à burguesia progressista contra o imperialismo) e outros elementos, tal como o caso no qual o partido lhe chamou a atenção por ler obras de Marx e Lênin, pois deveria ler apenas os jornais do partido. Continuou sua formação intelectual através dos centros de cultura, Biblioteca Municipal, amizades. Participou de debates e organizações políticas, desde social-democratas passando pelo trotskismo e anarquismo. Certo dia, Antônio Cândido lhe diz que existe uma lei que garante a quem fizer uma monografia, sendo aprovada pela Congregação da universidade, pode ser aceito sem ter formação escolar. Ele apresentou sua monografia (publicada como livro com o título &lt;em&gt;Planificação: Desafio do Século 20&lt;/em&gt;) que foi aprovada e passou a fazer parte da esfera acadêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esfera acadêmica, do ponto de vista intelectual, produziu várias obras, tal como sua tese Burocracia e Ideologia, no início da década de 1970, e depois produziu inúmeras obras, desde livros, passando por prefácios de outras obras, organização de livros e artigos para revistas e jornais. Inclusive, foi colunista do jornal Notícias Populares, por considerar mais próximo da população trabalhadora. Ele teve vários problemas em diversas universidades, desde o contratempo que teve devido ao regime militar e seu enquadramento no Ato Institucional I (sem grandes motivos, já que ele, nessa época, não militava em nenhum partido ou organização). Como disse em algumas oportunidades, era campeão em ganhar concursos e perder contrato. Passou pelo ensino secundário, pela Fundação Getúlio Vargas, USP, Unicamp, entre outras universidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre seus interesses intelectuais, algumas temáticas foram basilares de seu pensamento. A questão da burocracia, desde sua monografia de aspiração à entrada na USP, passando por sua tese doutoral, e diversas obras, sempre foi constante. O estudo da burocracia tinha como grande influência o sociólogo Max Weber, mas também Marx, Bakunin e vários outros estavam envolvidos em suas reflexões sobre o fenômeno burocrático. A questão da autogestão também foi uma das mais permanentes em sua produção e reflexão, ou seja, a negação da burocracia também foi foco de seus estudos. Porém, neste caso também ia além da simples “objeto de estudo”, tratava-se, também de opção política, expressa magistralmente em sua obra Reflexões sobre o Socialismo. As lutas dos trabalhadores, a autonomia e auto-organização do proletariado e campesinato foram uma preocupação constante, tal como se pode perceber em sua produção intelectual. Desde a juventude era um leitor de Rosa Luxemburgo, mas também outros autores marginais ou “malditos”, atraíram o seu interesse (Makhaïsky, Korsch, Bordiga, Pannekoek, Gorter, etc.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A Burocracia &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A preocupação de Maurício Tragtenberg com o fenômeno burocrático tem sua origem na sua inserção na luta política e no PCB. Sem dúvida, a estrutura hierárquica e burocrática do partido chamou sua atenção e a estrutura do culto ao chefe, tal como faziam com Luis Carlos Prestes, o que não lhe passava despercebido (Tragtenberg, 1999). É sugestivo que seu primeiro livro publicado comece como um capítulo cujo título é “O Homem”. Nesta obra, retoma Marx e o tema do trabalho alienado, abordando a natureza humana e sua alienação na sociedade de classes. O homem se desencontrou de sua própria essência ao instaurar a relação de exploração, ao fundar, com a divisão social do trabalho, o domínio de uma classe sobre outra. Assim, Dostoievsky, Kafka, Nietzsche, Kierkegard, Kant, etc., são autores que aparecem para mostrar a situação humana. A questão que Tragtenberg coloca é: em que condições o socialismo pode contribuir para esta superação da alienação? Pergunta fundamental, que encerrará com uma análise do bolchevismo, da burocratização, da Rússia e do capitalismo de Estado. Na sua conclusão apresenta a tese básica que será desenvolvida em suas obras posteriores: a alienação é provocada pela divisão social do trabalho e separação do indivíduo com o cidadão, através do processo de exploração e somente a reintegração do homem na humanidade e em sua essência, através do socialismo, será possível a emancipação humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta obra já mostrava as preocupações fundamentais de Tragtenberg e algumas respostas preliminares que, devido ao conjunto de influências que ainda carregava – e já se desvencilhava delas – não conseguiu avançar mais, embora já rompesse com o bolchevismo e o capitalismo estatal e via o socialismo como produto da luta operária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg, em seu segundo livro, &lt;em&gt;Burocracia e Ideologia&lt;/em&gt;, irá analisar a formação e características das teorias gerais da administração. Ele faz um histórico que se inicia com a discussão referente ao modo de produção asiático e passa pelas concepções das “harmonias administrativas” de Saint-Simon a Elton Mayo, até chegar ao sociólogo Max Weber e sua sociologia da burocracia. Ele analisa as teorias gerais da administração como ideologias, formas de falsa consciência, representando os interesses das classes dominantes, que são operacionais no nível técnico e que mudam de acordo com a mudança nos processos econômicos e sociais. A sua interpretação de Max Weber e sua relação com a crise da consciência liberal é um dos momentos mais interessantes de sua análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro seguinte, &lt;em&gt;Administração, Poder e Ideologia&lt;/em&gt;, ele continua desenvolvendo esta preocupação fundamental e dedica a analisar a ideologia administrativa das grandes corporações e adentra por questões como a co-gestão, o participacionismo e outras formas que as grandes empresas utilizam para enquadrar e integrar os trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua obra &lt;em&gt;Sobre Educação, Política e Sindicalismo&lt;/em&gt;, o autor faz uma severa crítica ao burocratismo reinante nas escolas e universidades, utilizando-se das contribuições de Weber, Lobrot, Selznick, entre outros. Na verdade, o conjunto de artigos (já publicados em outras publicações), revela uma das grandes preocupações intelectuais de Tragtenberg, o processo educacional, mas envolvido com as duas outras preocupações básicas: a burocracia e a autogestão. O sistema de ensino tem como objetivo adequar os indivíduos ao processo de trabalho, mas de tal forma que ele saiba se adequar às mutações sociais. Para isso, é formado todo uma burocracia escolar e pedagógica cujo objetivo é garantir a burocratização de todo o processo de ensino: sistema de exames, conformidade ao programa e docilidade estudantil, através da organização, planejamento e estímulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A universidade reproduz o modo de produção capitalista dominante não apenas pela ideologia que transmite, mas pelos servos que ela forma. Esse modo de produção determina o tipo de formação através das transformações introduzidas na escola, que coloca em relação mestres e estudantes. O mestre possui um saber inacabado e o aluno uma ignorância transitória, não há saber absoluto nem ignorância absoluta. A relação de saber não institui a diferença entre aluno e professor, a separação entre aluno e professor opera-se através de uma relação de poder simbolizada pelo sistema de exames – esse ‘batismo burocrático do saber’. O exame é a parte visível da seleção; a invisível é a entrevista, que cumpre as mesmas funções de ‘exclusão’ que possui a empresa em relação ao futuro empregado. Informalmente, docilmente, ela ‘exclui’ o candidato. Para o professor, há o currículo visível, publicações, conferências, traduções e atividade didática, e há o currículo invisível – esse de posse da chamada ‘informação’ que possui espaço na universidade, onde o destino está em aberto e tudo é possível acontecer. É através da nomeação, da cooptação dos mais conformistas (nem sempre os mais produtivos) que a burocracia universitária reproduz o canil de professores. Os valores de submissão e conformismo, a cada instante exibidos pelos comportamentos dos professores, já constituem um sistema ideológico” (Tragtenberg, 1990, p. 13).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Educação Libertária e Autogestão das Lutas Operárias &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A educação não tem apenas o papel de reprodução, não expressa apenas a burocracia e a dominação. Inclusive, Tragtenberg foi um dos primeiros a perceber o reprodutivismo da sociologia da educação de Bourdieu. Para Tragtenberg, há espaço para o questionamento e a busca de alternativas no sistema escolar. É por isso que ele irá se dedicar ao que se costuma chamar “pedagogia libertária” ou “autogestão pedagógica”. Assim, ele coloca a opção social (capitalismo ou autogestão social) também no plano educacional: educação burocrática ou educação libertária. A universidade não produz apenas o intelectual orgânico da burguesia, cujo papel é organizar a hegemonia burguesa, inculcando “as formas de sentir, pensar e agir da classe dominante como sendo naturais”, mas, também, o intelectual crítico, que em períodos de ascensão das lutas sociais, pode legitimamente representar as classes desprivilegiadas (Tragtenberg, 1979, p. 9). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, ele analisava os educadores libertários, tal como Francisco Ferrer, e as experiências históricas, tal como a experiência de autogestão pedagógica na Espanha (Tragtenberg, 1980). Uma das preocupações mais importantes de Tragtenberg é com uma educação no qual o aluno possa desenvolver suas potencialidades sem as restrições burocráticas, o autoritarismo professoral e o controle estatal. Assim, ele valorizava a autonomia do indivíduo, autogestão pedagógica, solidariedade e luta pela educação gratuita. Ele pensava não só a crítica da educação burocrática, mas a auto-educação individual e coletiva da classe trabalhadora, levando em consideração que o conhecimento da classe operária no processo de trabalho era expropriado pela classe capitalista e, em determinados momentos históricos, reapropriado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse processo de constituição de uma nova sociedade seria, tal como em Marx, obra da classe operária, de sua auto-educação e auto-organização. Para Tragtenberg, as lutas sociais podem tender para a burocratização, mas a classe trabalhadora reage a este processo criando organizações horizontais, igualitárias, novas relações sociais. A corrosão do capitalismo está no desenvolvimento destas formas de auto-organização do proletariado. Ele retoma Marx para colocar que os trabalhadores lutam por suas reivindicações através da associação e depois passam a lutar pela própria associação. Esta associação (comissões de fábrica, comitês de greve, conselhos operários) é originada na luta de classes e forma o embrião da futura sociedade autogerida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O que corrói o capitalismo é a criação dessas organizações, pois elas negam o verticalismo dos organismos existentes, seja o Estado, o partido ou o sindicato. Estes são despojados de sua finalidade de controle da mão-de-obra através da ação direta dos trabalhadores. Por mediação das instituições criadas no processo político-social, a classe operária possui a autogestão das suas lutas, ficando, portanto, a decisão e a execução em mãos dos trabalhadores. Assim, socialismo é entendido aqui como o regime onde a autogestão operária extingue o Estado como órgão separado e acima da sociedade, elimina o administrador dirigente da empresa em nome do capital e, ao mesmo tempo, elimina o intermediário político, isto é, o político profissional” (Tragtenberg, 1986, p. 10).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, esta breve citação deixa espaço para se pensar os pontos fundamentais do pensamento de Tragtenberg sobre o Estado, os intermediários (partidos, sindicatos, políticos profissionais), e sua posição diante do regime chamado “socialismo real”. Em relação ao Estado, Tragtenberg mantém a postura de Marx, isto é, o Estado é um instrumento de dominação de classe. Os partidos, mesmo os que se dizem de esquerda, são dirigidos por castas e não representam os trabalhadores. Os sindicatos, por sua vez, possuem o mesmo papel que os partidos: reproduzir o capitalismo e beneficiar seus dirigentes. O “socialismo real”, na verdade, é um capitalismo de Estado, explorador e reprodutor da burocratização da sociedade (Tragtenberg, 1986). Em outra obra aprofunda esta análise da URSS (Tragtenberg, 1988). Enfim, socialismo é autogestão social e já teve várias experiências históricas:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Essa é uma tendência que aparece nos momentos decisivos da luta dos trabalhadores: na Comuna de Paris (1871), na Revolução Russa de 1917, nas revoluções alemã e húngara de 1918, na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), no Movimento de Maio de 1968 na Europa e na criação do sindicato Solidariedade na Polônia (1978); toma a forma de comissões de fábrica (sovietes, conselhos), visando dirigir a vida econômica, política e social” (Tragtenberg, 1986, p. 5).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, podemos dizer que Tragtenberg foi um dos grandes nomes da sociologia brasileira e um dos mais profundos e originais pesquisadores da burocracia e da autogestão, incluindo também o processo educacional e as experiências históricas dos trabalhadores. Mas, mais do que um sociólogo, foi um libertário, ou seja, não separou o indivíduo, ser político vivendo numa sociedade repressiva, marcada por conflitos, dominação e exploração, do acadêmico ou do sociólogo, um mero e frio estudioso das relações sociais. Ele foi além, deixando de lado a ficção da neutralidade científica e se posicionou diante da sociedade, fazendo preponderar o indivíduo libertário, e daí criou o seu diferencial em relação a milhares de outros sociólogos, preocupados tão-somente com a academia e seu destino profissional individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;SILVA, D. e MARRACH, S. &lt;em&gt;Maurício Tragtenberg – Uma Vida para as Ciências Humanas&lt;/em&gt;. São Paulo, Unesp, 2001.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. (org.). &lt;em&gt;Marxismo Heterodoxo&lt;/em&gt;. São Paulo, Brasiliense, 1981.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;A Delinqüência Acadêmica&lt;/em&gt;. São Paulo, Muro, 1979.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;A Revolução Russa&lt;/em&gt;. São Paulo, Àtica, 1988.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;Administração, Poder e Ideologia&lt;/em&gt;. 2ª Edição, São Paulo, Cortez, 1989.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;Burocracia e Ideologia&lt;/em&gt;. São Paulo, Àtica, 1985.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;“Marx/Bakunin”. &lt;/em&gt;Escrita Ensaio. Ano V, n. 11/12. 1983.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;Memórias de um Autodidata no Brasil&lt;/em&gt;. São Paulo, Escuta, 1999.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;“O Conhecimento Expropriado e Reapropriado pela Classe Operária: Espanha 80&lt;/em&gt;”. Educação e Sociedade. São Paulo, Cortez, Setembro de 1980.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;Planificação – Desafio do Século 20&lt;/em&gt;. São Paulo, Senzala, 1967.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. &lt;em&gt;Reflexões sobre o Socialismo&lt;/em&gt;. 3ª Edição, São Paulo, Moderna, 1986.&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, M. Sobre Educação, Política e Sindicalismo. 2ª Edição, São Paulo, Cortez, 1990.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;____________________________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dados da publicação:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;VIANA, Nildo. &lt;em&gt;Maurício Tragtenberg, Um Sociólogo Libertário&lt;/em&gt;. Revista Sociologia, Ciência e Vida. São Paulo, Editora Escala, Vol. 20, dez. 2008, p. 64-71.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3881016168091362305?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3881016168091362305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/mauricio-tragtenberg-um-sociologo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3881016168091362305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3881016168091362305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/mauricio-tragtenberg-um-sociologo.html' title='Maurício Tragtenberg - Um Sociólogo Libertário'/><author><name>Nildo Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05140537810237071053</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_kOy7xkpibgY/TIOUmZlQsOI/AAAAAAAAAdM/PNOOCnF-zms/S220/foto+nildo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kOy7xkpibgY/SZlS97eypRI/AAAAAAAAABE/EJAZpkm8sn0/s72-c/022trag.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3713435142945156086</id><published>2009-02-14T10:19:00.003-02:00</published><updated>2009-02-14T10:43:53.348-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>Resposta de um intelectual a um coronel embaixador</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZa3n5YI1EI/AAAAAAAADfE/4RqsgVjYV60/s1600-h/tragtenberg1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302627507320181826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZa3n5YI1EI/AAAAAAAADfE/4RqsgVjYV60/s320/tragtenberg1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;strong&gt;Mauricio Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S.sa. o embaixador de Israel, na sua carta à “Folha” de 29/07, solicita a fonte a respeito das crianças libanesas vítimas de “bombas pessoais” de Béguin. A informação está contida em matéria de Paulo Francis, “Os horrores de uma ocupados militar” (FSP 25/6, fls.11) onde escreve: “A UNICEF”, agência que cuida da infância na ONU, “estima que entre 220 e 240 mil crianças na Líbano, foram “afetadas”. Em tradução, foram mortas, mutiladas ou feitas refugiadas.” É isso aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma carta, s.sa. atribui aos assinantes do manifesto “Repúdio à violência de Israel no Líbano” conivência “com a OLP ou seus amigos”. Os 100.000 manifestantes em Telavive contra a escalada militar; a pesquisa de opinião pública feita em Israel revelando que a maioria da população condena o bombardeio indiscriminado de Beirute Ocidental (FSP 30/7); os membros do Conselho Ecumênico das Igrejas, representando 400 milhões de protestantes de todo mundo, condenando o cerco de Beirute Ocidental como escandaloso e cruel (FSP 30/7/82) – seriam agentes ou “amigos” da OLP? Nuchem Fassa, israelense de origem brasileira, dirigente da Histadruth (Central Sindical) ao condenar a escalada, dizendo que “o governo Béguin assumiu posições aventureiras com essa guerra não obrigatoriamente necessária” (FSP 11/7, fls.4), seria outro agente da OLP travestido? Convenhamos, sua interpretação, segundo a qual quem não é genocida no estilo Béguin, Sharon, Eytan é “manipulado” pela OLP, tem um nome: delírio lógico; isso é tratado pela psicanálise. No Brasil há bons psicanalistas, diga-se de passagem. A invasão do Líbano por Béguin tem a OLP como pretexto; ele invadiu o país para aniquilar um Estado Palestino em formação: hospitais, escola e Exército eram a infra-estrutura com que a OLP assumiria o Estado Palestino onde fosse criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desqualificando as críticas do Manifesto, s. sa., argumenta que os assinantes não são “especialistas em Oriente Médio”. Sem dúvida. Por acaso, milhares de pessoas no mundo que assinaram manifestos contra o genocídio nazista, os fornos crematórios e campos de concentração na Alemanha de Hitler eram especialistas em Política Européia ou História Política da Alemanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S. sa. cita uma carta de libaneses radicados nos EUA, “A OLP tem que sair do Líbano”, mencionando ações da mesma nesse país que redundaram em saque de casas, pois não pertenço a organização alguma. Como são dirigidas à OLP, penso eu, algum membro dela deverá responder à questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou servo de organização alguma nem obedeço a palavras de ordem de quem quer que seja, não sou “judeu profissional”, não pertenço à burocracia de nenhuma organização judaica ou não judaica. Mas s. sa. é embaixador de um governo – não confundo com Estado ou Povo – cujo poder de mando se baseia num compromisso clerical-fascista. Nessa medida é co-responsável pelo colonialismo de Béguin, e a Cisjordânia é exemplo dessa prática colonialista. Lá há 160 colônias israelenses, com previsão de mais onze colônias. Isso suscitou reações da população drusa. Que “tratamento” ela teve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para castigar a reação ante o uso da carteira de identidade israelense o Exército bloqueou as aldeias drusas, cortou o telefone, limitou a algumas horas por dia o fornecimento de água e eletricidade. Rebanhos não podiam pastar, faltavam gêneros, alimentam-se eles de água açucarada e sopa. Foi proibida a entrada de jornalistas. O bloqueio durou 53 dias, foram impostas as carteiras de identidades israelenses à força e às vezes com ajudo de golpes e humilhações.” (A Kapeliuk, “Governo Béguin: uma estratégica radical”, revista Shalom, pág. 7, junho/82). Isso levou o ex-juiz da Corte Suprema de Israel, Haim Cohen, a declarar à imprensa em Jerusalém a 15/4 que “Israel instaurou a lei dos bárbaros no Golan”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior do que isso é o aval que dá ao genocídio o rabinato israelense. O deputado do Parlamento de Israel, Amnon Rubinstein, cita o caso do rabino Israel Hess, autor do artigo “A ordem para o Genocídio na Bíblia”, publicado no jornal estudantil da Universidade de Barllan, onde se lê que “durante a guerra a ordem é matar e exterminar, da mesma forma, as crianças de peito”. O rabino Tsemel, ex-capelão-chefe do Comando Militar da Região Central, escreve que “na lei ‘haláchica’ judaica há uma justificativa para o assassinato de cidadãos não judeus, incluindo mulheres, crianças, quando em combate ou guerra”. (A. Kapeliuk, art. citado, Revista Shalom, junho/82). Algum rabino levantou-se contra isso? Ao mesmo tempo o diário israelense “Yediot Aharonot” relata que “os oficiais do governo militar tratam os palestinos como micróbios locais”. (Art. citado, pág. 8 revista Shalom)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dizer da “punição comunitária” imposta em 1967 na Faixa de Gaza? Isso levou a serem dinamitadas, em 1981, 5 casas em 24 horas, porque três jovens entre 15 e 16 anos, jogaram um coquetel “molotov” contra um tanque de ocupação, que saiu ileso. Daí o prefeito de Belém , Elias Frej, ex-clamar: “Estamos oprimidos. Donde virá nosso socorro? Como pode o governo de Israel perpetuar tal ato de opressão, dinamitando 5 casas e atirando 55 pessoas à rua por algo que alguns garotos fizeram? É assim que se comporta um povo que tem sentido na carne a opressão por 2.000 anos. Onde está sua moral? Punir igualmente jovens e velhos por um ato que não causou danos? (Revista Shalom, cit. pág. 12). Ao agir assim Béguin desjudaíza os judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio firmemente, sr. coronel embaixador, que o povo judeu permanecerá conhecido através da contribuição de Espinosa, Freud, Marx e Einstein, e não das figuras sinistras como Béguin, Sharon ou Eytan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo “figuras sinistras” não é mera retórica. Após exílio de 12 anos, o ex-prefeito de Ramallah (zona ocupada), Nadain Zaro, publicou nota na imprensa de Jerusalém onde condena a destruição de casas, fechamento e universidades e jornais, detenção de acadêmicos, ativistas sindicais e estudantes, prisões domiciliares e confisco de terras.(revista shalom, cit. pág. 12). São fatos relatados por uma revista judaica, “Shalom”, antifascista, editada na rua da graça em São Paulo, no Bom Retiro. S. sa., do alto da Versalhes brasileira – Brasília – deve ter ouvido falar do bairro; lá morei muitos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista Issac Ackselrud (Shalom pág. 17) desvenda o mistério da política de ocupação de Béguin. Segundo ele – com o que concordo plenamente – Israel nasceu como Estado leigo e secular, transformando-se num Estado teológico, clerical e messiânico. Realiza uma política de ocupação que fornece mão-de-obra a preço vil para uma burguesia em Israel especializada na sonegação de impostos, Caixa 2 e contrabando. A pretexto de “defesa”, Israel se expande e quanto mais se expande mais precisa “defender-se”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tem um nome: paranóia política, com o triunfalismo e a arrogância que a acompanha. Um povo que oprime outros não pode ser livre, quem sofreu o Holocausto não pode impô-lo a outros povos, quem sofreu racismo não pode impô-lo a outras comunidades. O racismo está ligado à morte, ao extermínio. Que respeito pode haver para um governo como o de Béguin, quando, referindo-se aos palestinos, usa a desprezível expressão “política de vara e cenoura como se os palestinos nos territórios ocupados fossem gado que precisasse ser alimentado a cenouras e tocado a vara?” – (Revista Shalom cit. pág. 12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas cartas e s. sa. à FSP vejo que Béguin envia o melhor do seu quadro diplomático para os países da América Latina. Espero que tal debate público não prejudique s. sa. em sua carreira burocrática, pelo contrário, ajude-a. Pois a burocracia é o espaço onde a obediência ao poder é premiada, onde cresce um saber instituído e dominante chamado “competente”. Ele é burocratizado e por isso não oferece perigo como o saber crítico. Sua função é servir à dominação e a intimidação social e política. Espero não ter sido inócuo esse debate com um funcionário da dominação. Ante ela e ante os fatos já nos ensinava Espinosa, nem rir, nem chorar, compreender. Mais ainda, denunciá-los e combatê-los, quando negam o humano. Pois, ante os fatos há argumentos. Receba minhas saudações judaicas.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;__________&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;* Mauricio Tragtenberg é professor do departamento de Ciências Sociais da Escola de Administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e da Universidade Estadual de Campinas, autor de “Burocracia e Ideologia” e “Administração, Poder e Ideologia”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;** Fonte: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, 02.09.1982.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3713435142945156086?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3713435142945156086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/resposta-de-um-intelectual-um-coronel.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3713435142945156086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3713435142945156086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/resposta-de-um-intelectual-um-coronel.html' title='Resposta de um intelectual a um coronel embaixador'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZa3n5YI1EI/AAAAAAAADfE/4RqsgVjYV60/s72-c/tragtenberg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3968184709009527629</id><published>2009-02-11T10:07:00.002-02:00</published><updated>2009-02-11T10:13:51.485-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>A contribuição de Freud para o esclarecimento do fenômeno político</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZK_sWYtBHI/AAAAAAAADYk/GKmLZjP5RA0/s1600-h/tragtenberg-t.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301510480012838002" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZK_sWYtBHI/AAAAAAAADYk/GKmLZjP5RA0/s320/tragtenberg-t.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendemos abordar as relações entre Psicanálise e Política, mas, a contribuição de Freud para o esclarecimento do fenômeno político. Isso significa limitarmo-nos a seu universo discursivo, sem ampliar a análise do político, abrangendo as várias correntes psicanalíticas, de Reich a Adorno, de Guatari a Lacan. A volta de Freud significa a preocupação em compreender a sua contribuição específica ao estudo do fenômeno político, sua pertinência e atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais ou menos um século, o estudo do “político” centrou-se nas instituições. Fourier esperava que, através delas, o vício individual se transformasse em virtude social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação de Freud com o “social” se acentua após o impacto da Primeira Guerra. Nos seus dois ensaios a respeito, um escrito em 1915 e outro em 1922, procurou ele mostrar a hipocrisia da sociedade moderna, a coerção social funcionando e o caráter primário das tendências agressivas. Impressionado, como Max Weber, com o empobrecimento da vida, ele valoriza, inicialmente, a guerra como alternativa ao conceito convencional de morte, porem, a guerra condicionou seu interesse o estudo da agressão, como o câncer que o vitimaria, levou-o a aprofundar o conceito de “instinto de morte”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admitindo que o nosso inconsciente mata, mesmo por motivos insignificantes, vê na eclosão da guerra uma prova disso. Os homens não desceram tão baixo por ocasião da guerra, dizia ele, porque nunca estiveram tão alto como pensavam achar-se. Assim, o homem renuncia a seus instintos agressivos substituindo-os pelas agressões estatais, o Estado proíbe ao indivíduo infrações, não porque queira aboli-las, mas sim, para monopolizá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autenticidade e espontaneidade podem andar vinculadas ao instinto da morte. Pode a pessoa “autenticamente” matar alguém e “espontaneamente” apertar o botão que despeja centenas de bombas, espalhando a morte. Embora admitisse a existência de soluções culturais; sugere a existência de uma autoridade universal para julgar os conflitos de interesse entre as nações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua admissão da existência de uma agressividade “inata” não o impediu de considerar os meios indiretos de satisfação. O ódio básico em Freud é fundido com as tendências sociais na medida em que o indivíduo amadurece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hobbes e Freud&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como Burke, admite a Freud a positividade das restrições sociais que nos livram da escravidão às paixões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto, para Hobbes, o homem natural é egoísta, em Freud também o é, com a diferença de que ele tem necessidade social. Enquanto, para Hobbes, o homem segue a lei da astúcia e da força, Freud reconhece a sua existência, porém, afirma, concomitantemente, a existência do amor e da autoridade, daí a ambivalência. A figura do contrato social, em Hobbes, Locke e Rousseau, era para explicar a legitimidade original da sociedade capitalista. Para Hobbes, o pacto social funda-se na existência do medo, que torna o homem prudente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Freud, a sociedade política corresponde ao desejo irracional do homem em restaurar a autoridade; com a morte do pai primitivo, surge no homem a “nostalgia do pai”. Para ele, o governo não surge de um contrato social, mas, de uma resposta contra-revolucionária, que emerge após a queda do governo patriarcal e representa o desejo majoritário dos cidadãos-irmãos, não é uma manifestação de prudência do grupo. Os mitos do contrato social, no universo psicanalítico, podem ser vistos como reafirmação da vontade do pai acima dos impulsos rebeldes dos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contrato social, na medida em que significa o ingresso da sociedade na organização política histórica, representa a aceitação da derrota da maioria, ela que, mediante a restrição exogâmica de novas conquistas sociais, ninguém pode alcançar outra vez o supremo poder do pai, embora todos tivessem lutado para isso. Na forma de horda, família ou governo, para Freud o que existe é o controle da liberdade de ação. A existência da lei mostra a força dos desejos ocultos, a existência de uma necessidade interna, que a consciência desconhece. Daí Freud reconhecer que o desejo funda a necessidade da lei. O caráter complexo dos desejos explica a complexidade das interdições sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As proibições&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud relaciona as proibições auto-impostas, mediante as quais os neuróticos controlam os impulsos proibidos com as complicações rituais, mediante as quais os povos primitivos se defendem da “desordem”, os sentimentos libertários que possam surgir originam auto-controles compensadores, e esses, por sua vez, a renúncia a uma posse ou liberdade entendida como repressão e objetivada como tabu ou lei. A ambivalência, o tabu significam a existência de uma dialética que oscila entre repressão e rebelião; essa leva a nova repressão. A luta entre a lei e o impulso só pode ser sintetizada pelo “ego”. A liberdade procurada é a liberdade para se tornar um amo. Os impulsos conscientes de rebelião, para Freud, originam-se na inveja. O desejo de poder é contagiante, todos querem ser reis. O excessivo respeito, a cortesia, e as regras estritas de etiqueta em relação ao “chefe” são derivadas do “medo de tocar” do primitivo, segundo Freud, medo de contatar pessoas pelas quais sente hostilidade inconsciente, sejam chefes, mortos ou recém-nascidos. Para ele, todos os gestos de submissão são ambivalentes, daí o respeito e o afeto esconderem hostilidade inconsciente. Freud venera quem estabelece regras como Moisés e simpatiza com que as contrariam, como Ricardo III. Todos nós sofremos alguma ferida narcisista, daí a nossa simpatia para com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao produzir &lt;strong&gt;Psicologia das Massas &lt;/strong&gt;e&lt;strong&gt; Análise do Eu&lt;/strong&gt;, Freud estava abandonando o evolucionismo linear de &lt;strong&gt;Totem e Tabu&lt;/strong&gt; e a preocupação pelas origens pré-históricas cedia lugar à análise contemporânea. Essa preocupação transparece no seu texto &lt;strong&gt;Novas Contribuições à Psicanálise&lt;/strong&gt;, onde relata seu conhecimento da obra de Marx. Embora reconhecendo que as pesquisas de Marx sobre a estrutura econômica da sociedade e a influência das distintas formas de economia sobre a vida humana impuseram-se com indiscutível autoridade, mantém seu ponto de vista, segundo o qual as diferenças sociais se originaram por diferenças raciais. Assim, para Freud, fatores psicológicos, como o excesso de tendências agressivas constitucionais, a coerência organizatória da horda e a posse de armas, decidiram a vitória; os vencedores se transformaram em senhores e os vencidos em escravos; isso exclui o domínio exclusivo dos fatores econômicos. Na sua crítica a Marx, partia ele do conceito de ato econômico como “ato puro”, difundido pela Escola Clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud não só se preocupava com a herança de Marx, como, também, com o fenômeno da ascensão das massas após a revolução industrial, para tanto, fundado em Gustavo Le Bon, a quem corrigia em algumas particularidades, procurava estudar as vinculações da massa com o líder. Para Freud, a relação política básica consistia numa relação erótica, da massa com a autoridade. Para ele, a autoridade sempre existe personificada. A horda supõe um chefe, o hipnotizado, um hipnotizador, o amor, um objeto, a massa, um líder. Para ele a condição de líder exige que este se aparte de seus subordinados e, ao mesmo tempo, evite que eles o abandonem. O líder atua como um “centro” para organizar vidas que procuram um sentido. Porém, situações de pânico e desorganização social podem levar a massa a reorientar-se em torno de novos líderes. Para Freud, o líder toma a forma de pai perseguidor, como o pai primitivo, ou perseguido como Cristo. O líder aparece como figura segura de si, com poucos vínculos libidinosos; a sua vontade é reforçada pela dos outros. Freud vê toda a atividade política, sem distinção, como influenciada pela autoridade. Segundo Freud, isso dá um sentido permanente às manifestações de autoridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A psicologia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sua psicologia tem implicações conservadoras no caso. Assim, na História não há acontecimentos qualitativamente diferenciados. O líder na figura de pai e seus seguidores, enquanto filhos, tornam a luta política uma luta geracional. Na ambivalência, as mudanças sociais se tornam recorrências e as relações sociais só tem sentido pelas necessidades psicológicas que preenchem. A crítica social é desvalorizada, na medida em que é vista como manifestação da ambivalência geral das emoções. A desconfiança dos governados ante o poder não se dá por uma visão nacional de suas vitórias e fracassos, mas como expressão de sentimentos hostis. Freud vincula o fenômeno político aos delírios paranóicos, no exagero da importância de uma pessoa. Partir da participação libidinal é, para ele, decifrar a genética do poder. &lt;strong&gt;Totem e Tabu&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Psicologia das Massas&lt;/strong&gt; mantém uma visão liberal clássica: o indivíduo ante o Estado, sem ninguém como permeio, nenhum grupo intermediário. Para Freud, o governante tem verdadeiro poder mediante atribuição ilusória de seus partidários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem freudiana do pai, como modelo de autoridade, vincula-se diretamente à idéia, que, na sociedade ocidental, qualquer tipo de autoridade está submetido a pressões e crises. A atitude psicanalítica reforça o distanciamento à crítica do conceito de legitimidade, muito desenvolvida nas ciências sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, a esfera política opera como extensão da esfera particular, a veneração exagerada do homem público é vista como recorrência da admiração do filho pelo pai. Quanto mais carente de atenção e afeto, nas relações pessoais, tanto mais tende a personalidade a “externalizar-se” à esfera pública; nessa procura de aceitação, amor e cumplicidade. Não é possível o fanatismo na política, quando o partidário reconhece no seu líder o deslocamento da imagem paterna, da mesma forma como o crente fraqueja quando analisa sua conduta religiosa com destino à ilusão. Freud realiza uma crítica da política na media a que vincula neurose e poder, sintetizados em Ricardo III. Freud colocou em xeque o exercício ‘livre’ da cidadania, na medida em que descobriu o quanto de ‘irracional’ esconde a conduta do cidadão médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O conselho de Laswell&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso levou um político psicanalítico, Laswell, a aconselhar o liberalismo medicinal, vinculando o exercício da liderança democrática à saúde e não à doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visualizar o fenômeno político, como expressão da esfera individual, em sua dimensão subjetiva, e tendo como fundamento a ansiedade, pode levar a negar a situação política objetiva. Da mesma forma, o protesto social, na visão psicanalítico política, pode ser visto como sintoma neurótico, abrindo espaço à Psiquiatria considerar a sociedade conforme as malhas do modelo médico mais autoritário: o modelo hospitalar clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao rechaçar o maniqueísmo ingênuo, que consiste em rotular como “boa” ou “má” tal ou qual política, a Psicanálise vincula como “soluções dramatizadas”, de uma temática que tem a sua gênese na vida pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governante tem o verdadeiro poder, mediante a atribuição ilusória de seus partidários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem freudiana do pai, como modelo de autoridade, vincula-se diretamente com a idéia de que na sociedade ocidental qualquer tipo de autoridade será submetido a crises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude psicanalítica reforça o distanciamento ante a autoridade. Freud agrega a contribuição da análise psicanalítica à crítica do conceito de legitimidade, já muito desenvolvida nas ciências sociais. Para Freud, a dimensão política é uma extensão da esfera privada; assim, a veneração exagerada ante o homem público é uma recorrência da adoração do filho pelo pai. Freud considera a personalidade pública como um carente de atenção e afeto, derivado das relações pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, não é possível o fanatismo político quando o partidário reconhece, no seu líder, o deslocamento da imagem paterna; o crente, a fraqueza, quando analisa sua conduta religiosa, endereçada à ilusão. No fundo, Freud realiza uma crítica da política, na medida em que, fundado em Ricardo III, vê no homem que exerce o poder um neurótico. Por outro lado, funciona o mecanismo de identificação, daí as dinastias de poder dos Roosevelt aos Kennedy. A psicanálise colocou em xeque o exercício “livre” da cidadania na medida em que descobriu o muito de “irracional” na conduta do cidadão médio, daí, um político; logo, como Laswell aconselhar um liberalismo medicinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande receptividade da Psicanálise nos EUA constitui no fato dela postular a vinculação das idéias de mudança social à conduta neurótica, assim, revolucionário, seria aquele que estivesse em rebelião contra o seu pai. O público e o aspecto social mascaram “conteúdos latentes”, as ideologias revolucionárias seriam “racionalizações” de complexo edípicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como confidente das fantasias e desejos do homem, Freud aprova o caráter repressivo da sociedade. Enquanto sugere uma atitude conciliadora da mesma ante os instintos, admite que seus interesses conflitam com o indivíduo. Assim, a debilidade, credulidade e passividade das massas é acompanhada pela aquisição de poder pelos líderes políticos. Segundo Freud, por natureza, os homens são incapazes de esforço contínuo, de um trabalho regular e planejado, porém só ele é fonte de independência e maturidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é privilégio de algumas minorias, daí não esconder Freud a sua admiração pelas minorias que sabem o que querem. Na sua &lt;strong&gt;Novas Contribuições à Psicanálise&lt;/strong&gt;, ele imagina a existência de um pequeno grupo de homens de ação, imbatíveis em suas convicções e impermeáveis à dúvida e ao sofrimento, como condição de regeneração social. No mesmo estilo, em carta a Einstein imagina ele uma espécie de República Platônica, cujos governantes se constituam como comunidade subordinando sua vida instintiva à ditadura da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Freud o homem se compõe de uma estrutura instintiva básica, daí tentativas de supressão da opressão política; para ele, resultariam na troca de um autoritarismo por outro. Embora admita que a massa possua qualidades éticas acima da norma, isso não basta para redimi-la do fato, de que, o calor do companheirismo entre seus pares anule a racionalidade do comportamento. Na medida em que a sociedade mantém sua coesão graças ao sentimento de dependência e respeito pelo líder, possuí um fundamento autoritário. A sociedade para Freud é sempre uma sociedade de desiguais, a igualdade é vista como utópica. Freud, parte do pressuposto liberal, que, sem a desigualdade erótica, a escassez e competição erótica, parcialmente sublimada em benefício da sociedade, não faltariam antagonismos e identificações que a mantivessem unidas. Se trocarmos a recompensa econômica pela emocional, veríamos Freud como aquele que traduz a linguagem da economia clássica em código ético moral. O ethos liberal subjacente a Freud transparece na sua admissão da desigualdade como um “destino”, sua resignação ante a fatalidade da existência da autoridade, buscando sua adequação ao social nunca sua abolição. Por sua vez, ao comparar a autoridade pública à paterna, a massa à crianças, destrói qualquer idealização da autoridade pública. A analogia entre a estrutura familiar ao Estado e sua técnica analítica encaminhada à emancipação dos vínculos familiares, constitui-se numa crítica ao “respeito” social e político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o comportamento político tem raízes inconscientes, a política dever ser a catarse das massas, com função idêntica à arte no plano individual. Assim, nas guerras as nações postulam interesses como “racionalizações” de suas paixões; a ação coletiva representa regressão à barbárie; assim, o Estado se permite atos que o indivíduo jamais o faria. A maior parte das decisões “heróicas” se dá sob o signo do instinto da morte. Freud critica o Estado na medida em que o identifica com as massas, vendo-o como um ídolo que esmaga cegamente a consciência individual. Quando condena o caráter repressivo da sociedade política, o faz na medida que a categoria indivíduo constitui o fundamento de seu discurso e assegura a unidade de seus pontos de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o fundador da Psicanálise, a política era algo que ocorria na psique dos indivíduos, daí sua psicologia ser tanto individual como social, visto essa como “externalização” de fantasias e desejos pessoais. O interesse pelo social, tem como base o individual. A psicoanálise freudiana se insere na tradição liberal da defesa do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No intuito de domar o indivíduo associal, Freud reconhece a importância civilizadora da sociedade, porém, encara suas exigências sob o ângulo da “renúncia”. Nega o conceito organicista, segundo o qual os indivíduos se realizam através da Igreja, comunidade sagrada ou Estado. A visão freudiana comparte a noção segundo a qual a sociedade significa sempre sacrifício da individualidade, neste sentido, amplia as posturas de Nietzsche e Max Stirner a respeito do “único”. Daí sua tentativa terapêutica em separar as paixões particulares de sua transferência neurótica sobre a autoridade. Seu tema gira em torno do custo sacrifício da liberdade individual à tirania social. encara o auto-sacrifício como doença. Sua tarefa consiste em controlar o custo entre o princípio de prazer (satisfação) e o princípio de realidade (renúncia), nisso define-se a Psicanálise como terapia e doutrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procura defender o indivíduo da submissão inevitável a preceitos comunitários, mediante a análise do fundamento destes e sua gênese. Nesse sentido, sua doutrina é a realização do liberalismo, onde a medicina atua como mediadora entre o conflito individual e a coerção social, analisando esta nos momento em que coíbe aquele outro. O interesse pelo indivíduo, herdado do romantismo, traz consigo uma visão elitista. Seus sujeitos são os “cultos” que alcançaram sua individualidade reconciliando-se com seus instintos, é a maturidade como meta de chegada da existência. Perfila o tipo do homem racional, prudente, liberto interiormente da autoridade, quites com sua quota de conflito e neurose. A psicanálise postula uma espécie de alienação racional entre os entusiasmos públicos. Freud é cético em relação a todas as ideologias, menos a que tange à vida pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise parece como doutrina do homem “particular” que se defende contra a invasão da esfera “pública”, a preocupação pela esfera “pública” se dá por motivações conscientemente “particulares”. A medida psicológica, para ele, não é perfeição social, é a saúde individual. Há luta individual pelo auto-domínio; a psicanálise é a vitória do ego (consciente) sobre o Id (inconsciente) condição do domínio sobre o ambiente. Dessa maneira, é que a ética darwiniana transporá à psicologia, vai mais além do liberalismo sobrevivendo ao seu declínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A liberdade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Freud, a liberdade é uma metáfora, só tem existência real do indivíduo, quando entendida como um equilíbrio entre o ego e o superego e o id. A procura de liberdade social, para ele, é uma contradição lógica, entende a liberdade e a tirania como estados psíquicos, na base dela há a “tirania psíquica”, entendida como domínio dos temores e compulsões inconscientes. A psicanálise postula o indivíduo antipolítica que procura a autoperfeição num contexto o mais possível separa da comunidade. Para ele, toda política é sinônimo de corrupção, seja num Estado liberal ou autoritário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na medida em que, para ele, a liberdade é um estado psíquico, sua possibilidade de existência se dá em qualquer sociedade. Assim, pode haver escravos livres em Roma Antiga, como cidadãos escravizados na Europa. A Psicanálise com sua ênfase na vida interior e no equilíbrio das três instâncias do psíquico como condição de saúde, questiona os regimes políticos. Dessa maneira, Freud desloca a questão da análise do sistema político, para ele, ela passa pela equação pessoal e pela interrogação de até que ponto o indivíduo deve ser limitado no marco das relações sociais predominantes. Ele é o máximo de consciência possível do ‘ethos liberal’, que tem como base o inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Obras consultadas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;S. Freud. Obras Completas. Trad. Luiz Lopes Ballesteros y De Torres. Ed. Americana, Buenos Ayres, 1943. Volumes: VIII – Totem y Tabu; IX – Psicologia de las massas y analisis del yo; XI – El porvenir de las religiones. Harold Laswell – Power and Personality, 1948.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[*]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Publicado originalmente no &lt;strong&gt;Jornal da Tarde&lt;/strong&gt;, em 22 de setembro de 1979.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3968184709009527629?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3968184709009527629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/contribuicao-de-freud-para-o.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3968184709009527629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3968184709009527629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/contribuicao-de-freud-para-o.html' title='A contribuição de Freud para o esclarecimento do fenômeno político'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SZK_sWYtBHI/AAAAAAAADYk/GKmLZjP5RA0/s72-c/tragtenberg-t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7555571215184062137</id><published>2009-02-07T10:15:00.006-02:00</published><updated>2009-02-07T10:23:10.831-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (artigos)'/><title type='text'>A Revolução Russa segundo Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SY18NKWStpI/AAAAAAAADVU/uYMXrhYLHT8/s1600-h/mt_revolucao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300028902042941074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 157px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SY18NKWStpI/AAAAAAAADVU/uYMXrhYLHT8/s320/mt_revolucao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Resenha:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tragtenberg, Maurício. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Revolução Russa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. São Paulo, Faísca, 2007; Tragtenberg, M. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A Revolução Russa&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. São Paulo, UNESP, 2007.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;___________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;por &lt;strong&gt;Nildo Viana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A Revolução Russa foi um dos acontecimentos históricos mais importantes do século 20. Ela foi palco de calorosos debates, análises, disputas, e acabou sendo fonte inspiradora de lutas e ações políticas posteriores. A versão dominante da Revolução Russa foi amplamente divulgada, sendo que a versão dos vencidos foi relegada à marginalidade. No Brasil não foi diferente. Aqueles que discutiram a Revolução Russa reproduziram a versão oficial da historiografia e deixaram de lado as ricas experiências proletárias e camponesas, o significado histórico fundamental e revolucionário dos sovietes (conselhos operários), a esquerda dissidente e suas críticas ao regime bolchevique estabelecido. Uma rara exceção existiu no seio da intelectualidade brasileira e foi representada por Maurício Tragtenberg, que fez reemergir a perspectiva do proletariado no que se refere ao marxismo e às lutas heróicas do proletariado. Assim, as duas reedições da obra de Tragtenberg, A Revolução Russa&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[1]&lt;/a&gt;, é antes de tudo uma necessidade, mas também é uma brecha para que a verdade sobre este acontecimento histórico reapareça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreender a obra significa compreender o autor. Da mesma forma, compreender o autor significa compreender a obra. Maurício Tragtenberg foi um dos mais importantes sociólogos brasileiros e exerceu influência sobre inúmeros intelectuais, amigos, alunos. O sentido da vida e obra de Tragtenberg foi, a nosso ver, a luta pela autogestão, e não, como alguns podem pensar, “uma vida para as ciências humanas”. Tragtenberg nasceu em Erexim, Rio Grande do Sul, no dia 4 de novembro de 1929. Morou algum tempo em Porto Alegre e posteriormente mudou para São Paulo. Freqüentou o Centro de Cultura Democrático, movimentos de jovens judeus, Partido Comunista Brasileiro, Biblioteca Municipal de São Paulo, família Abramo, Partido Socialista Brasileiro e Centro de Cultura Social, de orientação anarquista. Desde os 10 anos lia Rosa Luxemburgo, Trotsky e vários outros, pois tinha acesso a uma ampla bibliografia, cuja origem era o acervo de familiares, bibliotecas, partidos, etc. Manteve contato com intelectuais como Antônio Cândido, Azis Simão, entre vários outros. Aliás, foi Antônio Cândido que lhe informa da possibilidade para entrar na USP através da proposta de uma monografia, desde que essa fosse aceita. A monografia, depois publicada como livro (Planificação: Desafio do Século 20), foi aprovada e assim ele passou a fazer parte da esfera acadêmica. Na esfera acadêmica, produziu várias obras, com destaque para sua tese Burocracia e Ideologia, além de diversos livros, bem como prefácios de outras obras, organização de livros e artigos para revistas e jornais. Chegou a ser colunista do jornal Notícias Populares, visando atingir um público composto por trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns temas foram recorrentes e fundamentais em sua produção, tais como a questão da burocracia, a obra de pensadores como Marx, Weber e Bakunin, a autogestão social, as lutas operárias, a autonomia e auto-organização do proletariado e campesinato, autores “marginais” ou “malditos” como Rosa Luxemburgo, Makhaïsky, Korsch, Bordiga, Pannekoek, Gorter, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação de Maurício Tragtenberg com a burocracia se manifesta em sua primeira obra, a monografia-livro Planificação: Desafio do Século 20, no qual aborda a questão da burocracia, iniciando com uma discussão sobre alienação, natureza humana e classes sociais, para encerrar com uma análise do bolchevismo, da burocratização da Rússia e do capitalismo de Estado. Ele encerra apresentando a alienação como sendo provocada pela divisão social do trabalho e que a reintegração do homem na humanidade e sua essência só pode ocorrer através do socialismo, que realizaria a emancipação humana. Sua obra Burocracia e Ideologia, oferece uma análise da formação e características das teorias gerais da administração, abarcando um amplo espectro histórico (do modo de produção asiático ao capitalismo) e ideológico (de Saint-Simon a Max Weber). As teorias gerais da administração são consideradas por ele como ideologias, formas de falsa consciência, representando os interesses das classes dominantes, que são operacionais no nível técnico e que mudam de acordo com a mudança nos processos econômicos e sociais. O tema da burocracia é retomado em Administração, Poder e Ideologia, que aborda o problema das grandes corporações e questões como a co-gestão, o participacionismo e outras formas que as grandes empresas utilizam para enquadrar e integrar os trabalhadores. A crítica da burocracia continua em Sobre Educação, Política e Sindicalismo, mas desta vez focalizando a burocracia escolar e universitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro tema fundamental na obra de Tragtenberg é o da educação libertária e da autogestão das lutas operárias. A educação está presa nas malhas da burocracia, mas é um processo contraditório, havendo brechas e possibilidades, lutas que são definidoras da produção, apropriação e expropriação do saber. Daí a presença em sua obra do tema da “pedagogia libertária” ou “autogestão pedagógica”. Por isso ele analisava os educadores libertários (Francisco Ferrer), e as experiências históricas (a autogestão pedagógica na Espanha). Isto estaria ligado ao processo de constituição de uma nova sociedade e, retomando Marx, entendia que tal processo seria resultado da luta da classe operária, de sua auto-educação e auto-organização. Segundo Tragtenberg, em Reflexões sobre o Socialismo, apesar da tendência à burocratização, a classe trabalhadora nega este processo criando organizações horizontais, igualitárias, novas relações sociais. A chave para entender a formação de uma nova sociedade está no desenvolvimento destas formas de auto-organização do proletariado. No seu processo de luta, de auto-organização e associação (comissões de fábrica, comitês de greve, conselhos operários), se encontra o embrião da futura sociedade autogerida. É aí que se encontra a razão de sua crítica aos partidos e sindicatos, bem como sua oposição ao capitalismo de Estado (“socialismo real”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste contexto da produção teórica de Tragtenberg que podemos compreender melhor o seu livro sobre a Revolução Russa. Tragtenberg analisa a pré-história da Revolução, analisando a Rússia Imperial, a evolução do czarismo, as rebeliões camponesas, a igreja. Depois analisa a sociedade russa pré-revolucionária, no qual apresenta um panorama das classes sociais existentes neste período, os debates entre as tendências políticas, e a Revolução de 1905 e o papel dos partidos políticos. O processo da Revolução Russa é a parte seguinte, na qual aborda a revolução camponesa na Ucrânia, a instauração do regime bolchevique, a revolta de Kronstadt, a questão sindical e a Oposição Operária de Alexandra Kollontai, os Sovietes e seu esvaziamento pelos bolcheviques, e diversas questões postas no processo de luta de classes na Rússia deste período (ditadura do proletariado, questão nacional e colonial, assembléia constituinte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste contexto que ele apresenta, na parte final, a discussão sobre o partido político. Ele questiona o centralismo democrático e aponta suas conseqüências. Segundo Tragtenberg, “as revoluções que procuram mudar as relações de propriedade e não somente as pessoas que governam, instaurando um novo modo de produção, não são feitas por partidos, grupos ou quadros, mas resultam das contradições sociais que mobilizam amplos setores da sociedade”. O papel do Partido Bolchevique foi promover uma contra-revolução. O partido passa a ser um estado burguês em miniatura e defender o liderismo e centralismo. O partido reproduz a mentalidade burocrática e cria ideologias para se justificar e legitimar, isto, tal como a ideologia leninista da nulidade operária. O partido assume o poder estatal e toma conta da sociedade, realizando uma aliança entre a burguesia de Estado e a tecnocracia, o que promove a implantação do capitalismo de Estado. O substitucionismo apontado por Trotsky em seu período de juventude e em polêmica com Lênin (O partido substitui a classe; o comitê central substitui o partido; um ditador único substitui o comitê central) se realiza na realidade concreta. O bolchevismo já era ideologicamente o que se tornou praticamente a nível nacional, ou seja, foi o promotor do capitalismo estatal. As ideologias e ações do Partido Bolchevique confirmam a tese do substitucionismo: as teses defendidas por Lênin (gestão individual das empresas) e Trotsky (a militarização dos sindicatos) e a prática efetuada por ambos (massacre na Ucrânia e em Kronstadt) são manifestações concretas de algo que já estava em germe, em alguns casos, ou já estavam desenvolvidas, mas sem aplicação prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Tragtenberg faz uma revisita ao processo histórico da revolução russa partindo da perspectiva do proletariado. Neste sentido, esta obra de Tragtenberg (mas não só esta) mostra como a perspectiva do proletariado está presente na análise histórica e na reconstituição histórica. Trata-se de uma questão discutida na historiografia, mas sob a forma relativista e geralmente com tendência individualista. A reconstituição de um fenômeno histórico é realizada tendo por base as informações existentes sobre ele, as ferramentas intelectuais e analíticas de quem a faz, os valores, sentimentos, concepções e interesses do mesmo, que estão na base da escolha e formação destas ferramentas intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concepção cientificista segundo a qual bastaria ter um instrumental metodológico e/ou uma abordagem supostamente teórico-sistemática para dar conta da reconstituição do fenômeno histórico é ilusória e nada tem de inocente. Esta concepção revela uma perspectiva de classe, que está na sua base e também dos “métodos” e “teorias” apresentados como a solução mágica para chegar ao “conhecimento científico”, sendo, na verdade, construções ideológicas, metafísicas e reificadas. O seu oposto, o relativismo, já abandona a pretensão da verdade e se refugia em outras ideologias metafísicas e imprecisas, fazendo do descompromisso ou do compromisso duvidoso a sua máxima e seu guia. Assim consegue disfarçar a perspectiva de classe que está na sua base.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na obra de Tragtenberg, nenhuma destas alternativas se encontra presente. A história da Revolução Russa é apresentada em seu processo social de constituição, perpassado pela luta de classes, pelos desdobramentos destas lutas, pelas formas organizativas, intelectuais e ideológicas que assume, num processo analítico que não apenas mostra as forças em luta, mas suas debilidades e, principalmente, como o discurso dominante, burocrático-bolchevista, é ideológico, uma falsa consciência sistemática da realidade, e, ao mesmo tempo, eficaz, mobilizador e legitimador da exploração do proletariado pela burocracia metamorfoseada em burguesia de Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é perceptível, por exemplo, na análise que ele faz do economista Preobrajenski. Este ideólogo bolchevique irá escrever a obra “A Nova Ciência da Economia”, na qual discute as leis gerais do capitalismo e do socialismo. Ele produz a tese da “acumulação socialista primitiva”, na qual existiria, tal como na época de surgimento do capitalismo existiu a “acumulação primitiva de capital”, a pilhagem. Tragtenberg coloca que, para Preobrajenski, “a acumulação socialista aparece de duas formas: pela redução do salário dos operários e funcionários do Estado ou à custa das rendas dos pequeno-burgueses e capitalistas. Pelo controle dos impostos, o setor socialista poderá apropriar-se da mais-valia do setor privado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto tem como conseqüência o reforço do setor socialista da economia e do aparato partidário. Os setores que seriam pilhados seriam, fundamentalmente, os do setor privado, que, naquele momento, eram os camponeses e outros setores (dependendo do momento histórico). A tese, já presente em Engels e Lênin, da “segunda luta”, agora entre proletários e camponeses, é retomada e serve como justificativa e legitimação da superexploração do campesinato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão da perspectiva de classe aparece neste exato momento. Em primeiro lugar, o paralelo entre revolução burguesa e proletária expressa uma perspectiva de classe por parte de Preobrajenski. Suas teses apontam para confundir revolução burguesa e revolução proletária, propriedade estatal com “setor socialista”, acumulação primitiva de capital com produção de excedente no socialismo, etc. Ora, a confusão, ou seja, a fusão de duas coisas radicalmente diferentes é apenas a manifestação de uma perspectiva de classe, burocrática, no qual um dos dois elementos é destruído e permanece apenas na linguagem. O socialismo com exploração, mais-valia, acumulação, pilhagem, aparato burocrático centralizado, partido centralizado e gestor, não é nada mais do que o capitalismo estatizado na prática que aparece como sendo o seu contrário. Essa magia das palavras, porém, não é perceptível imediatamente por alguém que não parte da perspectiva do proletariado e é aqui que reside o problema da reconstituição histórica e perspectiva de classe. Para alguém ler Preobrajenski e perceber a confusão e seu significado, seria preciso possuir valores, sentimentos e concepções antagônicos aos dele. Uma leitura “neutra”, “objetiva”, fundada em determinados métodos e concepções, realizada por portadores de determinados valores e sentimentos, não ultrapassaria o “dado”, ou seja, o discurso de Preobrajenski, o que significaria acreditar nele e tomar seu discurso em favor de um capitalismo estatal como discurso em favor do socialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este não foi o caso de Tragtenberg, que percebeu o caráter da obra de Preobrajenski e não só dele, mas também de Lênin, Trotsky, Stálin e vários outros, revelando os interesses de classe por detrás da legitimação do capitalismo estatal. Assim, a obra de Tragtenberg tem como mérito partir da perspectiva do proletariado e ao fazer isso revelar que por detrás das produções intelectuais existe uma camada profunda, e, para muitos, invisível, que é determinante no seu processo de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é este elemento que permite ao pesquisador reconhecer o valor e significado das iniciativas proletárias e camponesas, tal como Tragtenberg faz quando analisa o caso da Ucrânia, de Kronstadt e dos Sovietes. Os acontecimentos históricos ganham visibilidade ao estarem envolvidos em um processo que é o da auto-emancipação do proletariado e de outros grupos explorados ou oprimidos e, assim, a vida e a morte não são apenas possibilidades abstratas ou fatos registrados, e sim manifestação de seres vivos, idéias, valores e sentimentos. O mesmo vale para as obras culturais, os livros não são vistos apenas como coisas materiais com textos escritos, mas como portadores de projetos, interesses, valores, sentimentos, concepções. Os livros são manifestações de seres humanos e se o livro é vazio, isto se deve ao vazio de quem o escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, Maurício Tragtenberg vai além da historiografia oficial e da história dos vencedores, por compartilhar com o proletariado a mesma perspectiva. A sua obra sobre a Revolução Russa, embora introdutória e resumida, reconta e faz reviver a história de uma sociedade que esteve à beira da transformação social e que perdeu a oportunidade, devido à derrota dos explorados diante dos seus “representantes”. Também apresenta uma lição metodológica, a de que o método não é algo reificado e fora das relações sociais, separado de quem o escolhe, produz e/ou usa. Desta forma, Tragtenberg recuperou a consciência teórica da Revolução Russa e fez avançar a consciência da história.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt; Professor da UEG – Universidade Estadual de Goiás e UFG – Universidade Federal de Goiás; Doutor em Sociologia/UnB.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt; Tragtenberg, Maurício. A Revolução Russa. São Paulo, Faísca, 2007; Tragtenberg, M. A Revolução Russa. São Paulo, UNESP, 2007.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7555571215184062137?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7555571215184062137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/revolucao-russa-segundo-mauricio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7555571215184062137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7555571215184062137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/02/revolucao-russa-segundo-mauricio.html' title='A Revolução Russa segundo Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SY18NKWStpI/AAAAAAAADVU/uYMXrhYLHT8/s72-c/mt_revolucao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7707547446817327014</id><published>2009-01-31T08:38:00.004-02:00</published><updated>2009-01-31T08:46:13.720-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (artigos)'/><title type='text'>O Tragtenberg de Ozaí</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYQrWa-y9OI/AAAAAAAADHU/gKZdf1l3KM0/s1600-h/correia.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 51px; height: 70px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYQrWa-y9OI/AAAAAAAADHU/gKZdf1l3KM0/s320/correia.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297406725894370530" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;Wilson Correia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa entendeu o quanto é difícil conhecer o outro. Disse ele: “A alma de outrem é outro universo, com que não há comunicação possível, com que não há verdadeiro entendimento. Nada sabemos da alma senão da nossa; as dos outros são olhares, gestos, são palavras...”. A exterioridade humana, pois, é feita de sinais que podem ensinar. Por isso é possível a escrita sobre “um outro” professor: ensinare, em latim, significa marcar com sinais. Aquele que nos tenha marcado de modo singular: essa é a persona sobre quem podemos escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYQrjhHXAuI/AAAAAAAADHc/mFPyeSFlKeY/s1600-h/liv-aozai.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 142px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYQrjhHXAuI/AAAAAAAADHc/mFPyeSFlKeY/s320/liv-aozai.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297406950879199970" /&gt;&lt;/a&gt;Leitor de Antônio Ozaí da Silva, docente em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Maringá, imagino ter sido essa a condição de possibilidade para que ele, Ozaí, escrevesse a obra Maurício Tragtenberg: militância e pedagogia libertária (Editora da Unijuí: 2008). Um livro necessário sobre um professor imprescindível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que penso assim? Elogio fácil ao autor e ao sujeito de sua escrita? Nem uma coisa nem outra, mas simples e obrigatório reconhecimento a ambos. Ao segundo, porque foi ensinante exemplar. Ao primeiro, porque tomou a iniciativa de sair da comodidade acadêmica e estudar a vida de um professor que nos chacoalhou a todos, o tempo inteiro, do começo ao fim dos próprios dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurício Tragtenberg (1929-1998) nasceu em Erechim, Rio Grande do Sul. Pertenceu a uma família de ascendência judaica que migrou para o Brasil no final do século 19, fugindo das perseguições então perpetradas contra os judeus da então Rússia czarista. Migrante, judeu e pobre: essas eram as marcas do grupo familiar a que pertenceu Tragtenberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Educado parcialmente em meio à comunidade a que pertencia, Maurício fez a maior parte de seus estudos como autodidata, chegando ao Doutorado na USP e a Professor Titular na Unicamp. Nesse percurso, viveu a militância política que o levou a questionar as raízes da burocracia administrativa vigente na sociedade capitalista. Claro, a burocracia universitária aí incluída, e seguidamente problematizada, criticada e desmascarada por ele. A concepção de educação libertária de que se imbuiu Tragtenberg lhe dava o estofo teórico-prático para sonhar outra sociedade, outra educação formal e, por conseguinte, outra universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma citação das palavras de Tragtenberg, feita por Ozaí, na página 245 do livro já indicado, o ilustra com propriedade: “A delinqüência acadêmica se caracteriza pela existência de estruturas de ensino onde os meios (técnicas) se tornam os fins, os ‘fins’ formativos são esquecidos; a criação do conhecimento e sua reprodução cedem lugar ao ‘controle’ burocrático de sua produção como suprema virtude, onde ‘administrar’ aparece como sinônimo de vigiar e punir – o professor é controlado mediante os critérios visíveis e invisíveis de nomeação; o aluno, mediante os critérios visíveis e invisíveis do exame. Isso resulta em escolas que se constituem em depósitos de alunos, como diria Lima Barreto em ‘Cemitério dos vivos’.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavra atualíssima, como atual é a defesa da autogestão – de trabalhadores, estudantes, professores... – de que Tragtenberg não abriu mão com o objetivo de ensinar possíveis caminhos rumo à liberdade. Ao Ozaí, os cumprimentos por não nos deixar esquecer essa lição e por nos lembrar, ainda, que a nossa verdadeira tarefa é a de irmos além do sujeito sobre quem ele escreveu e de quem o maior sinal é a própria história de vida.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;*&lt;/span&gt; Artigo publicado no jornal goiano &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Diário da Manhã&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, dia 25 de janeiro de 2009, página 21.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;"&gt;**&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;"&gt; Wilson Correia é doutor em Educação pela UNICAMP, professor na Universidade Federal do Tocantins, Campo Universitário de Arraias, e autor do livro Saber Ensinar (São Paulo: EPU, 2006). Endereço eletrônico: &lt;a href="mailto:wilsoncorreia@uft.edu.br"&gt;wilsoncorreia@uft.edu.br&lt;/a&gt; .&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7707547446817327014?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7707547446817327014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/o-tragtenberg-de-ozai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7707547446817327014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7707547446817327014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/o-tragtenberg-de-ozai.html' title='O Tragtenberg de Ozaí'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYQrWa-y9OI/AAAAAAAADHU/gKZdf1l3KM0/s72-c/correia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7225797876870751723</id><published>2009-01-29T09:49:00.002-02:00</published><updated>2009-01-29T09:55:06.724-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coluna NO BATENTE'/><title type='text'>Comunicado da CUT e da Federação dos Palestinos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYGY-2XVwWI/AAAAAAAADDo/6NHBqnwX9uI/s1600-h/tragtenberg1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296682842277134690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYGY-2XVwWI/AAAAAAAADDo/6NHBqnwX9uI/s320/tragtenberg1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por&lt;strong&gt; Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;*&lt;/a&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘A 4 de abril passado assinaram o Comunicado Conjunto acima que salienta os seguintes itens: partem da posição de classe como trabalhadores explorados e oprimidos submetidos à exploração capitalistas. Partem da compreensão da natureza agressiva do imperialismo norte-americano que agride diretamente os países da América Central, África e Ásia em aliança com as forças racistas, sionistas, ditatoriais e fascistas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;‘E de acordo com o espírito de solidariedade internacional e de classe entre os trabalhadores do mundo, para eliminar a injustiça, repressão e o imperialismo, reuniu-se a delegação acima de trabalhadores palestinos com a CUT resultando as conclusões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Que o imperialismo é o inimigo principal dos povos do mundo; que o Estado de Israel é uma base avançada de imperialismo americano e foi implantado às custas do povo palestino para defender os interesses imperialistas, políticos e econômicos, particularmente os petrolíferos e garantir a exploração das riquezas do O. Médio; isso termina vitimando inclusive os judeus, em conseqüência das sucessivas guerras e ocupações promovidas pelo E. de Israel ditadas pelo imperialismo; Que condenam a desapropriação das terras palestinas e seu confisco por parte das autoridades militares de ocupação israelense e a criação de colônias israelenses nessa terra, a demolição das casas de palestinos, a expulsão da população palestina e de seus líderes políticos e sindicais de suas terras; o controle das fontes hídricas (água) e das terras de uso público e a imposição da opressão e o terrorismo contra os cidadãos e a prisão de inúmeros combatentes palestinos em cárceres de Israel;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que reafirmam os direitos inalienáveis do povo palestino à auto determinação,ao retorno e à criação de seu Estado independente no seu solo pátrio, cuja capital seja Jerusalém, sob a liderança da OLP – única e legítima representante deste povo a caminho de um Estado laico e democrático, onde possam conviver em paz as comunidades judaicas, cristã e muçulmana,com igualdade de direitos, sem discriminação de raça, cor ou religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluem apelando ao fim da guerra Irã-Iraque por uma solução negociada da mesma, condenam a pirataria do imperialismo americano contra a Líbia e o apoio ‘aos contras’ por Reagan na Nicarágua visando sua vietnamização. ‘Assinam as duas centrais sindicais’.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Publicado in: &lt;strong&gt;Notícias Populares&lt;/strong&gt;, de 09.04.1986 (Coluna NO BATENTE); e, também, na &lt;strong&gt;Revista Espaço Acadêmico&lt;/strong&gt;, nº. 28, setembro de 2003, disponível em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/028/28mt_02041984.htm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/028/28mt_02041984.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;**&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Maurício Tragtenberg é professor da Unicamp e da Fundação Getúlio Vargas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7225797876870751723?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7225797876870751723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/comunicado-da-cut-e-da-federacao-dos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7225797876870751723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7225797876870751723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/comunicado-da-cut-e-da-federacao-dos.html' title='Comunicado da CUT e da Federação dos Palestinos'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SYGY-2XVwWI/AAAAAAAADDo/6NHBqnwX9uI/s72-c/tragtenberg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3730737810815468175</id><published>2009-01-24T12:09:00.001-02:00</published><updated>2009-01-24T12:11:55.824-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>Após Sadat, o quê?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SXshoRth7II/AAAAAAAAC6A/cr-uN_rvPoQ/s1600-h/tragtenberg1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294862762737003650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SXshoRth7II/AAAAAAAAC6A/cr-uN_rvPoQ/s320/tragtenberg1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atentado contra Sadat na realidade significa um golpe de Estado abortado, pelo número de prisões havido antes do atentado, pois o mesmo já era do conhecimento da CIA que trabalha junto com a Informação egípcia, como pela repressão posterior. Para efeito interno, julgou o regime conveniente legitimar-se pela transmissão do poder ao vice-presidente Mubarak e ao mesmo tempo utilizar o plebiscito como técnica acessória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manobras navais norte-americanas e as advertências soviéticas ligadas às ameaças da Líbia e as reações do Sudão, mostram um quadro aparencial onde ressurge a questão principal: problema: o problema palestino como um desafio a ‘estabilidade’ no Oriente Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar que o problema é recente é laborar em ledo engano. O problema palestino surge por ocasião da emigração judaica à Palestina financiada pela Agência Judaica e pelo Barão Rotschild. De um lado, com a criação da “Legião Judaica” por Jabotinsky lutando a favor da Inglaterra na guerra de 1914-1918 e a crise do império otomano, estabelece a Inglaterra seu “protetorado” na Palestina. Porém a imigração se dá pela expropriação de terras pertencentes a palestinos de língua árabe que secularmente habitava o país, paralelamente a esse processo criou-se a “Irgun Zwei Leumi” braço armado do chamado partido “Revisionista” de que Beguin é discípulo, preocupado em expulsar pelo terrorismo a Inglaterra e ao mesmo tempo criar um Império Judaico com a topografia dos tempos bíblicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a “Declaração Balfour” a Inglaterra se compromete a tornar a Palestina um “Lar Nacional” para os judeus. Após a 2ª Guerra Mundial é proclamado o Estado de Israel, estruturado de forma pluripartidária onde a “direita’ é ocupada pelo Bloco Religioso, especialista em criar colônias me terras árabes sob hegemonia do Partido “Herut” (nova denominação do Partido Revisionista) sob direção de Beguin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as inúmeras guerras mantidas entre o Estado de Israel e seus vizinhos árabes, alargou-se sua esfera de dominação ao mesmo tempo que convertia os palestinos em “escória da terra” no dizer de Koestler, despojados de sua terra, habitação, formam o contingente dos errantes do século, são os novos judeus do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acordo Sadat-Beguin sancionou um lance da diplomacia norte-americana no Oriente Médio e ao mesmo tempo isolara Sadat no contexto do mundo árabe, sua morte por obra de fundamentalistas muçulmanos mostra o precário das situações resolvidas por via diplomática de cúpulas pelas Grandes Potências. Ao mesmo tempo, coloca na ordem do dia o problema palestino, sem cuja discussão, nenhuma solução pacífica ou diplomática terá o mínimo de viabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soluções neo-colonialistas do tipo – criação de administração árabe nos territórios ocupados por Israel – em nada contribuirão para solucionar a questão. Ao contrário, tenderão a esticar a corda até os limites do imprevisível. As “soluções” armadas como técnicas de resolução de problemas revelaram sua falácia no próprio Oriente Médio, onde a Guerra do Yom Kipur os árabes mostraram sua capacidade na utilização da tecnologia ocidental com sucesso, que, travou a ofensiva israelense em pontos vitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão palestina, vital para o mínimo de “estabilidade política” no Oriente Médio não pode ser resolvida sem a consulta e o respeito aos diretamente interessados, os palestinos, através de suas organizações de fato que necessitam ser reconhecidas como “de direito”, nesse sentido, Carter e Ford ao enunciarem a necessidade do reconhecimento da OLP como legítimo interlocutor dos palestinos, mostram o que deve ser feito e o que eles enquanto detinham o poder se recusaram a fazê-lo. Os políticos são muito interessantes, têm um “discurso” enquanto detém o poder e outro “discurso” após perdê-lo, assim Galbraith enquanto assessor de Kennedy defendia a tecnocracia, bastou perder a assessoria para que passasse a criticá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordará Beguin com essa proposta? É impossível prever. Porém, o homem que realiza “ataques preventivos” contra o Iraque de fazer inveja a qualquer totalitário, que dispõe de maioria no Parlamento graças ao apoio do Bloco Religioso, ávido em ocupar terras árabes, dificilmente concordaria em sentar-se na mesa de negociações com a OLP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, é necessário não esquecer que Beguin está coberto pelo guarda chuva norte-americano no Oriente Médio. Embora o voto judaico seja significativo na esfera política interna norte-americana, considerações de política internacional, especialmente ligadas à política externa da URSS, poderão levar Reagan The Kid a moderar seu impetuoso parceiro. Nesse sentido operam as últimas declarações de Reagan que o Egito se constitui no amigo “preferencial” dos EE UU no Oriente Médio o que deve ter ofendido o ego político de Tel Aviv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a “estabilidade” do Oriente Médio passa pela “questão palestina” e é impossível tapar o sol com a peneira, da mesma maneira é impossível negar a absorvição da tecnologia de guerra moderna pelo mundo árabe, por tudo isso, é urgente uma solução negociada da “questão palestina” que lhes garanta a vida digna e livre que tem qualquer grupo nacional. Somente assim os palestinos deixarão de ser os judeus dos fins do século XX. Fora disso, continuará o Oriente Médio a ser o “caldeirão do diabo” onde humildes camponeses pagam com a vida o jogo desbragado de “esferas de influência” com que os donos do mundo – EE UU e URSS – e seus satélites procuram manter. O exemplo do Irã é muito recente e pode servir de lição a URSS e a “sábia” diplomacia norte-americana. Murabak e Beguin que anotem isso, antes que seja tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Publicado in: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;O S. Paulo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 16 a 22.10.1981; reproduzido na &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Revista Espaço Acadêmico&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, nº 28, setembro de 2003, disponível em &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/028/28mt_16.10.1981.htm"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/028/28mt_16.10.1981.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3730737810815468175?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3730737810815468175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/aps-sadat-o-qu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3730737810815468175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3730737810815468175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/aps-sadat-o-qu.html' title='Após Sadat, o quê?'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SXshoRth7II/AAAAAAAAC6A/cr-uN_rvPoQ/s72-c/tragtenberg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-6879078623217724884</id><published>2009-01-17T12:49:00.005-02:00</published><updated>2009-01-17T13:20:33.511-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>Dialética do Sionismo - por Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SXHwXGyLKZI/AAAAAAAACvQ/lDULb_e5Ggg/s1600-h/mt_ensaio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292275316885760402" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 135px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SXHwXGyLKZI/AAAAAAAACvQ/lDULb_e5Ggg/s320/mt_ensaio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O sionismo aparece como um fato “revolucionário”: leva as pessoas a deixarem seu país para viverem uma vida radicalmente diversa, renunciando à sua origem social, à sua língua, às suas relações sentimentais, rompendo brutalmente com seu passado, para reconstruírem sua vida. Os únicos precedentes paralelos são as Cruzadas e os emigrados que fundam os E.U.A. nos futuros Estados-Nação não estava previsto um lugar para os judeus. Eles eram “diferentes”. Mais e mais a deixar de largar tudo e construir um “lar nacional” animava os judeus. Todos esses movimentos nacionais tinham uma matriz comum: voltados ao passado, cada povo cada povo cuidava de inventar um passado nacional glorioso pretendendo marcar por sua existência o retorno à uma “idade de ouro”. Era natural que os primeiros sionistas na lógica dos movimentos nacionalistas da época tinham a tendência a ver num território nacional a solução do problema judeu e visualizar na sua vida num novo Estado um prolongamento da história judaica, após curta interrupção de 2000 anos. Os velhos reinos judeus criaram a primeira comunidade centrada no Primeiro Templo. Após o retorno do exílio babilônio a segunda comunidade judaica instituiu-se em torno do Segundo Templo. Era chegado o momento de criar uma Terceira Comunidade, um Estado Judeu Moderno, um verdadeiro Terceiro Templo. O pensamento político sionista torna-se inseparável de uma mística religiosa. embora Herzl o autor do &lt;em&gt;Estado Judeu&lt;/em&gt; não fosse movido por uma inspiração messiânica, co o contato das massas judaicas da Europa Central, convence-se que essa mística era essencial ao sionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro elemento integra o desenvolvimento do nacionalismo judaico: o ideal socialista. Para os jovens judeus dos guetos da Rússia e da Polônia os evangelhos eram Marx, Tolstoi. O trabalho manual exerce uma atração mágica sobre esses jovens que assistem seus parentes envelhecerem como comerciantes ou usuários. Todas essas aspirações resumem-se numa só: partir, não ser mais uma minoria sem defesa, à mercê da primeira tropa de cossacos que encontram no judeu o “bode expiatório” da incapacidade do Czarismo em atender aos reclamos populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar essa miserável existência que leva ao autodesprezo do corpo e do espírito. Trabalhar a terra e se libertar pelo contato místico com ela, nossa mãe. Criar uma sociedade sem senhores e escravos onde todos serão iguais. Realizar isso no “seu” país, marchar nas esteiras dos antigos heróis de seu povo, ressuscitar uma comunidade judia, viver nos espaços dos relatos bíblicos, tal era o sonho. Esse sonho maravilhoso, exaltante, conduziu inúmeros jovens judeus da Europa Central à uma província turca denominada Palestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse movimento de libertação, puro e corajoso, se propunha a criar uma sociedade harmoniosa onde a única luta a ser travada era a luta contra si mesmo, no meio de tanto entusiasmo um fato perdeu-se de vista: &lt;em&gt;a Palestina já era um território habitado&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sionismo político inicia-se com a obra de T. Herzl o &lt;em&gt;Estado Judeu&lt;/em&gt;, que trata da “habitação dos trabalhadores”, da “aquisição de terras” dos “operários não qualificados”, tudo é previsto inclusive as cores da nova bandeira nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda obra de Herzl não há uma só menção sobre a existência dos árabes palestinos. Explica-se quando Herzl sonha com o “Estado Judeu” pensando em localizá-lo em qualquer lugar, Argentina, Canadá ou Uganda. Somente quando redige o último capítulo de seu livro verifica que só a Palestina como espaço do futuro “Estado Judeu” seria capaz de mobilizar emocionalmente as massas judaicas da Europa Central. Para ele, o “Estado Judeu” na Palestina se constituiria num “ponto firme da civilização contra a barbárie”, num posto avançado da Europa na Ásia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Chaim Weizmann – que se tornou primeiro presidente de Israel – no Congresso Sionista de 1931 admite que Herzl não ligava necessariamente o sionismo a um Estado Judeu, nem a Palestina como sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Weizmann nota que no 1° Congresso Sionista em 1897, quando Herzl admite a idéia da ressurreição de o povo judeu dar-se na Palestina, a fórmula “Estado Judeu” desaparece de suas declarações. O programa sionista adotado pelo Congresso preocupa-se em “assegurar uma existência legal aos judeus na Palestina”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a época do apogeu do imperialismo, aureolado de glória e idealismo quando os poemas de Kipling cantam o “fardo” do homem branco em territórios inóspitos. Cecil Rhodes era convertido em herói. Não se relacionava o ressurgimento da Ásia ou África com o surgimento dos nacionalismos europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sionismo no seu início não é somente o produto dos nacionalismos europeus, faz parte da última vaga da expansão imperialista. O sionismo apareceu cem anos depois, sem poder beneficiar-se do movimento da expansão européia, trinta anos antes, para encontrar a resistência afro-asiática à sua presença em terra árabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sionistas, por ocasião do congresso da Basiléia de 1897, não conheciam a Palestina, onde jamais puseram os pés. Só conheciam uma realidade: a Europa com seus “progroms”, discriminações e terríveis presságios de futuras tragédias. Sabiam vagamente que a Palestina possuía alguns habitantes, mas isso na época não constituía um centro de preocupações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herzl era um europeu, e suas idéias respostas a situações européias. Os sionistas contemplavam o passado do povo judeu e não a paisagem da Palestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sion e a menor colina de Jerusalém tornam-se símbolo religioso, local da palavra divina. A Estrela de David é o símbolo do novo movimento. O novo Estado escolhe a “menorah” o candelabro do templo, como símbolo agregado. Nesse universo simbólico não há espaço para o período não hebraico da história Palestina, muito menos para a herança gloriosa de outras nações semíticas irmãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herzl procurava o apoio das grandes potências para seu projetos, daí dirigir-se ao Sultão da Turquia: “Se Sua Majestade, o Sultão, nos desse a Palestina, poderíamos comprometer-nos a estabilizar completamente a as finanças da Turquia. Para a Europa, constituiríamos ali um bastião contra a Ásia, seríamos a sentinela avançada da civilização contra a barbárie. Manteríamos , como Estado neutro, relações constantes com toda a Europa que deveria garantir nossa existência.” (T. Herzl, &lt;em&gt;L’Etat Juifs&lt;/em&gt;, Paris, Lipschutz, 1926, p. 95).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o sionismo colocado no quadro das políticas imperialistas européias. O texto aprovado significava no pensamento dos fundadores: visar a autonomia da Palestina judia sob a soberania do sultão com a garantia das grandes potências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro traço da política de Herzl era especular com anti-semitismo e com o desejo de se desembaraçar da população judia, para promover a emigração à Palestina. Assim, em 1903, Herzl obteve do ministro czarista Plehve, organizador de “progroms” iniciando uma tradição política em que a convergência do programa sionista com o dos anti-semitas, abertamente reconhecida por ele, tornava-se quase fatal. Plehve promete ao sionismo “apoio material e moral na medida em que certas de suas medidas práticas sirvam para diminuir a população judia na Rússia”, conforme relata Bernfeld (&lt;em&gt;Le sionisme, étude de droite international public&lt;/em&gt;, Paris, Jouve, 1920, p. 399 ss.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso leva Herzl a dizer que “até hoje meu partidário mais ardente é &lt;em&gt;anti-semita&lt;/em&gt; de Petersburgo (hoje Leningrado) Ivan V. Simonyi conforme relata A. Chouraqui (T. Herzl, p. 141). Witte, Ministro das Finanças do Czar, explica a Herzl que “se fosse possível afogar no Mar Negro seis ou sete milhões de judeus, ficaria perfeitamente satisfeito com isso; mas como tal não é possível, nesse caso devemos deixá-los viver”. Quando Herzl observa que espera do governo russo certos estímulos, ele responde: “Mas damos aos judeus estímulos para emigrarem como, por exemplo, pontapés.” (Idem, p. 301 ss). Herzl reconhece “Objetar-me-ão razoavelmente que faço o jogo dos anti-semitas quando proclamamos que constituímos um povo, um povo único.” (Idem, p. 259).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realização do Estado sionista liga-se a um ato político inglês “A Declaração Balfour” de 2-11-1917. por que motivos a Inglaterra emitiu a Declaração Balfour? Para alguns anti-semitas, ela o fez para compensar os pretensos esforços dos judeus norte-americanos para arrastarem os E.U.A. para a guerra ou pelas vultuosas compras de títulos de guerra pelos judeus ingleses, ou pela teoria romântica, segundo a qual a “declaração” se deu como resposta à invenção de um poderoso explosivo por Heinz Weizmann utilizado pela Inglaterra. Como é inaceitável a tese de Chaim Weizmann segundo a qual isso se deu por obra da sedução exercida pelo Grande Retorno sionista no espírito dos ingleses impregnados pela Bíblia, como ela formula em &lt;em&gt;Trial and Error&lt;/em&gt;, London, 1950, p. 226).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia Weizmann que uma potência empenhada numa guerra de alcance mundial, não se moveria por razoes metafísicas para conferir aos sionistas um “Lar Nacional Judeu” na Palestina, daí escrever ele (ob. cit. p. 258), que “ao apresentar a vossa resolução, &lt;em&gt;confiamos o nosso nacional e sionista ao Feoreign Office e ao Gabinete de Guerra Imperial, esperançados em que o problema seria considerado à luz dos interesses imperiais defendidos pela ‘Entente’”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes motivos da “Declaração Balfour” foram outros. Foram os efeitos de propaganda esperados sobre os judeus dos Impérios Centrais e da Rússia na esperança de colher benefícios na futura liquidação do Império Otomano. Os judeus da Alemanha (onde esteve instalada a sede da Organização Sionista até 1914) e da Áustria-Hungria tinham sido conquistados para o esforço de guerra &lt;em&gt;pelo fato de se tratar de combater a Rússia czarista, perseguidora dos judeus&lt;/em&gt;. No território russo conquistado, os alemães apresentavam-se como protetores dos judeus oprimidos, como libertadores do jugo moscovita. “Por demasiado tempo haveis sofrido o jugo de ferro moscovita”, declara na sua proclamação aos judeus da Polônia, o Alto Comando do Exército Alemão e Austro-Húngaro em agosto/setembro de 1914. é irônico, depois da experiência que se seguiu – com o nazismo – ler esta violenta denúncia dos “progroms” e do anti-semitismo czarista. Os partidos social-democrata alemão e austro-húngaro utilizavam também o &lt;em&gt;álibi&lt;/em&gt; da luta contra o czarismo como reacionário e anti-semita para justificarem seu apoio ao governo na guerra imperialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a Revolução Russa reforçava as tendências derrotistas na Rússia. Atribuía-se aos judeus papel importante na Revolução Russa. Era fundamental dar-lhes motivos para apoiarem a causa aliada. Não constitui mera coincidência a “Declaração Balfour” surgir cinco dias antes de 7 de novembro (25 de outubro no calendário Juliano) em que os bolcheviques tomaram o Poder. Um dos objetivos da “Declaração” era apoiar Kerensky. Pensava-se também na força dos judeus norte-americanos, pois os E.U.A. juntaram-se aos Aliados, daí ser necessário obter um esforço máximo quando neles predominava a tendência ao pacifismo. Isso confirmado pela Declaração de Lloyd George à Palestine Royal Commission em 1936: “Os dirigentes sionistas fizeram-nos a promessa firme de que se os aliados se comprometessem a der-lhes facilidades para o estabelecimento de Um Lar Nacional na Palestina, fariam o que estivesse ao seu alcance para mobilizar os sentimentos e o auxílio dos judeus à causa aliada através do mundo. Fizeram o melhor que podiam”, conforme G. Lencowski (&lt;em&gt;The Middle East in World Affaird&lt;/em&gt;, Ithaca, 1962, p. 81 ss.). era necessário antecipar-se aos sionistas alemães e austríacos que negociavam com os seus governos uma espécie de “Declaração Balfour” conforme relata K. J. Herrmann (&lt;em&gt;Political Response to the Balfour Declaration in Imperial Germany&lt;/em&gt; no Middle East Journal XIX, 3, 1965, p. 303-320).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, as grandes potências manobravam junto a Hussein para uma revolta contra os turcos em troca de um grande reino árabe, no mesmo momento o acordo Sykes-Picot partilhava em 1916 na mesma região as zonas de influência entre a Inglaterra e França, essa utilizava suas relações com os libaneses para edificar a “Grande Síria” (incluindo a Palestina), não era mal dispor do Oriente Médio de uma população ligada à Inglaterra pelo reconhecimento e necessidade. Converter a Palestina em problema especial, atribuindo à Inglaterra uma responsabilidade particular, que era obter base sólida de reivindicação na partilha após a guerra. Weizmann insistiu no seu pedido à Inglaterra para que ela exercesse um protetorado sobre o futuro Estado Judaico (&lt;em&gt;Triala nd Error&lt;/em&gt;, p. 243). A vitória sobre o Império Otomano na Palestina e Síria permitiu a aplicação da “Declaração Balfour”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Weizmann, até 1918 a questão árabe estava em segundo plano e os sionistas a tinham negligenciado. Porém, a fase de realização do sionismo coincide com o surgimento do movimento nacionalista árabe. Ainda era possível uma aliança entre o sionismo e o movimento nacional árabe, o dirigente árabe mais importante oferecia na época aos sionistas um Estado Autônomo reunido à Síria sob sua Coroa, 30 anos depois o Rei Abdullah, irmão de Faiçal, fazia o mesmo. Mas a direção do movimento sionista instalada na Palestina após 1918 não aceitou. &lt;em&gt;Nenhum de seus membros tinha a mais leve noção do que era o movimento nacionalista árabe, a união contra o imperialismo lhe parecia sem importância.&lt;/em&gt; Faiçal mostrara-se favorável ao estabelecimento de uma comunidade judaica na Palestina sob sua Coroa&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; No seu universo tribal, a raça se constituía em fator importante, ele considerava os judeus membros da família semítica. Numa de suas “Mensagens” ele desculpa-se por não poder comparecer a uma das assembléias da Organização Sionista por razões puramente circunstanciais, ajuntando que “tais manifestações são importantes &lt;em&gt;para a compreensão entre duas nações unidas por tão antigos laços&lt;/em&gt;”. Em 1919 ele manifestara-se junto ao líder judeu norte-americano, Felix Frankfurter: “Sabemos que árabes e judeus são irmãos de raça. Faremos tudo que estiver ao nosso alcance para aceitarmos as propostas sionistas na Conferência de Paz e acolheremos de todo coração os judeus que juntarem-se a nós. O movimento judeu não é um movimento imperialista, é um movimento nacional. Creio verdadeiramente que, para atingir seus objetivos, cada um de nós precisa do outro.” O acordo Faiçal-Weizmann previu a formação de um grande Estado Árabe apoiado pela Organização Sionista e o apoio árabe à formação de um Estado Palestino. Isso jamais foi realizado. Faiçal colocou como condição a aceitação de suas pretensões a Síria junto à Conferência de Paz, fazia o acordo depender da outorga da independência árabe, sem o que não valia. Os franceses invadem Damasco, de põem Faiçal, reprimem o nacionalismo sírio e palestino. Mas em 1920, na Conferência de San Remo, as teses sionistas são aceitas pelas Grandes Potências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação tem seu desfecho com o Mandato conferido à Inglaterra concedido pela Sociedade das Nações a 24 de julho de 1922, com a finalidade de criar um estado de coisas destinado ao estabelecimento de um Lar Nacional na Palestina aos judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas conclusões parciais se impõem. A realização de um projeto sionista iniciou-se depois, graças a um ato político obtido da Grã-Bretanha pela pressão da Organização Sionista. Com isso esperava a Inglaterra obter o apoio à sua política geral em relação aos judeus da Rússia e dos E.U.A., também em função de seus interesses no Oriente Médio após a decadência do Império Otomano. A Inglaterra conciliava o apoio ao projeto sionista com o apoio à dinastia hachemita. Os dirigentes sionistas ajudaram essa conciliação mantendo em hibernação a idéia de um Estado Judeu contentando-se em reivindicar direito para a emigração de judeus à Palestina. &lt;em&gt;Razão pela qual os palestinos árabes podem legitimamente considerar que a implantação de um elemento estrangeiro novo (o europeu) lhes foi imposto por uma nação européia, graças à vitória militar de um grupo de nações européias contra um outro grupo que aderira o Império Otomano.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A reivindicação da independência do Estado de Israel ante a Inglaterra tem como base a existência em 1943 de 539.000 judeus, ou seja, 31,5% da população total quando em 1922 a proporção não atingia a 11%. Essa imigração maciça só foi possível com o apoio inglês. Daí os dirigentes sionistas sob mandato inglês reclamarem o &lt;em&gt;reforço&lt;/em&gt; do corpo de polícia britânica e se oporem a qualquer organismo representativo que diminuísse por pouco que fosse a autoridade do Alto Comissário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mesmos acontecimentos que serviram de base para a instalação de um Estado Judaico serviram para desembaraçar os árabes do jugo turco. Porém, em vez do Estado Árabe unitário independente, eles assistiram a “balcanização” da região pelas potências ocidentais, divida a região entre a França e a Inglaterra. &lt;em&gt;Enquanto, porém, as organizações nacionalistas árabes tinham como base de suas reivindicações as massas locais, as organizações sionistas tinham contra elas a maioria do povo do país onde queriam estabelecer um Estado soberano.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A Inglaterra publicara o Livro Branco em 1939 onde rechaça a idéia de um Estado Judeu englobando toda a Palestina ao mesmo tempo que limita a imigração e a venda de terras a sionistas. O nazismo tornou-se num elemento de pressão do judaísmo na Palestina, contrário ao Livro Branco e as limitações à imigração. Em fins de 1943 a população judia na Palestina atingia a 32%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso possibilitava ao sionismo &lt;em&gt;falar claro&lt;/em&gt;: “o fim do sionismo manteve-se inalterável desde Herzl: a transformação da Palestina numa pátria judaica, a fundação de um estado judeu. Por motivos de tática política esse fim nem sempre foi abertamente enunciado. Mas o desenvolvimento da Palestina e do problema judaico em geral atingiram um tal grau de maturidade que se tornou falar claro”. (Weizmann, op. cit., p. 139).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Livro Branco a Inglaterra tornava claro que o estabelecimento de um Lar Nacional Judeu na Palestina não significava impor a nacionalidade judia a todos os habitantes da Palestina, mas desenvolver a comunidade judaica já existente com o concurso de judeus de outras partes do mundo. A Organização Sionista decidiu aceitar o Livro Branco supondo que “se for aplicado oferece-nos um quadro para construir &lt;em&gt;uma maioria judaica&lt;/em&gt; na Palestina e para levar a eventual fundação de um Estado Judeu”. (Idem, p. 361).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com o acordo sionista sobre a interpretação da Declaração Balfour &lt;em&gt;excluindo um Estado Judeu que foi apresentado na Liga das Nações o projeto do texto concedendo à Inglaterra o mandato sobre a Palestina que a Liga das Nações o retificou a 24 de julho de 1922. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Com isso não concordava a facção “Revisionista” dirigida por Jabotinsky, no seio da Organização Sionista, pleiteava ela uma ação militar que constituísse o Estado Judeu nas duas margens do Jordão, sem levar em conta os árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem ou mal a Inglaterra representou junto à comunidade judaica na Palestina &lt;em&gt;o papel de Metrópole de uma colônia de povoamento, devido ao apoio ao crescimento da mesma, da mesma maneira como proteger a colonização britânica na América do Norte e a França a colonização francesa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A primeira revolta dirigiu-se contra a Inglaterra, daí a formação das unidades terroristas do “irgun” e “Grupo Stern”, quando surge o “Programa de Baltimore” que pede um Estado Judeu sobre toda a Palestina e um exército judaico e a imigração ilimitada de judeus à Palestina. &lt;em&gt;Isso fez passar ao segundo plano a questão árabe.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O que impressiona é ver jovens exaltados em quererem livrar “seu país” da tirania inglesa, não lembrarem que os “indígenas árabes” teriam algo a dizer também. Embora grupos árabes se dirigissem ao “Irgun” oferecendo-se para combater contra o imperialismo inglês. Porém, nesse momento a idéia de um Estado binacional entra em desuso ficando claro que &lt;em&gt;no futuro estado instalado na Palestina judaizada pela imigração os árabes teriam que escolher entre a subordinação e a imigração.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por isso em 1946 Martin Buber censurava o sionismo oficial em procurar firmar-se mais em acordos internacionais em vez de um acordo na região com os árabes interessados diretos. Daí precisar ele que “o programa de Baltimore (nome de um Hotel americano onde se realizou a reunião da Organização Sionista) interpretado como reconhecendo &lt;em&gt;o objetivo da ‘conquista’ do país mediante manobras internacionais, não só desencadeou a cólera árabe contra o sionismo oficial, mas tornou suspeitos todos os esforços tendentes a uma compreensão entre judeus e árabes” (Buber Toward Union in Palestina, Essays in Zionism and Jewish-Arab Cooperation&lt;/em&gt;, M. Buber, Jerusalém, Ihud Association, 1947, p. 7-13, Parte II).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí veio a Partilha decretada pela ONU, não aceita pelos árabes, que desencadeou a “Guerra de Independência” de Israel. Porém, é necessário entender que para as massas árabes aceitarem as decisões da ONU significava uma capitulação sem condições perante um diktat da Europa, do mesmo tipo que a capitulação dos reis negros ou amarelos do século XIX ante os canhões ocidentais apontados para seus palácios. A Inglaterra, como potência mandatária na Palestina, impedira uma ração indígena para expulsar esses colonos, ao mesmo tempo que dava a garantia falaciosa de que se tratava da implantação pacífica de alguns grupos perseguidos e inofensivos , destinados a permanecerem minoritários. Quando o designo real deles se revela, o mundo euro-americano com a U.R.S.S. queria impor aos árabes o fato consumado. Roosevelt e Truman não prometem que não tomariam nenhuma decisão a respeito da Palestina sem consultar judeus e árabes, em cartas a Ibn Seud de 5-4-45 e 28-10-46? Após a guerra a minoria árabe em Israel ficou sendo considerada quinta-coluna, daí a ampliação das medidas discriminatórias que estava sofrendo há tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso leva-nos a uma conclusão particular. A implantação na Palestina de uma nova população de origem européia, se deu em conseqüência de um movimento ideológico europeu, o sionismo. Alcançou sua finalidade: o domínio sobre o território onde se implantavam os imigrantes, graças à “Declaração Balfour” com força de Direito Internacional pela vitória dos Aliados sobre o Império Otomano, graças à força da comunidade judaica na Palestina, com sua capacidade de manipular técnicas modernas, armas e organização do poder de pressão que dispunha na Europa e América. Alie-se o sentimento de culpa europeu pelo genocídio cometido pelos nazistas, seus irmãos de cultura européia, e seu desejo de se desculparem, &lt;em&gt;sem grande mal, em detrimento dos árabes palestinos&lt;/em&gt;. No decurso do processo desejos, sentimentos e aspirações árabes não foram levados em consideração. O acordo Faiçal-Weizmann nascera morto, pois o primeiro não conseguira o apoio das massas árabes para suas reivindicações. Por outro lado, a história tem sua lógica interna: querer criar um Estado Judeu na Palestina árabe do Século XX só conduziria a uma situação colonial, com um tipo de racismo e afrontamento militar de etnias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundamentar em direitos históricos a colonização sionista é não conhecer a história. o último Estado verdadeiramente independente da palestina desapareceu a 63 a.C. quando Pompeu se apoderou de Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo termina com a revolta de Bar Kochba contra o imperialismo territorial romano a 135. a população judia na Palestina diminuiu em conseqüência das deportações e da escravização, mas sobretudo pela emigração (já considerável muitos séculos antes da perda da independência) e pela conversão de inúmeros judeus ao paganismo, cristianismo e islamismo. É muito provável que os habitantes considerados árabes da palestina possuíam mais “sangue” hebraico do que a maior parte dos judeus da Diáspora (Dispersão) cujo exclusivismo religioso não impedia a absorção dos convertidos de origem diversa. O proselitismo religioso foi importante na própria Europa Ocidental, durante séculos, o mesmo ocorreu em outros locais durante longos períodos. Historicamente, bastará para nos convencermos disso evocar o estado judeu da Arábia do Sul no Século XI de base árabe meridional judaizada, o Estado judeu turco dos Khazars, no sudeste da Rússia nos Séculos VIII a X, os judeus assimilados da China, os judeus negros do Cochim, os Falashas da Etiópia. Admite-se que o grupo heterogêneo formado por todos os judeus do mundo permanecesse em contato com o judaísmo religioso, fosse considerado dotado de caracteres permanentes a despeito de suas mudanças internas cabe perguntar: &lt;em&gt;como seria possível&lt;/em&gt; atribuir-lhes direitos sobre um território determinado? Nesse caso poderiam os árabes reivindicar a Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caráter colonial da implantação do sionismo na Palestina reside no fato de que o sionismo não desejava as riquezas do país,&lt;em&gt; mas sim a substituição da mão-de-obra árabe pela judaica na Palestina&lt;/em&gt;. A compra de terras pela organização sionista dos latifundiários árabes, levou o “felah” à exclusão do processo produtivo, quando mais aumenta a compra sionista de terras, mais aumenta o número de camponeses árabes sem terra. É a colonização sionista que cria reativamente o &lt;em&gt;nacionalismo árabe&lt;/em&gt;. Os camponeses árabes diaristas, despojados de suas terras, são base do problema palestino. Inimigo da assimilação judia o sionismo crê que possa similar os árabes ao seu projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação de uma central sindical ao mesmo tempo empresarial como a Histadruth, que integra o “trabalho judeu” nas suas fileiras, axclui o árabe, é um dos fundamentos de uma formação econômico-social de “apartheid”. Trabalho “judeu” e produção “judia” são a base da Histadruth. Ela á responsável por 20% do produto bruto produzido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o líder trabalhista sionista Tabenkin, o movimento operário sionista sofrendo concorrência da mão-de-obra árabe estabelece uma &lt;em&gt;economia judia nova&lt;/em&gt;. O processo de autocriação de uma classe operária judia em Israel se dá pela expulsão da mão-de-obra árabe das colônias judias e a criação de uma economia sionista nova fundada sobre a colonização operária, por meio do fundo nacional e instituições associadas. Como a mão-de-obra judia é mais cara que a árabe, o empresário judeu é subsidiado pela Organização Sionista para aceitá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após proclamação do Estado de Israel verifica-se a espoliação metódica das terras árabes, assim publicava em 1948 uma “Proclamação de Urgência sobre as propriedades de pessoas ausentes”, elevada a lei em 1950 com o título “Lei Sobre a Propriedade de Pessoas Ausentes”. Considera-se ausente o camponês árabe em Israel que abandona seu domicílio antes de 1-8-48 ou que se instalou por qualquer razão naquelas áreas da palestina controladas por forças opostas ao estado de Israel entre 29-11-47 e a abolição do “estado de Emergência” instituído pelo governo em 19-4-48.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dos árabes “ausentes” se deveu ao temor do campesinato árabe à repetição do massacre da aldeia de Deir Yassin onde a “Irgun”, exército terrorista de Beguin, massacrou mais de 200 camponeses com mulheres e crianças. A lei permite ao governo declarar “zonas fechadas” por razoes de “segurança” qualquer área. Para se entrar ou sair tem que se ter uma justificação escrita passada pelo comandante militar. Muitas das zonas de aldeia foram declaradas “zonas interditas” &lt;em&gt;depois de seus habitantes serem expulsos&lt;/em&gt;. Com isso, comodamente suas terras foram confiscadas. Com as “Leis de Emergência” em vigor, o Ministro da Defesa recebia poderes para declarar “zona de segurança” qualquer região de Israel dela expulsando todos os habitantes, dez dias depois a essa Declaração. Foi assim que foram expulsos à força os habitantes árabes camponeses, de duas aldeias da Galiléia, Ikret e Kfar Baram. Apelaram, ao Supremo Tribunal, antes que ele pronunciasse, o Exército dinamitou as casas dos aldeões. Em 1953 foi promulgada a “Lei Sobre a Propriedade Fundiária”, seis meses depois com base na lei foram confiscadas terras de 250 aldeias árabes. Para fixar a indenização expropriatória fixou-se o preço do &lt;em&gt;dunan &lt;/em&gt;(dez &lt;em&gt;dunans&lt;/em&gt; valem 1 hectare) em vigor em janeiro de 1950, valendo cinco vezes menos que em 1953, quando a lei entrou em vigor. Em 1958 promulgou-se a “Lei de Prescrição”, uma emenda de leis otomanas que fixava em 10 anos o período segundo o qual poderia o camponês trabalhara a terra registrá-la em seu nome. &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; &lt;em&gt;“Lei de Prescrição” estende para 20 anos o prazo&lt;/em&gt;, tornando impossível muitas vezes que o camponês registrasse a terra em seu nome, permitindo ao Estado de Israel pôr as mãos sobre uma superfície de terras árabes, que atingem muitos milhões de “dunans”. Surgiu a Lei de Ordenação Fundiária (desapropriação por interesse público) em 1943, com ela o governo &lt;em&gt;apropriou-se&lt;/em&gt; de grande parte das terras árabes em volta de Nazaré, construindo uma cidade judaica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igual expropriação se deu na região onde se construiu a cidade judaica de Carmelo. Isso contraria a resolução das Nações Unidas de 29-11-47 que estipula: “Não se poderá a qualquer expropriação de terra de um árabe, no Estado Judaico, salvo em casos de interesse público. em todos os casos de expropriação, o Supremo Tribunal fixará o montante da indenização que terá que ser paga integralmente antes de se proceder à expropriação”. Os bens religiosos (Wakfs) islâmicos foram expropriados pelo Estado que retirou da comunidade islâmica o usufruto dos mesmos, apoderando-se de sua administração, apossando-se de seus rendimentos. Os bens islâmicos produzem grandes lucros, porém a comunidade muçulmana em nada se beneficia, daí a estagnação de suas atividades religiosas e culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No campo a implantação do “kibutz”, a exploração coletiva da terra por quem nela trabalha, se dá em terras de “refugiados” árabes onde se dá a exploração da mão-de-obra árabe, especialmente nas terras confiscadas. Nas mãos do capital bancário que o absorva o &lt;em&gt;“kibutz” se torna uma exploração coletivista da mão-de-obra assalariada árabe das aldeias próximas&lt;/em&gt;. Quando instalado na fronteira, integra-se no Exército de Israel para vigiar a volta de “infiltrados”, são os “árabes expropriados, transformados em ‘refugiados’ e mortos como ‘infiltrados’”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura coletivista do “kibutz” insere-se na mecânica da economia capitalista de Israel, eles são integrados no mercado capitalista e dele dependem. Ocupam mais de 70% da terra cultivada, seus componentes na sua maioria são mestres, contra-mestres e administradores. Se se suprimir a mão-de-obra assalariada árabe, eles desapareceriam na sua maioria. Na Galiléia, foram instalados 20 “kibutzim” em terras expropriadas de camponeses árabes. Entre 1948 e 1953, foram instalados 370 novos “kibutzim”, em Nazaré foram expropriados 120 hectares de terras em 1956 para fundar “kibutzim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As “zonas ocupadas” pelo Estado de Israel têm como finalidade suprir a burguesia israelense de mão-de-obra a preço vil, explorando um trabalhador sem defesa sindical. Em suma, economia “autárquica” judaica fechada ao “árabe” palestino, expropriação do mesmo e sua transformação em “refugiado”, discriminação racial, criando um cidadão de segunda classe, o Estado Sionista procura realizar-se pelo expansionismo a pretexto de “defesa”. Os massacres de Sabra a Chatila mostram até que ponto o racismo pode levar ao extermínio, aliás os judeus sentiram-no em sua pele na Segunda Guerra Mundial. Seria o caso de não transformar os palestinos nos “judeus do Século XX”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6428050943843030389#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;*&lt;/a&gt; Fonte: &lt;strong&gt;Nova Escrita Ensaio&lt;/strong&gt; - Ano IV - Nº 10 – 1982 (também publicado em: &lt;strong&gt;Revista Espaço Acadêmico&lt;/strong&gt;, nº 22, março de 2003, disponível em &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/22mt_sion.htm"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/22mt_sion.htm&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-6879078623217724884?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/6879078623217724884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/dialtica-do-sionismo-por-maurcio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6879078623217724884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6879078623217724884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/dialtica-do-sionismo-por-maurcio.html' title='Dialética do Sionismo - por Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SXHwXGyLKZI/AAAAAAAACvQ/lDULb_e5Ggg/s72-c/mt_ensaio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3418680269453801846</id><published>2009-01-10T11:01:00.002-02:00</published><updated>2009-01-10T11:12:54.187-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>Israel: o cisma da alma - por Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SWiexUg2qFI/AAAAAAAACug/HUkPmlTD_iY/s1600-h/tragtenberg-t.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 100px; height: 78px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SWiexUg2qFI/AAAAAAAACug/HUkPmlTD_iY/s320/tragtenberg-t.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289652332503935058" /&gt;&lt;/a&gt;Não é necessário ser sionista – não o sou – para verificar que a que a ‘Operação Paz para a Galiléia’ que levou à invasão do Líbano por Sharon, fez eclodir uma crise de consciência que atingiu a sociedade civil em Israel levando 400.000 pessoas a protestarem publicamente contra essa invasão, assim como abalou o apoio incondicional que, até então, as comunidades judaicas fora de Israel manifestavam ao mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um reflexo dessa crise de consciência é o surgimento de &lt;strong&gt;‘Encontro’ &lt;/strong&gt;em seu número dois, que se declara por ‘um sionismo progressista’ e no seu editorial no número um ‘pretende trazer ao judaísmo brasileiro um pólo de reflexão sobre si mesmo e seu papel ante os problemas do Oriente Médio e do Mundo’ (pág. 3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engloba em seu Comitê de Redação, Celso Gabarz, Francisco Moreno de Carvalho, J. Klintovitz, Dan I. Gedanken, Y. Talenberg e Isaac Akcelrud. Apresenta-se ao leitor no Brasil como ‘publicação mensal do Kibutz Artzi-Haschomer Hatzair’ &lt;strong&gt;(‘Encontro’ &lt;/strong&gt;nº 1, pág. 43).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;‘Encontro’&lt;/strong&gt;, no seu primeiro número de dezembro de 1983, apresenta entre outras coisas, uma crítica ao trabalhismo bicéfalo e à oposição acéfala através de uma carta ao deputado Gad Iacovi, &lt;em&gt;‘Carta aberta a Peres e Rabi’&lt;/em&gt;, publicada no matutino ‘Davar’, que, entre outras coisas, critica, no Estado de Israel, ‘a destruição das normas democráticas e sociais e o desrespeito dos governantes pelos seus deveres ridicularizam as noções de responsabilidade, justiça, império da lei e soberania e democracia parlamentar. A responsabilidade coletiva do governo tornou-se um conceito arqueológico – continua – e a distância entre as declarações e os fatos aumenta a desconfiança do povo no sistema democrático, valores de verdade e de responsabilidade sociais’. Linguagem incomum por esses arraiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importante matéria é a que estampa a posição do embaixador Shlomo Argov. Ele sofrera atentado na Inglaterra, como embaixador do estado de Israel, cometido pelo grupo Abu Nidal, inimigo da OLP, pretexto para invasão do Líbano. Em fins de julho passado manifestou-se a respeito da invasão: a guerra do Líbano é uma aventura infortunada. Se tivessem calculado a magnitude da aventura teriam poupado a vida de nossos melhores filhos. Os soldados, assim como todo o povo, estão cansados das guerras. Estamos cansados delas. (pág. 5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em guerra, &lt;strong&gt;‘Encontro’ &lt;/strong&gt;mostra os lucros da guerra, onde ‘os impostos, empréstimos e bônus emitidos para o financiamento da guerra do Líbano superaram em 25% o custo do conflito’ (pág. 5) atingindo os lucros da guerra a 23 milhões de shekel (moeda israelense). A revista traz uma matéria onde o Mapam (partido de oposição) critica o apoio israelense à invasão de Granada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;‘Encontro’ &lt;/strong&gt;denuncia, num artigo, &lt;em&gt;‘A intervenção em El Salvador’&lt;/em&gt;, que ‘a política de repressão e terror governamental é perpetrada na América Central com a ajuda da submetralhadora Uzi e o rifle Galil (págs. 39/40) e aviões de transporte Aravá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo de Israel, segundo &lt;strong&gt;‘Encontro’&lt;/strong&gt;, vendeu 25 aviões de transporte Aravá Stol 201, 200 submetralhadoras Uzi de 9 mm, 200 lança mísseis de 80 mm, 18 bombardeiros de combate Ouragán Dassault reformados, 6 aviões de treinamento Fuga Magister. Registra que EUA, França e Brasil, figuram como parceiros fornecedores de armas à Junta de El Salvador, num período que abrange 1974/79.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autora do artigo, Shulamit Segal, conclui: ‘Não é segredo que Israel está ganhando muito poucos amigos graças à sua política de venda indiscriminada de armamentos. De fato, está ganhando inimigos que incluem hoje em dia o governo sandinista da Nicarágua. E não é casual, Israel foi o principal fornecedor de armas para o governo Somoza.’ (Pág. 41)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre armamentismo e guerra, &lt;strong&gt;‘Encontro’ &lt;/strong&gt;traz o testamento do soldado Meidad Alon, publicado no jornal israelense&lt;em&gt; ‘Haaretz’ &lt;/em&gt;três dias antes de sua morte no Líbano. Escrevia ele: ‘Somos a geração de Sharon. Pagamos e estamos pagando dia após dia o imposto. Levamos pedaços de corpos, membros queimados e homens dilacerados ao enorme altar de Sharon e lhe dizemos: Toma, esta é tua vez de vencer. Nós sempre perdemos. Mesmo que conquistemos Trípoli teremos sido derrotados: essa geração de soldados de Golani (unidade de elite do exército), paraquedistas e blindados. Jamais se deve esquece-lo.’ (Pág. 2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;‘Encontro’ &lt;/strong&gt;traz quatro artigos sobre o celerado governo Beguin onde predomina a influência do partido Likud e a autonomia ampla que goza a máquina militar comandada na época de Sharon, Eytan, Drori e outros rinocerontes. Razão pela qual, Sever Plotzker clama por ‘campos verdes, depois de Beguin. Ar puro, o orvalho banhando a ponta das folhas, o aroma da terra que desperta. Depois de todos os Meridor, Aridor e Savidor (membros da coalizão governamental) queremos correr descalços no parque, rodar pelas colinas dos campos verdes. Nos últimos anos a asfixia tornou-se intolerável. Não se podia falar, ouvir, respirar. Encheram-nos de grandes palavras nacionais que envolviam feitos miseráveis. O presente está engasgado em nós como um osso na garganta: não podemos vomitar, não podemos tragar.’ (Págs. 12/13.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gadi Iatziv, professor da Universidade de Tel Aviv, no artigo, &lt;em&gt;‘Um hebraico retumbante’&lt;/em&gt;, mostra-nos Beguin como ‘o homem que iludiu as massas populares, fazendo-as crer que lhe fazia o bem, enquanto nos afundava até o pescoço num desastre econômico contínuo e em dívidas externas de enormes dimensões. Que desenvolveu uma infra-estrutura de colonização destinada a eternizar a hostilidade e o domínio dos judeus sobre os árabes, ameaçando destruir qualquer possibilidade de acordo e inibir qualquer esperança de paz’ (pág. 14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levi Morav escreve que a definição dos palestinos como ‘bestas bípedes’, com que Beguin batizou Arafat: ‘esse que tem pelos na cara’, revelou um mundo espiritual, cultural e político aterrador. Um mundo no qual os árabes – em especial os palestinos – são considerados os piores inimigos, um mundo no qual as metáforas lembram as utilizadas pelos antisemitas durante séculos (pág. 15). Conclui que seu governo foi marcado pela ‘linguagem bombástica, mentira e nacionalismo’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;‘Encontro’&lt;/strong&gt; traz em encarte uma publicação do movimento pacifista ‘Paz Agora’, engajado na luta pela paz no Oriente Médio, por cujo intermédio ‘o povo judeu se incorpora ao grandioso movimento mundial pela paz entre as nações’, conforme artigo &lt;em&gt;‘Shalom Ahshav’ (Paz Agora), ‘caminho de Paz’ &lt;/em&gt;de Isaac Akcelrud, onde nota que ‘começa fraternizando judeus e palestinos para escândalo dos reacionários judeus e árabes’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclui o articulista assinalando que ‘compreende-se; portanto, que os homens do ‘establishment’ que agridem e caluniam os partidários e ativistas da paz, colocam-se fora do povo e não pertencem ao nosso tempo. Renunciam à identidade judaica’ (pág. 22)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yossi Thalenberg, em &lt;em&gt;‘Dois pesos e Duas Medidas’&lt;/em&gt;, assinala que as milícias do major Haddad massacraram barbaramente mais de 1.000 civis indefesos com o beneplácito do exército de ocupação israelense. Depois de um ano, dissidentes palestinos e o exército regular sírio bombardeiam os campos de refugiados palestinos de Naha El Bared e Badawi (fiéis ao líder da OLP, Arafat) matando mais de 1.000 indefesos. Por sua vez, o governo sírio foi apontado pela Anistia Internacional por suas práticas de tortura e instigador de uma guerra fratricida entre palestinos. Sobre esses últimos fatos, nenhum palavra. Segundo o articulista, isso configura dois pesos e duas medidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inúmeras outras matérias não puderam ser apresentadas ao leitor, por problema de espaço. Porém, o interessado na revista, encontrá-la-á na redação, à rua Bandeirantes, 474, Capital. ‘Encontro’ é uma alternativa em informação, apresenta problemas para serem discutidos. Pode-se estar a favor ou contra a revista; desconhecê-la não. &lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;* Publicado in: &lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;, 02.04.1984.&lt;br /&gt;** Maurício Tragtenberg é professor do Departamento de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor de vários livros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3418680269453801846?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3418680269453801846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/israel-o-cisma-da-alma-por-maurcio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3418680269453801846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3418680269453801846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2009/01/israel-o-cisma-da-alma-por-maurcio.html' title='Israel: o cisma da alma - por Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SWiexUg2qFI/AAAAAAAACug/HUkPmlTD_iY/s72-c/tragtenberg-t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-6178049085652506197</id><published>2008-12-20T11:53:00.010-02:00</published><updated>2008-12-20T12:19:55.082-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fragmento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Foucault'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (artigos)'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prof.Ozaí'/><title type='text'>DO ARTIGO DO PROF.OZAÍ - Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária*</title><content type='html'>Resumo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso objetivo é resgatar o pensamento político-pedagógico de Maurício Tragtenberg. De um lado, a crítica incisiva que desvenda o modelo pedagógico burocrático fundado na vigilância e na punição, na relação de dominação, no saber formal transformado em mercadoria de consumo, uma pedagogia que predomina na maioria das nossas escolas e universidades. De outro, o itinerário de uma alternativa pedagógica libertária, recuperada e sintetizada na práxis do educador contemporâneo. No final do percurso, a certeza da sua atualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo pedagógico-burocrático: vigiar e punir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peculiaridade da pedagogia libertária se expressa pelo questionamento de toda e qualquer relação de poder estabelecida no processo educativo e das estruturas que proporcionam as condições para que estas relações se reproduzam no cotidiano das instituições escolares. É de conhecimento geral, a tese de que a interação entre os diversos personagens que atuam no espaço escolar reproduzem as relações sociais predominantes na sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste ponto de vista, Tragtenberg se coloca a seguinte questão: "conhecer como essas relações se processam e qual o pano de fundo de idéias e conceitos que permitem que elas se realizem de fato". Sua análise busca apreender como a escola atua enquanto "poder disciplinador" pois, conforme afirma o filósofo Michel Foucault, "a escola é o espaço onde o poder disciplinar produz saber". (TRAGTENBERG, 1985: 40) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como surge esta situação? As origens desta instituição disciplinar remonta às necessidades de controle da força de trabalho e, simultaneamente, das exigências técnicas administrativas produzidas pelo avanço da revolução industrial. Não por acaso, os métodos de controle do operário assemelham-se àqueles utilizados no âmbito do espaço escolar: delimitação e enquadramento do tempo e da forma como este deve ser utilizado; e, domínio dos processos, gestos, atitudes e comportamentos. (estes métodos foram ainda mais intensificados com a adoção do taylorismo). (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEIA NA ÍNTEGRA EM:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTE : &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/032/32pc_tragtenberg.htm"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/032/32pc_tragtenberg.htm&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-6178049085652506197?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/6178049085652506197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/do-artigo-do-profoza-maurcio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6178049085652506197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6178049085652506197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/do-artigo-do-profoza-maurcio.html' title='DO ARTIGO DO PROF.OZAÍ - Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária*'/><author><name>Nadia Gal Stabile</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_hbaKawTe_B8/TKk7dYgV3QI/AAAAAAAASP8/lBAiNSysV8c/S220/4cd81f9c2eb99760894b11acf3b91504.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-5068772355329343983</id><published>2008-12-20T04:11:00.003-02:00</published><updated>2008-12-20T05:08:19.859-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coluna NO BATENTE'/><title type='text'>A atualidade do pensamento de Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>A releitura da obra de Maurício nos leva a constatar a atualidade de suas análises. A sua crítica aos fundamentos da burocracia, em todos os âmbitos do setor privado e do setor público, pode nos dar mais referências para distinguir as sutilezas produzidas pelo capitalismo, produzindo uma nuvem de fumaça no cenário do mundo corporativo. Suas aparências tão edulcorizadas parecem ter o efeito de desconstruir os fundamentos da burocracia. É fundamental que se busque à luz de suas lições produzir novas análises sobre esse modelo generalizado, que atingiu até mesmo as organizações do campo da resistência, em que prevaleceu a mesma ânsia pelo fortalecimento de estruturas de poder voraz e devastador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-5068772355329343983?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/5068772355329343983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/atualidade-do-pensamento-de-maurcio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/5068772355329343983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/5068772355329343983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/atualidade-do-pensamento-de-maurcio.html' title='A atualidade do pensamento de Maurício Tragtenberg'/><author><name>Fatima Felix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17350790308913307616</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-216221087974337642</id><published>2008-12-17T07:50:00.002-02:00</published><updated>2008-12-17T08:02:12.387-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coluna NO BATENTE'/><title type='text'>NO BATENTE – Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUjOGw3gmrI/AAAAAAAACuA/8DSJNhD8n90/s1600-h/noticiaspopulares.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 85px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUjOGw3gmrI/AAAAAAAACuA/8DSJNhD8n90/s320/noticiaspopulares.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280697178684168882" /&gt;&lt;/a&gt;A secção dirige-se a quem está “no batente” e não àqueles que estão afastados da produção querendo falar em nome dos que trabalham. Receberá com o maior interesse e atenção cartas de trabalhadores que retratem os problemas no interior da fábrica como sugestões de temas de interesse de quem trabalha, que a secção deva tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero começar dizendo que somente os trabalhadores organizados a partir do interior da fábrica podem ter força para reivindicar seus direitos, nesse sentido é muito importante “dar uma força” a todos aqueles que pretendam organizar-se para enfrentar as más condições de trabalho, a exploração econômica e a dominação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida que a organização sindical na atual realidade brasileira é muito importante, desde que, a direção sindical represente os trabalhadores e não viva das mamatas da contribuição sindical traindo-os na hora dos dissídios, reclamações trabalhistas ou greves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A participação é fundamental, porém, é claro que 80% dos sindicatos de trabalhadores estão na mão de “pelegos” que na sua maioria são ex-trabalhadores mais preocupados em manter seus cargos do que defender o trabalhador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é necessário esclarecer é que os sindicatos atuais se preocupam na sua maioria em manter o trabalhador afastado das Assembléias. Quando antes de 1930, os sindicatos tinham sedes em cada bairro onde morava o operário e após o trabalho ele podia freqüentá-la para ler os jornais, discutir com seus companheiros, o nível de participação era intenso. Após 1930, com a criação do sindicato único por categoria, dependente do Ministério do Trabalho, através da famigerada lei de Enquadramento Sindical, criaram-se sedes luxuosas no centro da cidade, onde o operário não pode comparecer, pois na sua maioria mora na periferia. Resultado: fraca participação do trabalhador nas decisões sindicais e o uso e abuso da máquina por pelegos na sua maioria dominando sindicatos, federações e confederações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro do sindicalismo caminha realmente para convenções coletivas, porém, esclareça-se que elas devem ser negociadas por dirigentes sindicais realmente representativos de suas bases e o conteúdo das convenções coletivas que devem ser assinadas deve passar pela discussão no interior das empresas, para que o trabalhador não seja entregue de mão amarradas aos técnicos de negociação e convenção coletiva ou a dirigentes pelegos a eles ligados. O controle público da ação sindical é a base da moralidade sindical, do contrário, só haverá safadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Fonte: Notícias Populares, 06 de dezembro de 1981]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-216221087974337642?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/216221087974337642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/no-batente-maurcio-tragtenberg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/216221087974337642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/216221087974337642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/no-batente-maurcio-tragtenberg.html' title='NO BATENTE – Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUjOGw3gmrI/AAAAAAAACuA/8DSJNhD8n90/s72-c/noticiaspopulares.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7584679150843185819</id><published>2008-12-16T11:32:00.008-02:00</published><updated>2008-12-16T22:08:49.026-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (livros)'/><title type='text'>Livros sobre Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUeyAVbt4eI/AAAAAAAACtw/r65D3DFBOGU/s1600-h/tese1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 142px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUeyAVbt4eI/AAAAAAAACtw/r65D3DFBOGU/s320/tese1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280384806938337762" /&gt;&lt;/a&gt;SILVA, Antonio Ozaí da Silva&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ijuí: &lt;a href="http://www.unijui.edu.br/component/option,com_wrapper/Itemid,3172/lang,iso-8859-1/"&gt;Editora Unijuí&lt;/a&gt;, 2008 (344p.)&lt;br /&gt;Email: &lt;a href="mailto:editorapedidos@unijui.edu.br"&gt;editorapedidos@unijui.edu.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.unijui.edu.br/index.php?option=com_wrapper2&amp;Itemid=713&amp;lang=iso-8859-1&amp;w2=editora?dUzP1VHepBqYIx1rpPB8V8oRJKzj5W__PLS__rBFKoJuwQ6to3gKcTueNGSHfljD2jryyveiQ__PLS__uUq/2__PLS__KH3cYiuJ__PLS__0lQ=="&gt;mais informações &gt;&gt;&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um livro sobre um intelectual inovador a quem o Brasil ainda deve, mas que o pensamento crítico vem reconhecendo paulatinamente. Um autor que pensou e contribuiu para a educação de modo não-formal, incomum e essencialmente crítico, confiando no papel formador da negação dialética do instituído. Sem se reter aos espaços que tradicionalmente se convencionou delimitar por “acadêmicos”, como Gorki ele considerava as vivências e lutas de sua trajetória como “as minhas universidades”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é gratuito, portanto, que Antonio Ozaí da Silva inicie esta obra sobre Maurício Tragtenberg esquadrinhando os contextos de sua vida e os influxos de seu engajamento militante. O tema da educação libertária não pode ser apreendido nem encerrado nos marcos investigativos do formalismo pedagógico institucional. Isto é, filosoficamente compreendida, a obra de Ozaí lida com um método de abordagem que sabe reconhecer, respeita e não elide o que lhe demanda a natureza do seu objeto de análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro esclarece, com propriedade, que Tragtenberg, ele mesmo de formação parcialmente autodidata, articula o seu princípio político-pedagógico libertário a partir da defesa da auto-organização dos trabalhadores. Crítico da cisão teoria–prática e da hierarquia intelectual manifestas no homo academicus, ele via na autogestão dos operários o modo social destes recobrarem integralmente o saber e a condição intelectual deles apartados pela classe dominante, que os marginaliza no processo do fazer, negando-lhes o do conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma obra marcada pelo decantamento crítico das raízes e da natureza histórico-social da dominação burocrática, Tragtenberg levou para a análise da educação os seus princípios teóricos mais gerais. Introduzindo e impondo respeito à pedagogia libertária na universidade brasileira, atacou a ritualística adestradora da educação burocrático-formal, fazendo da defesa da autogestão educacional, da autonomia do indivíduo e da solidariedade anticoncorrencial as balizas de sua pedagogia integral e igualitária, centrada nos interesses dos educandos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, este estudo sobre a práxis militante e educativa de Tragtenberg carrega, ainda, um interesse peculiar: na sua leitura do mestre Tragtenberg – título que ele recusaria –, essas páginas vão calando uma a uma, e revelam, de quebra, parte dos fundamentos inspiradores de onde brota o perfil engajado antielitista do próprio cientista social e educador Antonio Ozaí da Silva, manifesto em seu notável empenho, como escritor e editor, pela qualificação crítica e plural da cultura. Enquanto continuidade dessa práxis educativa igualmente informal, essas páginas compõem uma exposição que honra a justa crítica de Tragtenberg ao vetusto e socialmente inútil elitismo acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Paulo Denisar Fraga&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Professor de Filosofia, Metodologia da Ciência e Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas, MG&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sinopse (resumo)&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor tem em suas mãos um livro que representa um exercício de pedagogia crítica porque rememora para as gerações atuais e futuras o pensamento e a prática do pensador social, educador e ativista político Maurício Tragtenberg, reconhecido por sua atuação libertária nos processos educativos e políticos, tanto no sistema escolar formal, quanto nas redes de movimentos sociais, e sempre empenhado em trazer para o espaço burocrático administrado da universidade a concepção do conhecimento como projeto de emancipação; bem como em realizar uma intervenção política libertária que leve para o restante da experiência social os conhecimentos construídos na universidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao discutir os vários momentos da trajetória pessoal, política e pedagógica de Maurício Tragtenberg, este livro torna explícita a intenção do autor em realizar uma possível continuidade para a pedagogia do exemplo proposta e praticada por Tragtenberg e experienciada diretamente por Antonio Ozaí da Silva, em uma demonstração de que nos processos investigativos e educativos não há sujeitos nem objetos, pois o outrora professor Tragtenberg, com sua ação pedagógica se transforma em tema de um estudo de um ex-orientando, atualmente professor, pesquisador e ativista empenhado em uma política cultural radical, e que através deste trabalho nos propicia uma espécie de sublimação da dor que sentimos com a perda daquele que consideramos "o mestre": Maurício Tragtenberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Walter Praxedes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Doutor em Educação pela USP e docente da Universidade Estadual de Maringá &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobre o autor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Antonio Ozaí da Silva é graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André e mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo sob a orientação de Maurício Tragtenberg. É doutor em Educação pela Universidade de São Paulo sob a orientação de Nelson Piletti e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá, PR. É editor dos periódicos &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br"&gt;Revista Espaço Acadêmico&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/Urutagua"&gt;Urutágua&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHumanSocSci/index"&gt;Acta Scientiarum: Human and Social Sciences&lt;/a&gt;, sendo autor de inúmeros artigos e do livro &lt;em&gt;História das tendências no Brasil &lt;/em&gt;(SP: Proposta, 1987), que teve grande repercussão no estudo da formação das organizações, grupos e partidos da esquerda brasileira.&lt;br /&gt;____________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUexI1CMVaI/AAAAAAAACto/Oa9bZi0JR1Q/s1600-h/smt2001.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 115px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUexI1CMVaI/AAAAAAAACto/Oa9bZi0JR1Q/s320/smt2001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280383853348541858" /&gt;&lt;/a&gt;SILVA, Doris Accioly e, e MARRACH, Sonia Alem. (2001) Maurício Tragtenberg: Uma vida para as Ciências Humanas. São Paulo: &lt;a href="http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=277"&gt;Editora Unesp&lt;/a&gt;, 2001, 328p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sinopse: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Qualquer estudo sobre a sociologia, a política, a administração, a educação e a história das idéias no Brasil passa pelo pensamento de Maurício Tragtenberg, autodidata que se tornou um dos mais criativos intelectuais brasileiros dos anos 1960-1990, sempre em defesa da democracia e contra a burocratização do movimento operário. Esta coletânea, organizada a partir de evento que homenageou o pensador, em 1999, na Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP, Campus de Marília, reúne depoimentos de 28 professores, pesquisadores, sindicalistas e artistas sobre uma das mentes mais polêmicas do país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-7584679150843185819?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/7584679150843185819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/livros-sobre-maurcio-tragtenberg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7584679150843185819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/7584679150843185819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/livros-sobre-maurcio-tragtenberg.html' title='Livros sobre Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUeyAVbt4eI/AAAAAAAACtw/r65D3DFBOGU/s72-c/tese1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-4062774982577271233</id><published>2008-12-16T11:12:00.004-02:00</published><updated>2008-12-16T11:23:56.939-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (teses)'/><title type='text'>Teses sobre Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Autora&lt;/strong&gt;: Doris Accioly e Silva&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tese&lt;/strong&gt;: A OBRA-TRAJETO DE MAURÍCIO TRAGTENBERG SOB O PRISMA DAS AFINIDADES ELETIVAS&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Orientadora&lt;/strong&gt;: Dulce Consuelo Andreatta Whitaker&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Instituição&lt;/strong&gt;: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho-UNESP, Campus de Araraquara&lt;br /&gt;Ano: 2005. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resumo&lt;/strong&gt;: Esta tese é uma interpretação do trajeto-pensamento de Maurício Tragtenberg, um dos cientistas sociais mais originais do século XX. Incorporando os conceitos de afinidades eletivas e obra-trajeto, entre outros, este trabalho focaliza núcleos irradiadores presentes ao longo da vasta produção teórica do autor-tema.Tais núcleos são interligados pela análise das formas de poder e exploração e das práticas e concepções que negam tais formas. Questão central é a relação entre fins e meios, separados nas ações de reprodução da desigualdade e da opressão e unificados no procedimento estético e nas atitudes libertárias. O presente trabalho compreende a obra-trajeto de Maurício Tragtenberg como criação e estabelece uma analogia entre a autogestão e a linguagem poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Antonio Ozaí da Silva&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tese&lt;/strong&gt;: MAURÍCIO TRAGTENBERG E A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Orientador&lt;/strong&gt;: Nelson Piletti&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Instituição&lt;/strong&gt;: Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ano&lt;/strong&gt;: 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resumo&lt;/strong&gt;: Este trabalho analisa a contribuição de Maurício Tragtenberg, enquanto intelectual engajado, à Pedagogia Libertária. No capítulo primeiro apresentamos um esboço biográfico. No seguinte, analisamos o autodidatismo e a sua práxis no espaço da informalidade (entendido aqui como o espaço externo às instituições e ao ensino formal), em especial sua militância enquanto escritor envolvido com o mundo do trabalho e as lutas sociais. No terceiro capítulo, estudamos a sua obra intelectual, produzida e orientada para e no espaço formal da instituição acadêmica; os aspectos libertários e a sua contribuição enquanto produção intelectual vinculada ao movimento social. Não se teve a pretensão de fazer uma análise definitiva, mas apenas apreender em que medida sua obra se vincula ao projeto pedagógico libertário. No último capítulo, analisou-se o que ele escreveu sobre a universidade e a educação, sua crítica e proposta pedagógica e, também a sua práxis como docente e intelectual, partícipe do campo acadêmico. Examinou-se os seus escritos sobre educação, a sua prática como educador e os vínculos com a Pedagogia Libertária e a Pedagogia Crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disponível em &lt;a href="http://www.4shared.com/file/76216035/366bce7d/DOUTORADO.html"&gt;http://www.4shared.com/file/76216035/366bce7d/DOUTORADO.html &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUeqdv9FlfI/AAAAAAAACtY/Ja237GJqiIY/s1600-h/tese2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 71px; height: 100px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUeqdv9FlfI/AAAAAAAACtY/Ja237GJqiIY/s320/tese2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280376516180809202" /&gt;&lt;/a&gt;VERSÃO LIVRO: &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg: militância e pedagogia libertária &lt;/strong&gt;(Ijuí: &lt;a href="http://www.unijui.edu.br/component/option,com_wrapper/Itemid,3172/lang,iso-8859-1/"&gt;Editora Unijuí&lt;/a&gt;, 2008, 344p.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-4062774982577271233?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/4062774982577271233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/teses-sobre-maurcio-tragtenberg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/4062774982577271233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/4062774982577271233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/teses-sobre-maurcio-tragtenberg.html' title='Teses sobre Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUeqdv9FlfI/AAAAAAAACtY/Ja237GJqiIY/s72-c/tese2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-5716658077950054530</id><published>2008-12-16T09:50:00.004-02:00</published><updated>2008-12-16T11:22:41.395-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sobre maurício (artigos)'/><title type='text'>Artigos sobre Maurício Tragtenberg</title><content type='html'>ALMEIDA, Paulo Roberto de. &lt;em&gt;“A Educação de Maurício Tragtenberg (depoimento pessoal sobre um método político-pedagógico)”. &lt;/em&gt;Revista Espaço Acadêmico, nº 15, agosto de 2003. (Site: &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/015/15pra.htm"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/015/15pra.htm&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTUNES, Ricardo. &lt;em&gt;“Maurício Tragtenberg: A perda de um intelectual herético”. &lt;/em&gt;Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.9-11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CATANI, Afrânio Mendes. &lt;em&gt;Maurício Tragtenberg: Um Intelectual Contra o Poder Intelectual (1929-1998)&lt;/em&gt;. In: Revista Adusp, nº 17, junho de 1999, p.88-90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARIA, José Henrique de. &lt;em&gt;“Poder e Participação: A Delinqüência Acadêmica na Interpretação Tragtenberguiana”. &lt;/em&gt;RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.70-76.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FERREIRA, Pedro Roberto. &lt;em&gt;“Anotações para um socialismo libertário”. &lt;/em&gt;In: Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.35-39.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MOTTA, Fernando C. Prestes. &lt;em&gt;“Maurício Tragtenberg: Desvendando Ideologias”. &lt;/em&gt;RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.64-68.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PAULA, Ana Paula Paes de. &lt;em&gt;“Tragtenberg e a Resistência da Crítica: Pesquisa e Ensino na Administração Hoje”. &lt;/em&gt;RAE–Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.77-81.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PAULA, Ana Paula Paes de. &lt;em&gt;“As Inexoráveis Harmonias Administrativas e a Burocracia Flexível”&lt;/em&gt;. Revista Espaço Acadêmico, nº 16, set. de 2002. (Site: &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/016/16col_apaula.htm"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/016/16col_apaula.htm&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SILVA, Antonio Ozaí da. Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária: anotações sobre a experiência do fazer a tese. In: REA, nº 36, maio de 2004. Disponível em &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/036/36pol.htm "&gt;http://www.espacoacademico.com.br/036/36pol.htm &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SILVA, Antonio Ozaí da. (1999) &lt;em&gt;Maurício Tragtenberg e a Pedagogia Libertária&lt;/em&gt;. In: Lutas Sociais, nº 6, São Paulo, NEILS; PUC/SP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SILVA, Antonio Ozaí da. &lt;em&gt;Maurício Tragtenberg: Educador Crítico e Libertário&lt;/em&gt;. Pulsar (São Paulo), v. 1, p. 09-15, 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SILVA, Antonio Ozaí da . &lt;em&gt;O movimento social numa perspectiva libertária: a contribuição de Maurício Tragtenberg&lt;/em&gt;. In: SILVA, Doris Accioly e; MARRACH, Sonia Alem. (Org.). Maurício Tragtenberg: Uma vida para as Ciências Humanas. 1ª ed. São Paulo: Editora UNESP, 2001, p. 121-133.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SILVA, Doris Accioly e. &lt;em&gt;“Autonomia e Solidariedade: O Jornalismo Sindical de Maurício Tragtenberg”.&lt;/em&gt; In: Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.21-34.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SZKLARAWOSKY, Leon Frejda. &lt;em&gt;“Maurício Tragtenberg”. &lt;/em&gt;In Nave da Palavra, nº 25, de 31.03.00. Site: &lt;a href="http://www.navedapalavra.com.br/cronicas/mauricio.htm "&gt;http://www.navedapalavra.com.br/cronicas/mauricio.htm &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UHLE, Agueda Bernadete Bittencourt. &lt;em&gt;“Sobre administração e avaliação: uma conversa com as idéias de Maurício Tragtenberg”.&lt;/em&gt; Tudo Flui – Revista da Aduel, v. 5, nº1, jan./jun. de 2001, Londrina-PR, p.13-20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VALVERDE, Antonio José Romera. &lt;em&gt;“A Inteligência do Orientador”. &lt;/em&gt;RAE – Revista de Administração de Empresas, jul./set. 2001. São Paulo, v. 41, nº 3, p.60-63.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIEIRA, Evaldo Amaro. &lt;em&gt;“Para Maurício Tragtenberg”&lt;/em&gt;. Educação &amp; Sociedade, Ano XX, nº 66, abril de 1999, p.8-10.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-5716658077950054530?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/5716658077950054530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/artigos-sobre-maurcio-tragtenberg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/5716658077950054530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/5716658077950054530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/artigos-sobre-maurcio-tragtenberg.html' title='Artigos sobre Maurício Tragtenberg'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-6339093954197025641</id><published>2008-12-15T14:55:00.008-02:00</published><updated>2008-12-15T15:16:14.569-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obras (livros)'/><title type='text'>Obras publicadas pela Editora da Unesp</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaNJwlFUOI/AAAAAAAACkY/OxW6PCd-J8w/s1600-h/mt_administracao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 157px; height: 235px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaNJwlFUOI/AAAAAAAACkY/OxW6PCd-J8w/s320/mt_administracao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280062811937263842" /&gt;&lt;/a&gt;ADMINISTRAÇÃO, PODER E IDEOLOGIA&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, MAURÍCIO - Educação, Política, Sociologia - ISBN: 8571395918 &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=68"&gt;&gt;&gt;&gt; + informações &gt;&gt;&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaNwWL0zbI/AAAAAAAACkg/0CraezgLqEc/s1600-h/mt_burocracia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 157px; height: 238px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaNwWL0zbI/AAAAAAAACkg/0CraezgLqEc/s320/mt_burocracia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280063474866900402" /&gt;&lt;/a&gt; BUROCRACIA E IDEOLOGIA&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, MAURÍCIO - Administração - ISBN: 8571396566 &lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=683"&gt;&gt;&gt;&gt; + informações &gt;&gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaO-Q6Jk2I/AAAAAAAACko/q7QjqLkKRMY/s1600-h/mt_reflexoes.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 157px; height: 244px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaO-Q6Jk2I/AAAAAAAACko/q7QjqLkKRMY/s320/mt_reflexoes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280064813480383330" /&gt;&lt;/a&gt;REFLEXÕES SOBRE O SOCIALISMO&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, MAURÍCIO - Ciências Sociais - ISBN: 9788571398177&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=834"&gt;&gt;&gt;&gt; + informações &gt;&gt;&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaQARzYe6I/AAAAAAAACkw/AXMuxHlNNHM/s1600-h/mt_revolucao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 157px; height: 230px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaQARzYe6I/AAAAAAAACkw/AXMuxHlNNHM/s320/mt_revolucao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280065947591801762" /&gt;&lt;/a&gt;REVOLUÇÃO RUSSA, A&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, MAURÍCIO - História - ISBN: 9788571397422&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=714"&gt;&gt;&gt;&gt; + informações &gt;&gt;&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaQtM2udVI/AAAAAAAACk4/9bLkglZM2VU/s1600-h/mt_educacao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 157px; height: 237px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaQtM2udVI/AAAAAAAACk4/9bLkglZM2VU/s320/mt_educacao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280066719357760850" /&gt;&lt;/a&gt;SOBRE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SINDICALISMO&lt;br /&gt;TRAGTENBERG, MAURÍCIO - Educação - ISBN: 8571395519&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=595"&gt;&gt;&gt;&gt; + informações &gt;&gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-6339093954197025641?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/6339093954197025641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/obras-reeditadas-pela-editora-da-unesp.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6339093954197025641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/6339093954197025641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/obras-reeditadas-pela-editora-da-unesp.html' title='Obras publicadas pela Editora da Unesp'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUaNJwlFUOI/AAAAAAAACkY/OxW6PCd-J8w/s72-c/mt_administracao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-3738193869526752869</id><published>2008-12-15T11:32:00.010-02:00</published><updated>2008-12-16T00:34:53.836-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orientandos(as)'/><title type='text'>Orientandos(as): mestrado e doutorado</title><content type='html'>Orientando(a): ALMEIDA, Ivan Antonio de&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Construindo a identidade operária: a história da comissão de fábrica da Asama&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado &lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1991&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): ALMEIDA, Ivan Antonio de&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Movimento Fé e Política: a síntese de uma tragédia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1997&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): BARRETO, Kátia Marly Mendonça&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;O clube militar: atuação política&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1988&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): BARROS, José Manoel de Aguiar&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Terrorismo: uma palavra em movimento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1989&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): BONITO, Maria Antonieta&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Instituições e sociedades culturais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1994&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): BORBA, Jason Tadeu&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Indivíduo e capital: uma abordagem a partir de Marx e Jung (Gemceinwessen: ruptura, transformação e metamorfose)&lt;/strong&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1998&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): CAETANO, Miriam Expedita&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Educação para a transformação ou para mudar as algemas de mão? Um estudo sobre educação e formação no Instituto Cajamar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1996&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): CAMARGO, Elizabeth de Almeida S. Pompeo de&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;A militância de Fernando Azevedo na educação brasileira e educação física&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1995&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): CERQUEIRA, Luiz Egypto da&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Imprensa e indústria da consciência: a informação e a contra-informação militante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1983&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): CRUZ, Marta Vieira&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Igreja Católica e sindicalismo no campo: conservadorismo ou transformação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1992&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): ESCRIVÃO FILHO, Edmundo&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;CCQ e “Just-in-Time”: uma análise integrada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1987&lt;br /&gt;Lattes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FARIA, José Henrique de.&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Comissões de Fábrica: poder e trabalho nas unidades produtivas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: FEA/USP&lt;br /&gt;Ano: 1986&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FERREIRA, Brasília Carlos&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;O sindicato de garrancho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1986&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FERREIRA, Pedro Roberto&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Os trotskistas (PSR) em 1946: uma ultra-esquerda brasileira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1985&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FERREIRA, Pedro Roberto&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;O Conceito de Revolução da Esquerda Brasileira - 1920/1946&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1993&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FONSECA, Dirce Mendes da&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;UnB: reforma para não mudar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1986&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FONSECA, Roberto Lopes&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;História e administração do Sindicato dos Professores de Itajaí – Sinpro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1998&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FREITAS, Pedro Jorge de&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;A república sem razão; as origens do florianismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1992&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FREITAS, Pedro Jorge de&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;A Revolução burguesa de Júlio de Castilhos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 2002&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): FRELDO, Antonio Carlos de Moura&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;O discurso gerencial como lógica da dominação na organização&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1988&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): GANDINI, Raquel Pereira Chainho&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Tecnocracia, capitalismo e educação em Anísio Teixeira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1979&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): GANDINI, Raquel Pereira Chainho&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;R.B.E.P – 1944-1952: Intelectuais, educação e Estado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): GARCIA, Fernando Coutinho&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Centralismo democrático e autoritarismo partidário: uma contribuição à questão da organização&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: ESP/SP&lt;br /&gt;Ano: 1977&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): GIRON, Louraine Slomp&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;As sobras do littorio: o fascismo na região colonial italiana do RS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1989&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): GUTIERREZ, Gustavo Luis&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Autogestão e condições modernas de produção&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado &lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1983&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): LEME, Dulce M. Pompeo de Camargo&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Hoje há ensaio (a greve dos ferroviários da Cia. Paulista -1906&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1984&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): LIMA FILHO, Paulo Alves de&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;A economia política do complexo industrial-militar: o caso do Brasil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1993&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): LOPES, Elizabeth Pereira&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;A máscara e a formação do ator&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): MALAGONI, Edgard Afonso&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Formas e limites do capitalismo agrário: uma leitura crítica de Smith, Ricardo e Marx&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): MARRACH, Sonia Aparecida Alem&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Visão do mundo dos ferroviários aposentados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1983&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): MARRACH, Sonia Aparecida Alem&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;O jornalismo político de Cipriano Barata&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1992&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): MONTEIRO, Lúcia Emilia Bruno de Barros&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Portugal: o combate pela autonomia operaria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado &lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1983&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): PEDREIRA FILHO, Valdemar S.&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Comissões de fábrica: um claro enigma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado &lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): POSSAS, Cristina de Albuquerque&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Saúde, medicina e trabalho no Brasil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1980&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): ROSSI, Wagner Gonçalvez&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Capitalismo e educação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1977&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SCHILLING, Flávia&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Estudos sobre resistência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1991&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SEGNINI, Liliana Rolfsen Petrilli&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Ferrovia, ferroviários: uma análise do poder disciplinar na Companhia Paulista de Estrada de Ferro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1981&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SEGNINI, Liliana Rolfsen Petrilli&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Bradesco: a liturgia do poder&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1986&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SHIROMA, Eneida Oto&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Mudança tecnológica, qualificação e política de gestão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1993&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SILVA, Antonio Ozaí da&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;As tendências, partidos e organizações marxistas no Brasil (1987-1994): permanências e rupturas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1998&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SILVA, Maria Valéria Jacques de Medeiros da&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Educação permanente: um balanço teórico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado &lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1993&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SILVA, Rosemiro Magno da&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;A luta dos posseiros de Santana dos Frades&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1987&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SIMCSIK, Tidor&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Comissão de Fábrica e a organização: caso Kodama&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado &lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1986&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): SOUZA, Francisco Simão de&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Interventorias no Ceará: política e sociedade (1930-1935)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado &lt;br /&gt;Instituição: PUC/SP&lt;br /&gt;Ano: 1982&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): STRUCHEL, Maria Aparecida Zaporalli&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Uma escola esotérica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado &lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1988&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): UHLE, Agueda Bernadete&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;O exercício da docilidade: estudo da formação profissional no SENAC&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Mestrado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1982&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): UHLE, Agueda Bernadete&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Comunhão leiga: O Rotary Club no Brasil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1991&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orientando(a): VALVERDE, Antonio José Romera&lt;br /&gt;Tema: &lt;strong&gt;Pedagogia libertária e autodidatismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nível: Doutorado&lt;br /&gt;Instituição: Unicamp&lt;br /&gt;Ano: 1996&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-3738193869526752869?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/3738193869526752869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/orientandosas-mestrado-e-doutorado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3738193869526752869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/3738193869526752869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/orientandosas-mestrado-e-doutorado.html' title='Orientandos(as): mestrado e doutorado'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-8823117675748198270</id><published>2008-12-15T09:52:00.004-02:00</published><updated>2008-12-15T10:55:18.045-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (artigos)'/><title type='text'>A importância da literatura para o homem de cultura universitária, qualquer que seja sua especialização</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUZTpqLXRtI/AAAAAAAACjo/uyKELHf5WKE/s1600-h/mt-blog.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 71px; height: 100px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUZTpqLXRtI/AAAAAAAACjo/uyKELHf5WKE/s320/mt-blog.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279999588300179154" /&gt;&lt;/a&gt;por &lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mensagem literária dirige-se hoje para um homem que vive numa época de especialização, que exige o culto às ciências naturais como o único digno de si. Partindo dessa premissa, uma evidência nos aponta: encontramos médicos, engenheiros e advogados, mas não o “homem” inserido nessas profissões. Essa especialização diferencia-os do resto da humanidade. Submergidos em suas atividades estes não têm oportunidade para serem no meio dos homens, “iguais entre iguais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A especialização é o signo de nossa época. O gigantesco desenvolvimento do conhecimento nas ciências naturais, a centralização de esforços dos Institutos Universitários em torno das pesquisas físicas longe de prescindirem de um sentido humano à sua atividade, colocam-no com mais dramaticidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o espantoso desenvolvimento das ciências naturais que revela o fato do homem achar-se num período de transição. Os velhos valores fenecem e os novos não foram ainda encontrados. Esse vácuo é preenchido pela incerteza do homem quanto ao seu destino.[1]  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa época de especialização [2], a literatura define os ideais de um período de crise e transição. Daí toda grande obra literária ser de um período de transição (veja-se a importância da mensagem de Dante, Dostoievski ou Kafka).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é nesses períodos que se põe dramaticamente ao homem essa interrogação: qual o sentido de sua vida, qual a significação do mundo que o cerca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico, engenheiro, advogado, encarnam especializações necessárias ao exercício de suas atividades, mas têm em comum, um atributo, o de serem humanos e o de enfrentarem idênticos problemas numa sociedade em transição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos filhos de uma sociedade individualista e liberal e caminhamos para um outro tipo de sociedade planificada. Como dar-se-á tal mudança? Quais os agentes desse processo? Não o sabemos. O que sabemos é que assistimos a um espetáculo de crise, de transição, onde os velhos quadros sociais desaparecem e os novos ainda não se estruturaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura é uma forma de resposta a essa interrogação. Ela, pelos escritos de Homero transmitia-nos uma mensagem corporificando um tipo de homem: o cavaleiro e o nobre; pela pena de Hesíodo, transmitia-nos uma ética do trabalho e sua dignificação como sentido da vida.[3] Os escritos de Joyce, Kafka e Faulkner, constituem uma mensagem adequada aos tempos novos: as formas clássicas do romance estão fenecendo; cabe ao homem descobrir uma nova linguagem para exprimir novas experiências de uma nova vida.[4] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as formas de arte a literatura é a mais próxima da vida e a mais sintética, pois reúne a arquitetura, quando no processo de composição do romance, a música, na estrutura melódica da frase, a pintura, no traçar o caráter dos personagens, a filosofia, ao definir seus ideais de vida. Daí sua importância para a cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo ela acessível aos diferentes especialistas, poderá formular novas formas de ação ética e padrões morais. Como um sismógrafo poderá ela captar o sentido interno da mudança que se opera no mundo. Para tal, conta com a intuição artística, que faz com que as mudanças sejam pressentidas antes pelos seus possuidores, passando depois aos campos sistemáticos do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transição do século XIX e XX foi assinalada, em primeiro lugar, pelos impressionistas, pelo naturalismo literário e posteriormente pelos teóricos de política, economia e filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura pertencendo a um dos campos assistemáticos do conhecimento tem esse poder. Pode auscultar as mudanças que se operam no mundo e pela imaginação de seus grandes nomes, definir ao homem comum, novos caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não conseguir formulá-los com nitidez, pelo menos servirá como testemunho de uma época. A época que produz Camus, Kafka e Faulkner [5], já escolheu seu destino: eles testemunham por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época moderna à literatura cabe um papel integrador. O papel de superar o abismo existente entre a arte e a vida, arte e ciência, na medida em que ela mesma é concebida como uma forma de conhecimento dessa totalidade, que é o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe ao escritor viver plenamente sua época, pois só atinge a grandeza, aquele que sentiu seu próprio tempo. Este é o segredo da universalidade de um Goethe, Balzac ou Cervantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa tentativa de traçar com lucidez os quadros do mundo, onde se desenrola o drama humano, num período de transição, é que a literatura deixará de ser o “sorriso da sociedade”, para ser testemunho de uma época, uma mensagem acessível a todos, que permitia ao homem independente de sua especialidade sentir-se junto ao seu semelhante, como “igual entre iguais”, cumprindo um sábio preceito chinês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as profissões diferenciam o homem, cabe à arte uni-lo em torno de ideais comuns. Isso ela pode fazê-lo, pois sua linguagem é universal e a condição humana idêntica em toda a face da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;* Trabalho premiado – prêmio Graciliano Ramos – no concurso de literatura para os universitários do país, instituído pelo Ministério de Educação e Cultura e pela revista O Cruzeiro, conforme sua publicação de 2-1-60. Fonte: Separata da Revista de História Nº 44 (FFCL - USP), São Paulo. Publicado na Revista Espaço Acadêmico, nº 07, dezembro de 2001. Disponível em &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/007/07trag_literatura.htm "&gt;http://www.espacoacademico.com.br/007/07trag_literatura.htm &lt;/a&gt;** Licenciado em História pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A respeito da incerteza do homem quanto ao seu destino individual, num mundo em mudança, existe uma vasta bibliografia, cujos pontos de vista mais relevantes aparecem expostos em:&lt;br /&gt;S. Freud – &lt;em&gt;Civilization and its discontents&lt;/em&gt;. Londres, 1930.&lt;br /&gt;J. Ortega y Gasset – &lt;em&gt;La rebelión de las massas&lt;/em&gt;. Madri, 1930.&lt;br /&gt;Huizinga – &lt;em&gt;Entre las sombras Del mañana&lt;/em&gt;. Madri, 1936.&lt;br /&gt;Niebuhr – &lt;em&gt;Moral and imoral society. A study in ethics and politics&lt;/em&gt;. Nova York, 1932.&lt;br /&gt;Os trabalhos acima estão pautados por uma visão romântica e pessimista ante os problemas da técnica numa sociedade de massas e suas repercussões morais, políticas e econômicas.&lt;br /&gt;Uma posição mais construtiva e realista em relação aos mesmos fenômenos se encontrará em:&lt;br /&gt;Karl Mannheim – &lt;em&gt;Libertad y Planificacion Social&lt;/em&gt;. México, 1946.&lt;br /&gt;Karen Horney – &lt;em&gt;The neurotic personality of our time&lt;/em&gt;. Londres, 1937.&lt;br /&gt;Erich Fromm – &lt;em&gt;Psicanálise da sociedade contemporânea&lt;/em&gt;. São Paulo, 1959.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A respeito da tendência irrecorrível de nossa civilização à especialização, veja-se Gerth e Mills – &lt;em&gt;“From Max Weber”, cap. Science as vocation&lt;/em&gt;. Londres, 1955.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.Sobre a importância da literatura como &lt;em&gt;“formação do homem” &lt;/em&gt;em Homero e Hesíodo, veja-se, Werner Jaeger – Paidéia – I Volume,\ págs. 53-93. México, 1955.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. O “tipo ideal” de romance construído arquitetonicamente é o de Balzac. “&lt;em&gt;La Commedie Humaine”&lt;/em&gt; representa o ideal linear do romance do século XIX. Com &lt;em&gt;“Lês Faux Monnayeurs”&lt;/em&gt; de A. Gide, este esquema de desenvolvimento linear da ação do romance deixa lugar à simultaneidade das ações. Esta ruptura com a construção tradicional de romance é salientada por Claude Edmonde-Magny quando escreve: “en écrivant &lt;em&gt;“Les Faux Monnayeurs”, &lt;/em&gt;ce modèle de “sur-roman”, Gide refuse la conception traditionelle du genre, avec une vigueur, à peine moins grande, que celle de son ami Paul Ambroise” in “&lt;em&gt;Histoire du roman français depuis de 1918&lt;/em&gt;, pág. 229.” Paris, 1950. Joyce representa uma nova experiência construtiva utilizando um tema clássico. Diferentemente dos modernos é introspectivo. O monólogo interior é a razão de Dédalo, é uma forma de existência. Joyce lançou essa técnica já descoberta anteriormente por um francês, Edouard Dejardin. Antes de Joyce, já o inglês Stephen Hudson dele já fazia uso. Até o nosso semiconhecido Adelino Magalhães já o usava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Em Faulkner o diálogo não é uma relação entre duas consciências, é uma relação com vistas à ação. Ele não exclui inteiramente o monólogo, como por exemplo em &lt;em&gt;“Tandis que j’agonise”. &lt;/em&gt;Nota Claude Edmonde Magny, que “chez Faulkner l’analyse intérieure alterne perpetuellement avec l’énoncé des comportements” in L’Age du roman americain, pág. 50. Paris, 1948. No entanto, sua obra, como a de Hemingway, Dos Passos e Caudwel estrutura-se sob modelos behaivoristas inspirados na técnica do cinema norte-americano. A respeito das influências do cinema no romance americano e franc6es após-guerra, veja-se as pertinentes observações de Magny, ob. cit., pág. 11.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6428050943843030389-8823117675748198270?l=mauricio-tragtenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/feeds/8823117675748198270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/importncia-da-literatura-para-o-homem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/8823117675748198270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6428050943843030389/posts/default/8823117675748198270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/2008/12/importncia-da-literatura-para-o-homem.html' title='A importância da literatura para o homem de cultura universitária, qualquer que seja sua especialização'/><author><name>Antonio Ozaí da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02416965999815066511</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/TNYeZSY2oxI/AAAAAAAAPRs/n27WW0q0F3s/S220/catalao.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SUZTpqLXRtI/AAAAAAAACjo/uyKELHf5WKE/s72-c/mt-blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6428050943843030389.post-7835424542655506207</id><published>2008-12-12T18:21:00.003-02:00</published><updated>2008-12-12T18:29:29.556-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='obra (memorial)'/><title type='text'>Memorial</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SULJR3a_5YI/AAAAAAAABbw/IS3jtEXBnUQ/s1600-h/41.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 286px; height: 224px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-E6GNwYQrkc/SULJR3a_5YI/AAAAAAAABbw/IS3jtEXBnUQ/s320/41.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279003022003791234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maurício Tragtenberg&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O que eu sou é o que me faz viver" &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Skakespeare, Henrique VIII &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de estar, no presente momento, prestando concurso para professor-titular da Faculdade de Educação da Unicamp, ante uma banca examinadora composta por professores-titulares e titulados, é um desafio. Na medida em que o candidato a professor-titular não teve uma formação escolar "convencional", concluiu seus estudos em nível de 1º grau no terceiro ano primário, retomou os estudos escolares através do ingresso na FFCHL da USP mediante apresentação de uma monografia à congregação da mesma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de uma "formação" não-convencional e de uma trajetória pós-graduada não-convencional, também acredita o candidato ter conseguido acumular um mínimo de "capital cultural" para lidar com o ensino e pesquisa acadêmicos e manter uma atividade extra-acadêmica dirigida aos trabalhadores através de uma coluna sindical na imprensa diária paulista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha biografia começa no interior do Estado do Rio Grande do Sul, onde meus avós aportaram na qualidade de camponeses pequenos proprietários, fugindo dos progroms, cultivando como unidade familiar uma agricultura de subsistência onde o excedente era vendido no mercado, em Erebango, que depois tornou-se Erexim e, finalmente, Getúlio Vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emigração de meus avós ao Brasil se deu através de um projeto de colonização judaica no Rio Grande do Sul, que tinha o financiamento da Cia. Judaica de Colonização, fundada pelo barão Hirsch, no início do século. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colonização judaica no Rio Grande do Sul partia de Erebango, espraiara-se para Philipson e Quatro Irmão, regiões localizadas no Alto Uruguai, próximos a Marcelino Ramos, cidade fronteiriça com o Estado de Santa Catarina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do quadro rural de Erebango, onde meus avós assentaram nos campos, cobertos de neve durante o inverno, do cultivo da terra e da extração da madeira, de sol a sol. Pela manhã era acordado pelo meu avô, com a pergunta: o Messias já chegou? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era um camponês profundamente religioso, tolstoiano, que esperava diariamente a chegada do Messias, como é comum em camponeses, pequenos proprietários em processo de proletarização. Essas camadas adotam o quilialismo utópico, como demonstrava Weber nos seus estudos sobre a religiosidade camponesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meio rural de Erebango não estava afastado das grandes idéias e movimentos sociais que abalaram o mundo no início do século, culminando com a Revolução Russa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em 1908, centena de camponeses russos vindos da Ucrânia desembarcaram no Paraná. Vinte famílias de camponeses venderam o que tinham na Rússia, embarcando, com escala em Londres, para Santos, São Paulo, daí num cargueiro dirigiram-se para Porto Alegre, levados à Erexim, hoje Getúlio Vargas, onde tomaram conta de dois lotes de terras de 25 hectares. Chegaram transportados em caminhões do exército e despejados nas matas de Erebango, Erexim (Getúlio Vargas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontraram bosques cortados por alguns rios e planícies sem vegetação. Com a gleba, cada família recebeu 500 mil réis em vales, foices, enxada e mais um machado e serra para cada duas famílias. Começara uma experiência fundada no apoio mútuo e na solidariedade, fundados na experiência da revolução maknovista na Ucrânia, destruída pelo bolchevismo, em 1918. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais hábeis cumpriam inúmeros papéis, na agricultura, no ensino, na assistência aos doentes e no sepultamento dos mortos. Cultivava-se a terra, plantava-se e colhia-se distribuindo a cada família os gêneros, conforme o seu tamanho, se maior ou menor. As famílias cooperavam nos trabalhos de desmatamento, construção de barracões, abertura de valos e caminhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos transcorridos entre 1913 e 1914 foram de muita fome e alguns se lembravam com saudades da Ucrânia. Após a deposição do czar, os bolcheviques tomaram o poder e exterminaram com as colônias anarquistas, em 1920. Muitos deles fugiram para a Argentina e enviavam a Erebango exemplares do jornal libertário Golos Truda, editado pela Federação de Trabalhadores Russos, com sede em Buenos Aires. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os camponeses de Erebando, ajudados pela imprensa libertária, aprimoraram o senso coletivo de vida e trabalho aprendendo uns com os outros. Todos eram alunos e professores, e aprendiam ao mesmo tempo os segredos do cultivo da terra. À luz de vela, à noite, aprendiam e ensinavam português, espanhol, russo e esperanto, lia-se em Erebango muitos autores anarquistas russos, como Kropotkine, Bakunin, especialmente Tolstói, com seu anarquismo religioso anticlerical, que era o autor preferido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em 1918, apareceu a União dos Trabalhadores Russos do Brasil sediada em Erexim, integrada por 40 camponeses e militantes, onde aparecia com destaque o camponês Serguei Ilitchenco; surge a União dos Trabalhadores Russos, com sede em Porto Alegre, presidida por Nikita Jacobchenco; a União dos Trabalhadores Russos de Guarani, Campinas, Santo Angêlo, dirigida por João e Gregório Taratchenco, e a União dos Trabalhadores Rurais de Porto Lucen, dirigida por Demétrio Cirotenco. Este último, durante mais de vinte anos, serviu de pólo de ligação entre os trabalhadores rurais de Erexim e Erebango, através da União dos Trabalhadores. Havia também o ucraniano Ossef Stefanovich, com uma barba à Kropotkine, que atuava como conferencista, professor, teatrólogo, jornalista e escritor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lia-se os clássicos da literatura russa, como Tolstói, Pushkin e Tchekov. Paralelamente, as colônias conseguiram a auto-suficiência em alimentos, elevaram o aprimoramento educacional e auto-aplicação dos princípios anarquistas no quotidiano de suas vidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa época em Erebango, depois Erexim, que os camponeses jovens pensaram em criar a Juventude dos Trabalhadores Rurais Libertários, ao mesmo tempo em que recebiam dos emigrados russos dos EUA o diário Americankie Izvestia e a revista Volna. Em 1925, recebiam em Paris a revista Dielo Trouda, que após 1930, seria impressa em Chicago. De Detroit vinha a partir de 1927, a revista Probuzhdenie, que em 1940 se associaria à Dielo Trouda, formando uma só revista sob o título Dielo-Trouda-Probuzhdenie, em circulação até 1963. Recebiam de São Paulo os jornais A Plebe, A Voz do Trabalhador, Ação Direta, O Libertário, a que se juntaram periódicos em castelhano como Voluntad, Tierra y Libertad e La Protesta****. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compunham a biblioteca dos colonos obras de Bakunin, Kropotkine, Malatesta, historiadores do anarquismo como James Guillaume, Rudolf Rocker, além de obras de Emma Goldman, Nestor Makno, recebidos do Canadá e Argentina. Segundo meus pais, toda essa problemática era discutida pelos meus avós, com a audiência respeitosa destes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, voltando à minha trajetória pessoal, conheci as primeiras letras em Erebango, depois Erexim, numa escola pública que funcionava num galpão. Entre arreios, cheiro de alfafa e um quadro negro, tive meu primeiro contato com o ler; escrever e contar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A região havia sido assolada pela Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, as tropas de chimangos e maragatos, indistintamente, destruíam plantações, matavam a criação e expropriavam os camponeses, reduzindo as comunidades camponesas a zero, no sentido econômico. No plano cultural, nem falar, o cinema havia chegado através do dono do único hotel da colônia, assistido por uma platéia embasbacada, que nada entendia do enredo dos filmes. Minha avó, que havia ido ao "cinema", perguntava para o meu avô o que havia visto através da "máquina"; respondia: "Vi diabos, diabos, diabos..." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começava a desintegração da família como unidade produtiva. Uma tia minha dirigiu-se a Porto Alegre, a "grande capital", e lá se casara com um serralheiro judeu, oriundo da Letônia. Logo depois, meu tio e minha mãe rumavam na mesma direção, instalando-se no Bonfim, o "gueto" judeu em Porto Alegre, tão bem retratado nas obras do escritor Moacyr Scliar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, freqüentara o Grupo Escolar Luciana de Abreu, ainda hoje no bairro Azenha. Estávamos em pleno Estado Novo, com fotos de Getúlio em todos os bares da cidade, com símbolo presidencial e cara de menino de primeira comunhão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que houve um dia "sem aulas". Isso se deveu à visita que Plínio Salgado fez a Porto Alegre. Na frente do grupo escolar havia um posto de distribuição de publicações de Plínio Salgado e sobre o integralismo. A condição de "judeu", numa sociedade nacional mais ampla, leva você a uma "politização precoce". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque a visita de Plínio Salgado era sentida no bairro judeu como a visita de um anti-semita que preparara futuros progroms, iguais aos vividos na Rússia, daí o temor e os comentários terem-se espalhados pelo bairro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti na avenida Oswaldo Aranha, a principal da cidade, ao desfile dos integralistas, uniformizados com camisa verde e ostentando um porte marcial. É o período em que o integralismo apoiara o Estado Novo, pensando receber em troca um ministério para Plínio Salgado. Isso não se deu e Getúlio, dias depois, colocaria a Ação Integralista na ilegalidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois, a família mudava para São Paulo, num vagão de segunda classe da então Viação Férrea do Rio Grande do Sul, após duas noites e três dias de viagem, aportávamos na Estação Sorocabana de São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos habitar à rua Tocantins, no bairro do Bom Retiro. Eu freqüentava o "Thalmud Torá", uma escola judaica ortodoxa. De manhã estudava as matérias comuns do ciclo primário e à tarde o índice hebraico e comentários do Velho Testamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos como vizinhos uma família judia de origem húngara, que se tornara nossa amiga. Ela sobrealugava um quarto a um cidadão que vivia de pijama e fumava cigarros Fulgor. Novamente o clima autoritário do Estado Novo fazia-se presente: o cidadão desaparecera, corria o boato que era "comunista", delito gravíssimo sob o Estado Novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a trabalhar muito cedo para ajudar um fraco orçamento doméstico, meu pai falecera e minha mãe costurava. Iniciei minhas "universidades", freqüentando um bar na rua Ribeiro de Lima, que tinha duas características: comida barata e mesa sem toalhas. Lá acorriam trabalhadores de origem letã, lituana, russa, polonesa, muitos haviam, inclusive participado da Revolução Russa, haviam topado pessoalmente com Lênin, Trotsky, Zinoviev ou Bukharin. Não eram "temas" de academia e sim expressões de relações sociais e políticas vividas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois eu mudara para o bairro do Brás. Morei na rua Santa Clara, rua Cachoeira e rua Catumbi, no Belenzinho. Nessa época, caíra a ditadura de Vargas, e eu tinha como vizinho uma sede do Partido de Representação Popular. Apesar de ter origem judaica e imagem de "esquerdista", os integralistas me tratavam com respeito, pois eu já lera, na época, toda a obra política de Plínio Salgado, Gustavo Barros e Miguel Reale e, de lambugem, nazistas nacionais como A. Tenório de Albuquerque e Tasso da Silveira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um período de grande efervescência política: falava-se de Constituinte, isso em 1945, redemocratização e transição, muito parecido com o que se fala ainda hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto de minha casa, na rua Belém, o PCB alugara um quarteirão onde se instalara a sede de seu comitê estadual. Vendia-se, lá, livros, símbolos do PCB como distintivos, emblemas, bandeiras, vendia-se bônus para a campanha da imprensa do PCB, muitos operários ostentavam símbolos orgulhosamente na lapela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi lá que, na venda da esquina da rua Catumbi com a Ivinhema, encontrei um operário espanhol com o inevitável bigode, que, olhando minha aparência mirrada - na época o meu apelido social era Gândhi, tal a magreza - "Oh! Rapaz, queres ficar forte? Entre para o PCB". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contribuía para a mesma tendência um sapateiro espanhol, meu vizinho, que entre um prego e outro na sola do sapato discorria sobre reforma agrária, o que fora a guerra civil espanhola e a importância do PCB. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tive dúvidas, ingressei na "base", uma célula de bairro que funcionava no bairro do Belém, inicialmente pequena, composta de um pedreiro, um operário têxtil e uma dona-de-casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais eram as tarefas da "base"? Pichar muros, colocar cartazes do partido, participar na organização de comícios políticos, leitura obrigatória dos jornais do partido. Nas reuniões, o secretário político trazia um resumo do jornal O Estado de S.Paulo e, assim, considerava cumprida a missão de informar em nível nacional e internacional o seu grupo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, trabalhando como office-boy de um laboratório farmacêutico existente na rua Catumbi, conheci um motorneiro que fazia a linha Belém-Praça da Sé, num bonde "cara-dura", assim chamado porque trazia um cartaz "Bonde para Operários", cuja passagem custava dez centavos, quando o bonde comum custava o dobro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma viagem e outra, eu colocava o caixote de medicamentos junto à direção do bonde, sentava e ouvia ele discorrer sobre o projeto socialista, a exuberância do potencial da URSS e o "grande Stálin" condutor dos povos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, havia outros focos de difusão cultural popular. Houve a fundação do Partido Socialista, em cuja sede central, no edifício Sta. Helena, na Pça. da Sé, conheci Antonio Cândido, ministrando um curso sobre a História do Brasil, Azis Simão falando sobre o sindicalismo e a burocracia, e comecei a ler, além de Stálin, os clássicos do marxismo, o próprio, Lênin e Trotsky. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participei do IV Congresso do PCB, onde Prestes justificara o caráter "progressista" da burguesia industrial que o partido deveria apoiar para "acabar com o latifúndio e os restos do feudalismo" em 1945. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falava-se com sagrado temor que o Brasil estava num processo de "revolução democrático-burquesa", e que a tarefa do partido, além de lutar por uma Constituinte com Getúlio, era apoiar Adhemar de Barros ao governo do Estado. Era a época do Tratado de Yalta, onde os EUA deixaram Stálin avançar sobre o Leste e os PCs ocidentais, por sua vez, "compunham" com os partidos burgueses, como De Gaulle na França, com De Gasperi na Itália, com Getúlio no Brasil, combatendo as greves e pregando a "união nacional". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, freqüentava eu a Galeria Prestes Maia, onde reuniam-se trabalhadores, de tendências anarquistas, trotskystas e socialistas, além de comunistas e também integralistas, estabelecendo profícuo debate. Foi aí que eu soube pela primeira vez, através do vidreiro Domingos Taveira, militante sindical, o que fora a Revolução Russa, como fora esmagada a oposição Operária, fundada por Kollontai, pelo governo Lênin-Trotsky. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através dos socialistas, eu tomara conhecimento da crítica de Rosa Luxemburgo aos "descaminhos do bolchevismo" e, através de um senhor português que trabalhava como lixeiro na limpeza pública, eu soubera como Makno e seus componentes foram esmagados por Lênin e da rebelião dos marinheiros de Cronstad contra a "comissariocracia" instituída pelos bolcheviques. Na minha ingenuidade, levei tais "dúvidas" ao IV Congresso do PCB: a reação unânime fora: "São conversinhas da Pça. do Patriarca". Fui chamado à ordem pela "direção" e impedido de ler Marx ou Lênin; literalmente fora obrigado a limitar-me à leitura do jornal Hoje e Imprensa Popular para ficar a par do noticiário nacional e internacional, segundo a voz dos "dirigentes". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Persistindo nas minhas "dúvidas", fui solenemente expulso do PCB, nos termos do artigo 13 do Estatuto do Partido de 1945: "É proibido ao militante do Partido qualquer contato direto ou indireto com trotskystas ou outros inimigos da classe operária". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdia eu o partido, ao mesmo tempo em que perdia uma namoradinha minha que insistia nas leituras de São Cipriano, querendo converter-me à sua Igreja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a freqüentar cursos de fim de semana do PSB e ganhei de Aziz Simão o primeiro livro de nível universitário, a História Econômica e Social da Idade Média, de Henri Pirenne. Eu freqüentava à noite, aos sábados, as conferências do Centro de Cultura Social onde Edgard Leuenroth, Pedro Catallo, a feminista Anita Carrijo, o escritor Mário Ferreira dos Santos, pontificavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após minha expulsão do PCB, não só iniciara a leitura dos clássicos marxistas, como da obra do "herético" Trotsky e o tema da burocracia me fascinou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha preocupação com a burocracia como poder data daí, além de uma vivência concreta: eu prestara concurso para o cargo de escriturário do Departamento de Águas e Energia Elétrica e lá travara contato com a burocracia do quotidiano no ritualismo existente na interação burocrática, na apatia do burocrata ante o trabalho e como no interior da burocracia pública havia diferenças de status, mantidas através dos diplomas acreditativos das escolas, como definia Weber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, na década de 50, muito antes de aparecer Bourdieu como celebridade, percebia eu no Departamento de Águas que o estamento dos engenheiros só atendia alguém se esse alguém usasse o tratamento de "Doutor" dirigindo-se a ele. Caso contrário, não havia interação. Percebi como, na burocracia pública, funcionava o sistema feudal do "patrocínio", seu status dependia de a quem você estivesse "ligado" na burocracia. Você trabalhava ou ficava na ociosidade, dependendo do prestígio do seu "padrinho". &lt;br /&gt;O horário de trabalho era do meio-dia às dezoito horas, de segunda a sexta-feira. Isso possibilitava-me pela manhã e à noite freqüentar a Biblioteca Municipal Mário de Andrade e lá ler o que me interessava, discutindo com outros autodidatas, nas saídas ao "cafezinho", sobre as leituras que fazia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chamado "grupo da Biblioteca" era composto na época por Silvia Leser, Bento Prado Jr., Aracy Martins Rodrigues, Carlos Henrique Escobar, Flávio Rangel, Antunes Filho, Maria Lúcia Montes, Leôncio Martins Rodrigues, Cláudia Lemos. Lia-se de tudo, de Aristóteles a Sprengler, passando por Fernando Pessoa, Sá-Carneiro e José Régio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A média de leitura era de seis a oito horas por dia, não havia telefonema de jornais pedindo matéria, reuniões de departamento, de conselhos inter ou extradepartamento em suma, você utilizava o tempo produtivamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgira um semanário, Orientação Socialista, onde passei a colaborar, além de colaborar na Folha Socialista mantida pelo PSB. Assistia a algumas assembléias sindicais, no Sindicato dos Metalúrgicos, no fim da ditadura Vargas, levado por um velho militante sindical que instruíra-me sobre o "ambiente sindical", ou melhor, sobre o getulismo sem Getúlio. Entrava-se na sede do sindicato na rua do Carmo, e um burocrata da Delegacia Regional do Trabalho recebia-nos com o gesto de sentar e calar a boca durante a assembléia, dizendo: "- Fique quieto, só ouça". Era assim que o sindicalismo de Estado criava a "nova" consciência operária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, já Remo Forli fora eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e conheci o Paul Singer que trabalhava como eletricista nos Elevadores Atlas e militava no PSB. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não posso deixar de incluir nas minhas universidades a família Abramo. Na época, Dna. Yole, mãe dos Abramo, Lélia, Beatriz, Athos, Perseu, moravam na rua do Hipódromo, 425. Ali entrei em contato com a cultura italiana e com a visão crítica do bolchevismo, através de Athos, Fúlvio e Lélia Abramo. Eu freqüentava a casa deles aos domingos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essas universidades, fui pouco a pouco tendo uma visão crítica da burocracia no movimento operário e, através do trabalho no Departamento das Águas, uma interna da burocracia como estrutura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já aumentara um pouco de peso e deixara de ser o "Gândhi". Foi quando Antonio Candido, no saguão da Biblioteca Municipal, mencionara uma lei federal que permitiria eu apresentar uma monografia à FFCHL da USP, para prestar vestibular e cursar a universidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 150 dias de trabalho, estruturei a monografia Planificação..., que, mediante parecer do Prof. João da Cruz Costa, permitiu-me prestar vestibular e cursar a universidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, tive algumas dificuldades em adaptar-me à rotina escol
